quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Milícia ruralista assassina cacique Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul

MILÍCIA RURALISTA INVADE ACAMPAMENTO E ASSASSINA CACIQUE GUARANI-KAIOWÁ




O Ministério Público Federal (MPF) em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, ainda investiga o ataque de cerca de 40 homens armados contra a comunidade indígena Guaviry, ocorrida na manhã da sexta-feira (18), na zona rural de Amambai, fronteira do estado com o Paraguai. Segundo relatos, o cacique da comunidade, Nísio Gomes, de 59 anos, foi executado com tiros na cabeça e teve seu corpo levado pelo grupo de pistoleiros que invadiu o acampamento.

"Estavam todos de máscaras, com jaquetas escuras. Chegaram ao acampamento e mandaram todos irem pro chão. Portavam armas calibre 12", disse um indígena da comunidade que presenciou o ataque e teve sua identidade preservada por motivos de segurança. Conforme relato do indígena, o cacique foi executado com tiros na cabeça, no peito, nos braços e nas pernas. "Chegaram para matar nosso cacique", afirmou.

O saldo da chacina, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que esteve no local, é de quatro índios desaparecidos e vários feridos, além do cacique assassinado. Os números deverão ser mais bem esclarecidos durante a próxima semana. Conforme o apurado junto a sete mulheres indígenas que fugiram pela mata e chegaram aos municípios de Amambai e Ponta Porã, durante a fuga que precedeu o ataque, três jovens – de 14, 15 e 16 anos - teriam sido baleados, sendo que um encontra-se hospitalizado e os outros dois desaparecidos.

“A gente não sabe se os dois desaparecidos estão mortos ou se foram sequestrados pelos pistoleiros, mas a certeza é de que foram atingidos e caíram”, disse uma das indígenas. Na fuga, elas eram um grupo de 12 mulheres. Cinco acabaram ficando para trás.  Dos cerca de 60 integrantes da comunidade, somente dez foram contatados pelos investigadores. Estima-se que os demais estejam escondidos na mata, assustados com a violência do ataque.

Uma equipe da Polícia Federal, acompanhada de representantes do MPF e da Fundação Nacional do Índio (Funai), confirmou o desaparecimento do cacique. A perícia policial confirmou presença de sangue humano no local onde o cacique foi baleado, de acordo com os relatos das testemunhas. Também comprovou-se que o corpo foi arrastado.

Um dos filhos de Nísio Gomes passou por examde de corpo de delito no Instituto Médico Legal de Ponta Porã, onde foi constatado que ele foi atingido por tiros de balas de borracha, do mesmo tipo encontrado em ataque recente ocorrido contra um acampamento indígena em Iguatemi, a cerca de 200 quilômetros de Ponta Porã, em 23 de agosto.

O MPF instaurou inquérito para investigar a chacina, mas alerta que detalhes da investigação serão mantidos em sigilo, "sob pena de comprometer a apuração dos fatos."

Violência por terra

Desde o dia 1º de novembro, os indígenas decidiram desmontar o acampamento onde viviam às margens de uma rodovia da região e instalar-se em uma parte do seu território Kaiowá nativo. O local de ocupação tradicional da etnia está sob poder das fazendas Chimarrão, Querência Nativa e Ouro Verde. Cerca de duas semanas depois da retomada do território a comunidade começou a ser cercada.

Os ataques e assassinatos não são fatos novos para os indígenas do Mato Grosso do Sul. No dia 13 de agosto deste ano, indígenas Guarani Kaiowá do Território Indígena Pueblito Kuê, município de Iguatemi, que ocupavam uma área entre as fazendas Maringá e Santa Rita, tiveram seu acampamento destruído, pertences queimados e sua comida roubada por homens encapuzados. Apesar disso, os indígenas não saíram do local, reivindicado como terra tradicional, e afirmam que não sairão voluntariamente.

Os Guarani Kaiowá somam hoje cerca de 45 mil indígenas e ocupam pouco mais de 40 mil hectares. De acordo com levantamento do Conselho Indigenista, 98% da população indígena do estado vive em apenas 0,2% do território do Mato Grosso do Sul. A ganância pelas terras dos nativos é apontada como o principal desencadeador de situações de violência como homicídios e ataques a comunidades, além de problemas sociais como suicídio de jovens e altos índices de mortalidade infantil.


Com informações da Adital, do MPF e do Cimi

(Foto do O cacique Nísio Gomes, dois dias antes de ser assassinado por pistoleiros, no MS: Eliseu Lourenço/Cimi/Divulgação)

Miliciano morto com 50 tiros na Zona Oeste do Rio de Janeiro



Polícia investiga se comparsas milicianos mataram ex-PM na zona oeste do Rio

Investigadores descartam hipótese de grupo rival invadir área para cometer crime

Rio, 22/11/2011 - A DH (Divisão de Homicídios) do Rio de Janeiro investiga se o ex-PM Welinton Vaz de Oliveira, assassinado com 50 tiros de fuzil na noite do último sábado (19), em Santa Cruz, na zona oeste da capital, foi morto por aliados, integrantes de uma milícia que atua em bairros da região onde ocorreu o crime.

O carro em que Oliveira estava foi atingido por tiros de fuzis de calibres 7.72 e 5.56. A hipótese passou a ser considerada pela polícia porque o ex-PM foi morto em uma área que é controlada pelo grupo paramilitar do qual ele fazia parte. Para os investigadores, é pouco provável que milicianos de um grupo rival fossem até aquela área para praticar o crime.

