terça-feira, 23 de outubro de 2007

TIRO NA ZONA SUL É DIFERENTE... MATAR POBRE É MENOS TRAUMÁTICO.


Traficantes estão migrando para a Zona Sul, diz secretário

Segundo José Mariano Beltrame, esta é nova estratégia dos criminosos.

Ainda de acordo com o secretário, nessa região o risco das operações policiais é maior.
O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, afirmou, nesta terça-feira (23), que os traficantes do Rio estão migrando para a Zona Sul da cidade e deslocando armamentos para as favelas dessa região. De acordo com Beltrame, essa é a nova estratégia do tráfico para evitar prisões e apreensões já que, segundo o secretário, é mais difícil fazer operações na Zona Sul do que em outros pontos, como as comunidades do subúrbio.


Cai a máscara da hipocrisia, ESCUTE A DECLARAÇÃO AQUI


“Buscá-los (os traficantes) na Zona Sul, no Dona Marta, no Pavão-Pavãozinho, 'eu (polícia) estou muito próximo da população'. É difícil a polícia ali entrar. Porque um tiro em Copacabana é uma coisa, um tiro na Coréia, no Alemão, é outra. E aí?”, disse. Segundo o secretário, a repercussão das ações na Zona Sul do Rio é maior, já que os prédios de moradores da classe média ficam perto das favelas.

Beltrame também admitiu que o efetivo da Força de Segurança Nacional no Rio de Janeiro está sendo reduzido por causa da solicitação de outros estados. Após os Jogos Pan-Americanos, o governo federal garantiu que 1,2 mil homens continuariam na cidade até o fim do ano. Mas o próprio secretário nacional de Segurança Pública, Antônio Carlos Biscaia, confirmou que o número está menor. “Já está abaixo de mil (homens). Mas a recomposição já está sendo feita. Esse compromisso de manter 1,2 mil homens está ainda confirmado”, afirmou.

NÃO HÁ DICOTOMIA: HÁ HOLOCAUSTO











A TV viu arma nas mãos desse suposto bandido morto loigo após. Você consegue ver?


CABRAL DIZ QUE NÃO HÁ DICOTOMIA ENTRE DIREITOS HUMANOS E ORDEM PÚBLICA


RIO - O governador Sérgio Cabral rebateu, na tarde desta segunda-feira, as críticas de que a polícia do Rio não respeita os direitos humanos. Sem dar nomes, o governador afirmou que os críticos tratam como assuntos distintos direitos humanos e ordem pública. Na semana passada, o governador e a OAB-RJ trocaram farpas após a ação no Morro da Coréia, que resultou na morte de 13 supostos bandidos. A declaração foi feita em uma solenidade no Palácio Guanabara para assinatura de protocolos e intenção na área do turismo.

- A democracia depende de ordem pública. Essa falsa dicotomia entre direitos humanos e ordem pública, que prevaleceu no Rio durante muitos anos, é que levou o estado a isso. Como se direitos humanos e ordem pública não pudessem conviver. Quem mais sofre com aqueles selvagens da Favela da Coréia, com os selvagens da Favela do Alemão, são os moradores do Alemão, são os moradores da Rocinha, Coréia. A cidade inteira sofre, mas os que moram lá sofrem muito mais. A barbaridade é diária.

Subsecretário diz que inteligência nem sempre evita confrontos

Mais tarde o governador afirmou que não estava se referindo às críticas da OAB: 

- Acho que a OAB é uma instituição histórica, respeitável, presidida por um advogado que tenho enorme admiração, dr. Wadih. Ele está no papel de discutir o assunto. Não tem que ter da nossa parte nenhum autoritarismo. Temos que discutir, falar francamente. É um debate de idéias. Não há uma posição monolítica. Só quero cada vez mais reiterar que não se tem democracia sem ordem pública. A democracia pressupõe o respeito à ordem. Ninguém concebe que no seu bairro um policial seja recebido a tiros. Em algumas comunidades do Rio o policial não pode entrar porque leva tiro. Isso não é normal. 

Em entrevista para o RJ TV, o subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, Edval Novaes, falou como o governo pretende agir para atingir as metas de redução da criminalidade.

RJTV - O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, falou em confronto quando for necessário e atuação permanente de inteligência. Que resultado esta estratégia tem trazido para o combate ao crime?
Edval Novaes - O resultado tem sido o que a população tem visto: prisões e apreensões. O que é importante frisar é que, apesar da atividade de inteligência, isso não significa que não ocorrerão confrontos. Nós gostaríamos de que as operações sem tiros, como a da prisão do traficante Joca, em Fortaleza , fossem a regra. Mas, infelizmente, muitas vezes os traficantes se encontram em comunidades carentes, encastelados em áreas de difícil acesso para a polícia e, certamente, cercados de muitos seguranças com armamentos pesados. 

A população tem passado informações para a polícia, muitas vezes através do Disque-Denúncia. O senhor acha que isso é uma mudança de comportamento dos moradores das comunidades e das áreas vizinhas? 

Com certeza. A participação da população tem sido fundamental no auxílio ao trabalho da polícia. Nós pedimos que essa confiança no nosso trabalho permaneça e que, cada vez mais, a população continue denunciando.

Existe alguma forma de proteger essa população em casos de operações onde há tiroteio e confronto?
O que nós buscamos é fazer as incursões da maneira mais cirúrgica possível, em horários onde a população esteja mais protegida. Ou seja, nós procuramos evitar horários de entrada e saída de colégios, de saída e retorno da população ao trabalho. Nem sempre isso é possível, mas é o que nós sempre buscamos.

