domingo, 11 de março de 2012

Beltrame sugere que milícia e jogo do bicho sejam tipificados como crime no novo Código Penal Brasileiro



Beltrame quer que milícia e jogo do bicho sejam crimes



BRASÍLIA – O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, defendeu nesta quinta-feira a inclusão no Código Penal dos crimes de milícia e de exploração do jogo do bicho. Segundo ele, a falta de tipificação da prática de milícia dificulta a repreensão dos criminosos. Beltrame também reclamou do fato do jogo do bicho ser considerado mera contravenção atualmente, sendo que a atividade implica normalmente em lavagem de dinheiro e uso violento da força para garantir territórios. As opiniões foram manifestadas em reunião na Comissão de Constituição e Justiça do Senado para discutir a reforma do Código Penal.

- No Rio, não há mais nada de romântico no jogo do bicho. Essas pessoas manipulam resultados. Fortunas são trazidas sem procedência nenhuma. É que achincalhe para o cidadão, para o contribuinte. Entendemos que o jogo do bicho deve deixar de ser contravenção para ser crime. Não quero que essa dimensão que o jogo do bicho tomou chegue a outros estados - disse o secretário.

Segundo Beltrame, a prática da milícia já é complicada para ser coibida, por falta de pessoas dispostas a testemunhar. A inexistência de lei específica é um fator extra de dificuldade. Hoje, a polícia precisa enquadrar os ilícitos em outros tipos do Código Penal e da legislação complementar.

- Não é pela falta do tipo penal que vamos deixar de trabalhar, mas a possibilidade de sermos mais rápidos é maior com a inclusão do crime no Código Penal - explicou.

Beltrame também lamentou a falta de tipificação no código do crime de terrorismo. Para ele, essa lacuna pode gerar problemas nos eventos esportivos que o Brasil sediará – Copa do Mundo em 2014 e Jogos Olímpicos em 2016. Ele ponderou que o país não é alvo de atentados, mas lembrou que o Brasil receberá representantes de outros países com esse histórico.

- Haverá uma série de eventos no Rio de Janeiro. Não precisamos aprender sofrendo, como ocorreu em muitos países. Hoje, não temos a ferramenta concreta e objetiva para trabalhar - afirmou, referindo-se à falta de lei. - O Brasil não costuma ser alvo (de ataques terroristas), mas terá países que podem vir a ser. Uma lei que conceitue a prática pode propiciar uma atitude preventiva.

O secretário disse que não tem uma preocupação específica com a atuação das milícias nos eventos esportivos. Segundo ele, o problema precisa ser encarado a toda hora, independente de grandes eventos:

- Não podemos trabalhar preocupados com grandes eventos, tenho que me preocupar com a população fluminense. Milícia é um problema sério, que assumiu uma dimensão que dificulta o trabalho.

Na comissão, o secretário reclamou do excesso de burocracia para a compra de equipamentos de segurança por parte do estado. Ele defendeu a dispensa de licitação pública em situações emergenciais no setor.

- Precisamos de um respaldo legislativo que nos permita avançar rápido. As pessoas, para praticar crimes, não precisam licitar nada. Estamos pedindo condição de termos agilidade para darmos resposta à sociedade - disse Beltrame.

O secretário condenou a autorização para cidadãos usarem armas. Para ele, apenas as polícias e as Forças Armadas deveriam ter essa tarefa:

- Sou contra qualquer tipo de pessoa estar armada, a não ser a polícia. Isso é função das polícias e das Forças Armadas. Qualquer equipamento que gere violência tem que ter uma especialidade muito grande para ser usado.


Por Carolina Brígido - O Globo
Fonte: Jornal Extra.
Foto: Estadão

sábado, 10 de março de 2012

Presos mais 2 suspeitos de integrarem quadrilha de milicianos de Duque de Caxias-RJ





Eles foram capturados na praça de alimentação de um shopping, no centro de Duque de Caxias.






Policiais da 59ª DP (Duque de Caxias) prenderam, na noite desta quinta-feira (08/03), Sandro de Oliveira Vinhas, 32 anos, Isaac Ribeiro de Souza, 33 anos, na praça de alimentação de um shopping, no centro de Duque de Caxias. A dupla é suspeita de integrar uma quadrilha de milicianos. Os agentes também apreenderam um revólver calibre 38 e munições.

