terça-feira, 29 de maio de 2007

ATÉ QUANDO?


MAIS UMA CRIANÇA É MORTA NA VILA CRUZEIRO



Ontem, 28 de maio de 2007, Iury Andrade da Rosa, de 12 anos, foi baleado, no sábado, na Vila Cruzeiro, durante uma troca de tiros entre policiais e traficantes. Iury, que era morador da Caixa D'Água, ao lado da Vila Cruzeiro, foi atingido na cabeça por um tiro de fuzil. Ele chegou a ser socorrido no Hospital Getúlio Vargas, onde foi operado, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no domingo.O menino foi sepultado ainda nesta segunda-feira. Com ele, sobem para 17 o número de mortos no confronto, que começou no dia 2 deste mês.

Segundo a família do menino, Iury foi atingido enquanto jogava bola de gude na rua. Outras crianças que estavam com o menino na hora em que ele foi baleado choravam muito durante o enterro.


IRMÃO DIZ QUE PMS ATIRARAM DE DENTRO DO CAVEIRÃO

A., de 13 anos, irmão de Yuri, também foi atingido por estilhaços de uma bala que resvalou num muro. Ele contou que o caveirão passou pelo grupo e depois voltou, parando na direção das crianças que estavam brincando. A. disse que os faróis do caveirão foram acesos e os policiais, de dentro do veículo, teriam atirado. O jovem ainda conseguiu se esconder num dos becos do morro.

Aluno da Escola Municipal Mário Kroeff, Yuri era um dos meninos atendido pelo Centro de Referência em Assistência Social (Craes) da prefeitura. Ele integrava o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil. Funcionários do centro contam que o menino adorava cantar e dançar. Yuri, inclusive, havia sido convidado para fazer um rap para os Jogos Pan-Americanos.

Segundo a polícia, Leonardo de Oliveira Feliciano, de 18 anos, foi baleado no abdômen na noite de domingo, quando trocava tiros com policiais do 16º BPM. Ele foi levado para o Hospital Geral de Bonsucesso, onde está internado, sob custódia da PM. Luiz Antônio Cruz Santos foi baleado na cabeça na noite de sexta-feira e continua internado no Getúlio Vargas. O PM Carlos Henrique Neves da Silva, de 28 anos, foi atingido por estilhaços de bala no rosto e também está internado no Getúlio Vargas.

Na manhã desta segunda, traficantes incendiaram uma Blazer na Rua Aimoré, na entrada da Favela da Chatuba, na Penha. O carro ficou atravessado na pista, dificultando a passagem de outros veículos. Até o fim da tarde, o veículo não havia sido retirado.

Nesta segunda, as ruas no entorno das favelas da Penha amanheceram ocupadas por policiais militares. Os carros de polícia ficaram estacionados próximo ao batalhão do Corpo de Bombeiros na Avenida Nossa Senhora da Penha, uma das vias de acesso à Vila Cruzeiro. Durante todo o dia, não houve operação da polícia dentro das favelas. Assustados, comerciantes ameaçavam fechar as portas, caso houvesse confronto.


ENTRADAS OCUPADAS

Policiais militares do 16º BPM (Olaria) continuam ocupando as entradas do Complexo do Alemão. Desta vez, a barreira montada pelos policiais está em frente ao quartel do Corpo de Bombeiros, na Avenida Nossa Senhora da Penha. Comerciantes do local estão assustados e ameaçam fechar as portas.


GOVERNO DIZ QUE OPERAÇÕES NO ALEMÃO CONTINUAM

Além dos 17 mortos, a guerra entre traficantes e policiais na região deixou 54 feridos. As operações no Complexo do Alemão começaram porque os suspeitos da morte de dois PMs em Oswaldo Cruz estariam escondidos na Vila Cruzeiro. O governador Sérgio Cabral e o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, já informaram que a polícia vai continuar no Alemão até sufocar o tráfico local.


Fonte

OFICIAL DEFENDE A VOLTA DA TORTURA E DA DITADURA


DE VOLTA AOS ANOS DE CHUMBO...


O governador Sérgio Cabral lamentou na manhã desta terça-feira o que chamou de "incontinência verbal" do comandante do Batalhão de Policiamento de Vias Especiais (BPVE), tenente-coronel Antônio Washington Borges Germano. O oficial foi exonerado do cargo na segunda-feira depois de defender a volta da ditadura e tortura como forma de punir policiais corruptos num discurso à tropa em 17 de abril, cujas gravações foram divulgadas pela imprensa. Ele vai ficar à disposição do Estado Maior da PM. Em outra gravação de discurso para tropa, em 4 de maio, o comandante teria chamado de maconheiro o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, autor da lei que acabou com a premição dos policiais que mais matavam.

- Lamento, porque ele recebeu muitos elogios quando foi nomeado comandante. Mas teve uma chamada incontinência verbal. Pedi que o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, averiguasse o fato e ele me comunicou nesta manhã (terça) que o exonerou. Foi uma incontinência verbal absolutamente descabida. Estamos num estado de direito democrático. A força deve ser usada para combater o crime com inteligência e quando necessário deve ser utilizada, mas de maneira alguma esse tipo de conduta, abomino isso. O secretário agiu corretamente - analisou Cabral.

O governador acrescentou ainda que nas comunidades diz para os policias do Bope agirem com firmeza no enfrentamento dos criminosos, mas recomenda que o sistema de som dos carros blindados, conhecidos como "caveirões", sejam utilizados para orientar a comunidade e não para criar pânico.

- Tenho que visto que eles mudaram a atitude e estão orientado mesmo a comunidade, avisam que estão entrando para defnder a ordem, pedem para para levar crianças para casa. Esse é o objetivo do som e não, como era anteriormente, usar palavras de terror, o que não levam a nada - disse Cabral.

domingo, 27 de maio de 2007

SEGURANÇA PÚBLICA SEM INTELIGÊNCIA, É TERROR









ALEMÃO: FALTAM POLICIAIS PARA VENCER O TRÁFICO


Especialistas são unânimes em sugerir o emprego de mais homens e equipamentos adequados nas operações


Sérgio Ramalho

Com o cerco ao Complexo do Alemão às vésperas de completar um mês, três especialistas em estratégia militar e segurança consultados pelo GLOBO são unânimes no diagnóstico da operação nas 12 favelas: faltam policiais e equipamentos para garantir a ocupação da região. Frente ao déficit da tropa, o consultor em segurança Vinícius Domingues Cavalcante — que tem o certificado da American Society Industrial Security, em Virgínia (EUA) — sugere o emprego de operações psicológicas contra os traficantes que dominam o complexo de favelas.

— Seria leviano criticar as táticas adotadas pela Secretaria de Segurança com base apenas no noticiário. É evidente que faltam policiais e equipamentos para tomar do tráfico um complexo com quase 200 mil habitantes.

É um quadro complexo.

Seria necessário pelo menos mil homens bem treinados para fazer o trabalho. Sem o apoio de outras instituições, acredito que a secretaria optou pela asfixia das favelas, com eventuais incursões. Essa é uma tática lenta, mas progressiva — disse Vinícius Cavalcante.

Para o especialista, no entanto, a tática poderia ser somada à adoção de operações psicológicas: — O diálogo, por rádio, em que traficantes falavam em atirar nos moradores com o objetivo claro de criar pressão na opinião pública contra a operação é um exemplo. Isso deveria ter sido divulgado com ênfase para atrair a simpatia da população.

É importante mostrar que o traficante é o vilão, e não o policial. Há uma série de tipos de propaganda que pode gerar bons resultados para a polícia, com estímulo à denúncia dos esconderijos de armas e drogas dos bandidos.