Que análise o senhor faz dos últimos números do Instituto de Segurança Pública (ISP)?
Um índice importante foi na questão dos homicídios, com um resultado menor em relação a setembro. Mas é interessante destacar também que qualquer estatística tem que fazer uma referência em relação a mais de um período. Neste caso, estamos comparando apenas agosto com setembro. Se nós pegarmos estes mesmo números e compararmos com setembro de 2006, ainda assim nós temos uma queda nos índices. Da mesma forma, se nós pegarmos o acumulado de janeiro até setembro de 2007, nós temos números menores do que o acumulado de janeiro a setembro de 2006. Independente disso, desde que o ISP foi criado, dos 11 principais índices medidos, 8 deles diminuíram no nosso governo, ou seja, de janeiro até outubro.

Enquanto isso, hoje de manhã, 23/10/2007, uma mulher foi baleada na barriga esta manhã no Morro do Andaraí. Segundo a assessoria do hospital, Daniela Ribeiro, 25 anos, está estável, sob avaliação médica na emergência. Ela teria sido atingida durante uma troca de tiros entre traficantes e policiais do Grupamento de Apoio Tático do 6 º BPM (Tijuca).

Me engana que eu gosto...

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

POLÍCIA MATA MAIS E PRENDE MENOS: 961 EM 2007.


Número de mortos pela polícia sobe 21% em setembro

Foram registradas no mês 91 mortes; no ano, já são 961



O número de mortos em confronto com a polícia subiu 21,3% em setembro, em relação ao número de pessoas mortas pela polícia no mesmo mês de 2006. Segundo balanço das ocorrências criminais, divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto de Segurança Pública, foram registrados em setembro 91 autos de resistência, contra 75 no mesmo mês do ano passado.

No ano, já são 961 mortos - 154 a mais que o registrado entre janeiro de setembro de 2006 (aumento de 19%). Das 91 mortes em confronto em setembro, 76 ocorreram na capital.

O aumento no número de mortes em confronto contrasta com a diminuição do volume de ocorrências policiais. O número de prisões, por exemplo, caiu de 1.196, em setembro de 2006, para 1.085, em setembro deste ano. No período de janeiro a setembro, foram efetuadas 10.215 - 2.894 ou 22% a menos que o total registrado no mesmo período do ano anterior (13.109). Ou seja, a polícia está matando mais e prendendo menos.

Caiu também em setembro o número de ocorrências de apreensão de drogas (de 901 para 562) e o de apreensão de armas (de 1.089 para 681).

No mês de setembro, morreram em serviço 2 policiais. De janeiro a setembro foram 22 mortos contra 24 no mesmo período de 2006.

Segundo o governo do estado, as análises dos índices são preliminares e podem sofrer alterações na medida em que sejam consolidados os Registros de Ocorrências lavrados nas Delegacias Tradicionais.




Número de homicídios cai 13,9%


Todas as demais ocorrências registraram queda no estado, com destaque a diminuição de 13,9% dos homicídios dolosos. No mês de setembro, foram registrados 283 homicídios, consolidando um total de 4.030 mortes no ano - 650 a menos que as 4.680 registradas no período de janeiro a setembro de 2006. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve uma queda de 18 % ou menos 499 vítimas.

Destacam-se ainda a queda dos registros de extorsão (- 35,1%), com menos 410 casos; os de atentado violento ao pudor (-20,7%) ou menos 295 vítimas e os de ameaça (-15,7% ) ou 7.491 casos.

No acumulado do ano, chama a atenção o aumento do delito de roubo a transeunte subiu 14,7%, com mais 3.994 casos em relação ao mesmo período do ano anterior. Auto de resistência apresentou alta de 19%, com mais 154 mortos.

Na Região Metropolitana houve aumento, entre outros, em roubo a transeunte, com mais 4.851 casos (15,3%) e lesão culposa de trânsito, com mais 594 vítimas.

Na capital fluminense apresentaram aumento percentual, em comparação ao mesmo período do ano anterior, os registros de roubo a transeunte (17,7%, ou mais 3.942 casos); lesão culposa de trânsito (12,4%) com mais 1.339 vítimas, e homicídio culposo de trânsito, que subiu 12,5%, com mais 72 vítimas.

As maiores quedas de registros da Capital foram de extorsão, com menos 38,1% ou 266 casos, atentado violento ao pudor, que caiu 28,9%, tendo menos 160 vítimas e roubo de veículo que teve queda de 15,6% ou 2.889 casos.

A íntegra do balanço pode ser conferida no site do Instituto de Segurança Pública.


by Darlan Alvarenga

Fonte

domingo, 21 de outubro de 2007

QUANDO A POLÍCIA USA INTELIGÊNCIA POLICIAL





ACUSADO DE CHEFIAR TRÁFICO NA ROCINHA É PRESO EM FORTALEZA

Preso estava no aeroporto esperando a namorada.
Investigações começaram no início do ano.

A polícia prendeu na tarde deste domingo (21) João Rafael da Silva, conhecido como Joca, que seria um dos chefes do tráfico da favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio. A Coordenadoria de Informação e Inteligência da Polícia Civil (Cinpol) e a 19ª DP (Tijuca) realizaram a prisão do acusado no Aeroporto de Fortaleza, no Ceará, quando, segundo a polícia, esperava a namorada desembarcar. Os agentes da Cinpol estariam no mesmo avião que ela.

Saiba mais

Segundo a Coordenadoria de Informação e Inteligência da Polícia Civil, João Rafael da Silva estava sendo monitorado há dois meses, desde quando teria deixado a Rocinha com R$ 2,5 milhões. Desde então, o traficante teria ido para um outro estado antes de chegar até Fortaleza. As duas delegacias investigavam a favela da Rocinha desde o começo do ano.