O delegado Claudio Vieira, titular da unidade, disse que as investigações duraram dois meses e tiveram início após receberem um Disque-Denúncia. Segundo as informações, a dupla fazia parte de uma quadrilha de milicianos que praticava extorsões contra moradores e comerciantes dos bairros Cinco de Maio, Cavalheiros e Prainha. O bando também está sendo investigado pela morte de Jhone da Silva Vieira, apontado como integrante do grupo, ocorrida no mês de fevereiro no Parque Beira-Mar.

Em, 9/3/2012 - Alana Carvalho

Fonte: Polícia Civil-RJ


quinta-feira, 8 de março de 2012

Polícia do Rio de Janeiro busca 10 milicianos foragidos


Polícia procura 10 foragidos acusados de integrar milícia


Por Marcello Victor e Vania Cunha

Nove PMs integram grupo de 16 acusados de matar e extorquir moradores, comerciantes e traficantes em Duque de Caxias.

Acusada de matar nove testemunhas, além de ameaçar dois promotores e um delegado, uma quadrilha de milicianos foi desarticulada nesta quarta-feira em Duque de Caxias, na Baixada. A Operação Pacificador prendeu 16 suspeitos — entre eles, nove policiais militares e um fuzileiro naval — que atuariam em 15 bairros. Apontados pela polícia como violentos, os criminosos matavam, intimidavam e extorquiam moradores, comerciantes e traficantes. Dez acusados estão foragidos.

Os acusados foram presos em 2010 na Operação Capa Preta, mas conseguiram liberdade há três meses. As investigações da polícia e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público mostram que, desde a primeira ação, nove testemunhas e colaboradores dos processos foram assassinados. Entre as vítimas, estão um PM que colaborou com as investigações; o dono de um depósito de gás morto mesmo após voltar atrás nas acusações contra o grupo; e um criminoso da região que denunciou o esquema. Ainda segundo a polícia, o índice de homicídios em Caxias também aumentou depois da soltura dos acusados.

Milicianos chegaram a ameaçar dois promotores e o delegado Alexandre Capote, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE), que atuavam nas investigações. Todos passaram a andar sob forte esquema de segurança.

“O que costuma acontecer são os telefonemas com vozes estranhas, ou informações que chegam através do Disque-Denúncia. Dessa vez, o que chamou a atenção foram as ameaças contundentes, com informações detalhadas sobre a rotina, endereço, o que fazem, e familiares dos ameaçados”, explicou o promotor Décio Alonso, do Gaeco. Segundo ele, os colegas ameaçados estão fazendo curso fora do País.

O promotor ressaltou que os nomes das testemunhas foram ocultados no processo para evitar novas mortes. Um informante ajudou na operação desta quarta-feira, mas permaneceu em carro com vidros escuros. O delegado Alexandre Capote não alterou sua rotina.

“A ameaça não é surpresa. A surpresa foi a audácia com que os criminosos agiram. Acabamos com o mito de que a milícia é um mal menor”, afirmou o delegado.

‘Clube’ era local de reuniões

No bairro Vila Rosário, agentes da Draco estiveram no Piscinão do Barbudo, local usado, segundo as investigações, para reuniões da quadrilha. Numa área com duas piscinas, churrasqueira, sinuca e palco para shows, chamou a atenção a quantidade de bebidas: quatro tonéis, com capacidade para cerca de 1.500 litros, estavam lotados de latas de cerveja.

No mesmo bairro foram presos o ex-PM Carlos Augusto Santos e Bruno Ramalho. Carlos já havia sido preso na Operação Capa Preta. Bruno é apontado como o matador da quadrilha. O irmão dele, Marcelo Ramalho, o MM, não estava em casa quando os agentes chegaram.

As investigações mostram que a quadrilha lucrava R$ 300 mil por mês com a exploração de serviços de segurança, vans, gás, internet, gatonet, água, cestas básicas, agiotagem, jogos de azar, desapropriação de moradores e taxa para que traficantes vendessem drogas fora das comunidades.

Acusados de matar 50 e de vender armas para traficantes do Alemão

A ação de ontem foi um desdobramento da Operação Capa Preta, que em 2010 prendeu 29 acusados de integrar a milícia. Eles eram suspeitos de participar de pelo menos 50 homicídios violentos, com muitos tiros, e de terem vendido armas a traficantes do Complexo do Alemão.

Quatro continuam presos e foram transferidos para penitenciárias federais de segurança máxima. Dois deles, apontados como os líderes do esquema, são os vereadores de Caxias Jonas Gonçalves da Silva, o Jonas é Nós, que também é soldado reformado da PM; e Sebastião Ferreira da Silva, o Chiquinho Grandão. Segundo o MP, mesmo presos no Batalhão Especial Prisional (BEP) e em Bangu 8, os acusados continuariam a dar ordens aos comparsas fora da cadeia. Por isso, foram transferidos para fora do estado. Eles já tiveram pedidos de liberdade negados.