A polícia tenta descobrir quem são os autores do crime e qual foi a motivação do assassinato.

Segundo a PM, três homens que estavam em uma Kombi praticaram o crime. Para a DH, não resta dúvidas de que o assassinato está relacionado à atuação de milícias na região.

Oliveira era suspeito pelo atentado contra o também ex-PM Francisco César Silva de Oliveira, o Chico Bala, ocorrido em São Pedro da Aldeia, em 2007. Na ocasião, a mulher e o enteado de Chico Bala foram mortos.

O ex-PM seria integrante do grupo considerado principal rival de Chico Bala, chefiado por Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, também preso em unidade federal de segurança máxima.

Há um ano e dois meses, Oliveira fugiu do BEP (Batalhão Especial Prisional), em Benfica, na zona norte do Rio. Desde então, era considerado foragido. Um outro ex-PM, também acusado do atentado contra Chico Bala, fugiu do Bep junto com Welington. Eles estariam trabalhando na construção de um muro da unidade e a ausência deles só foi percebida durante a contagem dos presos.

Por Marcelo Bastos
Fonte: R7

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Policiais comandam Milícia na capital do Acre e controlam transporte clandestino





Policiais comandam milícias no transporte clandestino de Rio Branco, denuncia sindicato.





Na carreata que realizaram na manha desta terça-feira, para protestar contra a falta de fiscalização na atuação de clandestinos no transporte de passageiros na capital acreana, taxistas e mototaxistas revelaram a existência de uma milícia que comanda a clandestinidade, e que segundo eles, tem como líderes policiais civis e militares.

A afirmação foi feita pelo presidente do Sindicato dos Taxistas Teonízio Machado, que sem citar nomes, atribuiu a policiais, a responsabilidade pela existência de grupos que comandam o transporte clandestino em Rio Branco.

“Não vamos aqui citar nomes, é claro, mas a gente sabe que existe uma milícia atuando no transporte clandestino. Que esse grupo tem a frente alguns policias. Nós identificamos pontos onde essas pessoas atuam e até ditam regras, tirando o direito dos profissionais legalizados trabalharem com dignidade”, denunciou o sindicalista.

Na manifestação que começou em frente ao prédio da RBtrans, no conjunto Xavier Maia e terminou em frente ao Quartel do Comando Geral do PM, as duas categorias sugeriram a criação de um departamento específico para fiscalizar a atuação dos clandestinos. De acordo com levantamentos feitos pelos dois sindicatos, para dada um moto táxi legal, existem dois clandestinos nas ruas. Entre os carros esse número é bem menor, mas na região do II Distrito, a quantidade de taxistas ilegais atuando no transporte de passageiros para o centro da cidade, cresceu cerca de 20% só este ano, dizem os taxistas.

“Há pontos onde os clandestinos se organizam inclusive com uma lista que indica de quem é a vez de sair com passageiros”, disse o taxista Manoel Varela. Essa informação foi confirmada pela diretoria do sindicato que citou dois pontos: um na entrada do residêncial Santo Afonso, na BR 364, o outro no centro da cidade, na Av. Epaminondas Jácomes, em frente ao Colégio Meta.

“Pode ir lá agora que você vai encontrar os piratas parados no ponto. Tem linha pro segundo distrito e pra região do Calafate”, completou o também taxista Benaias Ribeiro.

A primeira denúncia da presença de carros e motos clandestinos atuando nas ruas de Rio Branco foi oficialmente encaminhada a Superintendencia de Transito de Rio Branco em 2005. De lá pra cá, segundo o sindicato poucas foram as providencias tomadas pela autarquia que fiscalização o transporte publico para combater a ilegalidade.

O que é uma milícia?
Milícia é a designação genérica das organizações militares ou paramilitares compostas por cidadãos comuns, armados ou com poder de polícia que teoricamente não integram as forças armadas de um país. As milícias podem ser organizações oficiais mantidas parcialmente com recursos do Estado e em parceria com organizações de carácter privado, muitas vezes de legalidade duvidosa. Podem ter objetivos públicos de defesa nacional ou de segurança interna, ou podem atuar na defesa de interesses particulares, com objetivos políticos e monetários. Recentemente, no Rio de Janeiro, o termo Milícia foi associado a práticas ilegais, geralmente são grupos formados em comunidades urbanas de baixa renda como conjuntos habitacionais e favelas sob a alegação de combater o crime narcotráfico porém mantendo-se com os recursos financeiros provenientes da venda de proteção da população carente e cobrança de pirataria na rede de informação,são ainda consideradas milícias todas as organizações da administração pública tercerizada e que possuam estatuto militar, não pertençam às Forças Armadas de um país, isto é, ao Exército, Marinha de Guerra ou à Força Aérea.


Jairo Barbosa
De Rio Branco para ac24horas.com
Fonte Área Central

Da série Chacinas no Pará: Seis adolescentes são assassinados pela polícia

Seis adolescentes foram executados no fim da noite de sábado, em Belém (PA). A chacina foi no distrito de Icoaraci, a cerca de 20 km do centro da cidade, a um raio de menos de 200 m de onde as vítimas moravam. Nenhum dos mortos tinha passagem pela polícia.