ESPECIALISTA SUGERE TRABALHO COM AS FORÇAS ARMADAS

Diretor do Departamento de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), Ronaldo Leão também identifica a falta de homens e equipamentos adequados para ocupar o Alemão. Na opinião dele, um trabalho integrado com as Forças Armadas poderia suprir o problema a curto prazo: — O Exército não é treinado para fazer o trabalho da polícia, mas, em situações como a enfrentada hoje no Alemão, os militares poderiam auxiliar num cerco. Caberia, então, às tropas de elite das polícias Militar e Civil realizar ações direcionadas para desarticular a quadrilha.

Para isso, o ideal seria um grupo subir o morro em veículos blindados e outros descer de helicóptero no alto do maciço.

Esse é um outro problema já que a polícia não conta com aeronaves blindadas.

Ronaldo Leão acrescenta que nenhum esforço para ocupar o complexo será válido se não forem colocadas em prática ações sociais: — A polícia tem que entrar na comunidade junto com um conjunto de medidas para resgatar e dar perspectiva de vida para a população. O problema é que isso depende do estado e não da polícia. Se, depois de ocupar o morro, a PM apenas instalar um posto no local, o tráfico vai voltar com mais força e, pior, o morador perderá a esperança.

Vice-presidente do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos, o coronel do Exército Amerino Raposo endossa a análise feita por Ronaldo Leão. O militar, que lutou na Segunda Guerra Mundial e foi superintendente da Polícia Federal, na década de 60, não acredita em mudanças no Complexo do Alemão sem investimento maciço na área social.

— Não vai adiantar nada ocupar a comunidade apenas com a polícia. Não há efetivo para manter esse tipo de operação por muito tempo. É preciso urbanizar o complexo, transformá-lo num bairro, dar escola, saúde e perspectiva de futuro aos jovens. Caso contrário, o tráfico volta — disse o oficial.

Em resposta ao pedido do GLOBO para que analisassem a operação da polícia no Alemão, Ronaldo Leão e o coronel Amerino Raposo são cautelosos.

Ambos sustentam que as ações devem ser realizadas com muito cuidado.

— Afinal, estamos falando de um conglomerado de casas e barracos, onde vivem quase 200 mil pessoas, com muitos trechos em que não há acesso para veículos. Nessa situação é enorme o risco de se produzir vítimas inocentes ou, como dizem os militares, danos colaterais — analisou Leão.


NOTÍCIAS DE UMA GUERRA QUE JÁ DURA QUASE UM MÊS

A Polícia Militar começou a fazer operações no Complexo do Alemão, no último dia 2, em busca dos bandidos que, na véspera, tinham executado dois PMs em Oswaldo Cruz. A caçada mostrou que o tráfico havia transformado as favelas daquela região numa fortaleza inexpugnável: barreiras feitas com trilhos de trem fincados no asfalto e botijões de gás bloqueiam a entrada de veículos da polícia. Outra estratégia usada pelo tráfico é derramar óleo no asfalto para impedir a passagem do Caveirão.

Numa das operações, a PM encontrou uma casamata no alto da Vila Cruzeiro, de onde os bandidos atiravam contra os policiais. O “bunker” foi explodido no dia 5, mas os tiroteios não terminaram. Nos confrontos, 16 pessoas já morreram e mais de 50 foram vítimas de balas perdidas. Três escolas e duas creches, que ficam dentro do complexo, estão fechadas desde o primeiro dia da guerra, deixando mais de três mil crianças sem aulas.


Fonte: O Globo. 27 de maio de 2007. Página 30

MAIS SANGUE NOS GUETOS E RUAS DO RIO. MAIS OMISSÃO SOCIAL


MILÍCIA: NOVA GUERRA À VISTA




Objetivo do grupo liderado por policial civil e bombeiro é tomar Cidade de Deus de traficantes, reunindo ‘exército’ de 1.200 homens. A comunidade de Jacarepaguá seria ‘base de operações’

Aluizio Freire


Rio - Relatório elaborado pela Subsecretaria de Inteligência (SSI) revela que está sendo articulado um plano de milicianos para invadir a Cidade de Deus, em Jacarepaguá. Pelo menos 1.200 homens estariam recebendo instruções táticas para ocupar a comunidade, que tem aproximadamente 40 mil moradores e movimentado comércio. Cada recruta estaria recebendo como pagamento R$ 200 por dia para encarar a empreitada e expulsar traficantes que hoje dominam a favela.

De acordo com o documento, cujos detalhes foram repassados por uma alta fonte que participa da investigação, a ação está sendo arquitetada há quatro meses em cinco pontos de Jacarepaguá. O interesse em tomar a área seria também para transformar o território estratégico em uma espécie de ‘base de operações’ das milícias que atuam naquela região. Dois homens são apontados como os mentores do plano: um policial civil conhecido pelo apelido de Robocop e um bombeiro de nome Girão.

O cerco dos milicianos está sendo feito a partir das comunidades situadas nos arredores da Cidade de Deus e que já foram dominadas por eles, como São José Operário e Bateau Mouche, na Praça Seca; Morro do Fubá, em Campinho; Caixa D’Água, no Largo do Tanque; Favela da Covanca, no Pechincha; e outras localidades menores.

Os grupos são formados por policiais militares, policiais civis, bombeiros, informantes e pessoas indicadas por aliados mais próximos. Os homens recrutados recebem todas as instruções para o ataque e a garantia de que terão um poderoso arsenal à disposição.

MILITAR DO EXÉRCITO

Segundo informações que estão sendo apuradas a partir do relatório da SSI, a milícia da Gardênia Azul está sendo chefiada, a mando de Robocop e Girão, por um sargento do Exército — que está na ativa e é lotado no Hospital Central do Exército. Ele é conhecido pelo apelido de Soquetão e seria dono de uma grande peixaria. O militar também seria sócio de um bingo e participaria da exploração de seguranças feitas por seus homens para comerciantes e moradores.

Outra comunidade que já está ocupada por ‘soldados’ de Robocop e Girão é a Vila Sapê, em Curicica, Jacarepaguá. Até pouco tempo atrás, a favela era uma espécie de ‘estica’ (ponto de venda de drogas) do tráfico da Cidade de Deus.



Foi nas proximidades da Vila Sapê que, em outubro, três jovens com idades entre 10 e 14 anos foram torturados, estrangulados e jogados dentro de sacos plásticos à beira de um rio. Na semana anterior, outras cinco pessoas foram assassinadas sob a suspeita de estarem devendo dinheiro às bocas-de-fumo ou de serem informantes da polícia na região.

CAÇA-NÍQUEIS

Robocop e Girão seriam ainda sócios do cabo da PM Jorsan Machado de Oliveira, de 30 anos, assassinado no sábado da semana retrasada, dentro de seu Audi A3 preto, no Largo do Tanque, em Jacarepaguá. Ele estava com o amigo Antônio Paulo da Costa, de 25 anos, que também foi morto, na saída da Escola de Samba Renascer. Lotado no Batalhão de Choque, o cabo era conhecido como Jorsan Japonês e teria comandado o grupo que expulsou os traficantes do Morro da Caixa D’ Água.

O nome de Jorsan também aparece no pen drive (arquivo digital portátil) de Rogério Andrade — apreendido ano passado pela Polícia Federal com o contador do bicheiro — como um dos responsáveis pela segurança dos caça-níqueis em Jacarepaguá. Ele atuaria na região com o apoio de Leonardo Brandão Alves, conhecido como Léo Magrinho. Investigado na morte do agente federal Aluizio Pereira dos Santos e denunciado por formação de quadrilha pelo Ministério Público, Jorsan foi flagrado pela PF em escuta telefônica conversando com uma pessoa que o agradece pelo apoio ao ex-chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, eleito deputado estadual.

