quarta-feira, 13 de abril de 2011

Preso PM Souza e "Deco", vereador acusado de chefiar milícia no RJ


Preso vereador acusado de chefiar milícia em Jacarepaguá

RIO, 13 de abril de 2011 - O vereador Luiz André Ferreira da Silva (PR), o Deco, foi preso na manhã desta quarta-feira durante a Operação Blecaute, uma ação conjunta da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público estadual. O vereador é acusado de chefiar um grupo paramilitar que planejou matar a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, então titular da 28ª DP (Campinho), e o deputado estadual Marcelo Freixo, que presidiu a CPI das Milícias. Deco também é conhecido como o Iluminado. 

 
A delegada Martha Rocha confirmou que o Disque Denúncia recebeu três denúncias em 2007 de um possível atentado que ela sofreria por parte de milicianos, quando era titular da 28ª DP. Uma delas informava inclusive a placa do carro da delegada. A delegada, contudo, não ligou as denúncias ao grupo detido com o vereador Deco. 

- Neste momento, eu não posso dizer se as pessoas detidas estão entre aquelas elencadas pelo Disque-Denúncia. 

Ao todo, treze pessoas tiveram as prisões decretadas, entre elas ex-militares e guardas municipais. Além do vereador, a polícia já prendeu outras duas pessoas: Edilberto Gomes Alves, o Bequinho, e Arilson Barreto das Neves, o Cabeção, presidente da associação de moradores do conjunto do Ipase, na Praça Seca.
 
 
 
Os policiais apreenderam um cofre, cordões, pulseiras e peças de ouro, além de mais de R$ 60 mil em espécie, na casa do miliciano Hélio Albino Filho, o Lica ou PM Souza, em Jacarepaguá. Ele é o segundo na hierarquia da milícia. Apesar do apelido, não é policial. 

O grupo paramilitar chefiado pelo vereador é conhecido por ameaçar, torturar, matar e desaparecer com os corpos de suas vítimas, moradores das comunidades do Bateau Mouche, Chacrinha, São José, Campinho e Fubá. Eles atuariam em pelo menos treze comunidades na Zona Oeste. Além dos mandados de prisão, estão sendo cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em diversos pontos da cidade. 

A milícia comandada por Deco dominava ainda duas associações de moradores: uma na comunidade da Chacrinha, na Praça Seca, e outra no conjunto do Ipase, cujo presidente já está preso. A líder da associação da Chacrinha é Maria Ivonete Santana Madureira, que está sendo procurada. 

O grupo cobra 'taxa' mensal dos moradores, acrescentando que aqueles que os desafiam sofrem represálias e são expulsos de suas residências. Os milicianos estariam ainda tomando posse de vários terrenos que pertencem à prefeitura e estão sendo loteados e vendidos. 

Por ser vereador, Deco teve a denúncia assinada pelo procurador-geral de Justiça Cláudio Lopes e pelo subprocurador de Atribuição Originária Institucional e Judicial Antonio José Campos Moreira.Todas as medidas foram deferidas pela Seção Criminal do Tribunal de Justiça. 

A operação está sendo realizada com apoio da Subsecretaria de Inteligência, da Subprocuradoria-Geral de Justiça e do Gaeco, do Ministério Público, e da Corregedoria Geral Unificada. Cerca de 80 pessoas participam da operação.

Os procurados pela Operação Blecaute:




Fonte O Globo.
Foto O Globo

Marcelo Freixo ameaçado mais uma vez pelas milícias do Rio de Janeiro

 

Milícia que atua em bairros e favelas do Rio é acusada ameaçar autoridades




Marcelo Freixo presidiu a CPI das Milícias, na Assembleia Legislativa do Rio.





A milícia, que atua em quatro bairros e 13 favelas da Zona Norte do Rio também, é acusada de fazer ameaças a autoridades de segurança e do Legislativo no Rio. De acordo com a polícia, o grupo que explora negócios como a venda clandestina de gás e máquinas caça-niqueis, fez ameaças contra a vida do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que presidiu a CPI das Milícias, na Assembleia Legislativa do Rio. O mesmo bando também é acusado de fazer ameças a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha. Batizada com o nome de Operação Blecaute, a ação para desarticular o bando conta com 80 homens da Polícia Civil.

