segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

E as milícias?

 


Milícias ganham poder à sombra das UPPs


Por Arnaldo Bloch e Chico Otávio 


Rio, 26/02/2012 - À exceção dos agentes da Polícia Federal que escoltavam os presos, ninguém se importou com o pequeno grupo que esperava os irmãos Natalino e Jerônimo Guimarães, o “Jerominho”, na porta do 4º Tribunal do Juri, dias antes do carnaval. Aquelas pessoas não estavam ali para protestar em nome das vítimas da Liga da Justiça, a maior milícia da Zona Oeste, liderada pela dupla. A claque queria, sim, aplaudir, render homenagens, celebrar a absolvição dos réus, acusados de tentativa de homicídio, e que continuam presos por outros crimes. Só não foram além porque a Polícia impediu a aproximação.

No dia 7 de outubro, data das próximas eleições municipais, o quadro será diferente. Não haverá barreira policial ou qualquerimpedimento para a festa do crime. Contabilizadas as últimas vitórias — como a a devolução do mandato de vereadora a Carmen Glória Guinâncio Teixeira, a Carminha (filha de Jerominho) —, a Liga da Justiça poderá consolidar seu poder na Zona
Oeste pela força das urnas.

Freixo: o mal dos ‘centros sociais’

De todas as UPPs instaladas até agora, a única que ocupou espaços antes dominados por milícias foi a Batan, em Realengo, onde repórteres do Dia foram torturados em 2008. À maneira do tráfico, mas com um dos pés carimbados no coração do estado, as milícias espalham terror pelas comunidades menos favorecidas, sobretudo as afastadas do eixo formado pela Zona Sul e pelas áreas estratégicas para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2018.

Prisões têm sido feitas: 600, a maioria a partir da CPI das milícias. O professor Luiz Cesar Queiróz, do Observatório de Cidades (Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia), sustenta, contudo, que a detenção de milicianos não desarticulou seu poder, exercido principalmente pelos centros sociais, que permanecem abertos quando seus fundadores são presos: — Por que os representantes não se mobilizam em termos de políticas metropolitanas para as áreas de transporte, educação, meio ambiente, saúde etc? Porque são representantes de seus currais, restritos a bairros. Não se interessam pelo que ocorre fora  deles. Políticas metropolitanas são para todos, mas não pertencem a ninguém.

Os milicianos estão dentro desse contexto. No exercício do mandato, seus representantes são localistas, paroquialistas. Esta forma de crime se mantém pelo controle político. As milícias precisam de representação para fortalecer o controle social que já exercem. Se, de um lado, se impõem pelo terror, do outro adotam o velho modelo udenista.

Artífice da CPI, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) concorda que as prisões não arranham o esquema eleitoral dos grupos criminosos. O domínio territorial continua no pico.

— Tenho informações de que muitos destes centros sociais identificados como de milicianos mantêm convênio com a prefeitura. O Deco tem centro social. Girão também. Fausto Alves é outro. Na CPI, propus que o licenciamento de vans fosse feito de forma individual, e não por cooperativas, outro setor claramente vinculado aos milicianos. Mas nada adiantou. O esquema continua. Ex-secretário de segurança, autor dos livros “A Elite da Tropa”, I e II, e porta-voz da tese de que as milícias tomaram conta da cidade com poder maior que o do tráfico, o antropólogo Luiz Eduardo Soares vê a Zona Oeste como uma espécie de área de sombra da consciência carioca, daí o silêncio que costuma cercar o que ali ocorre.

— O assunto “milícias” está ausente como estivera por muitos anos e permanecerá por longos períodos, mesmo depois de tornarse foco da atenção midiática, quando profissionais de imprensa quase foram mortos. A tendência é ficar sepultado no limbo da atenção pública. Para as elites, as milícias mal existem, assim como a Zona Oeste. São personagens fantásticos, de outro planeta. A problemática emerge apenas nas crises, para logo hibernar. Discutir em profundidade tudo isso, fora da crise (atitude que a evitaria) não se faz, no Brasil.

A síndrome do 'gato orçamentário'

O secretário de segurança, José Mariano Beltrame, discorda.

