quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Suspeito de formação de milícia, policial civil é preso em Natal


Agente também é suspeito dos crimes de peculato e tentativa de homicídio. Prisão desta quarta (9) é desdobramento de operação realizada em agosto.

Um agente da Polícia Civil do Rio Grande do Norte foi preso nesta quarta-feira (9) suspeito de formar uma milícia privada. O policial foi preso em Natal após o cumprimento de um mandado de prisão expedido pela Vara Criminal de Ceará-Mirim, na região metropolitana. Além de formação de milícia privada, o agente é suspeito dos crimes de peculato - desvio de dinheiro público - e tentativa de homicídio.

A prisão do policial é desdobramento da operação Tártaro, deflagrada em 7 de agosto para desarticular e prender integrantes de uma empresa ilegal que realizava segurança privada para moradores de Muriú, praia do litoral Norte do Rio Grande do Norte.

“O grupo realizava disparos com armas de fogo e ameaçava moradores que não contratassem os serviços. Além disso, como forma de retaliação o grupo realizava arrombamentos nas casas, constituindo desta forma a prática de milícia privada”, relatou a delegada Jamille Alvarenga, titular da Delegacia de Polícia Civil de Ceará-Mirim.

A delegada acrescenta que o policial civil exercia o papel de dono da empresa de segurança privada investigada na operação. “Ele coordenava os trabalhos do grupo, fornecia armamentos e gerenciava toda a logística", detalha.

A participação do policial civil foi descoberta a partir de prisões e apreensões realizadas na operação deflagrada em agosto. Na ocasião foram apreendidos um colete balístico de propriedade da Polícia Civil, além de dois revólveres calibre 38 e munições de diversos calibres, inclusive de uso exclusivo da polícia. O material estava na casa de um dos presos na operação.

No dia da operação foram presos dois primos apontados como supostos autores de uma tentativa de homicídio e integrantes da milícia privada. "Descobrimos que o policial civil tinha repassado o colete. Para tentar despistar a origem do colete, o agente havia cortado todas as identificações relativas à Polícia Civil”, explica Alvarenga.

Armas e coletes a prova de balas foram apreendidos durante buscas feitas na empresa (Foto: Divulgação/Polícia Civil)


Fonte O Globo

Polícia prende 6 suspeitos de integrar milícia na Baixada Fluminense

Entre os detidos, estão dois policiais militares; três suspeitos estão foragidos

Seis suspeitos de integrar milícia que vem cometendo homicídios na Baixada Fluminense foram presos nesta quarta-feira (9). A ação conjunta das Delegacias de Homicídios da Baixada Fluminense, da capital e de Niterói para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contou com apoio da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais).
Orlando dos Santos Facioli Júnior, o "Júnior Chatuba", Daniele Silva Rocha da Costa, a "Babalu", Marcelo da Silva Barreto, o "Marcelinho", e Leonardo Sousa da Silva foram detidos e vão responder por constituição de milícia privada, praticado na região de Venda Velha, em São João de Meriti, na baixada.
O policial militar reformado Márcio José Deodato, conhecido como "Bebezão", também foi preso suspeito de cometer um assassinato em 2014 no bairro de Coelho da Rocha, também em São João de Meriti. Na ação, os agentes também prenderam o PM Alexsandro Dias da Silva. De acordo com a polícia, Alexsandro participou de um homicídio no ano passado no bairro Jardim Anhangá, em Duque de Caxias.
Luan Cunha Barbosa, de 22 anos, Suellen Souza Nicalson, de 25 anos, e Bruno André Martins Cândido estão foragidos. 

Fonte R7

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Morte de PM no Rio pode ter ligação com mulheres, milícia e jogo do bicho



 



Morte de PM no Rio pode ter ligação com mulheres, milícia e jogo do bicho

 Caso com mulher de preso ou agressão a filha de miliciano são apuradas.  Polícia suspeita também de envolvimento de Eduardinho com jogo do bicho.


A Divisão de Homicídios (DH), que trabalha no caso da execução do cabo da Polícia Militar Eduardo Conceição Dias, tem até o momento quatro linhas de investigação para o crime. Está sendo apurado se o PM foi morto por envolvimento com mílicias, devido a um caso amoroso ou em decorrência de uma suposta participação no jogo do bicho. O assassinato ocorreu nesta quinta-feira (20).