A polícia afirmou ainda que, a partir de uma operação feita na Rocinha, em agosto, prejudicada por vazamento de informações, os agentes conseguiram colher vários dados de moradores da favela através de denúncias. Por causa disso, a ação foi batizada como Operação Cidadão Carioca.

"A prisão de Joca mostra que hoje a polícia do Rio trabalha com objetivos claros, concretos, com missão planejada e com o suporte da inteligência. Nada é aleatório. O segundo ponto é a credibilidade que estamos ganhando junto à população. Sem as informações anônimas, que foram bem trabalhadas, seria muito mais difícil chegar no Joca. E terceiro ponto é o sigilo e a paciência" , comentou o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame.

Viagem

A Cinpol informou que Joca teria passado pelo estado de Mato Grosso e pelo Distrito Federal, antes de ir para o Ceará. Ele deve ser levado até o Rio de Janeiro na noite deste domingo ou na segunda-feira (22) por um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Quando ele desembarcar no estado, serão feitas e concluídas investigações de diversas delegacias, como a 15ª DP (Gávea), e das próprias Cinpol e 19ª DP (Tijuca).

Ainda segundo a polícia, além da venda de drogas, o traficante é investigado pela execução, em março, de três menores na Rocinha. Uma das vítimas seria Suellen Moreira, de 15 anos, que namorava o policial Sérgio Luiz de Albuquerque, detido em agosto por suspeita de vazar informações sobre uma operação na favela.

Política assistencialista

De acordo com a Polícia Civil, o traficante costumava adotar uma política assistencialista para conseguir o apoio dos moradores da favela da Rocinha e estaria à frente das negociações com atacadistas de drogas. Joca controlaria o tráfico de drogas na área que ia do Shopping Downtown, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, até o Humaitá, na Zona Sul.

A Polícia Civil disse ainda que Joca integrou a quadrilha de Denir Leandro dos Santos, o Dênis da Rocinha, que morreu enforcado em 2001 no presídio de Bangu I. Ele foi cúmplice ainda de Luciano Barbosa da Silva , o Lulu, morto em confronto com a polícia em abril de 2004.



Fonte

CLASSE MÉDIA APÓIA HOLOCAUSTO DE POBRES


Especialistas e ONGs criticam política de segurança do Rio

Para OAB, polícia do Rio é a que mais mata e que mais morre.

Especialista em violência da Uerj diz que é necessário integração do governo.


A ação da polícia em operações de combate à criminalidade no Rio vem sendo criticada por sociólogos, entidades e ONGs. Na última megaoperação realizada pela polícia, na quarta-feira (17), 12 pessoas morreram, entre elas um menino de 4 anos e um policial civil. Imagens mostraram dois suspeitos fugindo quando eram perseguidos por um helicóptero da polícia. Eles foram baleados e morreram.

Um dos críticos da política de segurança do Rio, Wadih Damous, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), considera que inocentes e policiais são as maiores vítimas da ação policial. Para ele, a ação é uma guerra, que despreza a investigação e o trabalho de inteligência.

“A polícia do Rio é a que mais mata e que mais morre. As cenas da TV sobre a guerra em Senador Camará transformam em realidade a ficção que vemos nos filmes da TV e do cinema. É o resultado de uma política de segurança fracassada que não foi concebida pelo atual governo, pois vem sendo adotada há muitos anos sem resultados. É uma política que despreza os direitos humanos dos moradores pobres e a segurança dos policiais. Não vamos sair do atoleiro enquanto adotarmos esta política.”


Apoio vem da classe média

Para Damous, o apoio às ações policiais vem da classe média, “que tem uma visão parcial dos acontecimentos, por isso ela aplaude as ações violentas da polícia e é adepta do velho ditado que diz que bandido bom é bandido morto.”

“Se esta política fosse boa, teríamos outros resultados no combate ao crime. Até hoje, só temos fracassos e mais fracassos. Não vemos solução para o problema da violência se persistir esta política de troca de chumbo entre polícia e bandido com inocentes no meio do fogo cruzado.”

Em resposta à declaração do governador Sérgio Cabral sobre a operação na Favela da Coréia, Damous declarou, em nota oficial, "não aceitar que o ser humano seja tratado como animal de abate, independentemente do pretexto que o estado adote para agir". Sérgio Cabral havia defendido a atuação da polícia e ironizou ao dizer que não é possível organizar um seminário para pedir aos traficantes que eles devolvam as armas.

O Governo do Estado do Rio de Janeiro informou que reitera que as ações da polícia são planejadas com inteligência, que não deseja o confronto, mas que ele é inevitável. O governo disse que não vai recuar de sua obrigação de buscar e garantir a segurança da população.

É preciso integrar o governo

O professor e coordenador do laboratório de análise de violência da Universidade

do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), João Trajano, considera que a política de segurança atual apenas difere da anterior no grau de intensidade e agressividade adotado pela polícia.

“Não funcionou nos últimos anos, não creio que vá funcionar agora. Os resultados obtidos até agora são muito ruins. As iniciativas têm um grande impacto na mídia, muita visibilidade, mas têm um custo humano muito alto e nenhuma eficácia. A polícia invade um morro, mata dez traficantes, apreende armas e 15 dias depois o tráfico está ali de novo”, disse ele.

João concorda com a idéia de que é preciso reduzir o poder de fogo do tráfico, mas para ele, é preciso haver uma integração de todas as áreas do governo. “A polícia não pode ocupar um morro para sempre. O que vai acontecer quando a polícia sair? Houve uma redução da política de segurança ao enfrentamento armado do tráfico. O estado tem que se fazer presente quando a polícia sair.”

Para João, o estado tem que fazer com que os moradores das comunidades consigam alcançar seus direitos. Segundo o professor, é preciso que haja acesso à Justiça, regulamentação do uso do solo, oferta de bens, como lazer e cultura e urbanização.