— O problema com a milícia não é de vontade política. É de velocidade. A polícia do Rio tem mais de 40 anos no combate ao tráfico, e apenas 15 no combate aos milicianos. Por isso é tão fácil identificar e prender um traficante. No caso das milícias, não se desenvolveu uma expertise. É difícil identificar um miliciano. É um quebra-cabeças.

Não existe o “crime de milícia” no Brasil. Não há tipificação. Estive com o presidente do Senado, José Sarney, semanas atrás, levando uma proposta de alteração do código penal que contemple esta modalidade. Mesmo assim, ao tirar a Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Or ganizadas) do âmbito da Polícia Civil e pô-la sob a Secretaria, temos a delegacia mais especializada do país. Não houvesse vontade política, não teríamos participado, com o deputado Freixo, da formação da CPI das milícias e prendido centenas de milicianos, nem teríamos posto atrás das grades cachorros grandes como Jerônimo e Natalino.

Fazendo questão de prestar loas ao trabalho da Draco, Luiz Eduardo volta à carga com o argumento de que o problema é bem mais profundo. Na sua ótica, as polícias, tais como estão organizadas, são fábricas de desordem, descontrole e ingovernabilidade. São refratárias à gestão e à prestação de contas à sociedade. Que, por sua vez, precisa cobrar que a UPP deixe de ser programa para virar política sistemática e sustentável e se estender às áreas de influência das milícias, que hoje controlam quase uma centena de comunidades.

— O governo do Estado tem que fazer o que até agora recusou: meter a mão no vespeiro policial não só para prender indivíduos, mas para promover uma reorganização institucional e, na sequência, pressionar o Congresso por mudanças no artigo 144. As milícias continuarão livres e soltas enquanto não mudarmos radicalmente nossas polícias e eliminarmos a fonte mais vigorosa de sua reprodução: o gato orçamentário.

Como o orçamento para a segurança pública é irreal e os salários pagos, insuficientes, não se reprime o bico do policialna segurança privada, apesar de sua ilegalidade, para evitar que a demanda salarial provoque o colapso das contas. A ilegalidade é que permite a vigência de padrões salariais tão baixos, e viabiliza a estabilidade. Em outras palavras: na tese de Soares, a segurança privada informal e ilegal “financia” o orçamento. Ao se tolerar a ilegalidade “legítima”, bem intencionada, deixa-se florescer a ilegalidade perversa, orientada para ações criminosas, desde as que provocam insegurança para vender segurança, até grupos de extermínio e milícias, que persistiriam em uma estrutura incompatível com a racionalidade e a complexidade da vida democrática. De olho no calendário, ele adverte:

— Não tenham dúvida: os elos com o estado se aprofundarão nas eleições, só que de modo mais discreto e mediado.

Beltrame: “polícia não é milícia”

Neste pingue-pongue doutrinário, Beltrame rebate mais uma vez o antropólogo e ex-colega:

— Milícia não é sinônimo de polícia. É uma organização formada por policiais, sim, mas também por bombeiros, políticos e agentes carcerários. São entes do estado que se utilizam de seu conhecimento para funcionar, o que as torna poderosíssimas.

Dizer que os salários estão na origem disso é como dizer que pobre é bandido. De resto, nos últimos 15 anos os policiais militares do Rio tiveram reajustes da ordem de 100%. Vai demorar para ganharmos a expertise necessária, mas o Rio está na frente de uma luta que em breve será de todo o país. Um dia as milícias perderão o domínio territorial, assim como o tráfico. Mas isso não resolverá tudo: só com choques de cidadania e oferecimento de serviços pelo poder público e pela iniciativa privada, as milícias perderão a razão de ser.


Por Arnaldo Bloch e Chico Otávio que escrevem para o Globo.


Fonte: O Globo

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Cinco suspeitos de integrar milícia são presos em ação no RJ, diz polícia


Cinco suspeitos de integrar milícia são presos em ação no RJ, diz polícia


Operação foi desencadeada por agentes da 60ª DP em Duque de Caxias.

Segundo polícia, grupo atuava com agiotagem e compra e venda de armas.