Eduardinho, como era conhecido, tinha fotos na internet com um anel com a imagem do herói Batman, em alusão ao apelido de seu ex-sogro, Ricardo Teixeira da Cruz – chefe da maior milícia do Rio de Janeiro, que está preso. A polícia desconfia que o PM teria sido morto por uma liderança dissidente da organização criminosa.

Segundo as investigações, um homem conhecido como Carlinhos teria dominado a área de Batman em Campo Grande após a prisão e mandado executar pessoas ligadas a ele.
saiba mais


Agressão e adultério
A Divisão de Homicídios também apura se Eduardinho teria agredido a filha de Batman e sido punido com a morte. Outra hipótese é de que seu assassinato tenha sido encomendado após um suposto caso com a ex-mulher de um bombeiro que está preso.

Também é investigado um possível envolvimento de Eduardinho com contraventores do jogo do bicho, para quem trabalharia como segurança.



'Era um fanfarrão', diz policial
Na internet, o PM exibia fotos com adornos de ouro, ao lado de famosos e em um carro de luxo. "Era um fanfarrão", diz um dos policiais que teve informações do caso e prefere não se identificar, repetindo um termo que ficou famoso no filme "Tropa de Elite".

 
Justamente devido a essa impressão, as investigações preferem não se preciptar em afirmar que Eduardo Conceição Dias participava do grupo paramilitar da Zona Oeste.

Luxo e ostentação
O carro do cabo da PM foi levado para a DH para ser periciado e estava estacionado no pátio da delegacia na manhã desta sexta (21). O BMW X1 SDRIVE 2011 é avaliado em R$ 75 mil.

Em sua conta no Instagram, Eduardinho exibia uma vida de luxo e ostentação. O policial compartilhava fotos de viagens, bons restaurantes, passeios de helicóptero, joias e o próprio carro. Na manhã desta sexta, o perfil foi excluído da rede social.



Inquérito
Em 2013, Eduardinho respondeu a um Inquérito Policial Militar (IPM) junto com Tôni Ângelo Souza de Aguiar, o Erótico, que sucedeu Batman no comando da milícia e também está detido, no presídio federal de Catanduvas (PR).

O procedimento, no entanto, acabou arquivado, segundo a PM, porque “não foi possível incriminar os acusados devido a inexistência de provas contra os mesmos”. Em 2014, o PM começou a responder a outro IPM, pelo crime de estelionato. A investigação seguia em aberto.

Ao G1, policiais disseram que Eduardinho era ligado à chefia da milícia em Campo Grande, na Zona Oeste. Em 2014, um anel de ouro com o rosto do Batman, semelhante ao que o PM exibe em fotos na internet, foi apreendido durante a prisão do ex-PM Marcos José de Lima Gomes, o Gão, apontado como o último chefe do bando de milicianos que estava em liberdade.

“Ao que parece, só integrantes da alta cúpula da milícia usam este anel. É uma joia cara feita de ouro”, disse na época o delegado Rivaldo Barbosa, da Divisão de Homicídios.


Fonte e Fotos: O DIA
Fotos: Reprodução da Internet em O DIA

Milícia da zona Oeste sofre baixas e aprrensões da Polícia







Ação contra milícia na Zona Oeste tem 1 preso e 8 carros apreendidos.


Segundo delegado Rivaldo Barbosa, operação é resposta a mortes na área.  Roupas usadas por policias, armas, granadas e facas foram encontradas.


Em operação realizada para combater a milícia, na Zona Oeste do Rio, a Divisão de Homicídios apreendeu armas, munição, uma granada, facas, oito carros e uma moto roubada, além de uma grande quantidade de roupas usadas por policiais militares e civis. Um homem de 36 anos, que teria envolvimento com a milícia também foi preso.

Com ele havia uma pistola que a polícia investiga se foi usada em crimes. A DH investiga se ele teria envolvimento nas mortes recentes na região. A operação ocorreu no Conjunto Habitacional Joao XXIII, em Santa Cruz.


Segundo o delegado Rivaldo Barbosa, a operação desta quinta foi uma resposta às mortes dos últimos 10 dias, inclusive do policial militar no início da semana.

Barbosa afirmou que o material encontrado na operação tem o objetivo de confundir a população fazendo parecer que os bandidos são policiais. Segundo ele, os carros são parecidos com os carros usados pela polícia e até um "giroflex" foi apreendido. O delegado disse que as operações vão continuar.