Um ponto considerado estratégico



A Cidade de Deus é considerada, segundo os analistas do relatório, um ponto estratégico para domínio das milícias por estar situada numa região central e cercada por outros bairros, como Curicica, Gardênia Azul, Anil, Freguesia, Pechincha, Taquara, Tanque, Praça Seca e Vila Valqueire. Em boa parte dessas localidades, os milicianos já estão presentes. Até agora, o tráfico de drogas, que ocupa a Cidade de Deus, tem resistido à invasão das milícias. Nas últimas semanas, um clima de tensão tem pairado sobre a favela, que se tornou conhecida internacionalmente através do filme de Fernando Meirelles. Os moradores temem um confronto violento na comunidade nessa disputa pelo território pelas milícias e traficantes. “Não sabemos o que é pior, uma coisa ou outra. O que sabemos é que nesses conflitos de homens armados a gente é que acaba levando a pior”, lamenta um morador, de 52 anos, pai de quatro filhos adolescentes, há 30 anos vivendo na Cidade de Deus.


Fonte

VINGANÇA ENTRE CRIMINOSOS


LOBO COMENDO LOBO



Vingança contra comparsas aliados à milícia


Rio - A invasão da Favela Kelson’s, na Penha, na manhã de domingo, quando nove pessoas foram mortas, foi planejada e executada por traficantes do Comando Vermelho (CV) que haviam sido expulsos da comunidade em novembro pela milícia. Eles tinham como objetivo seqüestrar e executar três moradores: Sidinei Moreira de Azevedo, o pedreiro Noelson Ribeiro de Azevedo e Adão Mário Rodrigues Neto, que ‘traíram’ o CV e se aliaram aos milicianos, depois que seus comparsas fugiram da favela. A afirmação é do delegado Alcides Iantorno, titular da 22ª DP (Penha), que investiga o caso.

“Eles morreram porque traíram o CV. Foram retirados de suas casas, executados dentro da favela, à vista dos moradores. Os invasores não pretendiam retomar os pontos de venda de drogas que perderam, mas, sim, vingar seus ex-comparsas”, disse Iantorno. Na Favela Roquete Pinto e Piscinão de Ramos, ex-traficantes antes ligados à facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) também passaram para o lado dos milicianos.

Segundo o delegado, os traficantes sabiam onde moravam Noelson, Adão e Sidinei. O policial declarou ainda que, a princípio, pensou-se que o pedreiro havia sido executado apenas por ter erguido um muro na favela por ordem dos milicianos. “Quando mandei levantar a ficha criminal, descobrimos que tinha cinco passagens pela polícia e estava sendo processado pela Justiça. Noelson é autor de dois furtos, um assalto, um assalto com morte (latrocínio) e tráfico de drogas”, afirmou. O outro executado pelos traficantes, Adão, tinha passagem por uso de drogas. Quanto ao terceiro morto, Sidinei, a polícia recebeu informações de que, além de trair o CV — passando para o lado da milícia —, traiu também um ex-comparsa e ficou com sua mulher, quando o traficante foi expulso da favela pela milícia. Ele levou dezenas de tiros na região genital.

Também foi morto o cabo da PM Luiz Claudio de Souza Vargas, do 16º BPM (Olaria), que estava de licença médica para tratamento de saúde. Ele foi achado no porta-malas da caminhonete Chevrolet AD20, a poucos metros da favela. Os outros cinco bandidos foram mortos em confronto com soldados do 16º BPM, quando fugiam, em direção à Av. Brasil.

Sindicância vai investigar suspeitos

O tenente-coronel José Luiz Nepomuceno, comandante do 16º BPM (Olaria), disse que determinou a abertura de uma sindicância para apurar o possível envolvimento de praças de seu batalhão com milícias que atuam na Favela Kelson’s, na Penha, e na Cidade Alta, em Cordovil. A unidade ocupou ontem a comunidade da Penha com 25 homens.

A PM negou que não fosse custear o enterro do cabo Luiz Claudio de Souza Vargas. “Até agora não existe nada contra ele e não há porque o corporação não pagar os funerais”, afirmou o tenente-coronel Rogério Seabra, Chefe de Relações-Públicas. O policial, no entanto, foi enterrado na tarde de ontem, no Cemitério de Olinda, sem honras militares

Um outro policial militar acusado de envolvimento com as milícias, o cabo Jorge Henrique Alves, do 16º BPM, foi intimado para se apresentar hoje na 22ª DP e prestar depoimento ao delegado Alcides Iantorno.

Fonte

POLÍCIA OU BANDIDO?


















PM E BOMBEIRO SÃO MORTOS


PM e bombeiro integravam milícia da Kelson’s, na Penha



Rio - Dois militares foram confirmados como integrantes da milícia que atua na Favela Kelson’s, na Penha, onde nove pessoas foram mortas na manhã de domingo. Ambos, no entanto, já estão mortos: o cabo da PM Luiz Cláudio de Souza Vargas, 34 anos, do 16º BPM (Olaria), que estava de licença médica e foi achado no porta-malas da caminhonete Chevrolet AD20, a poucos metros da favela, durante o conflito do fim de semana; e o cabo bombeiro Francisco Airton Costa do Nascimento, 36, assassinado no dia 31 pelo também miliciano Tiago Costa Dantas, 36, que está preso.
Ontem, três pessoas foram ouvidas na 22ª DP (Penha), entre elas o cabo Jorge Henrique Alves, do batalhão de Olaria, suspeito de ser integrante do grupo de paramilitares. O policial militar negou qualquer envolvimento com a milícia. Segundo o delegado Alcides Iantorno, responsável pelas investigações, Vargas era “o dono da milícia”. O bombeiro foi apontado por Wilbert dos Reis de Souza, 32, e Luciano Severino da Silva, 22, que afirmaram em depoimento ontem terem sido contratados pelo militar para trabalhar na milícia. Os dois foram presos no dia 16 de janeiro, dentro da favela, com duas escopetas calibre 12.
A polícia também conseguiu identificar um dos cinco traficantes que fugiram da favela domingo, em um Corolla, durante o confronto. De acordo com as investigações até agora, Robson Carlos Machado, o Robinho, 33, aproveitou a invasão da favela para matar o miliciano Sidinei Moreira de Azevedo, que estaria vivendo com sua ex-mulher.

LISTA DE POLICIAIS BANDIDOS COM A POLÍCIA


LISTA DE POLICIAIS BANDIDOS COM A POLÍCIA


Secretaria de Segurança já tem lista de policiais suspeitos de participação em milícias

Rio - O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, informou nesta segunda-feira que a Subsecretaria de Inteligência já tem um relatório com os nomes de policiais suspeitos de participar das chamadas milícias – grupos armados que expulsam traficantes de drogas das favelas em troca de pagamento pelos moradores.
Segundo Beltrame, que não quis revelar quantos policiais estão sob investigação, a Secretaria já sabe onde estão lotados e as favelas em que supostamente atuariam, mas ainda junta provas para prendê-los.
“É um relatório amplo, complexo e extenso. Mas o que nós temos ali são indícios e dele estamos partindo para a formação de provas. Há nomes, há a lotação dessas pessoas e o local onde estariam, em tese, praticando algum tipo de desvio de conduta, mas temos que fazer um trabalho sério de busca de provas", disse o secretário.
A Secretaria, acrescentou, conhece a atuação desses grupos mas tem dificuldade em combatê-los, porque as chamadas milícias não estão incluídas entre as figuras reconhecidas pelo Código Penal Brasileiro. Por isso, explicou, as autoridades buscam provas de outros crimes cometidos pelos integrantes dos grupos, como a extorsão ou o homicídio.
Agência Brasil
Fonte

O LOBO SAI DA PELE DO CORDEIRO










MILÍCIAS SE ESPALHAM POR RUAS DE 17 BAIRROS


Grupos armados, formados por policiais e ex-policiais civis e militares, começam a praticar extorsão no asfalto.


Claudio Motta e Sérgio Ramalho


Dono de uma microempresa em Anchieta, Marcos imaginou que seria assaltado ao parar o carro em frente à sua firma, às vésperas do Natal.