Cinco suspeitos de integrar uma milícia que atua em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, foram presos, nesta quinta-feira (9), durante a Operação Militia. A ação desencadeada por policiais da 60ª DP (Campos Elíseos) tinha o objetivo de cumprir sete mandados de prisão e 16 de busca e apreensão, expedidos pela Justiça. As informações são da Polícia Civil.

A polícia informou que o grupo atuava com agiotagem, compra e venda de armas, comércio de combustíveis, serviço de internet, proteção aos comerciantes e moradores, receptação de carros e peças roubadas, invasão de casas e terrenos. Além disso, os suspeitos também agiam na falsificação de documentos, tráfico de influência e na corrupção de agentes de segurança da localidade.

De acordo com a polícia foram apreendidos uma espingarda e R$1 mil com um dos suspeitos, além de R$ 5 mil com outro. Um revólver também foi recolhido. A quadrilha atuava nas localidades do Pilar, Pantanal, Vila São José e adjacências, todas em Duque de Caxias. Segundo a polícia, os suspeitos foram identificados após investigações da 60ª DP e interceptações de escutas telefônicas.

A ação contou com 54 agentes e foi composta por 16 equipes do Departamento Geral de Polícia da Baixada (DGPB), uma equipe da Corregedoria Geral Unificada (CGU), e uma equipe Corregedoria Interna da Polícia Civil (COINPOL).

Fonte: G1

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Acusados de integrar milícia na Zona Oeste são absolvidos



Milicianos foram absolvidos por 4 votos a 3 da acusação de tentar matar um despachante de van em 2005


POR Marcello Victor

Rio -  Os quatro acusados de integrar a cúpula da milícia Liga da Justiça, que atua na Zona Oeste do Rio, foram absolvidos, por 4 votos a 3, na acusação referente à tentativa de homicídio. A decisão foi tomada na madrugada desta quinta-feira, no 4º Tribunal do Júri, no Centro. Os irmãos Natalino José Guimarães e Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho; o filho dele Luciano Guinâncio; e Leandro Paixão Viegas, o Leandrinho Quebra-Ossos, começaram a ser julgados na última terça-feira. Eles eram acusados de tentar matar o despachante de van Marcelo Eduardo dos Santos Lopes, em 2005.

Após a absolvição, a promotora Viviane Tavares Henriques afirmou que não se pode criticar a decisão dos jurados, pois foi democrática. O Ministério Público ainda não sabe se vai recorrer.

O advogado de defesa Roberto Vitagliano disse que foi a decisão de um tribunal democrático e que "o Estado parece que começa a colocar no lugar tudo o que diz respeito aos acusados".

Milicianos negam acusações

No segundo dia de julgamento, os réus negaram as acusações de tentar matar Marcelo Eduardo dos Santos Lopes. Natalino Guimarães, último a falar, negou veementemente qualquer envolvimento com milícia. Ele afirmou que só porque comprou um adesivo do personagem Batman, em uma banca de jornal, passou a ser apontado como membro do grupo. O símbolo do personagem seria utilizado para demarcar território e identificar membros da quadrilha, segundo investigações da polícia.

O irmão de Natalino, Jerônimo Guimarães, o Jerominho, também disse que não integra o grupo. Durante seu depoimento ele se exaltou diversas vezes e afirmou que é pai de família e não tem envolvimento com crimes. Ele afirmou que as acusações são uma "trama política" para acabar com ele, o irmão e toda a família.

Antes, já haviam prestado depoimento Luciano Guinâncio, filho de Jerominho, que afirmou não conhecer o despachante de van, a quem ele e Leandro Paixão Viegas, o Leandrinho Quebra-Ossos, são acusados de assassinar, a mando de Jerominho. Leandrinho não quis se pronunciar no julgamento.

Coleção de crimes

O primeiro baque na milícia Liga da Justiça foi em 2009. A juíza da 1ª Vara Criminal, Alessandra Bilac, condenou dez do grupo por formação de quadrilha e bando armado a dez anos e seis meses de prisão. A pena foi considerada emblemática para os chefões: o ex-vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, e seu irmão, o ex-deputado estadual Natalino José. Foram condenados ainda Luciano Guinâncio e o ex-PM Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman.