Quatro deles (de 12, 14, 15 e 17 anos) foram enterrados na manhã desta segunda-feira, em Icoaraci. As outras duas vítimas foram enterradas à tarde: um adolescente de 16 anos foi sepultado no município de Colares, a 90 km de Belém, e outro, de 17 anos, também em Icoaraci.

De acordo com testemunhas, a chacina foi cometida por dois homens a bordo de uma moto, que se identificaram como policiais. Eles enfileiraram os menores na calçada, de joelhos e com as mãos na cabeça, em frente a um órgão público, o Instituto de Assistência e Previdência do Município de Belém (Ipamb). Vizinhos relatam ter ouvido mais de 20 tiros.

Inicialmente após a chacina, policiais levantaram a suspeita de que os adolescentes fossem usuários de drogas e tivessem envolvimento com assaltos, o que faria o caso parecer um acerto de contas entre bandidos, crime corriqueiro em Belém. Entretanto, os parentes das vítimas ficaram revoltados com a hipótese, garantiram que todos são inocentes e levantaram indícios de que os executores teriam sido policiais ou ex-policiais.

"Os caras se apresentaram como polícia, mandaram se ajoelhar com as mãos na cabeça como polícia, usaram pistola, que é arma de polícia, e, no fim, estava passando uma viatura da PM que fez 'corpo mole' e não quis ir atrás dos suspeitos, que fugiram de moto", detalha Maria de Lourdes Barbosa, mãe de um dos adolescentes enterrados na manhã desta segunda-feira.

Pai de duas das vítimas, Carlos Alberto Gonçalves garante que nenhum dos seis adolescentes era problemático, com histórico de delitos ou usuário de drogas. "Estavam no lugar errado, na hora errada", resume.

O delegado que investiga o caso, Gilvandro Furtado, diretor da Divisão de Homicídios, confirmou que os adolescentes mortos não têm passagem pela polícia. Apenas um deles já foi citado em boletim de ocorrência, por conta de lesões corporais. Até a tarde desta segunda-feira, o delegado diz não ter suspeitas de autoria ou da motivação do crime. A desconfiança levantada pelos familiares das vítimas, de que os autores seriam policiais ou ex-policiais, não foi descartada. "Nessas horas, logo após o crime, surge todo tipo de hipótese. Com o tempo, a gente vai passando um filtro e elimina o que não procede, até chegar na verdade sobre o fato", diz Gilvandro Furtado.

Fonte Terra


Fonte: Ag Estado e Terra

sábado, 12 de novembro de 2011

Milícia do Espírito Santo tem mais dois presos em Marataízes: Batoré e Marciano






Milícia: mais dois são presos em Marataízes








Batoré e Marciano, presos na manhã de ontem

 
Marataízes,  ES - Mais dois homens foram presos em Marataízes, suspeitos de participação em uma milícia. Anderson Rodrigues Mendonça, o Batoré, e Marciano Fernandes Costa, detidos na manhã de ontem(08), são apontados como integrantes da quadrilha que seria chefiada por Gilbert Wagner Antunes Lopes, o Waguinho, ex-policial militar no Rio de Janeiro, também preso, sexta-feira passada, sob a acusação de assassinato.

Os homens pegos ontem tinham contra eles mandado de prisão temporária. A acusação também é de homicídio, crime que teria sido cometido por outra pessoa, porém sob as ordens do grupo. De acordo com o delegado Edson Lopes, as investigações apontam que Gilbert Wagner também seria diretamente responsável pela pratica do crime. Portanto, a Justiça Criminal de Marataízes decretou outro mandado de prisão contra ele.

O delegado relata que a vítima, L.C.M., era usuária de drogas e praticava pequenos furtos no município. “Foi morto pelo fato de o grupo julgar estar fazendo uma suposta limpeza social”, disse o delegado.

Prisões

Outras cinco pessoas já haviam sido presas, há duas semanas, acusadas de envolvimento com o mesmo grupo. Entre os detidos estão o guarda municipal de Cachoeiro, Tiago Martins Almeida, que está licenciado, e o empresário do setor imobiliário de Marataízes, Sandro Menezes.

Há ainda duas mulheres - Katiane Batista Leal, 18 anos, e Juliana Gonçalves Pereira Lopes, 37 anos, esposa de Waguinho - e um funcionário da Prefeitura de Marataízes, Alex da Silva Brasil, 41 anos.

Além de praticar assassinatos na região, o grupo é acusado de extorquir proprietários de terrenos, falsificar documentos, constranger e ameaçar pessoas para diversos fins e proceder cobranças. As investigações prosseguem.


Fonte: Espírito Santo de Fato

Tenente 'Robocop' da milícia da Grande Fortaleza, é preso.


 
 

Tenente 'Robocop' é preso na Grande Fortaleza

Foi preso na noite desta sexta-feira (11de nov), na Região Metropolitana, o tenente Jairo "Robocop" da Silva - demitido da Polícia Militar acusado de chefiar uma milícia no Centro de Fortaleza. O policial foi levado para a Delegacia Municipal de Pindoretama e deve ser recambiado para uma cela no 5º Batalhão da PM, na Capitão.

"Robocop" foi preso por homens do Destacamento da PM em Pindoretama, na Grande Fortaleza, no início da tarde. A prisão foi efetuada pelo cabo Jorge e pelo soldado Valdemir, sob a acusação de porte ilegal de arma. O tenente estava portando uma pistola Taurus 0.40, segundo a Polícia Militar.