Filho de Jonas, o ex-PM Éder Fábio Gonçalves da Silva, o Fabinho é Nós, também foi acusado pelos crimes na Operação Capa Preta. Pela atuação de pai e filho, a milícia ficou conhecida na região como ‘Família É Nós’.

O desdobramento das investigações será descobrir o destino do dinheiro lucrado pela milícia com as irregularidades. A corregedoria da Polícia Militar também participou das investigações e prisões.

Tortura e lesão corporal entre as denúncias

Segundo a denúncia do MP, os crimes praticados pelo bando são cruéis e envolvem, além dos homicídios, tortura, ocultação de cadáver e lesões corporais. Promotores classificaram a quadrilha como mais violenta que tráfico e a milícia da Zona Oeste. “A situação beira o caos. Pedimos à população que denuncie”, disse o promotor Décio Alonso.

Foram expedidos 25 mandados de prisão e 58 de busca e apreensão pela 2ª Vara Criminal de Caxias. Um, para a revista de armários no 15º BPM (Caxias), não foi cumprido porque os acusados não integram mais a unidade.

Integrantes com posições bem definidas

Segundo a polícia, o tenente Samuel teria atuação de destaque no bando. Investigações mostram que a participação de cada um era muito bem definida. As funções eram de matadores, cobradores de taxas, agiotas e policiais que faziam a segurança dos pontos tomados pela milícia, para justificar a presença de armas. Os 25 acusados respondem por formação de quadrilha armada para a prática de crime hediondo.


Foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia

Fonte: ODia.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Presos em Caxia, RJ, 15 milicianos de milícia que já assassinou 9 testemunhas




Milícia da Baixada ameaçou de morte promotores e delegado, diz MP

Ação contra grupo já prendeu 15 pessoas nesta quarta-feira (7/03/2012).

Pelo menos nove testemunhas foram executadas pelos criminosos.





Rio, 07/03/2012 - Além de comandar a milícia em 15 bairros de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a quadrilha que atuava na região teria ameaçado de morte dois promotores públicos e um delegado da Polícia Civil, de acordo com o Ministério Público. Por volta das 14h desta quarta-feira (7), durante Operação Pacificador, da Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Draco/IE), 15 integrantes do grupo tinham sido presos.

A ação conta com o apoio do Grupo de Atuação de Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, e da Corregedoria da Polícia Militar.

“Essa milícia, especificamente, é apontada como mais violenta do que a combatida na Zona Oeste. Como no caso da juíza Patrícia Acioli, eles ameaçaram de morte dois promotores e o delegado Capote (delegado Alexandre Capote, da titular da Draco/IE)", afirmou Décio Alonso, promotor do Gaeco do MP, ressaltando que todos tiveram a segurança reforçada e que andam com escolta o tempo inteiro.

Durante a operação desta quarta, os policiais também desarticularam uma central clandestina de TV a cabo, conhecida também como "gatonet", que possuía mais de três mil assinantes e usava TV digital. "Isso mostra o refinamento dessa quadrilha, visando sempre a obtenção de lucro", destacou o delegado da Draco, Alexandre Capote.

Entre os 15 presos estão nove policiais militares, um fuzileiro e um ex-PM. Mas a probabilidade é que o número aumente, pois estão sendo cumpridos 28 mandados de prisão. De acordo com a Polícia Civil, todos os presos na operação já tinham sido submetidos a alguma espécie de sanção. "Se já não estavam afastados da polícia, já estavam afastados das atividades nas ruas", afirmou Capote.

Testemunhas foram executadas

Além de ameaçar de morte as autoridades, os milicianos seriam responsáveis pela morte de pelo menos nove testemunhas desde que as investigações começaram. “Uma das testemunhas, dono de um depósito de gás, chegou a nos procurar dizendo que não teria feito a denúncia ao delegado. Dois dias depois ela morreu”, explicou Décio, ressaltando que os milicianos localizam as testemunhas, coagem e depois que elas desmentem a denúncia, são executadas. Para evitar que as novas testemunhas do processo sejam executadas, o MP está usando testemunhas coringas, onde o nome que consta no processo não é o nome verdadeiro.