ONGs assinam documento

A ONG Justiça Global, junto com outras organizações, divulgou no dia seguinte da operação na Zona Oeste uma nota de repúdio à ação policial. No documento há um protesto contra a gestão do governador Sérgio Cabral que, segundo a ONG, "dá carta branca” para as incursões de extermínio da polícia. Leia abaixo trechos da carta.

“Há 10 meses a população do Rio de Janeiro vem assistindo a repetidas execuções sumárias de supostos traficantes. As ações da polícia têm provocado medo e terror nas comunidades, impedido o funcionamento de escolas públicas e fechado o comércio local assim como aconteceu no Complexo do Alemão. No dia 27 de Junho de 2007, uma megaoperação nesta comunidade deixou 19 mortos. Desde então, em várias comunidades no Rio, mais de 100 pessoas foram assassinadas durante incursões policiais.

As cenas exibidas pela televisão confirmam que o foco principal da polícia é a execução: dois rapazes, supostamente traficantes, foram perseguidos por helicópteros, alvejados e mortos diante das câmeras. A polícia do Rio insiste em ter como critério de eficiência o alto índice de mortes.”

O documento diz que "a política de segurança pública militarizada que vem sendo implementada por sucessivos governos do Estado do Rio de Janeiro” tem chamado a atenção de organismos internacionais de direitos humanos.

As organizações que assinam o documento exigem investigações sobre todas as mortes ocorridas na Zona Oeste. Entre elas estão o Observatório de Favelas, o grupo Tortura Nunca Mais e a própria OAB.



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quinta-feira, 18 de outubro de 2007

MAIS REFORÇO PARA AS MILÍCIAS II


MAIS 14 POLICIAIS PRESOS





Polícia Civil faz remanejamentos e troca delegado que chefiou inquérito contra policiais militares

A 1ª Vara Criminal de Duque de Caxias aceitou na íntegra denúncia apresentada pelo Ministério Público contra policiais do 15º BPM (Duque de Caxias) que estariam recebendo propina de traficantes das favelas Santa Lúcia e Parada Angélica, em Caxias.

Na madrugada de ontem, mais 14 denunciados foram presos ao se apresentarem em suas unidades — 13 no 15º BPM e um no 22º BPM (Maré). Até ontem à noite, os dois últimos da lista de 73 denunciados e que tiveram mandados de prisão expedidos ainda não haviam se apresentado.

O MP apresentou denúncia de acordo com o resultado do inquérito 745/06 da Corregedoria Geral Unificada (CGU), que investigou o possível envolvimento de 73 PMs, a maioria do 15º BPM, e sete traficantes que pagariam propinas semanais a PMs para não reprimirem o tráfico.

Com 1.200 páginas, o inquérito tem detalhes como valores, local e dias da semana em que a propina era paga, além de revelar que 35 veículos da PM foram usados e que os policiais estavam fardados quando recebiam em seus plantões dinheiro de duas traficantes que estão presas. Elas apresentaram a contabilidade das propinas e identificaram por foto e apelidos todos os envolvidos. De acordo com a denúncia, alguns PMs continuaram a receber propina, mesmo atuando em outras localidades. Seis PMs foram denunciados por associação para o tráfico por protegerem bocas-de-fumo, evitando a chegada de patrulhas de fora do esquema.

Ontem, o Departamento de Polícia da Capital (DPC) deu início a um remanejamento de delegados, com 13 substituições, começando pelo delegado André Drumond, que investigou a denúncia contra os PMs de Caxias. Ele foi transferido da 59ª DP (Caxias) para a 13ª DP (Ipanema). Para o seu lugar foi designado Fábio Pacífico, que sai da 58ª DP (Posse). Já Ivo Raposo Júnior deixa a 13ª DP e se apresenta como adjunto no DPC.


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quarta-feira, 17 de outubro de 2007

REFORÇO PARA AS MILÍCIAS . A NOSSA FARC NÃO COMBATIDA


Ministério Público denuncia 73 PMs do batalhão de Duque de Caxias



O Ministério Público estadual em Duque de Caxias acaba de denunciar 73 policiais do 15º BPM (Duque de Caxias) por formação de quadrilha e extorsão. Dentro da lista, estão os 57 PMs que foram presos, no mês passado, por suspeita de envolvimento com traficantes de favelas em Caxias . Todos responderão pelos crimes na Justiça comum, e também foram denunciados pela Auditoria Militar por concussão - extorsão praticada por agente público no exercício da função. Além disso, seis PMs do grupo denunciado responderão também por associação para o tráfico.

Os 57 PMs presos no início da Operação Duas Caras tiveram a prisão preventiva decretada nesta terça-feira, quando se esgotaria o prazo de 30 dias da prisão temporária. Os outros 16 policiais foram reconhecidos segunda-feira, por uma testemunha, como sendo policiais que também receberiam propinas de traficantes da favela Santa Lúcia.

Até a noite de terça, a Polícia Militar não havia recebido cópias da decisão judicial. Por isso, nenhuma operação foi deflagrada para cumprir os mandados de prisão. Além dos 73 policiais, a Justiça determinou a prisão de sete traficantes. Todos participariam do esquema de pagamento de propinas.

Três promotores - que não tiveram os nomes divulgados por questão de segurança - assinam a denúncia, a ser apreciada pela juíza Maria Daniela Binato de Castro, da 1ª Vara Criminal de Caxias. A magistrada será auxiliada pelo juiz Paulo César Vieira de Carvalho Filho, do Juizado Especial Criminal (Jecrim).