Operação blecaute

Vereador Luiz André Ferreira da Silva é preso em ação policial contra milícia na Zona Oeste do Rio. Entre os procurados estão ex-PMs e guardas municipais.




Por Marcos Nunes
Fonte: Extra e radio Globo
Foto: Marcos Tristão / O Globo

terça-feira, 12 de abril de 2011

Polícia apresenta dupla suspeita de envolvimento em milícia no RJ



Polícia apresenta dupla suspeita de envolvimento em milícia no RJ


Milicianos são presos em Mesquita



Rio, 12 de abril de 2010 - Policiais da 53ª DP (Mesquita) prenderam, nesta terça-feira, Paulo César do Prado Pires, o Paulo Segurança, 57 anos, e o tio dele, Aluísio do Prado Pires Junior, 30. Os dois seriam membros de um grupo de milicianos que agia no entorno do Cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Edson Passos, cobrando ‘pedágio’ de R$ 15 a moradores e R$ 25 a comerciantes, a título de suposta segurança.

Contra eles pesa também a acusação na morte do comerciário Marco Antônio Leite pereira, 28. O crime aconteceu no dia 13 de fevereiro, dentro de uma floricultura, em frente ao Jardim da Saudade, onde a vítima trabalhava. Foi o próprio Marco Antônio, que, antes de morrer no Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, apontou Paulo Segurança e o tio como os assassinos. Ele contou à polícia que os dois usavam um moto, de cor preta, e que foi o carona, Paulo Segurança, quem lhes desferiu três tiros na cabeça.

“A gente também está investigando o envolvimento dos dois acusados com grupo de extermínio, que agia na região impondo sua marca no territorial”, contou o delegado. Com Paulo, a polícia apreendeu um revólver calibre 38, vários talões de cobrança de ‘pedágio’ e uma camisa preta com a inscrição “Segurança” e “Apoio”.

Indiciados por crime de homicídio qualificado, Paulo Segurança e Aluísio Junior vão responder também por extorsão. “Vamos chamar para depor pessoas, cujos nomes  aparecem nos recibos”, anunciou Júlio da Silva. A polícia tem informações de que a dupla  pagando pela segurança aos acusados.

A polícia investiga ainda o possível envolvimento de outras pessoas, inclusive policiais, com o bando. Paulo Segurança, que também responderá por porte indevido de arma de fogo, e Aluísio estão com prisão temporária decretada pela 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu. Eles foram presos, dormindo, em casa, no bairro Vila Emil, sem oferecer resistência.

Por Geraldo Perelo

Fonte: O Dia
Foto: O Dia

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Integrantes de uma das maiores milícias do Rio são condenados com a ajuda de milícia rival




Integrantes de uma das maiores milícias do Rio são condenados com a ajuda de milícia rival


Grupo comandado pelo ex-PM conhecido por Chico Bala atuava na zona oeste e colaborou com a polícia para acabar com quadrilha rival

Rio de Janeiro, 14/03/2011 - A juíza Alessandra Bilac Moreira Pinto, da 42ª Vara Criminal da capital do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, condenou nesta segunda-feira (14) quatro integrantes de uma das principais milícias que atuava na zona oeste da cidade pelo crime de formação de quadrilha.

Apontado como o chefe do grupo, o ex-PM Francisco César Silva de Oliveira, o Chico Bala, foi sentenciado a 12 anos de reclusão. Os também ex-policiais Herbert Canjijo da Silva, o Escangalhado, e Alexandre da Silva Monteiro, o Popeye, foram condenados a dez anos. Já Anderson da Conceição Severo, conhecido como Severo, pegou oito anos. Para todos os quatro, que já estão presos, a pena terá que ser cumprida em regime fechado.