Segundo a Seseg, entre os 28 suspeitos com mandado de prisão decretado pela Justiça estão 11 PMs, entre eles um oficial, um policial civil, um integrante do Exército, um fuzileiro naval da Marinha e três ex-policiais militares.

Grupo cobrava taxa de traficantes
O grupo, liderado pelos ex-vereadores Jonas é Nós e Chiquinho Grandão, que atualmente estão presos em presídio federal do Mato Grosso do Sul, ainda cobraria taxa para que traficantes continuassem atuando na região. “Não é mais aquela milícia que expulsava traficantes do local. O que eles visam agora é o lucro”, afirmou Décio.

De acordo com o titular da Draco, a quadrilha é investigada há um ano, e atua, pelo menos, desde 2007 nos bairros do Pantanal, Parque Fluminense, Parque Muisa, São Bento, Pilar, Vila Rosário, Vila São José, Parque Suécia, Lote XV, Sarapuí, Vila Guaíra, Jardim Leal e Gramacho, todos em Duque de Caxias.

Segundo a polícia, a ação é uma consequência da operação Capa Preta, de 2010, que também tinha como objetivo desarticular uma milícia em Duque de Caxias. Todos os presos na operação desta quarta-feira já haviam sido presos na Operação Capa Preta, mas foram soltos no final do ano passado.

Os crimes

Segundo Alexandre Capote, o grupo é suspeito de praticar vários crimes, entre eles homicídios, ocultação de cadáveres, tortura, lesões corporais graves, extorsões, ameaças, constrangimentos ilegais, injúrias, agiotagem, esbulho de propriedades, parcelamento irregular do solo urbano, distribuição ilegal de sinal de TV a cabo, internet e jogos de azar, prestação de serviços de transporte coletivo alternativo clandestino (vans e mototáxis), além da venda ilegal de botijões de gás.

A investigação aponta ainda a cobrança de taxas de segurança e a compra de cestas básicas por valores super faturados.


Por Janaina Carvalho
(Foto: Janaína Carvalho/G1)
Fonte: G1

domingo, 4 de março de 2012

O Poder das Milícias e o Poder Judiciário






Vereador acusado de chefiar milícia em Duque de Caxias (RJ) permanece preso


Brasília, 02/03/2012 - Superior Tribunal de Justiça


A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido de habeas corpus em favor de vereador* de Duque de Caxias (RJ), denunciado por chefiar milícia com atuação naquele município. O vereador encontra-se preso no Presídio Federal de Campo Grande (MS).

O parlamentar foi denunciado com mais 33 pessoas, entre elas, diversos policiais militares, ex-policiais, integrantes das Forças Armadas e outro vereador do mesmo município. Segundo o Ministério Público estadual, todos seriam integrantes da organização criminosa.

Em dezembro de 2010, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) acolheu o pedido do MP e decretou a prisão preventiva do parlamentar, o qual se encontra preso desde 21 de dezembro de 2010.

A transferência do vereador para um presídio de segurança máxima se deu devido a informações de que ele e outros três denunciados, também encaminhados para o presídio federal, seriam os mandantes do assassinato de duas testemunhas do processo.

Constrangimento

A defesa alegou que o parlamentar permanece preso há nove meses, sem denúncia recebida. Sustentou que isso caracterizaria constrangimento ilegal e que o Código de Processo Penal “dispõe de uma gama de alternativas práticas para solucionar a questão, tal como o desmembramento do feito”. Pediu, assim, a revogação da prisão cautelar do vereador.

Em seu voto, a relatora, ministra Laurita Vaz, salientou que os prazos indicados para a conclusão da instrução criminal servem apenas como parâmetro geral, pois variam conforme as peculiaridades de cada processo, podendo ser abrandados à luz do princípio da razoabilidade.

“Somente se cogita da existência de constrangimento ilegal, por eventual excesso de prazo para a formação da culpa, quando o atraso na instrução criminal for motivado por injustificada demora ou desídia do aparelho estatal”, afirmou a ministra.

Segundo a relatora, não se pode perder de vista que o processo em questão é complexo, envolve uma organização criminosa com vários integrantes e que o vereador foi transferido para estabelecimento penal em outro estado, o que demanda a expedição de carta precatória.

“Logo, não há como ser reconhecido qualquer constrangimento ilegal, por eventual excesso de prazo para a formação da culpa”, disse a ministra Laurita Vaz.

Site: STJ

*Sebastião Ferreira da Silva

Presos suspeitos de integrarem grupos de extermínio na Baixada






A Polícia investiga a possível ligação entre as duas quadrilhas.