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domingo, 7 de outubro de 2007

MILÍCIAS: CAI A MÁSCARA


MOTORISTAS DE KOMBIS ACUSAM MILICIANOS DE AGRESSÃO E ESTORSÃO

Agressores estariam cobrando taxa para permitir circulação de transportes alternativos. Vítimas dizem que foram ameaçadas de morte.

Policiais da 36ª DP (Santa Cruz), no Rio de Janeiro, investigam denúncia de motoristas de transportes alternativos que teriam sido agredidos por um grupo de homens armados na tarde de sábado (6). Os agressores fariam parte de uma milícia que atua na região da Zona Oeste.

De acordo com depoimentos de integrantes da cooperativa São Benedito, nove homens teriam invadido a sede da empresa na Rua Lopes de Moura, número 28, em Santa Cruz, com fuzis e metralhadoras. Eles estavam em uma Blazer e um Ecosport.

Segundo os cooperativados, os invasores teriam exigido dos motoristas o pagamento de R$ 4 mil por semana para que continuassem circulando com suas kombis. Cinco motoristas se recusaram a pagar a taxa e teriam sido agredidos. Depois da confusão, os agressores fugiram.

Os motoristas disseram ainda que desde abril deste ano pagam R$ 3 mil por semana ao grupo. Eles teriam pedido para negociar, já que não conseguiriam pagar o novo valor estipulado e marcaram uma reunião para este sábado à tarde. Por volta de meio-dia, os homens chegaram armados e agrediram os motoristas.

Na delegacia, as vítimas disseram que foram ameaçadas de morte caso prestassem queixa das agressões.

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O BOPE PELA VISÃO DA FAVELA


"TROPA DE ELITE": MORADORES DA VILA CRUZEIRO CRITICAM APOLOGIA AO BOPE



Moradores da Vila Cruzeiro, no complexo de favelas do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, estão insatisfeitos com o que consideram "apologia" ao trabalho do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope), no filme Tropa de Elite, que estreou nos cinemas neste final de semana. Segundo o líder comunitário da Vila Cruzeiro, Luís Cláudio dos Santos, a atuação dos agentes nas áreas carentes coloca em risco a vida da população, mas o problema não foi destacado pelo longa-metragem de José Padilha.

O filme, ambientado em 1997, quando se preparava uma nova visita do Papa João Paulo II ao Brasil, mostra o protagonista, capitão Nascimento (Wagner Moura), comandando uma operação de "limpeza" de criminosos, em um morro do Rio de Janeiro, de nome fictício. Na trama, para o controle dos morros, os integrantes do Bope valem-se inclusive de espancamentos e torturas.

"Eles fantasiaram da forma que queriam. A realidade é bem diferente. Os homens do Bope chegam com o Caveirão (carro blindado utilizado em operações), os moradores se assustam e correm. Eles acabam sendo confundidos com criminosos e são baleados", destacou Santos.

Somente este ano, mais de 50 pessoas morreram e 80 ficaram feridas durante confrontos entre traficantes e policiais do Bope em conjunto com agentes da Força Nacional, na área do complexo do Alemão. A Polícia Militar admitiu que várias vítimas eram inocentes, mas nesses casos alegou que elas foram atingidas por balas perdidas. Entidades ligadas à defesa dos Direitos Humanos, incluindo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), investigam se ocorreram excessos.

A presidente do Movimento Pela Vida, Vera Alves, concorda com a opinião do líder comunitário da Vila Cruzeiro, mas acha que a ausência da "truculência policial" contra a população não teve a intenção de esconder o problema.

"O filme se preocupou mais com o lado do cotidiano da polícia para exaltar o Bope. Mas, de fato, deveria mostrar como, muitas vezes, os PMs invadem casas de pessoas inocentes. O filme chegou a exibir moradores sendo abordados com ignorância, mas foi algo superficial", disse.

Para o sociólogo Guilherme Carvalhido, declarações de moradores de favelas precisam ser tratadas com cuidado porque podem ser apenas uma forma de inibir o trabalho da polícia. "O tráfico pode estar aproveitando esta situação para prejudicar a imagem do Bope. Em alguns casos, os moradores se influenciam por não perceberem claramente o conceito do bem e do mal".

Segundo o diretor José Padilha, o filme não teve o objetivo de exaltar os integrantes do Bope como heróis, tanto que mostra o personagem capitão Nascimento querendo deixar o batalhão antes do nascimento do filho. Ele disse ainda que o objetivo do filme foi mostrar o olhar da polícia e da classe média em relação aos traficantes. "A gente fica até assustado quando algumas pessoas vêem o capitão Nascimento como herói."

O atual comandante do Batalhão de Operações Especiais da PM, tenente-coronel Alberto Pinheiro Neto, disse que não vai fazer nenhum tipo de comentário sobre o longa-metragem. Ele se limitou a dizer que "o Bope é tão especial que tem até filme".

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terça-feira, 2 de outubro de 2007

MORRERAM MAIS PESSOAS POR AÇÃO DA POLÍCIA QUE DE CRIMINOSOS






Aumenta número de pessoas mortas em regiões cercadas por favelas no Rio











Rio de Janeiro - As áreas em torno das favelas do Complexo do Alemão, Vigário Geral e outras comunidades da zona norte do Rio tiveram um salto nas estatísticas sobre a violência em 2007. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública do estado, foram 91 assassinatos e 111 mortes sob a alegação resistência - essas são as pessoas mortas pela polícia por supostamente resistirem à prisão.

Os dados, calculados de janeiro a agosto deste ano, mostram que morreram mais pessoas por ação da polícia que de criminosos: uma diferença de 20 mortos. Totalizando em 75 mortes a mais que no ano passado, as estatísticas sugerem que o aumento no número de homicídios se deu por conta das operações policiais iniciadas em maio no Complexo do Alemão.