Em agosto passado 'Robocop' havia sido preso por homens do Batalhão de Polícia de Choque (BpChoque) após uma perseguição e um cerco em Fortaleza.

"Robocop" estava em Cascavel

O Diário do Nordeste Online apurou que "Robocop" estava em Cascavel, também na Grande Fortaleza, e foi reconhecido por um capitão da Polícia Militar. O tenente entrou em um veículo Toyota Prado e saiu em direção a Pindoretama.

Policiais de Cascavel entraram em contato com o Destacamento de Pindoretama, a fim de pedir que os colegas abordassem o carro. Na abordagem "Robocop" não teria esboçado reação e foi para a unidade da Polícia Civil em Pindoretama.

Secretária teria sido ameaçada

A decisão de expulsar "Robocop" foi tomada pelo Comando da PM após uma investigação sobre as denúncias de que ele comandava uma milícia no Centro ligada à máfia de CDs e DVDs pirateados. Uma servidora municipal e até a titular da Secretaria Executiva Regional do Centro (Sercefor), Luiza Perdigão, teriam sido ameaçadas pela milícia.

Tenente não pode portar arma

"Robocop", apesar da decisão da PM, ainda não pode ser considerado ex-policial, porque a decisão precisa passar pelo Tribunal de Justiça. Ele hoje está afastado de suas funções e, assim, não pode mais portar arma.

Fonte: Diário do Nordeste

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Milícia armada espulsa famílias no Pará


Sob ameaças, milícia expulsa famílias de acampamento no Pará


A Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Diocese de Conceição do Araguaia (PA), o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Santa Maria das Barreiras (BA) e a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Sul do Pará (Fetagri/Sul) denunciaram mais um ato alarmante de violência relacionado com conflitos agrários na região amazônica.


Desta vez, 50 famílias acampadas na beira de uma estrada em Santa Maria de Barreiras (PA), nas proximidades da Fazenda Riachuelo, foram expulsas de forma truculenta por uma milícia armada (formada por 18 homens, alguns deles encapuzados), que teria agredido, dado tiros de intimidação e até amarrado camponesas e camponeses sem-terra – três pessoas ainda estão desaparecidas. A expulsão foi confirmada pela Polícia Civil do Pará, que investiga o caso.

O acampamento existia desde dezembro de 2010, como forma de pressionar pela desapropriação da fazenda para reforma agrária. Ainda de acordo com a CPT, a expulsão ocorreu no último dia 30 e foi feita por 18 homens armados.

As famílias relataram à Pastoral que os milicianos dispararam tiros, amarraram alguns acampados e tiraram fotos deles, ameaçando-os de morte caso retornassem. Ação semelhante, também realizada por um grupo armado, já havia ocorrido em junho deste ano, no mesmo acampamento.

A polícia irá interrogar os proprietários da fazenda Riachuelo, à qual pertence à área ocupada. As famílias não retornaram ao local.

Leia abaixo a íntegra do comunicado divulgado pelas entidades que denunciam as agressões:



Milícia armada expulsa e agride gravemente famílias acampadas em Santa Maria das Barreiras – Sul do Pará

No último dia 30 de setembro, 18 homens fortemente armados, mediante uso de violência, disparando tiros, ameaçando de morte, expulsaram cerca de 50 famílias que estavam acampadas na beira da estrada municipal que faz ligação entre o povoado de Casa de Tábua e a sede do município de Santa Maria das Barreiras. O acampamento, denominado Novo Tempo, está situado em frente à fazenda Riachuelo, de aproximadamente 1.800 alqueires, cerca de 9 mil hectares e, supostamente de propriedade dos irmãos Marcelo e Luizito Plínio Junqueira, de Ribeirão Preto – SP.


As famílias estavam acampadas naquela área desde dezembro de 2010, quando a fazenda estava praticamente abandonada. Elas pleiteiam a desapropriação do imóvel para fins de reforma agrária, com a criação de um projeto de assentamento, nos termos da Constituição Federal que assegura esse direito.


Vale lembrar que este não foi o primeiro despejo violento realizado na área. No dia 4 de junho de 2011, mais de 20 homens armados, que seriam de uma empresa de segurança, expulsaram os acampados, fazendo ameaças de morte “a quem retornasse na área”. Tais fatos foram registrados na Delegacia Especializada em Conflitos Agrários – Deca. Apesar disso, os seguranças continuaram agindo, quando novamente no dia 30 de setembro fizeram outro ataque às famílias acampadas, demonstrando se tratar de uma milícia armada criminosa.


Entretanto, utilizando a força e a violência, o grupo de pistoleiros armados expulsou novamente as famílias ali presentes, sem fazer distinção de homens ou mulheres. Os referidos pistoleiros seriam da empresa Servicom. Durante o ataque, alguns estavam encapuzados e, outros usavam coletes sem identificação à prova de balas e afirmavam que estavam agindo a mando dos fazendeiros. Eles chegaram repentinamente no acampamento, dispararam tiros contra as pessoas, agrediram vários acampados, inclusive alguns deles foram amarrados. Os pistoleiros também tiraram fotos das pessoas, colocando-as de duas em duas para a identificação das mesmas, as quais foram ameaçadas de morte, “caso retornem para o acampamento”. Várias pessoas se feriram no meio da confusão, sendo que três delas ainda estão desaparecidas.


