sábado, 28 de fevereiro de 2009

MILÍCIAS JÁ MANDAM NA ECONOMIA: MULTINACIONAIS PEDEM LICENÇA PARA INVESTIR NO RIO





Empresa busca dados 'sobre o ‘custo-milícia'.





Consultoria dos EUA procura deputado para levantar gastos e saber os riscos de instalar unidade de um cliente na Zona Oeste
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João Antônio Barros

Rio, 28/02/2009 - Empresas localizadas em áreas dominadas pelos grupos paramilitares no Rio de Janeiro já contabilizam nas planilhas de gastos o ‘risco-milícia’. Um custo que inclui, além da obrigatoriedade de pagar as ‘taxas de proteção’, a necessidade de vez por outra contratar milicianos para o corpo de segurança. A preocupação com os custos extras nas áreas dominadas por paramilitares chegaram até aos Estados Unidos.

No início do mês, o deputado Marcelo Freixo, que presidiu a CPI das Milícias, foi contactado pela Diligence Global Business Intelligence, agência de consultoria com sede de Washington. A empresa quer saber como atuam as milícias, a forma de cobrança e o envolvimento entre policiais e políticos. As informações vão abastecer uma multinacional com interesse na Zona Oeste.

“O que antes era uma ameaça à segurança e à vida social, agora afeta também a economia. O Estado começa a ser prejudicado economicamente pelas milícias”, afirma o deputado estadual Marcelo Freixo, que cobra ação mais enérgica do governo para assumir o controle dos territórios ocupados pelo tráfico e pelas milícias.

A empresa de consultoria americana enviou um questionário com 12 perguntas ao parlamentar. Além das taxas cobradas a moradores e empresas e o envolvimento de policiais e políticos, os executivos da empresa querem saber do parlamentar o nome dos “controladores” das principais milícias, a influência que exercem nas eleições e se há aumento da violência em áreas disputadas por paramilitares e traficantes.

“Esta é a relidade que o Rio está vivendo. Os grupos paramilitares assumiram o controle de áreas e impõem regras a quem mora e trabalha dentro dos seus territórios. Isso causa um custo alto para quem pensa em se instalar na cidade. Na hora da decisão, pesa no caixa”, lamenta Marcelo Freixo.

A preocupação com a milícia, segundo Freixo, é um reflexo da fuga de investimentos do Rio, já que as corporações têm gastos com segurança para os executivos, carros blindados e até helicópteros de transporte.


Fonte: O Dia


terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

MILÍCIAS: MINISTÉRIO PÚBLICO DO RIO ENDOSSA PEDIDO DE PRISÃO DE SUSPEITOS




MP endossa pedido de prisão de prováveis milicianos
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O Ministério Público do Estado endossou o pedido de prisão temporária feito pela Polícia Civil para Toni Ângelo Souza de Aguiar, Alexandre Manoel Ferreira Soares e Marcos José de Lima Gomes. Os três foram flagrados pelas câmeras de vídeo invadindo, armados, o estacionamento de um shopping na Zona Oeste, no mês passado. A suspeita é a de que eles estariam procurando prováveis inimigos. A manifestação do MP foi encaminhada ontem (19/02) para a 2ª Vara Criminal de Campo Grande.

Segundo o Promotor de Justiça Bruno Stibich, responsável pelo inquérito, há indícios de que os acusados são membros de milícias armadas que atuam na região. Toni Ângelo, inclusive, seria braço direito do miliciano fugitivo da Justiça Ricardo Teixeira da Cruz, conhecido como Batman.

A prisão desses acusados, de acordo com o MP, é imprescindível para as investigações. O Promotor afirmou que há ainda a necessidade de se esclarecer a identidade de outros envolvidos. O Promotor argumentou que as vítimas de crimes cometidos por milicianos não têm coragem para reconhecer os criminosos e não relatam detalhes dos crimes devido ao pavor exercido pelos grupos paramilitares sobre a população.

Bruno Stibich, em seu relatório, lembrou de Bruno dos Santos Pantaleão, despachante de uma cooperativa que atua na região e que foi assassinado no dia seguinte ao depoimento prestado às autoridades policiais, mesmo não tendo dito nada que comprometesse qualquer pessoa.

O Promotor, na defesa da prisão dos acusados, alegou que o Poder Judiciário deve aceitar o pedido, uma vez que esse seria também o anseio da comunidade, que está desesperada, reprimida e ameaçada.


Fonte: Minisatério Público do Estado do Rio de Janeiro

PORQUE PM NÃO PODE FAZER UM BICO PARA AJUDAR O ORÇAMENTO FAMILIAR? PREFEREM QUE AS MILÍCIAS OS RECRUTEM? ISSO É HIPOCRISIA ESTATAL!


Beltrame identifica PMs no Batalhão da Liga



RIO, 23/02/2009 - O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, comprovou pessoalmente a participação de oficiais da PM no batalhão da Liga Independente das Escolas de Samba. Beltrame esteve no camarote do Governo do estado, no primeiro dia do Grupo Especial, e constatou a presença dos PMs fazendo "bico" na Passarela do Samba:

- “Identifiquei alguns oficiais, mas vou aguardar para confrontar os nomes com os da lista que está sendo elaborada pela Subsecretaria de Inteligência e pelo Serviço Reservado da PM. Só então tomaremos as medidas cabíveis."

O secretário percorreu a Sapucaí, chegando num momento até o primeiro recuo de bateria, durante o início da apresentação da Grande Rio. Beltrame voltou a criticar a atuação de oficiais - entre os quais coronéis e tenentes-coronéis - no esquema da Liga.

O secretário de Segurança defende o afastamento desses oficiais dos cargos de comando de batalhões e de unidades estratégicas na hierarquia da PM. Para Beltrame, é inaceitável a participação de oficiais no "bico" para a Liesa, pois gera um conflito de interesses.

Os oficiais são arregimentados pelo coordenador de segurança da Liesa, coronel da reserva da PM Celso Pereira de Oliveira, que paga diárias de R$ 350 a R$ 850, através da MJC Eventos e Serviços. A empresa aparece no cadastro da Junta Comercial do Rio, em nome das filhas do oficial reformado.