Rio - 1/3/2012 - Quatro pessoas foram presas, na manhã desta quinta-feira, suspeitas de integrarem quadrilhas envolvidas em milícias e grupos de extermínio na Baixada Fluminense. A ação, coordenada pelo Departamento Geral de Polícia da Baixada (DGPB), foi realizada por policiais da 53ª DP (Mesquita) e da 57ª DP (Nilópolis).

Em cumprimento a três mandados de prisão temporária e de busca e apreensão, expedidos pela Justiça, os policiais de Nilópolis realizaram a operação Campo XV e prenderam Cláudio Márcio de Oliveira,  o Claudinho, 43 anos, e Anderson de Mello Albino,  conhecido como Panda, 32 anos.

Outro integrante da quadrilha, Wallace Márcio de Oliveira, 25 anos, que não foi encontrado, tem quatro mandados de prisão pendentes, sendo três por roubo e uma por tentativa de homicídio, além de anotações criminais por porte ilegal de arma, roubo qualificado, falsificação de documento público e tentativa de homicídio qualificado.

Claudinho tem passagem pela polícia desde 1985, pelos crimes de porte de arma de uso proibido, roubo qualificado, falsificação de documento público, homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado.

Claudinho e Wallace são acusados de participarem de uma tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe, praticado no dia 08 de fevereiro último, na Estrada Marechal Castelo Branco, s/n, bairro Nossa Senhora de Fátima, conhecido como Campo XV, em Nilópolis.

Na ocasião do crime, a vítima encontrava-se em seu veículo em companhia de sua esposa e de suas duas filhas, em frente à Alameda Truman, enquanto aguardava a chegada de Anderson para lhe pagar uma quantia relativa a um empréstimo e reaver  um relógio.  Em seguida, uma moto pilotada por Wallace, passou pelo local e Claudinho, que estava na garupa, disparou tiros, atingindo a vítima de raspão no braço esquerdo e sua filha de dois anos, que foi ferida com um tiro na face esquerda.

Na ação de hoje, Claudinho também foi preso em flagrante por porte de munição calibre 380 e carregador. Já Anderson responde por uso de documento falso e tentativa de homicídio qualificado. 

De acordo com a titular da 57ª DP, delegada Leila Goulard, o grupo também é suspeito de praticar agiotagem. Durante as buscas na residência de Claudinho, os agentes encontraram boletas bancárias com depósitos de valores que variam de R$ 2 mil a R$ 5 mil.

Em outra ação, realizada por agentes da 53ª DP, Jeferson Nascimento da Silva, 27 anos, foi preso em cumprimento a mandado de prisão por tentativa de homicídio.  Ele é acusado de atuar em uma milícia

Jeferson foi localizado em sua residência, em Mesquita, com uma arma, produto de roubo, onde também foi preso em flagrante seu pai, o sargento da Polícia Militar, Amaury Trindade da Silva, lotado no 20º BPM (Mesquita), acusado de ter emprestado sua pistola, ao filho.  No local, os agentes apreenderam munições para pistola, radiotransmissores, uma faca e uma touca ninja.

O titular da 53ª DP, delegado Júlio da Silva Filho, investiga a atuação do policial militar como líder da quadrilha, que age praticando crimes de extorsão, exploração de jogos de azar e de envolvimento em vários homicídios ocorridos naquela região.





segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

E as milícias?

 


Milícias ganham poder à sombra das UPPs


Por Arnaldo Bloch e Chico Otávio 


Rio, 26/02/2012 - À exceção dos agentes da Polícia Federal que escoltavam os presos, ninguém se importou com o pequeno grupo que esperava os irmãos Natalino e Jerônimo Guimarães, o “Jerominho”, na porta do 4º Tribunal do Juri, dias antes do carnaval. Aquelas pessoas não estavam ali para protestar em nome das vítimas da Liga da Justiça, a maior milícia da Zona Oeste, liderada pela dupla. A claque queria, sim, aplaudir, render homenagens, celebrar a absolvição dos réus, acusados de tentativa de homicídio, e que continuam presos por outros crimes. Só não foram além porque a Polícia impediu a aproximação.

No dia 7 de outubro, data das próximas eleições municipais, o quadro será diferente. Não haverá barreira policial ou qualquerimpedimento para a festa do crime. Contabilizadas as últimas vitórias — como a a devolução do mandato de vereadora a Carmen Glória Guinâncio Teixeira, a Carminha (filha de Jerominho) —, a Liga da Justiça poderá consolidar seu poder na Zona
Oeste pela força das urnas.