Abordado por dois homens, o empresário passou do medo à incredulidade. Armados, eles se apresentaram como policiais e “sugeriram” ao empresário o pagamento de uma taxa semanal para garantir a segurança da empresa. A história confirma o levantamento feito pela Subsecretaria de Inteligência (SSI), revelando a expansão das milícias para o asfalto, em áreas próximas a favelas, em 17 bairros do Rio.

Depois de expandir o domínio para 92 favelas do Rio, as milícias formadas por policiais, bombeiros, agentes penitenciários e ex-policiais vêm cobrando taxas para “proteger” moradores e comerciantes de áreas próximas às favelas.

O grupo que desde novembro domina a favela Kelson’s, na Penha, vem estendendo suas atividades para o vizinho Mercado São Sebastião. Situado na Avenida Brasil, o complexo, com cerca de dois milhões de metros quadrados, é sede da Bolsa de Gêneros Alimentícios (BGA) do Rio e rota obrigatória de mais de 60% de todos os alimentos consumidos na cidade, segundo levantamento da Associação Comercial de maio de 2005.

“Segurança é milícia com nota fiscal” A presença dos milicianos preocupa o presidente da BGA, José de Souza e Silva. Segundo ele, insegurança é uma dos principais problemas que prejudicam o desenvolvimento do mercado.

— Os milicianos realmente passam pelo Mercado São Sebastião.

O que mais se expandiu ultimamente foi a guarda privada, inclusive as milícias.

É uma atividade ilegal, mas quem criou as milícias foram os ricos. Os seguranças de alguns condomínios são milícias com nota fiscal. As autoridades têm que analisar com profundidade o problema. As milícias começam a ter um domínio não só da comunidade pobre, mas também se transformam numa força política — alertou José de Souza.

Comerciantes do Mercado São Sebastião, que preferiram não se identificar por temer represálias, contam que os milicianos começaram a circular no local depois de consolidado o domínio territorial da Kelson’s, no fim de novembro.

Os primeiros contatos com comerciantes teriam acontecido com os donos de pequenos restaurantes, lanchonetes e trailers.

— Não é de hoje que a insegurança é um problema no Mercado São Sebastião, que já sofreu com uma onda de seqüestros em meados dos anos 90. As grandes empresas já têm seguranças, muitos deles policiais militares que não são da Kelson’s. Por isso os milicianos começam a vender proteção para os pequenos lojistas, que não têm esquemas montados — afirma um dos comerciantes.

O coordenador do Gabinete Militar da prefeitura, coronel Antônio Amaro, fez um relatório, no fim do ano passado, sobre a expansão das milícias na cidade. Ele já recebeu informações sobre a expansão do grupo que domina a Kelson’s, no Mercado São Sebastião.

— A expansão das milícias é um fenômeno novo, ainda estamos reunindo informações da sua atuação fora das favelas, mas sabemos que há influência da Kelson’s no Mercado São Sebastião — disse.

Fonte: O GLOBO, pag. 25, 07/01/2007


ME ENGANA QUE EU GOSTO II


SECRETÁRIO DO RIO DIZ QUE ONDA DE VIOLÊNCIA TERMINOU




O novo secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, disse hoje que a onda de ataques cessou e prometeu combater o avanço das milícias, grupos paramilitares que expulsam traficantes de favelas cariocas e que aparentemente foram a motivação dos ataques criminosos no Rio. No entanto, ele assinalou que as investigações atingirão outras organizações criminosas no Estado do Rio. "Com relação ao combate às milícias, já enfatizei que temos de agir em várias frentes, não podemos priorizar única e exclusivamente um delito", declarou, pouco depois de ser empossado pelo governador Sérgio Cabral Filho.

Ao dizer que a seqüência de atentados terminou, Beltrame classificou o trabalho feito pela polícia do Rio até agora como "brilhante". "Acho que os ataques não continuam acontecendo. Se estiverem, são ataques esporádicos. A Polícia Civil e a Militar, junto com a inteligência, conseguiram sufocar o que aconteceu".

O novo secretário, que é delegado federal, disse que contará com a ajuda do governo federal para investir no aprimoramento do sistema de inteligência do Rio. "A polícia tem de agir, não pode reagir. Mas precisamos de informações para uma organizarmos uma ação de maneira objetiva, concreta e racional".

Beltrame informou que, ainda este mês, receberá novos equipamentos para formar o que espera ser um dos principais sistemas de segurança "da América". Amanhã, ele se reúne no Rio com o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa. Beltrame disse que não vê, de imediato, a necessidade de convocar a Força Nacional de Segurança para o Rio, mas informou que esse assunto será tratado na reunião com Corrêa.

"A PM fez um trabalho fantástico, de imediato não acho necessário (convocar Força Nacional), mas faremos uma análise técnica e não exitaremos em chamá-la, caso seja necessário", afirmou ele, após a solenidade. O chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, também foi cauteloso em relação á necessidade de ajuda para combater a recente onda de crimes que atingiu o Estado. Ele disse que "primeiro quer tomar pé das coisas", mas garantiu que irá priorizar a integração entre as polícias Civil e Militar. Beltrame defendeu ainda o mapeamento das delegacias e batalhões da PM mais vulneráveis aos ataques.

Para tranqüilizar a população, o secretário afirmou que vai priorizar o aumento do policiamento nas ruas. Ele dará 30 dias para que todos os policiais em funções burocráticas ou cedidos para instituições como o Tribunal de Justiça e o Ministério Público se apresentem às suas unidades para reforçar o efetivo.

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DISSEMINAÇÃO DO MAL E OMISSÃO SOCIAL


NÚMERO DE MILÍCIAS EM FAVELAS DO RJ DOBRA EM 20 MESES



O número de favelas controladas por milícias - grupos paramilitares formados por seguranças, policiais, bombeiros, agentes penitenciários e lideranças comunitárias que expulsam traficantes de favelas - mais do que dobrou, passando de 42 para 92, em 20 meses, segundo relatório da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança.

O confronto entre traficantes e as milícias são um dos motivos alegados por alguns especialistas para a onda de violência ocorrida hoje no Rio, mas há divergências. O secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, afirmou que vem alertando há dois meses sobre o processo de união das facções criminosas contra o avanço das milícias. O secretário de Segurança Pública do Rio, delegado federal Roberto Precioso Jr., discorda e atribui os ataques a uma suposta insatisfação dos presidiários com a troca de governo.

Há mais de 30 anos, em áreas pobres da zona oeste do Rio, a "polícia mineira" mantém os traficantes longe, "garimpando" os criminosos - daí o apelido. No entanto, a expansão dessas milícias, como são classificadas agora pelos setores de inteligência policial, é fenômeno recente, que começou no final da década de 90.

Segundo a socióloga Julita Lemgruber, diretora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, há diferenças importantes entre os grupos que atuam há décadas na zona oeste e os que estão surgindo agora. Os de antigamente eram formados por policiais, aposentados ou da ativa, moradores da própria comunidade, que se uniam contra os bandidos. Agora, esses grupos se organizam do lado de fora da favela e invadem a área, destituindo os traficantes do poder.

Atividades paralelas ao tráfico - que fica terminantemente proibido pelas milícias - são assumidas pelos paramilitares. Esse poder paralelo inclui o controle do transporte alternativo (vans e moto-táxis), a distribuição ilegal de pontos de TV a cabo e, em alguns casos, a cobrança de taxas de moradores e pequenos comerciantes.

Fontes da Secretaria de Administração Penitenciária informaram que o setor de inteligência do sistema prisional já havia detectado a insatisfação dos chefes das facções, especialmente do Comando Vermelho, com os prejuízos provocados pelo avanço das milícias que atuam principalmente na zona oeste, em favelas de Jacarepaguá, Jabour e Senador Camará. Nessas localidades, o prejuízo das quadrilhas teria sido muito grande com a expulsão das quadrilhas das favelas.