Polícia Federal vai intensificar a fiscalização

Após o carnaval, a Delegacia de Controle de Segurança Privada da Polícia Federal vai intensificar a fiscalização no setor, para reprimir a contratação irregular de agentes de segurança pública para a realização de serviços privados. Investigações mostram que muitas empresas nem sequer contam com um quadro próprio de seguranças, e empregam PMs, bombeiros e servidores públicos para atuar em eventos como o carnaval.

Classificado no estatuto da PM como transgressão disciplinar, o "bico" realizado por oficiais revela o posicionamento ambíguo da cúpula da corporação. Prova disso é que, enquanto integrantes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) são orientados a não trabalhar para a Liga, oficiais de outras unidades até participam (informam através de ofício) aos superiores sobre esse "bico".

Procurado pelo GLOBO para comentar o assunto, o comandante-geral da PM, coronel Gilson Pitta, não se pronunciou. Desde a sexta-feira passada, repórteres tentam em vão ouvir a posição da PM sobre a participação de oficiais da corporação na segurança privada da Sapucaí.

Fonte: O Globo

Nota do Blog: Um absurdo a hipocrisia estatal. Os policiais militares não estavam cometendo crimes. Estavam trabalhando, fazendo um bico para cobrir seus orçamentos familiares em razão do soldo vergonhoso que recebem para colocarem em risco suas vidas, por uma sociedade que é também cínica em muitos momentos. Isso é cinismo social e palhaçada estatal. Enquanto isso uma turminha de privilegiados ganha uma grana para não fazer nada. Querem sufocar os caras até quando?

ADVOGADO É EXECUTADO POR EX-PM NO RIO. TEM LIGAÇÃO?


Advogado é executado na praia do Recreio



Suspeito é um ex-PM que foi preso a duas quadras do local do crime



Rio, 24/02/2009 - Três tiros nas costas e um na cabeça mataram o advogado Jorge Luiz Pereira de Souza, 57 anos, em plena orla do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste, no fim da noite desta segunda-feira. Logo após o crime, policiais militares do 31º BPM (Recreio) conseguiram prender o suspeito, o ex-PM David Vicente Gonçalves, 41 anos, próximo ao local. David possui 5 passagens pela polícia, sendo 3 por assalto.

O crime ocorreu por volta das 22h. De acordo com testemunhas, Jorge estava em um quiosque na Avenida Glaucio Gil, na altura do Posto 10, quando atravessou as pistas acompanhado da esposa. Ao se aproximarem do carro em que estavam, o Dobló, ALC 2273, um homem chegou por trás e disparou quatro tiros contra o advogado.

Jorge morreu na hora. O assassino fugiu a pé. Em desespero, sua esposa alertou uma patrulha que passava e deu as características do assassino.

A prisão do suspeito

Os PMs iniciaram busca e encontraram o suspeito a duas quadras dali, na Rua Demóstenes Madureira de Pinho. Identificado, o ex-policial foi encaminhado para a 16ª DP (Barra), onde foi reconhecido pela esposa da vítima.

Foram apreendidos dois celulares e uma pistola calibre 45. David foi excluído da corporação em 1999 e sua última passagem foi pelo 3ª BPM (Méier). O acusado não quis dar declarações e foi autuado por homicídio e porte ilegal de arma.

O advogado tinha três filhos e era morador do Recreio. A polícia ainda investiga o que poderia ter motivado o crime.

Fonte: O Dia

domingo, 22 de fevereiro de 2009

MILÍCIAS. ENTREVISTA DE LUIZ EDUARDO SOARES AO CANAL LIVRE


Primeiro bloco:


O programa se inicia com matéria sobre as ações de governadores no início de mandato:

São Paulo: José Serra quer mais policiais federais. Enfatiza a necessidade de maior foco em prevenção, integração entre as polícias e inteligência.

Já no RJ, a matéria mostra que o governador disse que "não vai se intimidar", denotando maior ênfase na repressão à criminalidade.

O programa entrevista Luiz Eduardo Soares, antropólogo, professor universítário, autor de diversos livros sobre segurança pública e ex Secretário Nacional de Segurança Pública.

Pergunta-se ao entrevistado sobre qual a solução a curto prazo para a violência nas grandes cidades:

Luiz Eduardo Soares diz que se costuma tomar ações reativas em momentos de crise e que somente acredita em soluções a médio e longo prazo.

Falou ainda da não adaptação do sistema policial brasileiro à ordem democrática. Herança de ditadura militar de um sistema de administração policial pouco eficiente.

Pergunta: A Força Nacional de Segurança Pública - FNSP resolverá o problema do RJ?

Entrevistado diz que a chegada da FNSP é um sintoma de um momento positivo em que se vislumbram outras melhorias. Mas ainda assim é um passo muito tímido, pois o efetivo da FNSP é ínfimo em relação ao todo policial do RJ. Elogia a intenção de usar a FNSP para patrulhar as vias de acesso a cidade, mas deixa claro que ela não solucionará o problema.

Enfatiza a importância dos crimes cometidos com armas ilegais, citando que 80% das mortes violentas no Rio são por arma de fogo. Elogia ainda a criação do gabinete de gestão de segurança pública nos estasdos do sudeste, conforme já noticiado aqui no Blog.

Perguntado sobre o que é mais grave, se incompetência ou corrupção, enfatiza que o mais importante é o modelo ultrapassado de gestão. Especialmente sobre a falta de planejamento, mas que incompetência e corrupção também são graves.

Jornalista mostra que as milícias conseguiram êxito mesmo sem organização, bastando vontade, pois chegaram, sem nanhuma organização complexa e simplesmente expulsaram os traficantes.

Entrevistado foge do assunto, dizendo que somente 1,5% dos homicídios são investigados no RJ, portanto o problema organizacional das polícias é mais grave.

Jornalista Fernando Mitre pergunta porque o Estado não ocupa os espaços nos morros.

O apresentador interrompe, chamando uma matéria que fala de sugestões dadas sobre a ocupação de morros há quase 30 anos atrás.

O entrevistado fala que falta coragem de agir na polícia. "A articulação com o crime impede o enfrentamento adequado do crime."

"O tráfico só existe porque a polícia muitas vezes é parceira. "

Cita as resistência da polícia contra estes segmentos criminosos, falando sobre as dificuldades dos políticos de enfrentar a criminalidade nas polícias.

Política em relação às favelas: a polícia acaba fazendo incursões bélicas em detrimento de incursões permanentes.