Segundo o especialista em segurança pública e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) João Trajano, a ação do Estado para combater o tráfico de drogas e a violência não deve ser apenas policial, e sim acompanhada de intervenções sociais. "Não acredito que a ação policial por si própria seja capaz de modificar o quadro de violência e criminalidade da região. O enfrentamento pesado causa muitos transtornos para a população local, muitas mortes causadas por policiais, e não resolve o problema", disse.

A Polícia Militar permanece nos acessos ao Complexo do Alemão há cinco meses, e contam, desde junho, com o apoio da Força Nacional de Segurança Pública. Apesar das operações na região, poucos crimes tiveram redução significativa. Os roubos a residências, a lojas e a pedestres, por exemplo, aumentaram de 2006 para 2007. A assessoria de imprensa da Polícia Militar não quis se pronunciar sobre o assunto.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

CRUEL COLOCAÇÃO NO RANKING: RIO E SP, CEM MORTOS POR DIA



SP registra 1% dos homicídios do mundo, aponta ONU




No Brasil, 100 pessoas morrem por dia, em média, vítimas de armas de fogo. Capital paulista e Rio representam metade dos crimes violentos no país.







São Paulo tem 1% dos homicídios de todo o mundo e, no Brasil, 100 pessoas morrem por dia, em média, vítimas de armas de fogo. A capital paulista e o Rio de Janeiro representam metade dos crimes violentos no país. Os dados fazem parte de um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo o qual a violência das facções criminosas em São Paulo e no Rio já se tornou rotineira.

O levantamento compila e avalia, pela primeira vez, cerca de 200 estudos já produzidos nos últimos anos sobre violência pela ONU e outras instituições. Os dados são de anos distintos e baseados também em informações da imprensa. Os indicadores econômicos foram obtidos do Banco Mundial. “O relatório mostra que a violência urbana está aumentando em todo o mundo, mas isso é mais forte na África e América Latina”, afirma Ban Ki-Moon, secretário-geral da ONU.

Entre 1970 e hoje, a taxa de homicídios em São Paulo quadruplicou; a do Rio, triplicou, de acordo com o levantamento. Em 1999, São Paulo registrou 11,4 mil assassinatos, 17 vezes mais que Nova York. Em 2001, a taxa de homicídios no Rio foi de 45 para cada 100 mil pessoas. Na América Latina, onde a taxa é a mais alta entre todas as regiões, a média naquele ano foi de 25 homicídios para cada 100 mil habitantes, contra oito por 100 mil em toda a Europa e sete por 100 mil em Nova York. No mundo, a taxa de homicídios subiu 30% desde 1980, passando de 2,3 crimes para três por 100 mil pessoas no início da atual década.

O relatório faz uma comparação com a Colômbia para apontar a gravidade da violência no Rio. Entre 1978 e 2000, 49,9 mil pessoas foram assassinadas nas favelas cariocas. No mesmo período, 39 mil pessoas foram vítimas de homicídio em toda a Colômbia.

Segundo a ONU, a violência no Brasil tem um perfil jovem. Dois terços dos crimes envolvem pessoas de até 25 anos, e a ONU alerta que crianças de 6 anos já fazem parte de quadrilhas com a função de carregar drogas.

De fato, a taxa de homicídios entre os jovens brasileiros é uma das mais altas - 32,5 casos por 100 mil habitantes. Nessa faixa etária, porém, a liderança é da Colômbia, com 84 homicídios para cada 100 mil pessoas. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A FACE REAL DA MILÍCIA


BANDIDOS INVADEM CASA DE JUIZ

Criminosos roubam e depredam imóvel de magistrado que mandou prender grupo de PMs

Rio - Bandidos invadiram ontem, por volta das 14h30, a casa do juiz André Ricardo Francis Ramos, no Centro de Nova Iguaçu. Há uma semana, ele foi responsável por decretar a prisão de 58 policiais militares do 15º BPM (Duque de Caxias) e de um agente penitenciário, acusados de envolvimento com o tráfico de drogas em Caxias. De acordo com o delegado titular da 52ª DP (Nova Iguaçu), Orlando Zaccone, os criminosos ficaram pelo menos duas horas na residência, período em que quebraram portas, janelas e armários. Na saída, levaram apenas o celular da mulher do magistrado.

Ela havia chegado em casa meia hora antes e se preparava para tomar banho quando percebeu que havia dois ou três homens estranhos no imóvel. Sem que fosse vista, conseguiu entrar no banheiro da suíte do casal. Francis Ramos estava de plantão no Fórum de Caxias quando decretou a prisão.

“Nosso objetivo agora é identificar os bandidos. Já conversei com a vítima e ela tem condições de fazer pelo menos um retrato falado”, afirmou Zaccone. Em busca de digitais dos invasores, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) foram acionados para o local. À noite, Zaccone foi à casa do juiz para conversar com o casal. Depois, os dois seguiram até a delegacia para prestar depoimento.

Uma das medidas do delegado será pedir a quebra do sigilo telefônico do celular da mulher do juiz, levado pelos criminosos. A polícia não descarta que a invasão tenha relação com a decretação da prisão por 30 dias dos policiais militares.


SEGURANÇA REFORÇADA

Após o incidente, por determinação do comandante da Polícia Militar, coronel Ubiratan Angelo, três viaturas do Batalhão de Choque foram deslocadas para fazer a segurança da casa do juiz.

O corregedor-geral da Justiça, Luiz Zveiter, também conversou ontem com Francis Ramos ao saber do ataque. De imediato, acionou a assessoria de segurança do Tribunal de Justiça. Zveiter ordenou que a segurança do juiz e de sua família seja reforçada por policiais que também prestam serviço ao Tribunal. O corregedor não descartou a hipótese de pedir o reforço da Polícia Federal (PF).