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ME ENGANA QUE EU GOSTO


SINDICÂNCIA VAI INVESTIGAR APOIO DE PMs A MILÍCIAS NO RIO


A Corregedoria da Polícia Militar abriu sindicância para investigar se policiais militares estão dando apoio a colegas que atuam em milícias nas favelas da cidade. No fim do ano passado, eles teriam passado mensagens pelo rádio da PM incentivando milicianos. E usariam carros da corporação para dar cobertura às suas ações.

A PM abriu um inquérito no ano passado para apurar a participação de policiais do 9º Batalhão da PM em milícias, mas não conseguiu comprovar a atuação. A ONG Observatório das Favelas, que mantém contato direto com comunidades carentes, recebeu denúncias de moradores comprovando a participação de policiais.

A última tentativa de invasão teria sido, segundo a entidade, na favela Cidade de Deus, na zona oeste. Os policiais teriam retirado uma barreira feita pelos traficantes para impedir a entrada de veículos, o que facilitou a ação da milícia. De novembro a janeiro, moradores de pelo menos cinco comunidades contaram histórias parecidas.




Pedido

Por meio de uma carta, 13 associações de familiares de vítimas do crime organizado pediram que o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) determine o combate às milícias que atuam em favelas cariocas e à violência. Auto-intitulados "especialistas em segurança pela dor", eles querem ser ouvidos - e devem se encontrar com o secretário de Governo, Wilson Costa, na semana que vem. O governador também foi convidado.

Na segunda-feira, essas entidades e outras, de direitos humanos, prometem fazer uma manifestação em frente ao Palácio Guanabara. "A prática nos ensinou que precisamos de uma polícia técnica e não uma polícia de indicação política. O desgaste sofrido durante tanto tempo foi outro fator que fez de cada um de nós vitimas diretas da violência, especialistas em segurança pública, de tanto freqüentarmos Ouvidorias, Delegacias, Batalhões, Secretarias de Direitos Humanos, Defensorias Públicas, Ministério Público, Fórum", relata a carta.

O presidente da Associação de Praças da PM e do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio, Vanderlei Ribeiro, disse que desconhece policiais fardados agindo com as milícias. "Se realmente as milícias progredirem nesse serviço, significa dizer que a polícia oficial é de segunda categoria. A polícia de verdade não tem de ser substituída pelas milícias." Segundo ele, o atual comando vai modificar todo o esquema de policiamento para dar maior proteção às comunidades.

Fonte

NEGÓCIOS, NEGÓCIOS, MILÍCIAS A PARTE








ATAQUES TIVERAM MOTIVAÇÃO COMERCIAL, DIZ INSPETORA


Responsável pela prisão de alguns dos mais procurados traficantes do Rio, a inspetora Marina Maggessi, deputada federal eleita (PPS), afirmou ontem que a motivação para os ataques de traficantes do Comando Vermelho (CV) na madrugada de ontem foi meramente comercial. “Não há conotação política. As milícias atrapalharam os negócios deles e, por isso, reagiram”, disse ela.

Segundo Maggessi, o CV, que já foi a principal facção organizada do País, está “acabado”, já que os principais chefes da quadrilha estão presos e perderam alguns de seus maiores pontos-de-venda para quadrilhas rivais, como as Favelas do Vidigal e da Rocinha, na zona sul do Rio. “Se eles tivessem força não sairiam matando inocentes, mas invadiriam a (favela) Kelson’s e todos os outros lugares que têm milícia.”

A inspetora, que já chefiou o Centro de Inteligência da Polícia Civil e mais recentemente era encarregada das investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, disse ter a informação de que os ataques foram combinados na Favela da Mangueira, em São Cristóvão, na zona norte. “Tudo está concentrado lá, as armas, de onde saíram os comboios.” Segundo ela, a polícia não sobe a Mangueira “porque os riquinhos vivem lá na quadra da escola de samba e eles têm proteção política”.

Não há um mentor, segundo Maggessi. “É um bando de moleque cheirador de cocaína. Decidiram aterrorizar, conseguiram autorização dos líderes presos e saíram feito doidos.” Além dos traficantes da Mangueira, disse, vieram criminosos do Morro da Providência (centro), do Complexo do Alemão, Vila Kennedy, Nova Holanda e Vilar Carioca (todos na zona norte). Para ela, os ataques vão continuar: “A partir de amanhã (hoje) terão 4 mil policiais patrulhando a orla, eles vão virar alvo.”

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ONDE HÁ MILÍCIA, NÃO HÁ LEI













O prefeito Cesar Maia (PFL) ofereceu dinheiro ao governador eleito Sergio Cabral Filho (PMDB) para o pagamento da segunda jornada dos policiais militares, com o objetivo de dobrar o efetivo nas ruas. Maia crê que essa seria a solução para a crise de segurança que atinge o Rio. O prefeito lembrou que emprestou dinheiro com o mesmo fim ao governador Marcelo Alencar (PSDB). Ele pediu ainda ajuda das Forças Armadas para o patrulhamento das vias expressas, como Avenida Brasil, e linhas Amarela e Vermelha.

O prefeito não acredita na versão do Secretário de Segurança Pública, Roberto Precioso, de que os ataques foram motivados pela mudança de comando na Secretaria de Administração Penitenciária. "Essas ações vinham ocorrendo pontualmente e vêm crescendo. E a explicação está na atuação das milícias, que ampliam a ocupação nas comunidades, e expulsam o tráfico", afirmou.

Para o prefeito, a mensagem dos criminosos foi clara. "O que se pretende com os ataques é fazer com que a polícia não-fardada interrompa a ocupação. Esse fato (atuação das milícias) é extremamente grave porque tanto de um lado (tráfico) quanto do outro (milícia) não há lei".

Maia defendeu que a Secretaria de Segurança centralize seu trabalho em três frentes: "fortalecer o policial competente, combater o mau policial e não permitir a atuação de pára-militares".

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REFORÇO PARA AS MILÍCIAS


MAIS SEIS PMS PRESOS POR LIGAÇÃO COM TRÁFICO



Policiais são acusados de vender armas a bandidos e de dar proteção a criminosos contra quadrilhas rivais


A Corregedoria da PM prendeu ontem mais seis policiais acusados de envolvimento com o tráfico de drogas, dando continuidade à Operação Tingüi, desencadeada pela Polícia Federal, no mês passado.

O juiz Marcelo Villas, da 1aVara Criminal de Madureira, decretou a prisão preventiva (que vale por todo o processo) de 70 policiais militares e de Bruno da Silva Loureiro, chefe do tráfico da Favela do Muquiço, em Guadalupe.

Desse
total, 60 policiais já estavam presos temporariamente, desde o dia 19 de dezembro, quando a operação da Polícia Federal foi deflagrada.

Ainda falta prender quatro policiais militares Na época, a Justiça decretou a prisão temporária (que vale por 30 dias) de 66 PMs, mas seis deles haviam cometido crimes militares, como extorsão mediante seqüestro e corrupção passiva, cuja competência é da Justiça Militar.

O juiz Marcelo Villas encaminhou esses casos para a Auditoria Militar, mas os PMs continuam presos. Todos os detidos estão no Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica. Ainda falta prender quatro policiais.

No total, 76 PMs foram denunciados pelo Ministério Público estadual, após terem sido investigados pela Polícia Federal e pela Corregedoria da Polícia Militar. De acordo com a sentença do juiz Marcelo Villas, os 70 policiais que tiveram a prisão preventiva decretada no último dia 2 vão responder a processo por tráfico, associação ao tráfico e formação de quadrilha. Eles são acusados de vender armas a traficantes, além de proteger os bandidos de ataques de quadrilhas rivais.