Voltando ao assunto da ocupação nas favelas, esclarece que existem 700 favelas no RJ, já tendo havido tentativas de ocupação permanente, porém o efetivo é insuficiente. Ocorre que políticos preferem deixar os policiais nas comunidades onde os crimes ocupam mais espaço na mídia.

Cita a lavagem de dinheiro, a compra de armas no atacado e o tráfico internacional provando que o crime não se restringe à favela e deve ser atacado especialmente fora dela.

Cita um exemplo de reformulação da polícia na Irlanda, corporação que era muito desgastada perante a opinião pública. Para tal, foi criada uma Ouvidoria independente, eleita pelo povo e com apoio judicial - em apenas 1 ano e meio a policia já tinha recuperado sua boa imagem, pois passou a interagir com o público. Cita isso como um bom exemplo a ser seguido pela polícia brasileira, guardadas as devidas proporções.



Segundo bloco:

Inicia com matéria sobre a criminalidade em Vitória e São Paulo.

Pergunta sobre orçamento do Fundo Nacional. O governo gasta pouco, muito ou mal?

Gasta pouco e mal, responde. Acrescenta que são 150 bilhões de reais gastos nas consequências da insegurança, como atendimentos hospitalares, faltas ao trabalho, segurança privada, etc.

Demonstra que a verba do Fundo Nacional de Segurança Pública tem diminuído, o que prova que o tema não tem sido prioridade para o governo federal.

Jornalista questiona sobre o sistema de informações das polícias, sua falta de comunicação:

O entrevistado enfatiza a necessidade de uniformizar bancos de dados de PC e PM. Diz que parece simples mas essa uniformização depende muito mais de normatização que de mera vontade de um ou outro governante.

"Não só as informações são caóticas, mas também a formação."

Enfatiza a importancia de um ciclo basico comum, informatizado, com indicadores estatísticos, monitoramento dos erros e processos policiais, o que era previsto no SUSP. Não saiu da gaveta porque não foi prioridade do gov. federal.

Assevera que "em crises, governantes se aproximam do tema da segurança pública, mas fora desse momento, se afastam." Usa expressão que atriobui a Brizola: "é o abraço do afogado. Quem encara o problema, que é insolúvel, afundará com ele."

No entanto, diz que os governos só estão se aproximando desta temática agora por causa da mobilização da sociedade, elevados índices do homicídios (+ de 40 mil/ano), o que deve fazer com que os políticos se conscientizem da importância do tema.

Pergunta sobre o emprego das Forças Armadas:

"Seu emprego é viável, indispensável e urgente, mas não em substituição à polícia."

Cita exemplos de emprego das FFAA:

A Aeronáutica pode destruir campos de pouso clandestinos e efetuar o contorole de trafego aéreo coibindo a entrada de armas e drogas, já que o efetivo da Polícia Federal é insuficiente.

A Marinha deve efetuar a guarda costeira para evitar o reabstecimento de armas.

O Exercito, além do serviço de inteligência, deve ser empregado na contenção de fluxo de armas ilegais. Na fronteira ou mesmo nas cidades. Impedir a circulação das armas no RJ, ainda que haja preço alto a pagar por parte do incômodo ao cidadão com abordagens.


Terceiro bloco:

Jornalista cita intenção do presidente de mudar a lei. O que precisa ser mudado na legislação?

Precisamos aplicar o que já existe e aperfeiçoar algumas leis. Não adianta novas leis.

Jornalista contesta, dizendo que a legislação favorece bandidos.

Luis Eduardo esclaree que a Lei de Execuções Penais é moderna (1984), mas nunca foi aplicada efetivamente.

Medidas necessárias: reforma na polícias. Sistema penitenciário: criar formas de que o sistema funcione. Prender quem deve ser preso, e não aquele que rouba um pote de margarina.

Há a necessidade de uma política penal justa e inteligente. Encarceramento para quem precisa e penas alternativas para quem não é perigoso.

"A proteção não deriva da ampliação das penas."

"Criminoso não deixa de delinquir por causa do tamanho da pena, mas sim pela certeza de ser preso."

Tecnologia em relação às telecomunicações (celulares em presídio):

A deterioração é tamanha que não se tem não só a tecnologia mas também as condições mínimas de higiene e saúde. Educação e trabalho nos presídios. Não há como garantir a segurança dos presos nem de impor-lhes a disciplina adequada, por completa falência do sistema, com raras e louváveis exceções.

Os presídios federais são eficientes. têm todas as condições para cumprirem o que se propoem.

Finaliza a entrevista, dizendo que deve-se enfrentar o crime e a corrupção nas polícias, porém valorizando os policiais.

MILÍCIA, PRIVATIZAÇÃO DA PENA DE MORTE QUE O ESTADO NÃO PODE APLICAR


Milícia, privatização da segurança pública



Por Mario Bezerra da Silva.


Grupo organizado deliberadamente favorável a obtenção de lucros, criado para ganhar legitimidade. Nascido com finalidade de proteção.

O termo milícia descreve a proliferação de grupos armados que estão ocupando comunidades carentes. “Milícia” significa qualidade, condição ou estado de guerreiros de um determinado grupo de indivíduos que se organizam para pôr fim a situações de ameaça à segurança pública, como invasões inimigas, revoltas armadas ou desastres naturais. Tais milícias auxiliares podiam integrar as forças do exército. Em Roma, durante as crises da República no Século II d. c. , era lícita a iniciativa particular no apelo a concidadãos para seguirem um líder na defesa da cidade: “Qui rem publicam salvam esse volunt me sequantur” ( que os voluntários desejosos da salvação da República me sigam).

As formações das milícias estava relacionada à história de conflitos internos para defesa do Território.

O termo se reveste de um relativo grau de legitimidade, na medida em que a finalidade perseguida é pública ou vinculada a regras definidas pelo Estado. A organização de grupos armados para tomar e manter um determinado espaço territorial dentro de um País Soberano passou a ser uma ação criminosa.

Conforme pesquisa realizada em comunidades carentes, esses grupos deixam entender a presença de coação, ameaças e extorsão nas atividades daqueles grupos, conhecidos também como: “Cangaceiros”, que passa uma vinculação positivamente à produção da ordem. Esses depoimentos compreendem que a comunidade aprova os extermínios e a expulsão dos “elementos indesejáveis”, por conta de uma certa “estabilização de expectativas na idéia de que só some quem faz besteira”. Ficando clara a presença da conotação de extermínio através da organização de grupos de segurança, uma moral que repudia o uso e o tráfico de drogas ilícitos expulsa o tráfico e lança mão a suposta “restauração da paz”.