Freixo: o mal dos ‘centros sociais’

De todas as UPPs instaladas até agora, a única que ocupou espaços antes dominados por milícias foi a Batan, em Realengo, onde repórteres do Dia foram torturados em 2008. À maneira do tráfico, mas com um dos pés carimbados no coração do estado, as milícias espalham terror pelas comunidades menos favorecidas, sobretudo as afastadas do eixo formado pela Zona Sul e pelas áreas estratégicas para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2018.

Prisões têm sido feitas: 600, a maioria a partir da CPI das milícias. O professor Luiz Cesar Queiróz, do Observatório de Cidades (Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia), sustenta, contudo, que a detenção de milicianos não desarticulou seu poder, exercido principalmente pelos centros sociais, que permanecem abertos quando seus fundadores são presos: — Por que os representantes não se mobilizam em termos de políticas metropolitanas para as áreas de transporte, educação, meio ambiente, saúde etc? Porque são representantes de seus currais, restritos a bairros. Não se interessam pelo que ocorre fora  deles. Políticas metropolitanas são para todos, mas não pertencem a ninguém.

Os milicianos estão dentro desse contexto. No exercício do mandato, seus representantes são localistas, paroquialistas. Esta forma de crime se mantém pelo controle político. As milícias precisam de representação para fortalecer o controle social que já exercem. Se, de um lado, se impõem pelo terror, do outro adotam o velho modelo udenista.

Artífice da CPI, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) concorda que as prisões não arranham o esquema eleitoral dos grupos criminosos. O domínio territorial continua no pico.

— Tenho informações de que muitos destes centros sociais identificados como de milicianos mantêm convênio com a prefeitura. O Deco tem centro social. Girão também. Fausto Alves é outro. Na CPI, propus que o licenciamento de vans fosse feito de forma individual, e não por cooperativas, outro setor claramente vinculado aos milicianos. Mas nada adiantou. O esquema continua. Ex-secretário de segurança, autor dos livros “A Elite da Tropa”, I e II, e porta-voz da tese de que as milícias tomaram conta da cidade com poder maior que o do tráfico, o antropólogo Luiz Eduardo Soares vê a Zona Oeste como uma espécie de área de sombra da consciência carioca, daí o silêncio que costuma cercar o que ali ocorre.

— O assunto “milícias” está ausente como estivera por muitos anos e permanecerá por longos períodos, mesmo depois de tornarse foco da atenção midiática, quando profissionais de imprensa quase foram mortos. A tendência é ficar sepultado no limbo da atenção pública. Para as elites, as milícias mal existem, assim como a Zona Oeste. São personagens fantásticos, de outro planeta. A problemática emerge apenas nas crises, para logo hibernar. Discutir em profundidade tudo isso, fora da crise (atitude que a evitaria) não se faz, no Brasil.

A síndrome do 'gato orçamentário'

O secretário de segurança, José Mariano Beltrame, discorda.

— O problema com a milícia não é de vontade política. É de velocidade. A polícia do Rio tem mais de 40 anos no combate ao tráfico, e apenas 15 no combate aos milicianos. Por isso é tão fácil identificar e prender um traficante. No caso das milícias, não se desenvolveu uma expertise. É difícil identificar um miliciano. É um quebra-cabeças.

Não existe o “crime de milícia” no Brasil. Não há tipificação. Estive com o presidente do Senado, José Sarney, semanas atrás, levando uma proposta de alteração do código penal que contemple esta modalidade. Mesmo assim, ao tirar a Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Or ganizadas) do âmbito da Polícia Civil e pô-la sob a Secretaria, temos a delegacia mais especializada do país. Não houvesse vontade política, não teríamos participado, com o deputado Freixo, da formação da CPI das milícias e prendido centenas de milicianos, nem teríamos posto atrás das grades cachorros grandes como Jerônimo e Natalino.

Fazendo questão de prestar loas ao trabalho da Draco, Luiz Eduardo volta à carga com o argumento de que o problema é bem mais profundo. Na sua ótica, as polícias, tais como estão organizadas, são fábricas de desordem, descontrole e ingovernabilidade. São refratárias à gestão e à prestação de contas à sociedade. Que, por sua vez, precisa cobrar que a UPP deixe de ser programa para virar política sistemática e sustentável e se estender às áreas de influência das milícias, que hoje controlam quase uma centena de comunidades.