Nas investigações feitas pela Polícia Federal com a ajuda de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, foram identificadas diversas equipes de policiais que utilizavam codinomes nas conversas com traficantes da Favela do Muquiço.


Juiz: “caso mostra situação grave da segurança pública”.

Em sua decisão, o juiz Marcelo Villas disse que “o envolvimento de vários policiais militares com o crime organizado acaba por denotar o quão grave e delicada é a situação concernente à segurança pública no Rio de Janeiro, sendo certo que a segregação cautelar de todos os envolvidos subsidiará a dissipação do sentimento de insegurança e impunidade que atualmente a população do Rio de Janeiro detém”.

Os dez policiais com mandados de prisão expedidos ontem são do 1.º BPM (Estácio), do 4.º BPM (São Cristóvão), do 9.º BPM (Rocha Miranda), do 16.º BPM (Olaria), do 17.º BPM (Ilha do Governador), do 18.º BPM (Jacarepaguá), do 23.º BPM (Leblon), do Batalhão de Policiamento de Vias Especiais (BPVE) e do Batalhão de Choque (BP Choque).

No mesmo dia 19, quando foi deflagrada a Operação Tingüi, o comandante do 14o BPM (Bangu), coronel Celso Nogueira, onde 40 policiais foram presos, foi também detido, em outra operação da Polícia Federal, denominada Gladiador

Coronel é acusado de ligação com contraventor O oficial é acusado de ligação com o contraventor Fernando Iggnácio, preso sob a acusação de explorar máquinas de caça-níqueis. Nogueira foi filmado num encontro com Iggnácio, num restaurante na Barra da Tijuca.

Fonte: O GLOBO – RIO – Pg 14 – 2/01/2007

OMISSÃO OU PACTO COM O INIMIGO?



Balanço oficial contabiliza 18 mortos em ataques do crime organizado

Rio - Dezoito pessoas, sendo sete bandidos, morreram em doze ataques perpretados pelo crime organizado desde o fim da noite desta quarta-feira. A informação foi divulgada durante em entrevista coletiva concedida pelo secretário estadual de Segurança Pública, Roberto Precioso.

De acordo com Precioso, sete pessoas morreram carbonizadas no incêndio de um ônibus na Avenida Brasil, houve ainda duas outras vítimas civis e dois PMs foram assassinados. Os ataques deixaram ainda 14 civis e oito policiais militares feridos. Três bandidos foram presos. A polícia conseguiu apreender uma granada M4, dois fuzis e duas pistolas.

O secretário anunciou ainda o reforço do policiamento em 12 favelas do Rio. Ele atribuiu os atentados a possíveis mudanças no sistema prisional do estado em função da troca de comando no governo do Rio. Durante a entrevista coletiva, faltou energia na sede da Secretaria, no prédio da Central do Brasil.

Represália contra ação de milícias policiais

O terror começou a se espalhar pela cidade à meia-noite, em pelo menos 20 carros lotados de homens armados com fuzis e granadas. Embora o secretário de Segurança atribua os atentados à mudança na política prisional, a justificativa dos bandidos, espalhada em cartazes jogados durante as ações (foto), dizia que era uma resposta às milícias formadas por policiais que já dominam mais de 80 favelas.

O ataque mais grave ocorreu na Avenida Brasil, onde um ônibus da Viação Itapemirim com 28 passageiros que fazia a viagem de Cachoeiro de Itapemirim (ES) a São Paulo (SP) foi incendiado. Sete pessoas morreram carbonizadas. Três suspeitos foram presos com as mãos queimadas.

Polícia havia sido avisada

Os alertas enviados pela Polícia Civil, terça-feira, sobre o plano de ataque tramado pelo Comando Vermelho não impediram que traficantes voltassem a impor o terror na cidade. Durante a madrugada, oito delegacias, cabines da PM e até o Hospital Getúlio Vargas foram fuzilados. Cinco ônibus teriam sido incendiados.

Em frente ao Botafogo Praia Shopping, onde uma cabine foi atacada, matando a vendedora ambulante Suely Maria Lima de Souza, 33 anos, ferindo seu filho Gabriel, de 4, no braço e na cabeça, e atingindo no braço o soldado da PM Fábio Chot da Silva, o panfleto dizia: "Rosinha e Garotinho apóiam a milícia contra o pobre e favelado. A milícia massacra os pobres da favela e a resposta é o rio de sangue". Ele tirava o seu primeiro serviço na cabine.

O primeiro ataque registrado foi na Barra da Tijuca, na Avenida Ayrton Senna, a pouco mais de um quilômetro do local onde será instalada a Vila Pan-Americana. Dois PMs foram atacados a tiros de fuzil. Um morreu e o outro ficou ferido.

Homem morre após registrar ocorrência em delegacia

Outro "bonde" começou a atacar Jacarepaguá: 32ªDP (Taquara), Favela Bateau Mouche e Morro da Chacrinha, na Praça Seca, até chegarem à 28ªDP (Campinho). Um homem que havia feito um registro de ocorrência foi baleado e morreu na entrada da delegacia. Pelo menos seis carros que estavam estacionados no pátio da delegacia foram perfurados a tiros.

Na Rua Joana Angélica, uma das mais nobres de Ipanema, um PM foi morto a tiros. Outro homem morreu após dar entrada no Hospital Salgado Filho, no Méier, depois de ser baleado durante um ataque a viaturas ou cabines da PM na área do 3º BPM (Méier).

Na Rua das Rosas, em Vila Valqueire, três policiais militares ficaram feridos e a viatura em que estavam foi incendiada. O Hospital Getúlio Vargas também foi alvo dos traficantes. Assim como a 12ª DP (Hilário de Gouvêia), a 6ªDP (Cidade Nova), onde uma granada foi atirada, a 18ªDP (Praça da Bandeira), e até mesmo a 5ªDP (Gomes Freire), que fica ao lado do prédio da chefia da Polícia Civil. A 29ª (Madureira), a 4ª (Central) e a 12ªDP (Copacabana) também viraram alvos.

O estudante Rodrigo Silva, 21 anos, foi atingido por uma bala perdida quando seguia para casa na volta do trabalho. Ele dirigia um Fiat Uno vermelho que teve o párabrisa dianteiro perfurado quando passava no viaduto que liga a Rodovia Washington Luiz com a Avenida Brasil, durante os ataques ocorridos na entrada do Conjunto Residencial da Cidade Alta, em Cordovil, na Zona Norte do Rio. A vítima foi socorrida e levada para o Posto do Corpo de Bombeiros da Avenida Brasil, em Parada de Lucas, e depois encaminhado para o Hospital Getúlio Vargas, foi operado e permanece internado.

Ataques também na Região Metropolitana

Duas bombas caseiras foram jogadas nesta madrugada em dois pontos de Itaboraí, na Região Metropolitana. O primeiro foi por volta das 2h contra uma agência da Caixa Econômica Federal. Vinte minutos depois, o Restaurante Popular da cidade foi atacado. A Polícia Militar acredita que os ataques estejam ligados aos atentados ocorridos.

Em Itaboraí, ninguém, ninguém ficou ferido. Policiais Federais seguiram para a Caixa Econômica Federal, acompanhados de peritos. De acordo com policiais militares, os Postos de Policiamento Comunitários de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí tiveram a segurança reforçada, assim como o patrulhamento nas ruas. Em Niterói, a policia também reforçou o policiamento nas proximidades do Presídios Edgar Costa, no Centro, e na Penitenciária Vieira Ferreira Neto, no Fonseca.

Terror até a manhã

Por volta de 7h15, cerca de 20 traficantes da Favela Vila Aliança, em Bangu, colocaram fogo em três ônibus. Um coletivo foi interceptado pelo bando na Rua Maria Estrela com Estrada da Água Branca. Ao mesmo tempo a outra parte do bando ateava fogo em dois ônibus na Estrada do Engenho. Bombeiros do quartel de Bangu e policiais do 14ºBPM (Bangu) foram acionados. Até o momento não há informação sobre feridos.