Observa-se que as comunidades carentes vêm se organizando através das Associações de Moradores, dada a ausência do Estado, monopolizando a prevenção de litígios e gerenciando uma organização fundiária paralela ao Direito Estatal. Essa ordenação paralela encontra-se através de instrumentos de coação.

Os grupos particulares que “oferecem” segurança, as organizações empresariais que exploram a “segurança privada”, atividade que o Brasil é autorizada por Lei Federal, para transporte de valores, proteção de instituições financeiras e pessoas físicas ( Lei 7.102/83). A segurança por grupos privados ou “comunitários” quebra o monopólio estatal do uso da violência, representando a incapacidade do Estado de exercer um controle social efetivo. As regras impostas pelos integrantes de grupos organizados são conflitivas com o ordenamento jurídico brasileiro e encobrem a forma de costumes internalizados de forma mitificada, ações criminosas.


LEGITIMIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO

Os conflitos ocorridos em todo território ilustram mais um capítulo de uma crise que vem intensificando ao longo dos anos.

Não é de hoje que o medo de sair pelas ruas e ser alvejado por projétil perdido ou de ser abordado em falsa blitz policiais, torna-se parte da rotina dos habitantes. A ausência de ações públicas eficazes confirma a fragilidade do sistema de segurança e vivem em permanente estado de guerra, como Bagdá. As soluções são todas de médio e longo prazo: Passam por problemas policiais, sociais e econômicos.

“As grandes capitais brasileiras possuem índices altos de violências, mas o Rio de Janeiro destaca-se nas estatísticas, o que contribui para que o problema do tráfico de drogas, sobretudo no momento em que o Governo decide enfrenta - lo de qualquer maneira, aparentemente sem planejamento, ao invadir as comunidades carentes em verdadeiras operações de guerra”.

Dados do IBGE comprovam a liderança do Rio no ponto de Estado mais violento para os jovens. De acordo com as estatísticas do Instituto, para cada 100 mil jovens entre 15 aos 24 anos, a média é de 181,6 homicídios no Estado do Rio. Na Capital, só 70 homicídios para cada 100 mil habitantes entre 15 e 24 anos.

Outros indicadores formadores de pesquisa sustentam que a polícia do Rio mata duas vezes mais do que as polícias de todos os Estados Americanos.

Está provado que o combate manu militari não produz eficiência. As autoridades não produzem investimentos necessários e as autoridades não produzem investimentos necessários e em um ato de sufocação querem resolver os problemas de uma só vez.

A solução para o conter a criminalidade observa-se que só será possível a longuíssimo prazo; com o compromisso de o Governo criar oportunidade de trabalho para juventude. Em determinada faixa etária, há mais jovens empregados no tráfico de drogas, do que na economia formal no Rio de Janeiro. Entende-se que a simples militarização não resolverá o problema da segurança, que é uma questão de todos e resposta da sociedade civil que faz reflexão ao passo da descriminalização das drogas, rediscutindo os valores sociais, analisando os motivos que levam o indivíduo a usar entorpecentes.

Compreende-se que a contribuição da Constituição de 1988, não obstante as várias modificações que sofreu e que ainda tem sofrido, é precipuamente, um marco emancipatório e também símbolo de uma nova cultura democrática. Neste sentido tem sido muito exitosa, demonstrando que ainda não alcançou a plenitude da sua normatividade, tanto por omissão do Legislativo essencial a efetividade plena da Constituição, quanto pela omissão do Executivo na adoção de políticas públicas voltadas à implementação dos direitos sociais e pela timidez do Poder Judiciário que não se conscientizou da importância do seu papel como Instituição da Constituição na construção de uma sociedade justa.

As suas inovações trouxeram diversos benefícios para a sociedade, mas sua aplicação precisa melhorar, parte da sociedade não tem conhecimento dos próprios direitos ou sabe o que representa a Lei Maior do País.


INOPERANCIA DA POLÍTICA PÚBLICA, SURGE UMA ECONOMIA DA SEGURANÇA

Verdadeiros agrupamentos paramilitares mantidos e gerenciados por militares policiais militares, civis e até integrantes do Corpo de Bombeiro Militar nasceram com o intuito de proteger comunidades dominadas por narcotraficantes, mas passam a cobrar uma “taxa” pelo serviço prestado. Evidentemente praticam extorsão de comerciantes locais, controlando a venda de gás e o transporte alternativo, expulsão famílias e loteiam terras invadidas. Transformados em burgos medievais, com símbolos pintados identificando os donos do Poder Local com toque de recolher, porque será que os milicianos se interessam por essa atividade dentro das comunidades carentes?

A resposta é simples. Mercado e lucro, os integrantes ganham mais nessa atividade do que em outros. Um mercado de trabalho que só o lucro salva. As políticas que estão sendo praticadas são acessórios do neoliberalismo, quando não se tem um projeto de protagonismo para o povo, o que se procura é conter as massas dessa forma. A adoção integral não só do modelo econômico e social, mas também de suas políticas de segurança públicas de criminalização e o extermínio dos pobres para manter as hierarquias sociais.

No Processo Penal a falta de citação, quando não tenha sido sanada pelo comparecimento do réu, gera nulidade absoluta do processo e poderá ser argüido por meio de habeas corpus e revisão criminal (artigo 648, VI e 621, I do Código de Processo Penal).

Diferentemente do que ocorre no Direito Processual Civil, o réu não poderá ficar sem defesa técnica substancial, ainda que revel, artigos (261c/c 497, V ). A falta de defesa constitui nulidade absoluta do processo artigos (564, III, C, Código Processo Penal ), mas a defesa deficiente só se anulará se houver prova de prejuízo para o réu, de acordo com a Súmula 523 do Superior Tribunal Federal.

O Inquérito Policial, por ser procedimento administrativo e não processo de caráter inquisitório e destinado a possibilitar o oferecimento da denúncia ou queixa, não está sujeito ao contraditório. Porém as provas colhidas durante o Inquérito terão que se submeter ao crivo do contraditório na fase da Instrução Criminal. O chamado contraditório diferido, retardando ou postergado no tempo.