— O governo do Estado tem que fazer o que até agora recusou: meter a mão no vespeiro policial não só para prender indivíduos, mas para promover uma reorganização institucional e, na sequência, pressionar o Congresso por mudanças no artigo 144. As milícias continuarão livres e soltas enquanto não mudarmos radicalmente nossas polícias e eliminarmos a fonte mais vigorosa de sua reprodução: o gato orçamentário.

Como o orçamento para a segurança pública é irreal e os salários pagos, insuficientes, não se reprime o bico do policialna segurança privada, apesar de sua ilegalidade, para evitar que a demanda salarial provoque o colapso das contas. A ilegalidade é que permite a vigência de padrões salariais tão baixos, e viabiliza a estabilidade. Em outras palavras: na tese de Soares, a segurança privada informal e ilegal “financia” o orçamento. Ao se tolerar a ilegalidade “legítima”, bem intencionada, deixa-se florescer a ilegalidade perversa, orientada para ações criminosas, desde as que provocam insegurança para vender segurança, até grupos de extermínio e milícias, que persistiriam em uma estrutura incompatível com a racionalidade e a complexidade da vida democrática. De olho no calendário, ele adverte:

— Não tenham dúvida: os elos com o estado se aprofundarão nas eleições, só que de modo mais discreto e mediado.

Beltrame: “polícia não é milícia”

Neste pingue-pongue doutrinário, Beltrame rebate mais uma vez o antropólogo e ex-colega:

— Milícia não é sinônimo de polícia. É uma organização formada por policiais, sim, mas também por bombeiros, políticos e agentes carcerários. São entes do estado que se utilizam de seu conhecimento para funcionar, o que as torna poderosíssimas.

Dizer que os salários estão na origem disso é como dizer que pobre é bandido. De resto, nos últimos 15 anos os policiais militares do Rio tiveram reajustes da ordem de 100%. Vai demorar para ganharmos a expertise necessária, mas o Rio está na frente de uma luta que em breve será de todo o país. Um dia as milícias perderão o domínio territorial, assim como o tráfico. Mas isso não resolverá tudo: só com choques de cidadania e oferecimento de serviços pelo poder público e pela iniciativa privada, as milícias perderão a razão de ser.


Por Arnaldo Bloch e Chico Otávio que escrevem para o Globo.


Fonte: O Globo

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Cinco suspeitos de integrar milícia são presos em ação no RJ, diz polícia


Cinco suspeitos de integrar milícia são presos em ação no RJ, diz polícia


Operação foi desencadeada por agentes da 60ª DP em Duque de Caxias.

Segundo polícia, grupo atuava com agiotagem e compra e venda de armas.


Cinco suspeitos de integrar uma milícia que atua em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, foram presos, nesta quinta-feira (9), durante a Operação Militia. A ação desencadeada por policiais da 60ª DP (Campos Elíseos) tinha o objetivo de cumprir sete mandados de prisão e 16 de busca e apreensão, expedidos pela Justiça. As informações são da Polícia Civil.

A polícia informou que o grupo atuava com agiotagem, compra e venda de armas, comércio de combustíveis, serviço de internet, proteção aos comerciantes e moradores, receptação de carros e peças roubadas, invasão de casas e terrenos. Além disso, os suspeitos também agiam na falsificação de documentos, tráfico de influência e na corrupção de agentes de segurança da localidade.

De acordo com a polícia foram apreendidos uma espingarda e R$1 mil com um dos suspeitos, além de R$ 5 mil com outro. Um revólver também foi recolhido. A quadrilha atuava nas localidades do Pilar, Pantanal, Vila São José e adjacências, todas em Duque de Caxias. Segundo a polícia, os suspeitos foram identificados após investigações da 60ª DP e interceptações de escutas telefônicas.

A ação contou com 54 agentes e foi composta por 16 equipes do Departamento Geral de Polícia da Baixada (DGPB), uma equipe da Corregedoria Geral Unificada (CGU), e uma equipe Corregedoria Interna da Polícia Civil (COINPOL).

Fonte: G1

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Acusados de integrar milícia na Zona Oeste são absolvidos



Milicianos foram absolvidos por 4 votos a 3 da acusação de tentar matar um despachante de van em 2005


POR Marcello Victor

Rio -  Os quatro acusados de integrar a cúpula da milícia Liga da Justiça, que atua na Zona Oeste do Rio, foram absolvidos, por 4 votos a 3, na acusação referente à tentativa de homicídio. A decisão foi tomada na madrugada desta quinta-feira, no 4º Tribunal do Júri, no Centro. Os irmãos Natalino José Guimarães e Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho; o filho dele Luciano Guinâncio; e Leandro Paixão Viegas, o Leandrinho Quebra-Ossos, começaram a ser julgados na última terça-feira. Eles eram acusados de tentar matar o despachante de van Marcelo Eduardo dos Santos Lopes, em 2005.