Um Posto de Policiamento Comunitário (PPC) do 6º BPM (Tijuca) na Estrada Velha da Tijuca, no Alto da Boa Vista, foi atingido por vários tiros às 8h. Os disparos foram feitos por ocupantes de um Fiat Stylo preto. Na troca de tiros, dois policiais foram baleados. O segundo sargento da PM Nílton Serciano Batista Filho foi atingido por um tiro na perna esquerda e levado para o Hospital do Andaraí, onde será operado. O soldado Anderson Nepomuceno foi baleado no braço e medicado no Hospital Ordem Terceira da Penitência, mas será transferido para o Hospital Central da polícia Militar (HCPM), no Estácio.



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TIGRE EM PELE DE GATO



MILÍCIA NA ZONA NORTE



Esquema de segurança clandestino é adotado por moradores



Vânia Cunha

Rio - Ruas fechadas por cancelas, guaritas, homens de uniforme com a inscrição ‘apoio’ circulando em motos e munidos de radiotransmissores. Há três meses, a segurança clandestina foi adotada em ruas do bairro de Del Castilho, no Grande Méier. Segundo o Sindicato dos Vigilantes e Policiais do Rio, a segurança só pode ser feita por profissionais especializados, autorizados pela Polícia Federal, o que faz com que o esquema de segurança de Del Castilho seja ilegal.

O presidente da associação de moradores do bairro, que se identificou como Biliu, assumiu a clandestinidade do negócio. “Sei que é ilegal, mas temos que garantir o sossego dos moradores. O número de assaltos foi reduzido desde que começamos. Contamos com o policiamento, mas parte do mérito é nossa”, afirmou, informando ainda que os homens do ‘apoio’ trabalham desarmados e que, a qualquer emergência, acionam PMs do 3º batalhão (Méier).

O comandante da unidade, coronel Mauro Teixeira, disse desconhecer a segurança clandestina, que funciona nas ruas Honório, Luiz de Brito, Renoir, Van Gogh e Itamaracá, além de algumas ruas do conjunto habitacional IAPC. Teixeira afirmou ainda que vai enviar policiais ao local para apurar informações.

Moradores pagam por mês R$ 10

Segundo Biliu, a associação investiu R$ 7 mil para comprar rádios e camisas, além da instalação das guaritas de alvenaria e cancelas. Moradores pagam R$ 10 mensais. Os 14 seguranças também viveriam no local e atuam das 7h à 0h. Após as 22h, as cancelas são fechadas e os carros só passam se forem identificados.

“A intenção é boa, mas é ilegal e perigoso. Essas pessoas podem morrer em atos violentos ou cometer crime, que pesará sobre quem contratou”, alerta o presidente do Sindicato dos Vigilantes, Fernando Bandeira.


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COMANDO AZUL: ACABAR COM O MAL PELA RAIZ


ESPECIALISTAS ADVERTEM: É PRECISO COMBATER MILÍCIAS

Atualmente, 92 favelas do Rio são dominadas por grupos de policiais.

Eles vendem segurança e extorquem os moradores.



por Alba Valéria Mendonça.


A situação é gravíssima, atestam os estudiosos, sobre a violência e o crescimento das milícias formadas por policiais que estão amedrontando e tomando conta das favelas do Rio de Janeiro. Mas, se o Estado agir rapidamente, a cidade ainda tem chances de se livrar de mais essa mazela, diz o antropólogo Luiz Eduardo Soares. O governador eleito Sérgio Cabral afirma que vai enfrentar o problema com eficiência, mas não informa que estratégia vai usar. Para a cientista social Sílvia Ramos, as milícias são o reflexo do atraso de 20 anos na realização de políticas públicas de segurança para a periferia.

Como revelou o jornal O Globo, nos últimos 20 meses, 92 favelas da cidade foram invadidas por grupos de policiais e bombeiros da ativa e da reserva que, a pretexto de garantir a segurança nas comunidades, passaram a ameaçar e extorquir moradores e comerciantes, cobrando taxa de proteção. As milícias estão substituindo os traficantes, mas continuam exercendo um poder paralelo ao do Estado.

Em entrevista concedida por telefone à Rádio CBN, de Buenos Aires, o governador eleito Sérgio Cabral afirmou que não vai repetir o erro de outros governos. Ele pretende combater as milícias com a legalidade. Cabral diz que o estado é capaz de atender as necessidades e demanda da população.


A sociedade está doente


O coordenador de comunicação do Movimento Viva Rio, o filósofo Tião Santos, acredita que o Rio vive uma epidemia de violência. A cura, segundo ele, está em ações preventivas, como as atividades sociais para os jovens. Para ele, as milícias estão ocupando os espaços que o Estado deixou para trás.

“Vivemos numa sociedade doente, tomada pela violência. É natural que as comunidades fragilizadas pelo tráfico de drogas procurem os caminhos mais práticos para se defender. Mas, assim como as ONGs não podem substituir o governo, as milícias não podem substituir a Polícia. Não podemos tratar esse tema com superficialidade. Não podemos cair no erro de comparar segurança privada dos condomínios da Zona Sul com as milícias nas favelas. Na primeira, os moradores dizem como querem sua segurança. Na segunda, as milícias impõem seus códigos de conduta pela força aos moradores. Não podemos assumir o que é dever do Estado”, defendeu Santos.

Para o antropólogo Luiz Eduardo Soares, o Rio está vivendo uma regressão ao estado de barbárie do século XIX, na Europa. Ele lembra que a instituição Polícia surgiu na Inglaterra justamente para controlar os grupos de justiceiros.

“As milícias começam oferecendo proteção, mas depois dominam a comunidade. Tiranamente, assumem o comércio, a distribuição de gás e de serviços, o transporte e passam a impor suas próprias leis. Praticam todo tipo de perversão. E aí a proteção vira escravização. Em breve, esses grupos vão estar competindo entre si como os traficantes”, comentou Luiz Eduardo, lembrando que a prática das milícias remonta a década de 50, mas sua expansão vem se dando nos últimos três anos.

A solução, segundo o antropólogo, é simples e deve ser rápida. Para combater o poder paralelo das milícias, o Estado tem de mostrar sua força e sua autoridade e assumir o seu papel. “É fundamental agir rapidamente. A imprensa já fez parte do trabalho, levantando as áreas onde essa máfia está agindo. Agora, cabe ao Estado identificar esses maus policiais, abrir inquéritos e afastá-los da Polícia. É preciso promover uma intervenção rápida. Só assim o Estado terá sua autoridade restabelecida e respeitada. Do jeito que está o Estado está desmoralizado”, enfatizou o antropólogo.


Falsa tranqüilidade


A cientista social Sílvia Ramos vai ainda mais longe. Para ela, as milícias representam um perigo maior que os traficantes, pois se mostram mais organizados para promover extorsão contra moradores e comerciante e para dominar as favelas. Ela diz que o falso sentimento de alívio que esses grupos causam quando assumem o controle da comunidade confunde os moradores.

“No começo, eles se sentem aliviados, se sentem protegidos. Quando percebem que estão sendo dominados, o terror já está fora do controle. Isso demonstra com mais clareza a total ausência do Estado nas favelas e comunidades da periferia do Rio. É um problema que se arrasta há 20 anos por falta de uma política pública de segurança para essas áreas”, observou Sílvia.

O sociólogo Ignácio Cano diz que as milícias surgem justamente onde as pessoas não são tratadas com cidadania. Para ele, os grupos paralelos comandados por policiais representam um grande perigo. Eles são a Polícia agindo como bandidos contra a Polícia.

“Precisamos de uma Polícia eficiente e uma investigação profunda para identificar e afastar os maus policiais. É preciso que o Estado reocupe o seu lugar, como já acontece no Morro do Cavalão, em Niterói, onde a Polícia tirou os traficantes e o governo assumiu o seu papel”, concluiu o sociólogo.