"Não estamos satisfeitos. Estamos prometendo ação exemplar na área. O que se sabe é que pessoas perdem a vida por causa de briga pelo poder e corrupção".

Barbosa acrescentou que nos últimos 15 dias vem ocorrendo uma guerra entre facções rivais de milicianos na Zona Oeste.   “Desavenças que geram mortes que fogem ao padrão dos últimos 40 anos", afirmou.


Fonte O DIA
Material apreendido em operação contra milícia no Rio (Foto: Káthia Mello / G1)

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Milícia vende Morro do Jordão por 3 milhões de reais para o CV





Milícia vende Morro do Jordão por 3 milhões de reais ao Comando Vermelho

Área teria sido negociada para traficantes do Comando Vermelho. Polícia do Rio investiga o caso.


A guerra entre tráfico e milícia no Morro do Jordão, no Tanque, em Jacarepaguá, ganhou perigosos contornos imobiliários nos últimos dias. O conflagrado território teria sido vendido pelos milicianos para os traficantes do Comando Vermelho (CV). O valor da transação: R$ 3 milhões. A denúncia foi feita por moradores e circula em redes sociais. “Isso está na internet e estamos investigando. Temos vários procedimentos contra os criminosos do Jordão”, informou a delegada titular da 41ª DP (Tanque), Márcia Julião, que não entrou em detalhes para não prejudicar o trabalho policial.

“Quando soube da venda da favela pelos milicianos, alertei minha família. Já houve relatos de negociações entre traficantes e milicianos na Ilha do Governador. Mas, a negociação do Jordão é um caso muito mais grave”, compara o sociólogo e ex-oficial do Bope, Paulo Storani, morador de Jacarepaguá. “Esses paramilitares são profissionais de segurança, em geral investigados e expulsos, e podem, com isso, criar uma nova forma de negócio. Tomar comunidades e vendê-las. Passar o ponto”, alertou Storani.

A troca de poder no Jordão também chegou ao conhecimento do 18º BPM (Jacarepaguá). O tenente-coronel Rogério Figueiredo, comandante da unidade, não acredita que o morro tenha sido negociado entre traficantes e milicianos, mas mandou investigar. “Acionamos o setor de inteligência para apurar”, disse o oficial.

Desespero

A disputa pelo controle da favela do Jordão se arrasta há quase um ano, levando desespero aos moradores. Muitos foram expulsos pelo tráfico, acusados de colaborar com milicianos. Os paramilitares que controlavam o local teriam desistido da luta após pedirem ajuda à Liga da Justiça, a maior milícia do Rio, com reforço de homens e armas. A Liga, porém, também está dividida entre as ordens de dois chefões presos Ricardo da Cruz, o Batman, e Tôni Ângelo Souza de Aguiar, o Erótico.



A disputa entre eles é apontada pelas investigações da Divisão de Homicídios (DH) como motivo por uma série de assassinatos. O último deles, ocorrido na quinta-feira passada, foi o do PM Carlos Eduardo Conceição Dias, o Eduardinho, de 32 anos. Ele seria o elo entre os paramilitares do Jordão e a Liga da Justiça.

Eduardinho era ex-genro Batman e já respondera inquérito junto com Tôni Ângelo. A DH investiga as ligações do cabo PM, que levou três tiros na cabeça na Praia da Reserva, Recreio dos Bandeirantes, com o grupo paramilitar e se ele negociava o reforço de homens e armas para os milicianos do Jordão. Eduardinho ostentava luxo em redes sociais e estava, no local do crime, com uma BMW avaliada em R$ 75 mil.

Eduardinho — que estava na PM há sete anos e teve o inquérito por envolvimento com a milícia arquivado por falta de provas — aparece em foto postada em redes sociais com um anel de ouro com o rosto do personagem Batman. Em 2014, joia semelhante foi encontrada com o ex-PM Marcos José de Lima Gomes, o Gão, apontado então como o chefe solto da Liga da Justiça. O delegado titular da DH, Rivaldo Barbosa, comentou que o anel seria uma espécie de marca dos chefes da milícia. “Ao que parece, só integrantes da alta cúpula da milícia usam este anel.”