Outro exemplo de contraditório diferido é a interceptação de comunicações telefônicas (Lei 9.296/96) medida de natureza cautelar preparatória da ação penal, concedida inaudita altera parte, para que não haja risco de se ter frustrada a colheita de provas.

É pacífico na doutrina e jurisprudência que o juiz não poderá fundamentar decisão condenatória baseando-se exclusivamente nas provas produzidas na fase policial, essas provas deverão ser confirmadas em juízo e analisadas em conjunto com outros. Caso o Ministério Público queira acrescentar fatos, sujeitos ou elementos novos à denúncia, obrigatório será o aditamento, que visa a proteger o princípio da congruência (correlação entre acusação e sentença) como também o da ampla defesa e do contraditório, a defesa tem direito de tomar ciência e de se manifestar sobre cada novidade surgida no processo.

O fundamento jurídico na segurança, no que tange ao direito de revisibilidade das partes diante de uma decisão judicial que considerarem injusta ou incorreta, o controle interno da legalidade e da justiça nas decisões exercidas por órgãos da jurisdição diversos daquele que julgou em primeiro grau, o reexame evita uma decisão judicial de caráter monocrático, único e conseqüentemente com maior margem de erro, que encontra respaldo também no princípio da certeza jurídica com a aplicação do grau. Tendo direito à apreciação da causa por um tribunal composto por vários magistrados.

A doutrina chama de supressão do segundo grau de jurisdição, nas causas decididas em única instância pelos tribunais.

A constitucionalidade do duplo grau, faz chegar a conclusão de que o princípio não é absoluto.

A segunda corrente encontra bases para o princípio do duplo grau em leis ordinárias, não admitindo status de garantia constitucional ao duplo grau , em face da ausência expressa de previsão na Carta Magma.

A insatisfação da parte e a familiaridade do juiz são aspectos criticados pela segunda corrente, pois mesmo um órgão composto por mais de uma pessoa é passível de erros. Quem pode garantir que a decisão de primeira instância não é a mais acertada? O Tribunal pode não reformar a decisão do juízo a quo, restando o recurso inútil e ofensivo à celebridade; caso a decisão do juiz seja modificada gerará divergência e desprestígio da decisões monocráticas, incerteza nas relações jurídicas.

A explicação para a sensível diminuição de criminalidade em países Europeus, esclarece que não só o número de homicídios caiu, mas também o de outros crimes violentos. Não há mágica aplicável a todos os países , ou seja, o que é bom para os Estados Unidos da América pode não ser bom para os países Europeus.

Há exatamente no sentido de uma forte sedução da violência no período em que as mesmas considerações devem ser feitas no que concerne a “violência” do sistema repressivo.


ENCARCERAMENTO DA MÍDIA

Contrariamente à opinião, o Rio de Janeiro tem investido bastante na segurança pública. José Alexandre Scheinkman, um dos raros economistas brasileiros de primeiro plano que tem refletido o tema, mostra que a despesa per capita com a segurança pública no Rio é maior que a de São Paulo ou de Minas Gerais.

Segundo ele o problema da qualidade da polícia fluminense também não surgiu da noite para o dia, mas é conseqüência de uma série de desgovernos que culminou com a inédita combinação de populismo e incompetência.

O problema da criminalidade , cujos ônus podem ser qualificados e transformados em dólar , entra pouco em conta quando o patronato cobra medidas do Governo. A reação mais dura contra este tipo de atitude apresenta-se quando pesadas críticas contra burguesia, taxa a exploração de serviçais e não quer pagar a conta da miséria que se esmerou em criar uma crise social os conflitos tem espocado mundo afora, não houve nenhum étnico ou religioso, nem guerra civil ou catástrofe natural que servisse de suporte à insurreição, os conflitos do século XXI demonstram uma grande insurreição criminosa gerada numa megalópole.


PERIGO NA SEGURANÇA

A precariedade da cultura política dos policiais, por falta de sindicalização, as condições de trabalho, o regime disciplinar, a privatização da segurança pública por meio da armadilha do segundo emprego, as organizações militares sendo o último núcleo de Poder de Estado a salvaguardar a Ordem Democrática e os valores do livre mercado, ainda que de forma precária e claudicante, a simples proposição desse ideário em um jornal de circulação nacional mostra a desenvoltura com que as esquerdas estão fazendo a sua ação política.

Na definição de critérios de justiça que possam ir ao encontro das desigualdades sociais existentes no Brasil, burlar a divisão de Poderes da Constituição, como poderiam os juízes julgar e intervir com reconhecida segurança jurídica nas estruturas arraigadas de segregação social, relacionadas ao mundo do trabalho e as minorias sociais. Isenção seria uma forma de responsabilidade de julgamento que parta numa análise de busca a relação que se dá entre as localidades e a difusão de valores. O Poder Público celebra contrato com particulares mantendo em funcionamento os órgãos públicos legalmente incumbidos da execução dos mesmos serviços e continuando arcar com as despesas decorrentes de sua existência.

Evidentemente , além do prejuízo ao patrimônio público, tais ações criminosas acarretam prejuízos para administração. Podendo-se estar assistindo ao surgimento de um novo tipo de pluralismo juspolítico, não aquele originário das práticas sociais dos excluídos, mas um Poder verdadeiramente paralelo.

A privatização da segurança pública e a exploração econômica do medo. Inexoravelmente, terminam em relação mafiosas.


CONCLUSÃO

A palavra milícia parece uma denominação de um amplo e difuso fenômeno para qual o termo de “grupo de extermínio” parece deliberadamente favorável, como criado para ganhar legitimidade.

Essa nova categoria apresenta uma organização nascida dos próprios moradores com finalidade de proteção.

Algumas autoridades públicas têm defendido essa estrutura como grupo de auto-defesa.

A filiação como agentes do Estado serve para reclamar uma certa legitimidade oficial, mesmo que parcial, de forma a se apresentar como uma “ordem do bem” oposta ao mal anteriormente reinante, ao tempo que podem arregimentar o apoio logístico e estratégico da polícia para suas intervenções.

A qualidade de funcionário público contribui para a impunidade das ações, que impedem os moradores, como denunciar os policiais das “milícias” numa delegacia? Se esses agentes agem de forma privada permitindo – lhes não ter que se submeter ao controle formal do Estado e exercer a força, se preciso de forma ilegal.