Fonte G1

30 ANOS DEPOIS, A FALANGE AZUL REINVIDICA O RJ


Milícias expulsam os traficantes e já controlam 92 favelas da cidade do Rio.


Os jornais "O Globo" e "Extra" trouxeram reportagens neste domingo, 17/12/2006, mostrando o crescimento das milícias nas favelas do Rio de Janeiro. Segundo a reportagem do "Globo", a cada 12 dias, uma favela dominada pelo tráfico é tomada por milícias no Rio. O fenômeno é coordenado por agentes de segurança púublica, políticos e líderes comunitários, como diagnostica relatório elaborado há dois meses pelo Gabinete Militar da prefeitura do Rio. Informações da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança ressaltam que, em apenas 20 meses, o número de comunidades dominadas por esses grupos saltou de 42 para 92. A Prefeitura do Rio calcula que 55 comunidades estão em poder destes grupos.

— Este avanço dessas Autodefesas Comunitárias (ADCs) mostra que o combate ao narcovarejo nas comunidades não é uma questão sofisticada, mas de presença da polícia e de motivação — afirma o prefeito Cesar Maia.


Ocupações só são possíveis com apoio das comunidades

Formadas por policiais e ex-policiais militares, bombeiros, vigilantes, agentes penitenciários e militares, muitos deles moradores das comunidades, essas milícias passaram a empregar a estrutura do estado como base para suas ocupações. Segundo o comandante do Bope, coronel Mário Sérgio de Brito Duarte, a expansão desses grupos só é possível com apoio da população local e a participação informal de parcela das unidades policiais dessas regiões:

— O policial faz vista grossa no momento da invasão, se ausentando do local. Depois que a milícia se instala, o policiamento retorna, desta vez para impedir o retorno dos traficantes. Este é um fenômeno que vem de dentro do poder — diz o comandante, que há três anos vem estudando o problema.

Para explicar a eficácia das milícias na expulsão do tráfico de drogas de comunidades carentes, o coordenador do Gabinete Militar, coronel Marcos Antonio Amaro, cita em seu relatório um exemplo bastante simples:

— Um menor flagrado com maconha pelo PM fardado é preso em flagrante, conduzido à DP, assume o compromisso de comparecer posteriormente em juízo, ganha liberdade imediata e retorna à favela, onde reincidirá no crime. Já o menor flagrado com maconha por integrantes da “mineira” recebe imediatamente um corretivo físico e psíquico. É encaminhado à presença dos pais e ameaçado de morte, caso volte a reincidir. O Estado tem que agir dentro da legalidade, enquanto que a milícia, não.

Moradores apóiam proibição do uso de drogas nas favelas

"O Globo" ouviu moradores de comunidades dominadas por grupos formados por integrantes das forças de segurança. Embora reclamem dos valores das taxas, sete dos dez moradores — todos os nomes citados são fictícios — acreditam que a presença das milícias diminui a sensação de insegurança.

O principal aspecto ressaltado pelos moradores está no fato de os milicianos não permitirem o uso e venda de drogas nas favelas dominadas, evitando que as crianças vejam cenas de pessoas se drogando. Outro ponto citado nas conversas como positivo está relacionado ao fim dos tiroteios entre grupos rivais ou mesmo policiais, o que geralmente resulta em vítimas inocentes de balas perdidas.

A inspetora Marina Maggessi, deputada federal eleita, não acredita que todos os moradores de favelas dominadas por grupos para-militares sejam obrigados a pagar taxas de “proteção”. Ela alimenta a polêmica ao afirmar que as milícias são, em sua maioria, um movimento de reação da massa policial, que também vive em favelas, "tentando resgatar sua dignidade e ao mesmo tempo proteger sua família e a comunidade"

- Todo rico tem segurança privada. E o dono da segurança é um coronel ou delegado que subcontrata os praças. A segurança do pobre é a milícia. Seja o policial fardado trabalhando, seja a segurança que o coronel contrata para o condomínio ou seja a milícia, os atores são os mesmos — argumenta Marina.

O que me espanta é a memória rateante deliberada. Assim vimos em meados dos anos 70 o surgimento, pela mesma omisão e burrice estatal a criação da Falange Vermelha, no Instituto Penal Cãndido Mendes, na Ilha Grande, Rio de Janeiro, que mais tarde seria denominada como Comando Vermelho, nome através do qual hoje é reconhecida.

Quando o atual movimento "miliciano", que na verdade é criminoso, que apenas não trafica (por enquanto) se tornar um "Comando Azul", tipo
Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) ou ELN (Exército de Libertação Nacional) aos moldes colombianos, então poderá ser tarde demais. E mais, será uma guerra urbana e com criminosos organizados e dificil de serem combatidos.

Grana terão. De cada família pagando por proteção, agio no botijão de gaz e
netgato, chega a casa de quarenta reais para cada.

Multipliquem e chegamos hoje facilmente a casa do milhão de reais mensais. Com o passar do tempo e com a tomada de mais favelas, esse poder paralelo terá muitos milhões para se auto-financiar. Sem tráfico.

Muitos, inocentemente acreditam que essa é a melhor solução. Mas é que ainda não começaram a matar juízes, promotores e bons policiais, além de praticarem a extorsão consentida por nossa conivência silenciosa ou burra.

Combatê-las amanhã... será tarde demais.

CEGUEIRA E CINISMO SOCIAL



Pesquisa mostra tolerância com a atuação das milícias


Globo Online ouve 2.016 internautas sobre o assunto




Patrícia Sá Rego (*) 


As milícias formadas por policiais e bombeiros, que vêm expulsando traficantes de favelas cariocas, não são completamente rechaçadas pela população.

Uma pesquisa realizada pelo Globo Online sobre a atuação dos grupos mostrou que a maioria dos internautas que opinaram no site (62%) demostraram concordância ou tolerância em relação às milícias que agem na ilegalidade e cobram taxas de moradores de comunidades carentes em troca de proteção. Ao todo, 2.016 internautas votaram.

A opção “não é o ideal, mas pelo menos elas (as milícias) dão paz às comunidades” foi escolhida por 35% dos leitores.

Outros 28% escolheram a resposta “eu apóio e pagaria pela proteção, se fosse necessário”.

A única opção da múltipla escolha que era integralmente contrária às milícias teve a preferência de 37% dos internautas.

Eles optaram por definir esse tipo de atividade como “uma ilegalidade que deve ser tão combatida quanto o tráfico”.

Uma das leitoras que participaram da pesquisa, Márcia Montanha Souza, perguntou: “Por que as milícias conseguem expulsar o tráfico de várias favelas em tão pouco tempo e a polícia inteira, não?” Resultado da pesquisa surpreende especialistas Embora a pesquisa não tivesse metodologia científica e seu único propósito fosse criar um fórum de debate entre os leitores sobre o tema, o resultado surpreendeu especialistas.

A presidente do Instituto de Segurança Pública (ISP) do estado, Ana Paula Miranda, considera que a falta de confiança nas instituições contribuiu para o resultado.

Segundo ela, como a sociedade não confia muito na polícia, costuma buscar soluções para se sentir protegida. Opinião semelhante tem o sociólogo Ignácio Cano, membro do Laboratório de Análise da Violência da Uerj. Ele explica que as comunidades buscam iniciativas que garantam a sua segurança, embora acredite que não haja um apoio maciço às milícias: — As comunidades vão apoiar qualquer iniciativa que garanta paz e tranqüilidade.

Segundo a presidente do ISP, as milícias podem se tornar algo pior do que o próprio tráfico, já que são compostas por profissionais — policiais e até bombeiros — que deveriam respeitar a lei.


Fonte: O Globo, pag. 16 de 19/12/2006.