A disputa entre traficantes e milicianos atormenta os moradores de Jacarepaguá desde que a milícia conquistou áreas do Comando Vermelho na região há cerca de dez anos. Desde então, os moradores vivem no meio do fogo cruzado. Em novembro passado, na Vila Sapê, em Curicica, traficantes chegaram a tomar algumas ruas, picharam muros com as iniciais da facção, ameaçaram moradores e montaram barricadas. Os milicianos, comandados pelo ex-policial militar Roberto Ramos dos Santos, o Betinho, expulsaram os invasores, oriundos da Cidade de Deus.

Na ocasião, pelo menos três pessoas foram assassinadas a tiros. Com a prisão de Betinho, feita pela Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado (Draco) na quinta-feira passada, os moradores temem que uma nova guerra comece.

Atualmente, a favela está sob as ordens de Sergio Luiz da Silva Júnior, o Da Russa, que, com cinco condenações por produção e tráfico de drogas, comanda ataques a outras favelas dominadas por facções rivais ou controladas por milícias como aconteceu recentemente no Morro do Jordão. Segundo as investigações, o próximo alvo do CV seria a favela da Chacrinha, na Praça Seca.

Outro território histórico do Comando Vermelho (CV) em Jacarepaguá é a Cidade de Deus. A estratégia dos traficantes mudou com a implantação da Unidade de Polícia Pacificadora há seis anos. Eles passaram a circular sem ostentar armas pesadas e transportando pequenas quantidades de entorpecentes, segundo inquéritos instaurados na 32ª DP (Taquara).

Em nota, a Coordenadoria de Polícia Pacificadora informou que o comando da UPP Cidade de Deus trabalha diariamente na repressão às ações do tráfico na região, em conjunto com as investigações da Polícia Civil.

Fonte e Foto/O Dia

terça-feira, 14 de julho de 2015

No tribunal do tráfico e da milícia, tortura é punição rotineira




No tribunal do tráfico e da milícia, tortura é punição rotineira



Um erro trivial custou a vida de Andressa Cristina Candido, de 19 anos. Moradora do Morro da Quitanda, em Costa Barros, ela pegou o ônibus errado e foi parar na Favela do Chaves, em Barros Filho, comunidade vizinha e controlada por uma facção rival à daquela que dominava o lugar onde vivia. Andressa esperava outra condução quando foi abordada por traficantes. Arrastada até um barraco, a jovem foi espancada e estuprada por oito homens. Em seguida, jogada num rio e apedrejada. A morte cruel foi o castigo por estar em território inimigo.

Como O GLOBO revelou ontem, na primeira reportagem da série “Tortura, um mal que persiste”, 699 processos por esse crime foram instaurados no Tribunal de Justiça do Rio desde 2005. Ao contrário de tratados internacionais, que definem a prática como um crime cometido pelo Estado, a lei 9.455/97 abrange atos cometidos tanto por agentes públicos como por pessoas comuns. No Rio, a expansão do poder paralelo deu visibilidade às atrocidades do tráfico e da milícia, organizações que criam suas próprias leis e cometem crimes bárbaros em nome do domínio territorial. Segundo dados da pesquisa “Julgando a tortura”, coordenada pela ONG Conectas e pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP, 70% das decisões em segunda instância do Rio, entre 2005 e 2010, tratavam de torturas cometidas por agentes privados.

MÃE CONTA QUE FILHA GRITAVA DE DOR

Andressa não tinha ligação com o tráfico. Mãe de uma menina de 1 ano, a jovem trabalhava entregando panfletos e cursava o 2º ano do ensino médio à noite. Sonhava em seguir a carreira militar. No dia do crime, 16 de setembro de 2013, ela voltava da casa do namorado, em Senador Camará, com um amigo e a sobrinha dele, de 8 anos. A menina fugiu dos criminosos e foi até a casa da família, que teria avisado a polícia sem ser atendida. Muito machucada — ela fora surrada com um pedaço de madeira e recebera golpes de martelo na cabeça e na perna —, Andressa foi carregada pelo amigo, que também havia sido espancado, até conseguirem ajuda. A mãe dela, a auxiliar de serviços gerais Andreia Candido, de 37 anos, conta que sua filha passou três dias sem atendimento, em cima de uma maca no Hospital Salgado Filho, no Méier.— É muito difícil ouvir a sua filha dizer que foi violentada e ainda conseguir forças para apoiá-la — emociona-se Andreia. — O pior foi no hospital. Ela gritava de dor, mas ninguém ia medicá-la. Até hoje não sei qual foi a causa da morte dela. Já chorei tanto que atualmente sinto como se tivesse ficado seca por dentro.Três acusados pela morte de Andressa e pelo espancamento do seu amigo, testemunha-chave do caso, foram presos e condenados pelo crime de tortura, entre outros, com penas entre 36 e 42 anos de reclusão em regime fechado. Outros cinco, que seriam adolescentes, ainda estão soltos.