Os acampados feridos foram atendidos nos hospitais da cidade de Redenção. Novamente foi registrado boletim de ocorrência na Deca, que disse que irá apurar o fato. Este cenário de terror está se tornando cada vez mais comum no Sul do Pará. A questão é: até quando vai prevalecer essa situação de violência e impunidade na região? Houve nesse caso, crimes graves, como tentativa de homicídio, lesão corporal, ameaças de mortes, dentre outros. Cabe à Deca investigar com rigor para punir seus autores, como medida de urgência para evitar novos ataques.


Esses fatos serão encaminhados à Ouvidoria Agrária Nacional para que se garanta uma investigação séria e rigorosa, para que os responsáveis sejam punidos.


Xinguara (PA), 5 de outubro de 2011


Comissão Pastoral da Terra – CPT da Diocese de Conceição do Araguaia
Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santa Maria das Barreiras – STTR
Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Sul do Pará – FETAGRI/ Sul




Informações da Folha de S. Paulo e do Portal da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Regional Norte 2, Pará e Amapá

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Milícia tem plano para assassinar deputado do Rio de Janeiro.




Inteligência da PM identifica plano de milícia para assassinar deputado estadual.

Marcelo Freixo investigou 225 milicianos. Serviço para matá-lo custaria R$ 400 mil.

   


Parlamentar afirma que milicianos querem dinheiro, partirão para novos negócios e que combate aos grupos ainda é ineficiente.


A Coordenadoria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro descobriu um plano para matar o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). A trama estaria sendo articulada pelo ex-cabo da Polícia Militar Carlos Ari Ribeiro, o Carlão, que, em setembro, fugiu do BEP (Batalhão Especial Prisional). O ex-PM, ligado a milicianos da zona oeste, receberia R$ 400 mil para assassinar o parlamentar. Para isso, de acordo com documento reservado da Polícia Militar, o miliciano já teria levantado toda a rotina de Freixo, sabendo até o horário em que ele dispensa os seguranças da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Marcelo Freixo, que presidiu a CPI das Milícias, denunciando 225 pessoas, entre políticos, bombeiros e policiais civis e militares, confirmou ter sido informado, na última sexta-feira (7), pelo Setor de Inteligência da PM do plano para matá-lo.

“- A diferença dessa vez é que não é mais um Disque-Denúncia e sim um documento do setor de inteligência da PM, que identificou um plano para me matar e com toda a minha rotina já levantada. Não é a primeira vez que recebo uma ameaça, mas dessa vez preocupou um pouco mais. Já conversei com a Secretaria de Segurança e recebi todas as orientações. Estou mudando a rotina e minha segurança foi reforçada”.

No mesmo dia Freixo disse ter comunicado o caso ao presidente da Alerj, deputado Paulo Melo (PMDB), que determinou reforço na segurança do parlamentar. O deputado e a investigação que comandou na Alerj contra milicianos foram reproduzidos no filme Tropa de Elite 2.

De acordo com Freixo, após a morte da juíza Patrícia Acioli, assassinada com 21 tiros no dia 11 de agosto, as ameaças contra ele triplicaram.

“- Essa nova ameaça é um sinal de que o crime organizado no Rio tenta avançar nas suas fronteiras. As milícias continuam agindo e expandindo seus negócios e territórios. É preciso mais que prisões para deter esses grupos. É preciso retirar deles as fontes de lucro.”

De acordo com investigações do Setor de Inteligência da PM, o plano para matar Freixo seria financiado pelo ex-PM Tony Ângelo de Aguiar, foragido da Justiça e atual chefe da milícia que atua em Campo Grande, na zona oeste do Rio. Ele assumiu o comando do grupo paramilitar após as prisões do ex-vereador Jerônimo Guimarães, do irmão dele, o ex-deputado estadual Natalino Guimarães e de Ricardo Teixeira da Cruz, mais conhecido como Batman.

Miliciano fugiu do BEP 

Carlão fugiu do BEP  24 horas após a Polícia Civil e a Secretaria de Segurança do Rio deflagrarem uma operação contra milicianos da zona oeste, quanto 19 pessoas foram presas – uma em flagrante. Apesar de preso na unidade desde junho de 2010, ele continuava em contato com o grupo e era um dos alvos da investigação. O ex-PM Tony Ângelo também foi um dos denunciados.

Na ocasião, o então corregedor da PM, coronel Ronaldo Menezes, disse que o ex-cabo escapou de sua cela pelo buraco do ar-condicionado, mas não explicou como o aparelho foi recolocado no local. No BEP, Carlão havia transformado sua cela em suíte, com cama de casal, ar-condicionado, TV, videogame e frigobar. Em maio, uma inspeção da corregedoria e de promotores encontrou um celular e um notebook com ele. 

O ex-cabo fugiu às vésperas de ser transferido para um presídio comum. Excluído da corporação em janeiro, ele não deveria ter continuado no BEP. O miliciano foi preso em flagrante em junho de 2010 com uma pistola que, segundo exame balístico, foi usada em diversos homicídios. Ele era lotado no Batalhão da Tijuca (6º BPM) e é suspeito de pelo menos 16 homicídios.

Fonte R7 e Agencia O Dia.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Tenente que comandava Milícia em Fortaleza é expulso da PM

Acusado de comandar milícia é expulso da PM



A decisão foi publicada esta semana no Diário Oficial do Estado. Jairo da Silva é acusado de ter comandado uma milícia que "vendia proteção" a fabricantes de CDs e DVDs piratas no Centro

 


O tenente da Polícia Militar Jairo da Silva, acusado de ter comandado uma milícia que daria proteção a fabricantes de CDs e DVDs piratas no Centro de Fortaleza, foi demitido da Polícia. A decisão foi publicada esta semana no Diário Oficial do Estado. O documento lista os motivos dele ter sido expulso.