Outros processos

Luciano, Jerominho e Natalino respondem a mais dois processos por formação de quadrilha e bando armado. Em 2008, Batman fugiu da cadeia onde cumpria pena de 9 anos e 8 meses, mas foi recapturado em 2009.

Fonte e foto: O Dia

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Chefes da maior milícia do Rio serão julgados hoje





Chefes da maior milícia do Rio serão julgados nesta terça. 



Eles são acusados de tentar matar um fiscal de transporte alternativo em Guaratiba




Rio, 14/02/2012 - Está previsto para às 10h desta terça-feira (14), o julgamento de quatro acusados de comandar a maior milícia do Rio, que atua na zona oeste da cidade. Eles respondem por tentativa de homicídio contra um fiscal de transporte alternativo, em Guaratiba, na zona oeste, há seis anos.

Os irmãos Natalino e Jerônimo Guimarães; o filho de Jerominho, Luciano Guinâncio Guimarães; e Leandro Paixão Viegas, o Leandrinho Quebra-Ossos, vão ser julgados no 4º Tribunal do Júri da Capital. Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, também é acusado no processo, mas não será julgado desta vez.

Os acusados vão responder a denúncia do Ministério Público por tentativa de homicídio a tiros do despachante de Kombi Marcelo Eduardo dos Santos Lopes. O crime aconteceu em 15 de junho de 2005.

O objetivo da milícia, segundo a Promotoria, era tomar o controle de uma linha de van, para cobrar um pedágio de R$ 42 por dia útil de cada um dos 64 motoristas que faziam o trajeto Jardim Maravilha - Campo Grande, também na zona oeste. Marcelo conseguiu escapar do atentado, sem ser ferido.

Segundo a denúncia, o ataque teria sido cometido por Batman, Leandrinho Quebra-Ossos e Luciano Guinâncio, a mando dos irmãos Jerominho e Natalino, que seriam os chefes da milícia.

Em março de 2009, Jerominho, Natalino, Luciano, Batman e Quebra-Ossos foram condenados pela 42ª Vara Criminal da Capital pelo crime de formação de quadrilha armada. As penas variam de nove a dez anos de prisão. Outras cinco pessoas.

Fonte: R7

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Rio deixa Zona Oeste sob o jugo das Milícias


Rio “esquece” zona oeste, dominada por milícias e tráfico, no 3º ano da política de UPPs

Cronograma de instalação de UPPs segue lógica de segurança para Copa e Olimpíada


Rio, 20/12/2011 - Enquanto o ano de 2011 foi marcado pelo sucesso da ocupação da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, e pela instalação de seis UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), na zona norte e região central da cidade, a zona oeste permaneceu como reduto de diversas milícias e base da facção que perdeu menos território com a pacificação.

Para especialistas em segurança pública ouvidos pelo R7, após análise do mapa de implantação da política de UPPs que completa três anos neste mês, a zona oeste não deve ser o foco do programa até o governo organizar as regiões do Rio essenciais para receber a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

O antropólogo e ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) Paulo Storani diz acreditar que o Estado não fugirá do combate às milícias – grupos armados controlados por integrantes de instituições de segurança pública para prática de extorsões. Para ele, a milícia será o problema da década, mas o governo do Rio precisa antes atender a compromissos que assumiu para ser a sede de eventos internacionais.

- Não há recursos para ações simultâneas por toda a cidade. Por isso, a escolha das próximas UPPs depende da visibilidade perante a população e do cumprimento de protocolos de segurança para a Copa e Olimpíada. Por enquanto, a Polícia Militar deve realizar operações sistemáticas contra o narcotráfico e a milícia.

Veja fotos de casos envolvendo milicianos

Para o cientista político Ricardo Ismael, do departamento de Sociologia e Política da PUC-Rio, o cronograma da pacificação também leva em conta motivos eleitoreiros.

- O governo começou a pacificar pela favela Santa Marta, na zona sul, pois serviu como um cartão de visita durante as eleições para governador. A partir do Alemão e da Rocinha, é possível ver que o que foi feito foi uma questão de urgência para os próximos eventos esportivos. No entorno do Maracanã, por exemplo, foi feito um cinturão de segurança. 