O assassinato do estudante Hugo da Silva, de 18 anos, morador da Favela Roquete Pinto, em Ramos, dominada por milicianos, também teve motivo banal. Ele foi espancado e arrastado por 500 metros na rua principal da comunidade até as margens da Avenida Brasil. O caso aconteceu depois da histórica derrota do Brasil para a Alemanha, por 7 a 1, em 8 de julho do ano passado. Hugo, que bebia num bar com amigos, tinha deixado o grupo para urinar numa praça. Foi abordado por um miliciano, que queria saber o que ele estava fazendo. O estudante indagou a razão da pergunta e deu-lhe as costas. Começou a briga. Mais de dez paramilitares armados chegaram ao local, dando início ao espancamento. Na época, a favela, que fica na Maré, era ocupada pela Força de Pacificação. Além disso, o fato ocorreu perto de um posto da PM. No entanto, ninguém evitou a tortura.

— Eram socos, pontapés, cotoveladas na nuca e chutes na cara dele. Foi horrível. Eles saíram arrastando o corpo do rapaz. Quando se levantava, eles lhe davam uma banda e tudo recomeçava. Isso aconteceu várias vezes. Tentamos ajudá-lo, mas eles gritavam que ia sobrar para a gente — disse uma das testemunhas.
 Hugo conseguiu atravessar uma passarela da Avenida Brasil, onde foi socorrido por um morador. Levado para o Hospital Federal de Bonsucesso, acabou não resistindo aos ferimentos. Desde então, seu pai, o sargento da PM Gelson Miguel da Silva, de 45 anos, luta na Justiça para pôr os assassinos do filho na cadeia. Segundo Gelson, o chefe da milícia na Roquete Pinto está foragido, assim como outros seis acusados. Há quatro presos pelo crime, entre eles o soldado da Marinha Deivid da Silva Gonçalves e o agente penitenciário Jonathan Anselmo Marques dos Santos.

— Não vou negar que já tive pensamentos ruins para vingar a morte do meu filho. Mas tenho autocontrole. Não posso me igualar a esses bandidos. Acredito na Justiça — afirma Gelson.

O processo sobre o homicídio de Hugo da Silva está no III Tribunal do Júri, em fase de depoimentos. Apesar de sete dos 11 milicianos estarem foragidos, há informações de que eles ainda mantêm negócios na Favela Roquete Pinto.

A antropóloga Alba Zaluar, autora de um estudo sobre vitimização em favelas do Rio, explica que o poder paralelo tem o seu próprio “tribunal” e suas leis, inclusive a do silêncio. Segundo ela, as queixas sobre violência física são mais comuns em áreas de milícia do que de tráfico. Em regiões controladas por traficantes, os litígios também são resolvidos pelo poder das armas.

— Traficantes atiram no pé, nas mãos. Só o Estado pode usar a violência legitimamente em prol da sociedade. O problema é que o Brasil tem territórios extensos e, em alguns deles, a polícia não entra. As UPPs surgiram para resolver esse problema: a imposição do poder paralelo por milícias e pelo tráfico.

 HISTÓRIA DE AMOR ACABOU EM MORTE

Bairro de Antonina, São Gonçalo. Na noite de 11 de dezembro de 2014, traficantes invadiram uma casa. Procuravam por Bruno Costa Rodrigues, de 31 anos. Ele pulou um muro para fugir, mas não foi longe: na queda, feriu o pé e acabou sendo alcançado. Levou socos, pontapés, pauladas. A tortura seguiu madrugada adentro. Os bandidos passaram de motocicletas sobre seu corpo.