Segundo as investigações, Jairo (conhecido como Robocop) comandava uma milícia que “vendia proteção” a fabricantes de CDs e DVDs piratas. A milícia teria pelo menos 15 integrantes. O documento cita ainda um episódio em que o ex-PM teria constrangido uma servidora pública da Secretaria Executiva Regional do Centro (Sercefor).

“Jairo compareceu fardado na sede da Sercefor, abordando a servidora de forma intimidadora sobre operação realizada no Centro, exigindo a devolução da mercadoria apreendida no box de sua mulher”, cita o documento. O ex-PM teria deixado um cartão de visita que o identificava pelo posto de tenente para ser entregue à titular da Sercefor, Luiza Perdigão.

A decisão, assinada pelo governador em exercício Domingos Filho, frisa o fato de o ex-policial usar sua patente “para intimidar pessoas e tirar vantagem em proveito próprio e de terceiros.”

Em um dos episódios, ele teria sacado uma pistola para ameaçar vigilantes que trabalhavam na transferência dos permissionários do Beco da Poeira para a nova sede, na avenida do Imperador, no Centro, em abril de 2010. Durante a transferência, o ex-PM teria roubado ventiladores dos boxes do Beco da Poeira que estavam sendo desocupados.

Em matéria publicada no O POVO do dia 25 de janeiro de 2011, Jairo negou os crimes atribuídos a ele. Mas, por orientação dos advogados, o ex-PM não entrou em detalhes sobre o caso.

O governador Cid Gomes havia determinado a investigação contra o militar em janeiro deste ano. Ele foi submetido a um Conselho de Justificação, procedimento responsável por julgar a capacidade moral de um oficial em permanecer na corporação. O conselho considerou que o ex-PM cometeu “transgressão disciplinar de natureza grave, por violar valores, deveres e a disciplina militar”.

A decisão do conselho foi publicada no Boletim do Comando Geral da PM no dia 21 de junho. O passo seguinte foi a assinatura do ato de expulsão pelo governador, publicada esta semana no Diário Oficial do Estado. O ex-PM pode entrar com recurso no Tribunal de Justiça para tentar reverter a decisão.

Em agosto, Jairo chegou a ser preso por homens do Batalhão de Choque (BpChoque). Ele já havia sido excluído da PM, mas voltou por ordem judicial. (Tiago Braga)


ENTENDA A NOTÍCIA

Jairo da Silva ingressou na Polícia Militar em 1989. O tenente foi acusado de comandar uma milícia que daria proteção a fabricantes de CDs e DVDs piratas no Centro. Após ser submetido a um Conselho de Justificação, ele foi expulso da Polícia. A decisão cabe recurso.

Saiba mais

No dia 12 de janeiro de 2011, O POVO mostrou, com exclusividade, que uma suposta milícia comandada pelo tenente da PM Jairo da Silva daria proteção a fabricantes de CDs e DVDs piratas.

O grupo também estaria ameaçando de morte a titular da Sercefor, Luíza Perdigão.

Um dia após a matéria do O POVO, a Corregedoria dos Órgãos da Segurança Pública sugeriu à PM e Polícia Civil abertura de Conselho de Justificação e inquérito civil contra o tenente.

Nove dias após O POVO revelar a suposta milícia, o secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Francisco Bezerra, determinou uma ação das polícias Militar e Civil. Em dois dias, foram apreendidos 87 mil produtos pirateados, entre CDs e DVDs.

Fonte: O POVO Online

Milícia armada ataca acampados no Pará

 

 

 

 

 

 

 

 

Milícia armada expulsa acampados com violência no Sul do Pará

 

Cerca de 50 famílias acampadas em Santa Maria de Barreiras (PA), nas proximidades da Fazenda Riachuelo, foram expulsas de forma truculenta por 18 homens, alguns deles encapuzados, com ameaças, tiros e agressões físicas


A Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Diocese de Conceição do Araguaia (PA), o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Santa Maria das Barreiras (BA) e a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Sul do Pará (Fetagri/Sul) denunciaram mais um ato alarmante de violência relacionado com conflitos agrários na região amazônica.

A íntegra da nota divulgada nesta quarta-feira (5) pelas entidades pode ser conferida no Blog da Redação da Repórter Brasil.

Desta vez, 50 famílias acampadas na beira de uma estrada em Santa Maria de Barreiras (PA), nas proximidades da Fazenda Riachuelo, foram expulsas de forma truculenta por uma milícia armada (formada por 18 homens, alguns deles encapuzados), que teria agredido, dado tiros de intimidação e até amarrado camponesas e camponeses sem-terra.

Durante a ação, os acampados receberam ameaças de morte "a quem retornasse na área". Três pessoas ainda permanecem desaparecidas. Feridos durante a expulsão foram atendidas em hospitais de Redenção (PA).

Fonte Reporter Brasil

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Milícia negocia imóveis com o governo do Rio



Milícia negocia imóveis onde vai passar novo acesso ao Engenhão



RIO - O corredor que servia de passagem para a Favela Belém Belém pela Rua das Oficinas, em frente à entrada sul do Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, foi invadido por uma milícia. No local estão sendo construídas pelo menos dez casas, que estão sendo negociadas por R$ 10 mil a unidade. Na entrada do corredor tem um portão com barras de ferro e tapumes de madeira que limita a visão e o acesso de curiosos. No final do corredor, foi construída uma parede separando as casas da favela.