Segundo a denúncia do Ministério Público estadual, os quatro faziam parte da quadrilha que atuava desde 2005 nos bairros de Campo Grande, Santa Cruz e adjacências. As investigações indicam que eles atuavam na exploração do transporte alternativo de passageiros, cobrança coercitiva de “taxa de segurança” de comerciantes e a redistribuição ilícita de sinais de transmissão de canais de televisão (conhecida como “gatonet”).

Ainda de acordo com a Promotoria, Chico Bala, Escangalhado e Popeye passaram a auxiliar a Polícia Civil no desmantelamento de uma organização criminosa concorrente atuando como informantes na 35ª DP (Campo Grande) e participando de operações de campo. O objetivo era enfraquecer a milícia rival e assumir o comando da região.

“A intenção da quadrilha ora investigada era evidente e não podia ser diferente ante ao histórico de seus integrantes. Com o enfraquecimento da quadrilha concorrente, houve a deflagração de uma guerrilha urbana sem precedentes, caracterizada pela audácia e violência dos ataques empreendidos de parte a parte e pelo absoluto desprezo ao patrimônio, à integridade física e à vida da população das localidades dominadas, mantida como refém e impotente espectadora do embate entre as duas facções antagônicas”, destacou.

A magistrada também ressaltou, baseada nas alegações finais do Ministério Público, que a milícia comandada por Chico Bala foi gestado e fortalecido no interior da própria 35ª DP.

“O apoio fornecido a Chico Bala e aos demais integrantes de sua quadrilha pelos responsáveis pelo aparelho da segurança pública de nosso Estado mostrou-se decisivo para a consecução dos objetivos do grupo, qual seja, a retomada do território que em algum momento passou a ser dominado pelos seus rivais”.

Para a juíza, "era impossível" que a autoridade policial e seus superiores não soubessem das atividades anteriormente desenvolvidas por seus “informantes”.

Fonte: IG Ultimo Segundo

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Milícias do Rio de Janeiro: Chiquinho Grandão, vereador acusado de envolvimento com milícia no RJ pede liberdade
















Chiquinho Grandão, vereador acusado de envolvimento com milícia no RJ pede liberdade


Brasília, 07/04/2011 - A defesa do vereador Sebastião Ferreira da Silva, conhecido como Chiquinho Grandão, do município de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro (RJ), ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) Habeas Corpus (HC 107864), com pedido de liminar, para que ele possa aguardar em liberdade o julgamento de ação penal. A defesa alega não estarem presentes os requisitos para a prisão preventiva decretada em dezembro de 2010.

Inicialmente, a defesa do vereador sustenta que ele foi acusado de ter cometido o crime de formação de quadrilha (artigo 288, do Código Penal). Porém, alega que o delito não previa a decretação da prisão temporária e, por isso, o Ministério Público do Rio de Janeiro teria imputado a ele o artigo 8º da Lei 8.072/90, transformando o suposto crime cometido pelo vereador em associação para cometimento de crimes hediondos e, com isso, foi decretada sua prisão preventiva.

O advogado afirma que não ficou evidenciada a existência dos requisitos previstos para a decretação da prisão preventiva, (artigo 312, do Código de Processo Penal) e, por isso, alega que o TJ-RJ não fundamentou sua decisão, “se restringindo, tão somente, a copiar as alegações do Ministério Público Estadual”.

A defesa do vereador impetrou HC no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que teve liminar indeferida. Para o STJ, a prisão cautelar de Sebastião Ferreira e de outro vereador também acusado no caso foi devidamente fundamentada e, conforme destacado pelo Ministério Público, a deflagração da ação penal importará na “tentativa desesperada” dos vereadores em livrar-se dos vestígios do crime. Por isso, entende que a prisão cautelar de ambos poderá diminuir os danos e riscos em relação ao processo, permitindo colheita de provas. A decisão afirma ainda que “em liberdade, os denunciados retornarão à prática dos crimes”, principalmente com relação ao “tráfico de drogas nas comunidades carentes”.