Esses grupos buscam um lucro privado decorrente da função que exercem, que deverá, ser originado em cobranças, taxas ou pedágios.

Com magros salários, essa natureza irregular permite exigir pagamentos privados como mais um exemplo do sucateamento e privatização da segurança pública.


BIBLIOGRAFIA:

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sábado, 21 de fevereiro de 2009

PMs ACUSADOS DE INTEGRAREM MILÍCIAS SE APRESENTAM À JUSTIÇA




Eles são suspeitos de participar de grupo que atua na Zona Oeste do Rio.


Em janeiro, juiz havia negado pedido de prisão temporária.


Três policiais militares acusados de fazerem parte de uma milícia se apresentaram à polícia neste sábado (21), após a Justiça decretar a prisão temporária deles na sexta-feira (20). Segundo a polícia, eles se apresentaram em delegacias do Estácio e do Leblon.

Os PMs foram filmados pelo circuito interno de TV de um shopping de Campo Grande (Zona Oeste) armados. As imagens foram feitas no dia 15 de janeiro, por volta das 22h, e mostram os três andando no estacionamento, supostamente à procura de um inimigo. Antes de deixar o shopping, eles revistam diversos carros e discutem com seguranças do estabelecimento.

Os suspeitos pertenceriam à milícia "Liga da Justiça", que atua na Zona Oeste do Rio. Ela exploraria serviços clandestinos de segurança, transporte alternativo, distribuição de gás e venda de sinal de TV a cabo.

Em janeiro, a Justiça havia negado um pedido de prisão temporária dos três . Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça (TJ), o juiz não justificou a negativa porque, segundo uma norma do TJ, não há necessidade de fundamentar as decisões tomadas durante o plantão.
Fonte G1

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

CHEFÕES DO TRÁFICO DE VOLTA AO RIO: MEDO SUBJUGA O PODER ESTATAL


Retorno de chefões vira polêmica

Juízes do Rio e Paraná divergem sobre prazo de permanência de dez traficantes em Catanduvas

Rio, 20/02/2009 - Dez chefões do tráfico do Rio, presos na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Catanduvas, Paraná, podem voltar nos próximos dias. De acordo com os juízes corregedores do presídio, terminou no dia 5 de janeiro o prazo para que os criminosos continuassem em Catanduvas. Mas o juiz em exercício da Vara de Execuções Penais (VEP) do Rio, Rafael Estrela Nóbrega, alega que o prazo expira em maio.

Entre os presos estão Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, líder do Comando Vermelho, e Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes. Devido à divergência de interpretação, caberá ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidir qual a data-limite para que os detentos permaneçam no Paraná.

“O Estado tem ordens para não receber os presos. Eles (juízes corregedores) não têm como colocar o preso no avião e mandar para o Rio porque o detento vai voltar a Catanduvas. O MP concorda com minha decisão. O que está havendo é uma divergência nas contagens. Eles dizem que já terminou o tempo e, eu, que só termina em maio", explicou o juiz Rafael Estrela Nóbrega.


45 DIAS PARA RENOVAÇÃO

Documento que juízes corregedores do presídio enviaram à VEP estabelece prazo de 45 dias para que a Justiça do Rio faça um pedido de renovação para que os presos fiquem mais 360 dias em Catanduvas, contados a partir de 5 de janeiro. Os dez estão presos no Paraná desde 5 de janeiro de 2007.

“A inclusão dos presos na Penitenciária Federal, em princípio, se faz por 360 dias. Este prazo, por sua vez, é renovável, excepcionalmente, quando solicitado motivadamente pelo Juízo de origem. Trata-se de exigência do artigo 4º da Lei 11.671/2008 e, sem o seu atendimento, não é possível acompanhar adequadamente a execução dos presos”, informa o documento.


Beltrame: ‘Liderança acéfala’

Em novembro, a Secretaria Estadual de Segurança enviou relatório de inteligência a Catanduvas para reiterar o pedido de permanência dos dez no presídio. “Esta medida está deixando acéfala e descapitalizada a liderança criminosa, servindo para enfraquecê-la cada vez mais, fortalecendo o poder público. É muito importante para a segurança pública do Rio que essas lideranças permaneçam o mais longe possível do estado”, afirmou o secretário José Mariano Beltrame.

Também estão presos em Catanduva: Cláudio José Fontarigo, o Claudinho da Mineira; Leonardo Marques da Silva, o Sapinho; Marco Antônio Pereira Firmino, o My Thor; Marcos Vinícius da Silva, o Lambari; Ricardo Chaves Lima, o Fu; Márcio Cândido o Porca Russa; e Isaías da Costa Rodrigues, o Isaías do Borel.


Fonte O Dia - Maria Mazzei

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

ENTREVISTA DE RICARDO BATMAN IV - FINAL


Acusado de chefiar uma quadrilha de milicianos que atua na Zona Oeste do Rio de Janeiro e foragido do presídio de Bangu 8, o ex-PM Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, divulgou um vídeo na internet. Quatro gravações com entrevistas suas foram postadas numa página na rede. No total, os vídeos têm cerca 13 minutos.


Visite o site do RJTV


Na gravação, ele nega envolvimento com assassinatos e com planos para matar delegados, mas reconhece que faz parte da milícia que atua na região. O grupo é suspeito de explorar serviços clandestinos de segurança, transporte alternativo e venda de sinal de TV a cabo.


A Secretaria de Segurança informou que está investigando a divulgação do vídeo e afirmou que a polícia deve à sociedade a recaptura de Ricardo Batman. A Secretaria disse, ainda, que não vai comentar as declarações de quem está foragido e deve à Justiça.