Após a absolvição, a promotora Viviane Tavares Henriques afirmou que não se pode criticar a decisão dos jurados, pois foi democrática. O Ministério Público ainda não sabe se vai recorrer.

O advogado de defesa Roberto Vitagliano disse que foi a decisão de um tribunal democrático e que "o Estado parece que começa a colocar no lugar tudo o que diz respeito aos acusados".

Milicianos negam acusações

No segundo dia de julgamento, os réus negaram as acusações de tentar matar Marcelo Eduardo dos Santos Lopes. Natalino Guimarães, último a falar, negou veementemente qualquer envolvimento com milícia. Ele afirmou que só porque comprou um adesivo do personagem Batman, em uma banca de jornal, passou a ser apontado como membro do grupo. O símbolo do personagem seria utilizado para demarcar território e identificar membros da quadrilha, segundo investigações da polícia.

O irmão de Natalino, Jerônimo Guimarães, o Jerominho, também disse que não integra o grupo. Durante seu depoimento ele se exaltou diversas vezes e afirmou que é pai de família e não tem envolvimento com crimes. Ele afirmou que as acusações são uma "trama política" para acabar com ele, o irmão e toda a família.

Antes, já haviam prestado depoimento Luciano Guinâncio, filho de Jerominho, que afirmou não conhecer o despachante de van, a quem ele e Leandro Paixão Viegas, o Leandrinho Quebra-Ossos, são acusados de assassinar, a mando de Jerominho. Leandrinho não quis se pronunciar no julgamento.

Coleção de crimes

O primeiro baque na milícia Liga da Justiça foi em 2009. A juíza da 1ª Vara Criminal, Alessandra Bilac, condenou dez do grupo por formação de quadrilha e bando armado a dez anos e seis meses de prisão. A pena foi considerada emblemática para os chefões: o ex-vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, e seu irmão, o ex-deputado estadual Natalino José. Foram condenados ainda Luciano Guinâncio e o ex-PM Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman.

Outros processos

Luciano, Jerominho e Natalino respondem a mais dois processos por formação de quadrilha e bando armado. Em 2008, Batman fugiu da cadeia onde cumpria pena de 9 anos e 8 meses, mas foi recapturado em 2009.

Fonte e foto: O Dia

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Chefes da maior milícia do Rio serão julgados hoje





Chefes da maior milícia do Rio serão julgados nesta terça. 



Eles são acusados de tentar matar um fiscal de transporte alternativo em Guaratiba




Rio, 14/02/2012 - Está previsto para às 10h desta terça-feira (14), o julgamento de quatro acusados de comandar a maior milícia do Rio, que atua na zona oeste da cidade. Eles respondem por tentativa de homicídio contra um fiscal de transporte alternativo, em Guaratiba, na zona oeste, há seis anos.

Os irmãos Natalino e Jerônimo Guimarães; o filho de Jerominho, Luciano Guinâncio Guimarães; e Leandro Paixão Viegas, o Leandrinho Quebra-Ossos, vão ser julgados no 4º Tribunal do Júri da Capital. Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, também é acusado no processo, mas não será julgado desta vez.

Os acusados vão responder a denúncia do Ministério Público por tentativa de homicídio a tiros do despachante de Kombi Marcelo Eduardo dos Santos Lopes. O crime aconteceu em 15 de junho de 2005.

O objetivo da milícia, segundo a Promotoria, era tomar o controle de uma linha de van, para cobrar um pedágio de R$ 42 por dia útil de cada um dos 64 motoristas que faziam o trajeto Jardim Maravilha - Campo Grande, também na zona oeste. Marcelo conseguiu escapar do atentado, sem ser ferido.

Segundo a denúncia, o ataque teria sido cometido por Batman, Leandrinho Quebra-Ossos e Luciano Guinâncio, a mando dos irmãos Jerominho e Natalino, que seriam os chefes da milícia.

Em março de 2009, Jerominho, Natalino, Luciano, Batman e Quebra-Ossos foram condenados pela 42ª Vara Criminal da Capital pelo crime de formação de quadrilha armada. As penas variam de nove a dez anos de prisão. Outras cinco pessoas.

Fonte: R7