Para Zveiter é possível que a invasão tenha relação com a prisão dos PMs, porém ressaltou que ainda é cedo para se ter certeza do motivo. “Minha preocupação nesse primeiro momento é com a garantia da vida do juiz”, disse o corregedor.

A prisão dos militares foi a maior já registrada numa mesma unidade. No período da investigação, cinco juízes passaram pela 1ª Vara Criminal de Duque de Caxias, onde corre o caso.


MAIS UM POLICIAL DETIDO POR SUSPEITA DE LIGAÇÃO COM TRÁFICO

Mais um policial militar foi preso pela 59ª DP, acusado de receber dinheiro de bandidos para permitir o tráfico de drogas nas favelas Santa Lúcia e Parada Angélica, em Caxias. O cabo Marcelo dos Santos Gonçalves, do Serviço Reservado (P2) do 15º BPM, estava de serviço na quarta-feira quando foi informado do mandado de prisão. À noite, ele foi levado para o Batalhão Especial Prisional (BEP).

Até ontem, 58 policiais militares haviam sido presos por suspeita de participar do esquema de propina com criminosos. O agente penitenciário e PM da reserva Emerson de Barros Azevedo e o cabo Darniei Marques Moreira chegaram a ficar detidos, mas foram liberados por não terem sido reconhecidos por testemunhas.

Ontem, a Corregedoria da PM instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as acusações contra os policiais. A demora para investigação interna aconteceu, segundo informações da instituição, porque era preciso anexar documentos de todos os envolvidos.

Os policiais são acusados de receber entre R$ 2 mil e R$ 3,9 mil semanais para permitir o funcionamento das bocas-de-fumo. O delegado André Drumond diz ter escutas telefônicas de todos os suspeitos.

Fonte

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

DITADURA MILICIANA

 


Como nascem os anjos: Milícia seqüestra até criança 


RIO - A história de vida dos irmãos José (nome fictício), de 5 anos, e Davi (nome fictício), de 6, seria outra caso não estivessem abrigados na Casa Maternal Mello Mattos, no Jardim Botânico, desde agosto de 2005. A mãe perdeu o direito de criá-los, por deixá-los abandonados na rua. Se não fosse isso, as crianças teriam o mesmo destino dos outros três irmãos, que desapareceram no dia 15 de julho do ano passado. Eles foram seqüestrados por homens de uma milícia que expulsou os traficantes do Morro São José Operário, na Praça Seca. 

De acordo com dados que constam no Dossiê Criança e Adolescente, do Instituto de Segurança Pública (ISP), 635 crianças até 12 anos foram ameaçadas no Rio em 2006. No mesmo período, 20 crianças foram mortas pelo tráfico ou milícia na capital.

Família retirante
 
A rotina de abandono e de miséria, na verdade, começou na década de 50, quando a família da mãe de José e Davi chegou ao Rio. Dona Severina (nome fictício), uma cearense que nasceu no dia 12 de janeiro de 1952, nunca teve oportunidade de estudar. Cresceu analfabeta e virou doméstica. Veio ao Rio de Janeiro para tentar uma vida melhor, mas acabou virando mais uma miserável. O único bem que adquiriu foi um barraco de madeira no Morro São José Operário. Alcoólatra, teve os cinco filhos com três homens diferentes. 

Severina não soube cuidar, ensinar ou dar amor aos filhos. Quando criança, também não recebeu nada disso. Como mãe, deixava os filhos abandonados, não tinha dinheiro para comida e só bebia. A situação de abandono do lar fez com que ela perdesse a guarda das crianças várias vezes, desde 2001. Para o Estado, Severina não servia para ser mãe. 

A Vara da Infância precisava tirar de Severina as crianças que viviam em "situação de risco social". Em agosto de 2005, os meninos Davi e José foram recolhidos da rua por uma vizinha da família. Depois de cinco dias, a mulher entregou as crianças ao Conselho Tutelar de Jacarepaguá. Um conselheiro descobriu que outros dois filhos de Severina, Josivan*, de 10 anos, e Bernardo*, de 12, viviam na Central do Brasil. Eles não podiam voltar para o morro, pois estavam ameaçados por traficantes de drogas que ainda dominavam a comunidade. Quando foram "anistiados" pelo tráfico, voltaram a viver com a mãe e o irmão mais velho Flávio, de 16 anos. 

Mas a chegada da milícia ao São José Operário selou o destino da família.

A NOVA DITADURA V


















QUANDO O  PASSADO SE ENCONTRA COM O PRESENTE




Na ação policial, no drama das famílias das vítimas, na música, no cinema e no teatro, tempos da ditadura lembram os atuais.

As fotos em preto e branco da ditadura militar deixam a impressão de que a história foi colorida artificialmente. Passado e presente se encontram na estética da dor e da resistência. Para muitos observadores mais atentos, há no Caveirão da polícia o mesmo espírito do Brucutu, temido blindado das Forças Armadas que jorrava água contra os militantes. E semelhanças de objetivos entre as faixas da época, como “Abaixo a ditadura”, que viraram um símbolo nas ruas pós-golpe de 64, e os grafites que hoje levam para os muros protestos e pedidos de paz de moradores de favelas. Prática que foi cooptada pelo tráfico, que espalha siglas de facções criminosas pela cidade. Também são possíveis comparações entre as músicas dos anos de chumbo de ontem, muitas censuradas, e os funks e raps de movimentos hip hop de hoje.

Para o sociólogo e doutor em geografia humana Demétrio Magnoli, a imagem do Caveirão remete ao Brucutu porque tem origem na mesma lógica: — Assim como na ditadura havia o conceito do inimigo interno, o Caveirão nasce da lógica militar de que a favela é um território estrangeiro, inimigo.