Veja toda a entrevista:

Entrevista de Ricardo Batman I

http://acidadesangra.blogspot.com/2009/02/entrevista-de-ricardo-batman-na.html

Entrevista de Ricardo Batman II
http://acidadesangra.blogspot.com/2009/02/entrevista-de-ricardo-batman-ii.html

Entrevista de Ricardo Batman III

http://acidadesangra.blogspot.com/2009/02/entrevista-de-ricardo-batman-iii_17.html

Entrevista de Ricardo Batman IV – Final

http://acidadesangra.blogspot.com/2009/02/entrevista-de-ricardo-batman-iv-final.html




Fonte: G1, O Globo, Youtube e sites.
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ENTREVISTA DE RICARDO BATMAN III

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Veja toda a entrevista:

Entrevista de Ricardo Batman I

http://acidadesangra.blogspot.com/2009/02/entrevista-de-ricardo-batman-na.html

Entrevista de Ricardo Batman II
http://acidadesangra.blogspot.com/2009/02/entrevista-de-ricardo-batman-ii.html

Entrevista de Ricardo Batman III

http://acidadesangra.blogspot.com/2009/02/entrevista-de-ricardo-batman-iii_17.html

Entrevista de Ricardo Batman IV – Final

http://acidadesangra.blogspot.com/2009/02/entrevista-de-ricardo-batman-iv-final.html

ENTREVISTA DE RICARDO BATMAN II

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Veja toda a entrevista:

Entrevista de Ricardo Batman I

http://acidadesangra.blogspot.com/2009/02/entrevista-de-ricardo-batman-na.html

Entrevista de Ricardo Batman II
http://acidadesangra.blogspot.com/2009/02/entrevista-de-ricardo-batman-ii.html

Entrevista de Ricardo Batman III

http://acidadesangra.blogspot.com/2009/02/entrevista-de-ricardo-batman-iii_17.html

Entrevista de Ricardo Batman IV – Final

http://acidadesangra.blogspot.com/2009/02/entrevista-de-ricardo-batman-iv-final.html

MILÍCIAS DECLARAM GUERRA ENTRE SI


Milícias declaram guerra


Bombeiro e agente aposentado do Desipe são executados na Zona Oeste e polícia teme matança


Rio - As execuções de um bombeiro e de um agente aposentado do Desipe, ambos suspeitos de envolvimento com milicianos, são, para a polícia, um sinal claro de que grupos paramilitares da Zona Oeste estão em guerra. Na manhã de ontem, o terceiro-sargento Carlos Alexandre Silva Cavalcante, o Gaguinho, foi assassinado em Jacarepaguá. Horas depois, a baixa foi no grupo rival: o agente aposentado Wagner Rezende de Miranda, o Waguinho Desipe, foi morto em Campo Grande. A polícia trabalha com a hipótese de que a emboscada seja represália à morte de Gaguinho e teme mais assassinatos.


EXCLUSIVO: TV O DIA: Imagens do flagrante da guerra entre grupos rivais


TV O DIA: Imagens mostram informantes empunhando fuzis


Gaguinho respondia a dois inquéritos por envolvimento com a milícia Liga da Justiça, da qual fariam parte o ex-vereador Jerônimo Guimarães Filho e o ex-deputado estadual Natalino Guimarães. Gaguinho foi indiciado pela CPI das Milícias da Alerj. O bombeiro foi assassinado na Estrada do Gabinal, em Jacarepaguá, no posto de gasolina ao lado de casa.

Gaguinho tinha acabado de abrir a porta de seu Palio branco quando foi cercado por três homens encapuzados. Outro bandido, também de capuz, dirigia o Siena prata usado na fuga.

Os criminosos estavam armados e Gaguinho, que colaborou com a Polícia Civil em investigações sobre a milícia, levou muitos tiros, principalmente na cabeça. De casa, a mulher do bombeiro ouviu os tiros e chegou ao posto de gasolina aos gritos: “Foi o Batman!”, apelido de Ricardo Teixeira Cruz, apontado como matador da Liga da Justiça, que fugiu de Bangu 8, em outubro. Dois filhos de Gaguinho, de 9 e 12 anos, viram o pai desfigurado.

Peritos recolheram 28 cápsulas, 19 delas de fuzil 7.62, cinco de fuzil AK-47 e quatro de pistola calibre 380. Hoje, uma perícia complementar será feita no Palio. Gaguinho estava lotado na Odontoclínica do Corpo de Bombeiros e, segundo parentes, iria para o trabalho. Há suspeitas de que os atiradores tenham roubado a arma do militar.

“Pedimos informações oficiais à Secretaria de Segurança e à Chefia da Polícia Civil sobre a participação da vítima no inquérito que levou à prisão os líderes da Liga da Justiça. Se for deste jeito mesmo, o envolvimento da milícia é uma forte linha de investigação. Gaguinho nem teve chance de reagir”, afirmou o delegado Pablo Sartori, da 41ª DP (Tanque).

Câmeras do posto mostram apenas quando um funcionário se assusta com os tiros e corre para se esconder. O carro e os atiradores ficaram em um ponto cego. O delegado acredita que os assassinos ‘estudaram’ o local. À tarde, policiais da Delegacia de Roubos e Furtos de Autos apreenderam em Maricá um Siena com as características do que foi usado no crime.


Flagrado com fuzil da polícia

Autorizado pela cúpula da Segurança Pública a atuar como informante da equipe do delegado Marcus Neves, Gaguinho foi flagrado em vídeo, divulgado com exclusividade por O DIA, em dezembro, ao lado do ex-policial militar Herbert Canijo da Silva, o Escangalhado, portando um fuzil e usando uma camiseta da Polícia Civil em uma lanchonete de Campo Grande, ao lado de policiais da Polinter. Uma semana antes, Gaguinho chegou a ser detido em frente à Polinter, armado, dentro de uma viatura.

O bombeiro tinha passagem por formação de quadrilha e estelionato e era investigado pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas e Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) por envolvimento com a milícia.

Gaguinho também estava na lista de indiciados pela CPI das Milícias. Por conta das suspeitas, ele foi afastado do Tribunal de Contas do Município (TCM), onde trabalhou até julho. O bombeiro seria homem de confiança do sargento PM Francisco César Silva Oliveira, o Chico Bala, que presta serviços para a equipe de Marcus Neves e responde ao Conselho de Disciplina por atuar sem autorização da corporação.



Vídeo mostra tentativa de execução

A guerra entre milícias rivais explodiu ontem com a morte de dois investigados por participação nesses grupos, mas a disputa e os confrontos vêm ocorrendo há pelo menos um mês — 30 dias após a fuga do ex-PM Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, integrante da Liga da Justiça, do presídio de Bangu 8 . No vídeo divulgado ontem com exclusividade por O DIA, milicianos aparecem atirando contra um morador da Favela do Barbante, em Inhoaíba, quando tentavam matar um homem que denunciou o grupo rival à Liga da Justiça.