Segundo informações de comerciantes e moradores do Engenho de Dentro, a invasão foi patrocinada pela milícia que também atua na favela Águia de Ouro, em Del Castilho.


As casas construídas na antiga passagem para a favela estão no meio do caminho de uma nova via de acesso ao Engenhão. A obra faz parte do pacote da prefeitura para os Jogos Olímpicos de 2016, já que o estádio receberá as provas de atletismo.

O paredão, que agora faz com que os moradores mais antigos tenham que buscar caminhos alternativos para sair da Belém-Belém não é o único sinal da ação da milícia. Há dois anos, um muro que indicava onde a favela terminava foi demolido e pelo menos outros 20 barracos foram construídos pelos milicianos. Essas casas também ficam no traçado da futura via.

    A favela terá um projeto de urbanização. Vamos reassentar os moradores em uma área disponível na própria comunidade

Os milicianos também cobram dos comerciantes do bairro R$ 10 por semana de "proteção", ao estilo da máfia. Alguns comerciantes deixaram de contribuir depois que a polícia prendeu, em julho, alguns suspeitos de integrarem a quadrilha.

A Belém-Belém surgiu há cerca de 40 anos. Os primeiros moradores eram famílias de funcionários da Rede Ferroviária Federal que trabalhavam nas oficinas de manutenção dos trens no mesmo terreno onde o Engenhão foi construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007.

O presidente da associação de moradores da favela, Argemiro Moreira, calcula que 1.800 pessoas vivam hoje em cerca de 300 casas. Ele estima que pelo menos a metade terá que ser reassentada com a realização da obra. No sábado passado, o prefeito Eduardo Paes​ esteve na favela e disse que o projeto ainda não foi detalhado.
A favela Belém-Belém: algumas casas da comunidade serão removidas porque estão no caminho da nova via de acesso ao Engenhão (Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo)

Argemiro admite a existência de novas construções. Mas afirma desconhecer de quem teria partido a iniciativa:

- A comunidade não cresceu muito nos últimos anos porque eu sempre tive a preocupação de esclarecer aos moradores que a expansão desordenada não seria boa para nós. Não sei quem fez essas casas - disse Argemiro.

O secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar, explicou que, ao contrário do que acontecerá com a Vila Autódromo, a Belém-Belém não será integralmente removida.

- A favela terá um projeto de urbanização. Vamos reassentar os moradores em uma área disponível na própria comunidade.

Bittar acrescentou que, também por conta das Olimpíadas, a prefeitura estuda reassentar parte da favela Barreira do Vasco. O secretário também prevê para dezembro o fim da remoção das casas da Favela do Metrô vizinha do estádio do Maracanã, para imóveis do Minha Casa Minha Vida, na Mangueira. O reassentamento faz parte de uma estratégia de priorizar a urbanização de comunidades no entorno de áreas da Copa de 2014 e das Olimpíadas. No caso da Barreira do Vasco, o objetivo é melhorar os acessos ao estádio de São Januário, que durante as Oimpíadas receberá as partidas de rúgbi. O número de casas a ser retiradas depende da conclusão de estudo da CET-Rio.

Publicada em 04/10/2011 às 23h50m

Por: Luiz Ermesto Magalhães (luiz.magalhães@oglobo.com.br)

Fonte: O Globonline

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Milícias: Presos PMs suspeitos do assassinato da Juíza no Rio de Janeiro.


PMs achavam que não seriam presos se matassem juíza, diz Beltrame. Crime foi premeditado, diz delegado. Prisão temporária de 3 PMs foi decretada. Armas de calibre 38 e 40 do 7º BPM (São Gonçalo) foram apreendidas.


Um mês após a juíza Patrícia Acioli ser assassinadana porta de casa, em Niterói, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou nesta segunda-feira (12) que o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes e os cabos Sergio Costa Junior e Jefferson de Araujo Miranda achavam que não seriam presos se matassem a magistrada.

Ainda de acordo com Beltrame, nesta segunda, peritos apreenderam todas as armas calibre 38 e 40 do batalhão de São Gonçalo. A polícia quer descobrir quais delas teriam sido usadas no crime. "O que interessa é a busca pela verdade. Todas as armas do 7º BPM, calibre 38 e 40, foram apreendidas. O ideal seria que não tivesse acontecido, mas em acontecendo, nós temos a obrigação de apurar", afirmou o secretário em coletiva de imprensa.

De acordo com o delegado titular da Divisão de Homicídios, Felipe Ettore, o inquérito só será concluído em 30 dias, depois que a polícia descobrir de qual arma partiu o tiro que matou a juíza. "Três policiais estão identificados, mas o sigilo ainda é uma cautela necessária para localizar a arma usada na execução. Temos a filmagem do dia do assassinato em que Patricia está sendo seguida por uma moto com duas pessoas", afirmou.

No domingo (11), a Justiça do Rio decretou a prisão temporária dos três PMs suspeitos de participar da morte de Patrícia. Os mandados de prisão foram expedidos pelo plantão judiciário de Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

Crime contra juíza foi premeditado
Os PMs do Grupo de Ações Táticas (GAT) do batalhão de São Gonçalo já estavam presos na Unidade Prisional da PM, em Benfica, na Zona Norte do Rio. Eles são acusados também de participar do assassinato de um jovem de 18 anos no dia 3 de junho, no Morro do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana.