Cinema também foi censurado

No passado, a estilista Zuzu Angel, cujo filho Stuart desapareceu nas mãos de militares, foi o símbolo das “mães da Praça de Maio brasileiras”, numa inevitável comparação com o movimento da Argentina. No Rio de hoje, o mesmo papel é desempenhado pelas mães de Acari (cujos filhos, desaparecidos, teriam sido mortos pela polícia em 1991), pelas mães de Vigário (de jovens seqüestrados pela PM em 2005), pelas mães do Borel, do Caju e do Degase, entre outras. As imagens ganham apenas as tonalidades do tempo.

Nos festivais de música, durante a ditadura, os artistas enfrentavam a censura com suas canções. Geraldo Vandré escreveu um dos versos mais repetidos nesse período: “Há soldados armados, amados ou não, quase todos perdidos de arma na mão”, em “Pra não dizer que não falei das flores”. O próprio Caetano, apesar de menos explícito em sua militância política, cantou “É proibido proibir”.

O mais visado de todos, Chico Buarque, deixou sua assinatura numa série de canções engajadas, como “Apesar de você” e “Cálice”, só para citar algumas.

Os militares contra-atacavam com bordões como “Brasil.Ame-o ou deixe-o” e com hinos ufanistas, como “Pra frente,Brasil", que embalou a torcida na Copa de 70. Hoje, MCs e rappers tentam driblar as imposições do tráfico, defendendo o direito de relatar o lamento de moradores de favelas, de falar de suas mazelas e seus dramas cotidianos. No entanto, quando falam da violência, em geral se restringem à ação da polícia. Quando fazem menção ao tráfico, as letras são ataques de uma facção a outra. Por isso, os MCs que cantam os proibidões — funks exaltando uma quadrilha ou uma omunidade dominada por uma facção — só podem se apresentar em favelas “amigas”, caso ontrário podem ser mortos.

— Tanto o funk quanto o hip hop têm uma missão de narrar o que está a seu redor. Mas, muitas vezes, o meio que incentiva sua produção ou garante suas apresentações é o narcotráfico.

Por isso, surgem os proibidões com histórias que valorizam o dono do morro ou exaltam a comunidade de uma facção. Esses são proibidos para se apresentar para os inimigos”.A censura é até pior do que a da ditadura — avalia o músico Marcelo Yuka.

Com uma linguagem que pretendia mostrar a realidade do país, o Cinema Novo, em especial em sua segunda fase, também virou alvo da ditadura. Filmes como “O desafio” (1968), de Gustavo Dahl, e “Terra em transe” (1967), de Glauber Rocha, foram os mais marcantes dessa fase. Passados mais de 30 anos, o cinema nacional continua a ser um veículo de grande importância no registro histórico de uma época, com obras como “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, e documentários como ”Falcões do tráfico”, de MV Bill e Celso Athayde.

O cineasta Neville D’Almeida, que teve cenas do filme “Rio Babilônia” cortadas pelos censores, acha que, atualmente, o cinema cumpre um papel muito semelhante ao do passado: — Acho a correlação entre o cinema daquele período e os vídeos que hoje são feitos nas favelas muito oportuna. O cinema ou o vídeo são uma forma, sim, de contrariar o sistema de violência em que eles (moradores de favelas) vivem. As favelas têm que se libertar, e a arte é um caminho para isso.

Crítico musical vê semelhanças

Criado em 1970 pelo teatrólogo Augusto Boal como uma forma de resistência à ditadura militar, o Núcleo Dois do Arena, com os primeiros experimentos do Teatro-Jornal, foi o embrião do Teatro do Oprimido. Da época, fica ainda a lembrança do Teatro de Arena e de grupos como o Opinião. Hoje, o Teatro do Oprimido está em 80 países e em favelas do Rio. Atualmente, há outras iniciativas bem-sucedidas, como a do Grupo Nós do Morro, no Vidigal.

— Não só há uma semelhança (entre o papel do Teatro do Oprimido na ditadura e hoje), como houve uma evolução. Quando eu saí exilado em 71, o teatro era muito pequeno. A gente foi desenvolvendo as técnicas em favelas da América Latina. Mais do que fazer espetáculo, o objetivo é o processo estético de percepção do mundo e transformação — diz Boal.

O crítico musical Artur Dapieve, colunista do GLOBO, vê semelhanças entre as canções de protesto da MPB dos anos 60 e 70 e o rap e o funk dos anos 90 e 2000. Segundo ele, elas refletem a insatisfação de suas classes sociais com os direitos cerceados.

— É certo que elas têm o mesmo papel. A MPB era para a classe média, que tinha seus direitos tolhidos, com censura e perseguição. Com a redemocratização, esses direitos foram reconquistados, mas não para a classe pobre. O funk e o rap acabam externando esse sentimento de falta de direitos.

O BRUCUTU é usado pela polícia para dispersar manifestantes na época da ditadura
O CAVEIRÃO é empregado durante uma incursão policial no Complexo do Alemão
A PASSEATA dos Cem Mil, realizada no Centro, em 1968, em oposição ao regime militar
MANIFESTAÇÃO na Rocinha pedindo paz para uma das maiores favelas do Rio
PARENTES de mortos e desaparecidos durante a ditadura com o médico Amílcar Lobo
DUAS DAS mães de Acari, com fotos de suas filhas, que desapareceram em 1991
VANDRÉ num festival: “Pra não dizer que não falei das flores” virou hino contra a ditadura
JOVENS se divertem num baile funk: música reflete cotidiano de moradores das favelas do Rio

“O caveirão nasce da lógica militar de que a favela é um território estrangeiro": Demétrio Magnoli, sociólogo