No STF, o advogado argumenta que a prisão cautelar tem como pressuposto legitimador “a existência de situação de real necessidade” e acrescenta que a manutenção da prisão só se justificaria se motivada por fato posterior que se “ajustasse concretamente a qualquer das hipóteses referidas no artigo 312 do CPP, circunstância esta que não se demonstrou ocorrente na espécie”.

A defesa pede a concessão de liminar para que o vereador possa aguardar em liberdade o julgamento do processo, por não estarem presentes os requisitos para a prisão preventiva e, no mérito, tornar definitiva a revogação da prisão preventiva.

Fonte: STF

Vídeo do momento da prisão do vereador Chiquinho Grandão:

terça-feira, 5 de abril de 2011

Quando se discute milícia, está se discutindo a segurança pública do Rio








Quando se discute milícia, está se discutindo a segurança pública do Rio




Entrevista com Marcelo Freixo

 
Marcelo Freixo é professor de História e deputado estadual pelo PSOL do RIo de Janeiro. Antes de ser eleito deputado, foi pesquisador da ONG Justiça Global e consultor do deputado federal Chico Alencar na área de Direitos Humanos. Coordenou projetos educativos no sistema penitenciário, e foi coordenador da Comissão de Direitos Humanos da Alerj de 1999 a 2002. Em 2008, presidiu a CPI das Milícias da Alerj cujo objetivo foi investigar a ação desses grupos no Rio de Janeiro.

Em entrevista ao boletim Busca Avançada, Freixo explica a importância de se investigar as ações das milícias no estado.

O que justifica a realização de uma CPI?

Bom, primeiro um esclarecimento. Eu fiz o requerimento para esta CPI em fevereiro de 2007. Quando ocorreu a tortura dos jornalistas de O Dia, já havia o pedido de uma CPI há mais de um ano na casa. Foi o primeiro ato do nosso mandato no entendimento de que essa organização criminosa já representava o que havia de mais grave na área de segurança pública.

As milícias têm oito anos de existência - pelo menos na maneira como estão organizadas agora - principalmente no que diz respeito à busca de sua representatividade política, do seu "braço político". Esses grupos cresceram muito nos últimos anos em função da conivência do poder público, tanto municipal, quanto estadual.

Vocês lembram que em 2006 tivemos um final de ano muito complicado no Rio de Janeiro com a queima de ônibus, conflitos envolvendo milícia, área de varejo da droga, com declarações do prefeito de que as milícias eram auto-defesas comunitárias, que aquilo era um avanço. Havia claramente uma necessidade de investigar melhor o que significavam essas milícias e como era o seu  braço político. Como tinha vereadores e deputados eleitos em um projeto de expansão clara, já arquitetavam candidaturas à prefeitura, candidaturas ao Senado. Ou seja, era um grupo de poder cada vez mais viável, cada vez mais forte, e a gente entendia que precisava usar o instrumento mais poderoso do legislativo que é a CPI.

Como a CPI das Milícias dialoga com as investigações da Polícia Civil?

Isso é fundamental. Primeiro porque o papel da CPI não é substituir a ação policial, não é fazer investigação policial. Pelo contrário, o trabalho da CPI tem que ser de parceria. Temos um diálogo muito amplo com o poder público de maneira geral. O nosso papel é fazer um diagnóstico da situação das milícias: O que são, seu enraizamento no poder público, como operam, qual é o tamanho que esse grupo, qual é a sua extensão, e quais são os seus mecanismos de fortalecimento econômico e político.

Eu conversei com a superintendência da Polícia Federal para saber como tratava de algumas áreas que esbarrava na esfera federal. Dialogamos com a polícia civil, principalmente com o Cláudio Ferraz da Draco, que é a delegacia hoje da Polícia Civil que concentra as investigações e a ação de enfrentamento as milícias.

Conversamos com a Secretaria de Administração Penitenciária que também tem um serviço de inteligência, que também nos enviou o material. Conversamos com o Comando da Polícia Militar, que também já nos enviou tudo o que eles têm. Conversamos com o Comando do Corpo de Bombeiros.