Ambos os especialistas apostam no complexo da Maré, na zona norte, como a próxima localidade a ser ocupada por forças de segurança. Além da posição estratégica próxima às principais vias da cidade - avenida Brasil e linhas Vermelha e Amarela - para escoamento de drogas e outras atividades criminosas, o conjunto de favelas está perto do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão).

Confira também

    Disque-Denúncia: informações sobre milícias crescem 45%

A Secretaria de Segurança Pública não divulga a ordem de instalação das UPPs, mas a previsão é de que o Estado tenha 40 unidades até 2014 – ou seja, mais 22 nos próximos dois anos. Duas comunidades da zona oeste já entraram para o programa de pacificação: a Cidade de Deus e o Batan – esta última era área de milícia e recebeu a atenção do governo após uma equipe de reportagem do jornal O Dia ser torturada.

O Batalhão de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, que tinha a Cidade de Deus como local mais violento, registrou queda acentuada de homicídios após a chegada da UPP, em 2009. Entre janeiro e julho de 2008, foram 74 mortes registradas. No mesmo período de 2011, foram 31 homicídios, redução de 58%. A diminuição das mortes em confronto com a polícia também chama a atenção. Nos primeiros sete meses de 2008, foram 24 autos de resistência. No mesmo período deste ano, foram apenas dois casos, queda de 92%.

Segundo a secretaria, um estudo está reavaliando a distribuição de efetivo da Polícia Militar para reforçar o combate à milícia e ao narcotráfico na zona oeste. Além disso, a Draco-IE (Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado e Inquéritos Especiais), delegacias distritais e batalhões têm trabalhado de forma estratégica contra a proliferação desses crimes, segundo a Polícia Militar.

Entre os 624 milicianos presos de 2006 até outubro deste ano, 214 eram agentes ou ex-agentes do Estado, como PMs, policiais civis, bombeiros, integrantes das Forças Armadas, da Guarda Municipal e da Polícia Federal, o que corresponde a 34% do total. Um era deputado estadual e sete, vereadores. Os outros 402 eram civis.


Por: Gabriela Pacheco
Colaborou Marcelo Bastos
Foto: Alexandre Vieira/Agência O Dia/19.11.2011 (Milícia na zona oeste - carro alvejado - 9.11.2011. Ex-PM foi morto em novembro em Santa Cruz, na zona oeste, após ter o carro atingido por cerca de 50 tiros de fuzil

Fonte: R7

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Guerra no Brasil: mais de 1 milhão de homicídios em 30 anos





Brasil tem mais de 1 milhão de homicídios em 30 anos, diz pesquisa.
Taxa de assassinatos por 100 mil habitantes cresce 124% no período.
Mapa aponta 'interiorização' das mortes violentas a partir de 2003.





tabela mortes estudo homicídios brasil (Foto: Reprodução)
Tabela divulgada no estudo (Foto: Reprodução)
Mais de 1 milhão de pessoas morreu vítima de homicídios no país nos últimos 30 anos, aponta o Mapa da Violência 2012, elaborado com base em informações do Ministério da Justiça e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. (baixe a íntegra do arquivo em PDF, em 7 MB).