Ao tomar conhecimento do vídeo, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, determinou rigor nas investigações. “Assim que soube desse fato, pelo jornal, determinei imediatamente a análise dessas imagens e a identificação desses bandidos. Assim que tivermos informações concretas, faremos uma ofensiva não só nesta comunidade como em outras onde o Estado está atuando para acabar com o poder desses grupos de milícias. Vamos agir, mas temos que aguardar as investigações”, disse.

A Polícia Militar determinou ontem que sejam feitas ações preventivas e repressivas na Favela do Barbante para evitar novas investidas de milicianos.


MORTE SERIA VINGANÇA

O agente penitenciário aposentado Wagner Rezende de Miranda, o Waguinho Desipe, 52 anos, foi morto ontem à tarde com pelo menos seis tiros de pistola calibre 45 a 50 metros de sua casa, em Campo Grande, na Zona Oeste. A maior parte dos disparos acertou o rosto do ex-agente, o que, segundo a polícia, demonstra que o atirador tinha raiva da vítima.

Ele estava com o sobrinho Rafael de Miranda Fernandes, 28, quando foi atacado. O rapaz foi baleado de raspão no braço direito. Waguinho Desipe foi emboscado por três homens que estavam em um Siena prata — mesmo modelo e cor do carro usado no assassinato do terceiro-sargento bombeiro Carlos Alexandre Silva Cavalcante, o Gaguinho, ontem de manhã, em Jacarepaguá. A execução do agente ocorreu por volta das 13h, quatro horas e meia após a morte do bombeiro.

De acordo com o delegado da 35ª DP (Campo Grande), Júlio da Silva Filho, a principal linha de investigação é a de que os crimes estejam ligados à guerra entre milícias rivais na Zona Oeste. Uma das hipóteses é a de que integrantes da Liga da Justiça tenham matado Gaguinho — que faria parte de um outro grupo paramilitar — e seus comparsas, então, executaram Waguinho, como vingança.

No entanto, a utilização de carros do mesmo modelo e marca chama a atenção dos agentes para a possibilidade de os crimes terem sido praticados por um mesmo grupo. “Vamos investigar todas as possibilidades. Ainda não dá para afirmar nada. Vou trocar informações com o delegado da 41ª DP (Tanque) para chegarmos aos autores dos homicídios”, afirmou Júlio da Silva Filho.

Waguinho estava na Rua dos Dentistas, no Condomínio Village do Tingui, em frente à casa do sobrinho quando os bandidos chegaram atirando. Waguinho ainda tentou fugir, mas foi alcançado por um dos criminosos e morto. Já Rafael conseguiu pular um muro e se esconder em um terreno baldio. O trio não se preocupou em esconder o rosto, mas Rafael diz não ter condições de identificar os atiradores.

Em sinal de luto, vans e kombis começaram a circular pela Zona Oeste com um adesivo em forma de uma cruz negra na parte dianteira. Só não se sabe ainda se o luto é pela morte de Gaguinho ou de Waguinho Desipe.

Fonte O dia

MILÍCIAS: RASTRO DE INIQUIDADES


UM MAL PELO OUTRO


Quando as milícias assumem o comando de uma região, os moradores se livram de um grupo associado a vários males para passarem a ser controlados por outro que também apresenta perigos. O que muda, na prática e a curto prazo, é que a violência das guerras entre facções criminosas diminui.

Essa é, no entanto, uma calmaria apenas relativa e que pode trazer sérios danos às comunidades a longo prazo, ou até num futuro próximo. As milícias representam uma falsa segurança, por serem à margem da lei. São formadas por PMs na ativa e PMs na reserva, bombeiros, ex-militares ou militares na ativa e na reserva, pessoal de segurança privada e até mesmo garotos que gostam de brigar, conforme lembra Ruben César, diretor executivo do Viva Rio, ouvido pelo Opinião e Notícia. Mas em geral, como também explica Ruben, há nas milícias um membro que consegue conviver bem com a polícia. Assim, começa a se desenvolver uma aliança entre a milícia e a polícia que não é boa porque, à medida que a milícia cresce, passa a dominar a área.

O domínio das milícias significa pressão sobre os moradores, uma dominação pelo medo, já que esses grupos exigem pagamento pelo seu trabalho de segurança, ameaçando quem se recusar a pagar.

As próprias milícias, aliás, em alguns locais passam a controlar o tráfico. Outra forma de clandestinidade que mais atrapalha que ajuda é, por exemplo, o transporte ilegal, feito comumente através de vans. As milícias passam a disputar, entre si, nichos de mercado que incluem as linhas dessas vans.

Os moradores ficam entre um mal e outro, define Ruben Cesar, referindo-se às milícias e aos grupos de traficantes de drogas.

De qualquer forma, eis um breve histórico desse que, para todos, é o mal maior...



Milícias declaram guerra


Filho de Jerominho nega envolvimento da família com milícia


Contradições marcam depoimentos à CPI das Milícias, diz deputado


Vereador suspeito de integrar milícia diz que corre risco de vida


Morador conta como milícia tomou conta de favela no Rio


Deputado Jorge Babu tem envolvimento com milícias, diz Beltrame


Polícia faz operação para prender suspeitos de integrar milícia


PM prende quatro suspeitos de envolvimento com milícias


Dois policiais são presos suspeitos de integrar milícia


Após fuga de suspeito de integrar milícia, diretor de presídio é exonerado


Cabral quer investigação rigorosa sobre fuga de ex-PM


Após fuga, polícia pede imagens do circuito de TV de Bangu 8


Ex-PM foragido de Bangu 8 foi visto na Zona Oeste, confirma delegado


Deputado Natalino só deve enfrentar pedido de cassação após julgamento


Presos suspeitos de participar de milícia são transferidos para presídio federal


Secretário responsabiliza PMs e agentes penitenciários por fuga de Batman


Seis agentes penitenciários são indiciados pela fuga de Batman


Relatório de CPI denuncia 150 suspeitos de envolvimento com milícias


CPI das Milícias indicia 226 envolvidos com grupos armados


Justiça aceita denúncia contra grupo suspeito de integrar milícia


Vereador Nadinho de Rio das Pedras é baleado na Zona Oeste, diz PM


Nadinho de Rio das Pedras não corre risco de morte, diz hospital


Viúva do inspetor Tostes recebe alta


Polícia vai usar câmeras da casa de Nadinho para identificar criminosos