A violência extrema teve várias testemunhas. Segundo o pai de Bruno, o comerciante Alberto Rodrigues Neto, de 53 anos, seu filho foi socorrido depois que uma pessoa ligou para a PM. Levado para o Hospital Alberto Torres, ficou internado, em coma. Tinha fraturas pelo corpo e traumatismo no crânio. No dia 22, sem chances de recuperação, teve a morte cerebral declarada pelos médicos. Sua família doou os órgãos.
— Ele lutou dez dias, mas era quase impossível resistir a tanta violência. Enterrei meu filho no dia 24 de dezembro — diz Alberto, ao lado da mãe de Bruno, a dona de casa Solange Costa, de 55 anos.

Os acusados foram presos e estão sendo julgados por tortura seguida de morte. Testemunhas contaram que Bruno foi caçado pelos bandidos porque começou a gostar de uma jovem parente de um dos torturadores.

— Ele se apaixonou — lembra o pai.


Fonte O Globo

sábado, 29 de dezembro de 2012

Polícia investiga existência de milícia em área de garimpo no interior do AM

Garimpeiros estão em conflito por direção de cooperativa de garimpeiros. Participação de policiais militares na formação da milícia é apurada. Polícia investiga existência de milícia em área de garimpo no interior do AM.


A polícia investiga a existência de uma milícia na região do garimpo do Juma, em Novo Aripuanã, município a 227km de Manaus. A segurança na área deverá ser reforçada.

Segundo a polícia, os garimpeiros disputam há mais de dois anos pela direção da cooperativa dos garimpeiros, a Cooperjuma. As reuniões normalmente acabam em confusão, denúncias e ameaças.

A situação piorou depois que o principal líder de um dos grupos, o garimpeiro Antônio Salvador, foi executado em um ramal que dá acesso ao garimpo. Muitos garimpeiros pediram proteção à 4ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), com sede em  Humaitá.

"Cabe a nós, como Polícia Militar e segurança pública do Estado, poder garantir que essas pessoas não sejam mais molestadas, haja vista que tem um assassino a solta, grupos formados e possível milícia", explicou o major Claudenir dos Santos, comandante da 4ª CIPM.

A polícia também investiga a denúncia de participação de policiais militares na formação da milícia.
Fonte: G1

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Milícias entram em Guerra das Vans no Rio de Janeiro





Polícia pede prisão de suspeitos de ameaçar motoristas de vans no Rio. 

Criminosos que participaram da ação são de quadrilha de miliciano. Chefe de cooperativa que revelou extorsões a motoristas será investigado.



Rio, 01/11/2012 - A polícia já identificou parte do grupo que abordou 120 vans em pontos finais da Zona Oeste na última quinta-feira (25), como mostrou o RJTV. No total, 12 criminosos participaram da ação, todos da quadrilha do ex-policial militar Toni Ângelo, que comandava a milícia da região.

A Polícia Civil pediu ao Ministério Público a prisão de alguns dos participantes da ação, inclusive Toni Ângelo. Os outros nomes não foram divulgados para não prejudicar as investigações.

Sem receios, o presidente da cooperativa de vans Rio da Prata, César Moraes Gouveia, fez diversas denúncias, contra milicianos acusados de ameaçar e extorquir motoristas de vans. Ele disse que, desde 2007 evita andar na rua com medo de ser assassinado. No entanto, ele também pode ser investigado.

Saiba mais

César Moraes já foi suspeito de pagar propina a policiais para que suas vans não fossem fiscalizadas. Ele também é citado na CPI das milícias de 2008 como chefe de uma milícia em Realengo, na Zona Oeste, junto do então vereador Jerominho.

Taxas semanais

Os criminosos exigem o pagamento de taxas semanais para autorizar a circulação das vans. Na última quinta-feira, 12 suspeitos encapuzados e armados pararam as vans e ameaçaram funcionários da cooperativa Rio da Prata. Eles disseram que cada van teria que pagar uma taxa de circulação no valor de R$ 350 por semana. Essa é uma das principais cooperativas da Zona Oeste da cidade e tem 700 vans. Quatro linhas, que transportam cerca de 30 mil passageiros, ficaram paralisadas. Nesta terça, apenas 50% da frota estava circulando.

Segundo investigações da polícia, Sepetiba, Padre Miguel, Cosmos, Santa Cruz e Campo Grande, na Zona Oeste, e mais Marechal Hermes, Cascadura e Coelho Neto, no subúrbio do Rio, são bairros onde milicianos dominam boa parte do transporte alternativo.

Fonte: G1