As mortes violentas passaram de 13.910 casos registrados em 1980 para 49.932 em 2010. No total foram 1.091.125 assassinatos. O aumento, em termos de números brutos, nas últimas três décadas chega a 259% - 4,4% de crescimento anual.
Considerando a variação da população, o índice de homicídios por 100 mil habitantes passa de 11,7 em 1980 para 26,2 em 2010. Um aumento de 124% no período ou 2,7% ao ano, informa o levantamento.
De 1980 a 1985, houve um crescimento acelerado de assassinatos nas capitais e regiões metropolitanas, que passam de 17,9 para 40,1 homicídios para cada 100 mil habitantes no período. O crescimento nas capitais nestes 15 anos chega a 123,8%, ou cerca de 5,5% ao ano. As mortes no interior crescem 55,9% no período - 3% ao ano.
Entre 1995 e 2003, aponta o estudo, o aumento na taxa de homicídios nas capitais é de 9,8% (incremento anual de 1,2%). Já no interior a marca cresce mais - 41,4% nos oito anos - cerca de 4,4% anual.
Nos últimos sete anos, o levantamento percebe uma tendência de queda na taxa de assassinatos registrada nas capitais e um aumento contínuo da mesmo no interior. Enquanto que, nas grandes cidades a taxa passou de 44,1 em 2003 para 33,6 em 2010, nas cidades do interior houve um crescimento, passando a média nacional de 16,6 em 2003 para 20,1, em 2010.
“O interior, que antigamente era uma ilha de tranquilidade, deixou de ser. Estes novos municípios, principalmente que viraram polos de crescimento, também estão virando polos de criminalidade”, afirma o pesquisador. “Temos que pensar em políticas públicas que pensem em tratar o aumento da violência nas cidades do interior, principalmente em zonas de fronteira”, acrescentou Waiselfisz.
Ele também destacou que a criminalidade e as mortes estão migrando para o interior devido ao crescimento da repressão e do reforço na segurança pública e no policiamento nas capitais e regiões metropolitanas.
Dados de 2010
O índice de homicídios caiu no país no ano passado, passando de 27 casos por 100 mil habitantes em 2009 para 26,2 em 2010. Em 2008, a taxa ficou em 26,4.
Quando se analisa o ranking por estados, Alagoas lidera o ranking da taxa de homicídios em 2010 - foram 66,8 casos por 100 mil habitantes. Em seguida estão os estados de Espírito Santo (50,1), Pará (45,9), Pernambuco (38,8) e Amapá (38,7). Santa Catarina foi o estado que registrou o menor índice no ano passado (12,9).
Já dentre as capitais, Maceió aparece como a mais violenta: foram 109,9 homicídios/100 mil habitantes em 2010. Em seguida estão, João Pessoa (80,3), Vitória (67,1), Recife (57,9) e São Luis (56,1).
O município baiano de Simões Filho, com média de 146,4 homicídios por 100 mil habitantes nos últimos três anos, encabeça a lista quando o critério são as cidades com mais 10 mil habitantes mais violentas. Na sequência estão Campina Grande do Sul (PR), com taxa 130, e Marabá (PA), com taxa 120,5.
Segundo o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, diretor de Pesquisas do Instituto Sangari, o nível epidêmico de homicídios considerado pela ONU é 10 mortes por 100 mil habitantes.
mortes estados estudo homicídios (Foto: Reprodução)

Ranking da taxa de mortes por estado, em tabela divulgada pelo estudo (Foto: Reprodução)
ranking mortes capitais estudo homicídios (Foto: Reprodução)
Ranking da taxa de mortes violentas por capitais, conforme o Mapa da Violência (Foto: Reprodução)

Fonte: G1

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Milicias de São Gonçalo e Niterói tem como alvo o Deputado Marcelo Freixo

Milicianos de SG e Niterói planejavam matar deputado

De acordo com relatório da Subsecretaria Estadual de Inteligência, milicianos de São Gonçalo e Niterói planejavam matar o deputado estadual Marcelo Freixo. O crime teria sido planejado num escritório de agiotagem, no centro de Niterói, e foi denunciado um dia antes do deputado viajar com a família para o exterior, no final de outubro.

De acordo com o relatório da Subsecretaria de Inteligência obtido por O SÃO GONÇALO, os responsáveis pela ameaça seriam dois milicianos - um deles policial civil - que estariam aterrorizando moradores dos bairros Caramujo e Santa Bárbara, em Niterói, e no Gradim, em São Gonçalo.

A denúncia anônima sobre a sétima ameaça de morte, em outubro, informou que os dois bandidos estariam obrigando os moradores dos bairros de São Gonçalo e Niterói a guardar armas (entre elas revólveres, pistolas automáticas e semi-automáticas) da milícia.

Eles também estariam planejando a morte do parlamentar há dois meses. Os ‘pistoleiros’, que seriam contratados para a execução, depois de efetuar o ‘serviço’ iriam se esconder na casa de um morador no Colubandê, em São Gonçalo.

Os dois milicianos teriam o costume de ficar no escritório, no centro de Niterói, em horário comercial. Eles teriam ligação com a milícia que atua no centro do Rio.