Na época da morte do jovem, os policiais afirmaram que agiram em legítima defesa, o que não foi comprovado pelas investigações. Segundo Ettore, os três PMs foram ao Morro do Salgueiro ameaçar a família do jovem morto, mas não a encontraram. No dia 11 de julho, eles foram até a residência da juíza Patricia Acioli verificar o local, já pensando num possível assassinato, ainda de acordo com o delegado.

No dia do crime, eles receberam a informação da advogada deles de que a prisão seria decretada. Antes de Patricia deixar o Fórum de São Gonçalo, ela decidiu decretar a prisão do trio. Mas, segundo a polícia, os suspeitos não sabiam que a prisão já havia sido decretada. "A forma de impedir isso seria matando ela. Eles foram até o Fórum e seguiram Patricia até a porta da casa dela", disse Ettore.

De acordo com o presidente da Amaerj, Antônio César de Siqueira, no dia em que foram na casa da juíza (11 de julho), os três PMs usaram um carro do 12º BPM (Niterói) que não possui GPS.

Advogada de PMs é investigada
O presidente do TJ-RJ, Manoel Alberto Rebelo dos Santos, informou que a conduta da advogada dos PMs suspeitos está sendo investigada. "O MP vai verificar se a advogada dos criminosos colaborou no crime. A princípio, não vejo onde ela tenha errado ao comunicar aos seus clientes que a juíza pensava em decretar a prisão deles. É um crime que não tem relação com as ameaças anteriores. A expectativa dos policiais era de que se matassem a juíza, outro juiz não decretaria a prisão deles", disse Rebelo.

Para Rebelo, se Patricia ainda tivesse escolta possivelmente não impediria o crime. "A escolta previne, mas não evita. Se ela tivesse escolta ou não, esses elementos decidiram que iriam matá-la", afirmou o presidente do TJ-RJ.

Participaram da coletiva de imprensa a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha; o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Manoel Alberto Rebelo dos Santos; o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, desembargador Nelson Calandra; o secretário geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Fernando Florido Marcondes; o Procurador Geral de Justiça, Claudio Soares; o secretário de estado chefe da Casa Civil, Régis Fichtner; o presidente da Associação dos Magistrados do Rio (Amaerj), Antônio César de Siqueira; e o delegado da Divisão de Homicídios (DH), Felipe Ettore, responsável pelas investigações do caso. O comandante da Polícia Militar, Mário Sérgio Duarte, no entanto, não foi visto na coletiva.

A juíza Patrícia Acioli era conhecida por atuar com rigor contra grupos de extermínio que agem em São Gonçalo. Na lista de condenações há casos contra milícias e máfias dos combustíveis e dos transportes alternativos. Sem escolta policial desde 2007, ela foi morta no dia 12 de agosto, na porta de casa, em Piratininga, Niterói. Segundo a Divisão de Homicídio, ela foi vítima de uma emboscada e levou 21 tiros.

MP pede afastamento de 34 PMs
Na sexta-feira (9), o juiz Fábio Uchôa, em exercício na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, determinou que os advogados e defensores públicos dos policiais militares que respondem a processos de homicídio em autos de resistência se manifestassem sobre o pedido do Ministério Público estadual. No dia anterior, o MP requeriu o afastamento de 34 PMs que respondem a processos em São Gonçalo e pediu a prisão preventiva de 28 deles.

Segundo o juiz, a intimação da defesa dos envolvidos está prevista no Código do Processo Penal (CPP), que diz que ressalvados os casos de urgência ou de perigo de ineficácia da medida, o juiz, ao receber o pedido de medida cautelar, determinará a intimação da parte contrária.

Segundo o MP, em agosto, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Manoel Alberto Rebêlo, havia informado que solicitaria a transferência de policiais do 7ª BPM (São Gonçalo) que estivessem envolvidos em processos criminais para outros batalhões. No entanto, o Ministério Público julgou que a transferência desses agentes seria pouco eficaz.

De acordo com o procurador-geral de Justiça, Claudio Lopes, todos os 34 policiais militares passaram pelo 7ª BPM, no entanto, alguns já foram transferidos para outros batalhões. A lista de 34 agentes é parcial. Outros casos continuam sendo analisados.

Policiais afastados em Niterói
No dia 25 de agosto, cinco policiais militares do 12º BPM (Niterói), que respondem por homicídio, foram afastados das ruas. Segundo a Polícia Militar, o afastamento foi determinado pelo comandante do batalhão, tenente-coronel Paulo Henrique Moraes, em cumprimento a uma decisão judicial da Patrícia Acioli, feita pouco antes de morrer. Enquanto estiverem afastados das ruas, os cinco PMs só podem fazer trabalhos administrativos, dentro do batalhão. Ainda de acordo com a PM, eles respondem por homicídio na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, onde Patrícia atuava.

Ainda em agosto, a Polícia Militar confirmou também que o comandante da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, recebeu do Tribunal de Justiça do Rio uma lista com nomes de 91 agentes que respondem por homicídios na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo. Eles respondem a ações penais que seriam julgadas pela juíza Patricia Acioli.


Fonte: G1
Foto: Thamine Leta/G1