Retorno - Marcelo Freixo voltou ao Brasil no último dia 16 de novembro e logo retornou às atividades na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), onde deu prosseguimento a CPI que investiga o tráfico de armas, munições e explosivos no estado. De acordo com o deputado, a decisão de deixar o país foi exatamente impulsionada pelas sete ameaças de morte recebidas em outubro.

“As últimas ameaças foram atípicas, pois tinham muitos detalhes, com nomes de policiais e de seus batalhões, que poderiam ser contratados para me matar. Percebi que o melhor era passar esse tempo afastado, até porque minha família também merecia. Viajei com a passagem de volta marcada, pois tenho muito trabalho no Rio, como a conclusão da CPI do Tráfico de Armas, em dezembro”, disse Freixo, que teve uma reunião com o secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame.

“Pedi para que as informações sobre as ameaças de morte sejam analisadas, para que o combate às milícias continue. São muitos detalhes que podem contribuir para combater esse crime”, afirmou.

Em 2008 - A CPI das Milícias, concluída em 2008, teve 20 denúncias sobre grupos de milicianos em São Gonçalo e Niterói, sendo quatro áreas dominadas pelos criminosos. No território gonçalense, os milicianos estariam presente nos bairros Jardim Catarina e Rio do Ouro, com exploração irregular de serviços como cobrança de segurança de moradores, de comerciantes e de motoristas de vans. Em Niterói, os crimes seriam os mesmos, sendo cometidos no Centro e na Ponta da Areia.

De acordo com Freixo, as denúncias foram feitas em 2008 e ficou a cargo da Polícia Civil investigar. “A CPI foi fechada em 2008 e não posso afirmar como está a situação atualmente. As denúncias foram feitas e devem ser investigadas”, disse o parlamentar, que sofreu mais duas ameaças de morte em novembro.

Relatório mostra ação das milícias na região

- Niterói: No período de 30/06/2008 a 31/10/2008 o Disque Milícia recebeu cinco denúncias relacionadas ao município, no Centro e na Ponta da Areia:

*Grupo formado por policiais militares, com exploração irregular de serviços como cobrança de segurança de comércio de R$ 30 a R$ 50 e sinal de TV a cabo.

- São Gonçalo: No período de 30/06/2008 a 31/10/2008 o Disque Milícia recebeu 15 denúncias relacionadas ao município:

*Jardim Catarina: Grupo formado por policiais civis e militares (14 no total), com exploração irregular de serviços de cobrança de segurança de moradores ( R$ 30); comércio (R$ 100); transporte alternativo (R$ 50 a R$ 115); sinal de a TV a cabo: instalação (R$ 60) e mensalidade (R$ 30).

Quem desobedecer as regras, sofre ameaças.

* Rio do Ouro: Exploração irregular de serviços de segurança de moradores, táxi (R$ 30), sinal de TV a cabo (R$ R$ 60 a instalação) e (R$ 30 a mensalidade).

‘O medo da morte é presente na minha vida’

Desde 2008 sofrendo ameaças de morte, o deputado estadual Marcelo Freixo deve concluir a sua segunda CPI contra o crime esse mês. Dessa vez, o parlamentar vem investigando o tráfico de armas, munições e explosivos no estado. Freixo é bem direto ao ser perguntado se tem medo de morrer por causa do seu trabalho, assim como aconteceu com a juíza Patrícia Acioli, assassinada em agosto.

“Não vou mentir, o medo da morte é presente na minha vida. Não há super-herois, mas isso faz parte do trabalho de um parlamentar. Isso não vai atrapalhar o serviço que vem sendo feito. Amo a liberdade, amo a minha família e sinto falta de algumas coisas das quais tive que abrir mão, mas nunca me arrependi da minha escolha”, contou o deputado.

O assassinato da juíza Patrícia Acioli, que ocorreu no dia 11 de agosto, em Niterói, é um dos temas que vem sendo analisado pela CPI. “A morte da juíza Patrícia Acioli foi um divisor de águas no crime organizado. Nunca havia sido registrado um ataque desse contra um membro tão importante da Justiça. A questão da utilização de armas e munição do 7º BPM é um assunto que será tratado, assim como o controle do paiol de armas e munições oficial”, concluiu.

Fonte: O São Gonçalo