Porque na formação da ação miliciana tem bombeiros, tem agentes penitenciários, tem policiais militares, tem policiais civis, e essas corporações têm seus procedimentos internos, têm suas informações, e a gente está recolhendo de todas as áreas.

Conversamos com o TRE também. Porque como a milícia tem o braço político, estamos usando o mapa eleitoral para confrontar com o mapa de milícias que a polícia tem.

Como a CPI das Milícias incide na política de segurança pública?

Na verdade, a CPI das Milícias não incide sobre a política de segurança pública. Mas, quando se faz um diagnóstico das milícias, inevitavelmente acabamos tendo que fazer um diagnóstico do quanto o poder público falhou para que esses grupos crescessem tanto. Quando se discute milícia, está se discutindo a segurança pública do Rio.

Não tem como falar do enfrentamento da milícia e não falar da fragilidade dos setores de ouvidoria, por exemplo, da fragilidade das corregedorias, da formação policial. Não tem como, de alguma maneira, caracterizar que a milícia é resultado da irresponsabilidade política de alguns governos que olharam para a milícia como um mal menor.

Por outro lado, a estrutura de segurança pública absurdamente precária favoreceu muito a formação dessas milícias. Salários baixos, formação precária de policiais, falta de controle social desses policiais, tudo isso dá condição estrutural para que os agentes públicos se envolvam com milícia.

O governo forneceu a mão-de-obra pela sua política de segurança que desvaloriza o policial e ao mesmo tempo sustentou ideologicamente essa ação miliciana. Tanto o governo estadual quanto o municipal são os grandes responsáveis pelo crescimento desses grupos que exercem atividades econômicas lucrativas que vão do domínio da van ao domínio do "gatonet", do gás, em alguns lugares, controle de água, e em outros, grilagem.

Ao fazer o diagnóstico das milícias, a CPI esbarra em uma crítica profunda a uma política de segurança pública que é absolutamente equivocada (ponto de vista do presidente e não da CPI), calcada na lógica da guerra - no que o governador chama de enfrentamento, mas que na verdade é o combate -, e aí você tem uma polícia que mata em índices inaceitáveis, que morre em índices inaceitáveis, e que tem uma condição de trabalho, uma estrutura de trabalho absolutamente aviltante. Isso é um fomento para os grupos milicianos.

Como se dá a atuação das milícias?

As milícias não operam da mesma forma em todos os lugares, não têm um padrão unificado. Todas trabalham com extorsão, domínio de território e grupo armado. Todas controladas por agentes públicos. Em alguns lugares tem taxa de venda e compra de imóvel e em outros não. Em alguns lugares o morador tem carro e paga uma taxa de segurança maior do que aquele que não tem carro.

Em alguns lugares é só comerciante que paga a taxa de segurança, em outros, morador também paga. O valor da taxa também varia de um lugar para o outro. Até porque não são os mesmos donos, não há necessariamente uma rede entre esses milicianos construída, ainda bem. Pelo contrário às vezes há disputa entre eles.

E qual a especificidade que o Disque-Milícia tem que não é coberto pelo Disque-Denúncia?

O Disque-Milícia foi criado pela CPI e o controle é da CPI. Ele funciona dentro da Assembléia Legislativa, com operadores da nossa confiança. Não dependemos de um órgão, então o dado é 100% confiável. Temos uma média de 25 denúncias formalizadas por dia. E muito válidas. Nós montamos uma equipe de inteligência para trabalhar com esses dados. Temos policiais de setores de inteligência trabalhando exclusivamente na CPI, montando um mapa de informação que traz informação específica. As informações que chegam do Disque-Milícia batem perfeitamente com informações oficiais que a gente recebe. Pelo Disque-Milícia recebemos informações sobre o eixo econômico, o eixo político, sobre os integrantes, de como operam.

O conteúdo do Disque-Milícia que chega é compartilhado com as outras instituições?

Não. Por enquanto não. A gente tem um acordo com o Cláudio Ferraz. Se recebemos um telefonema dizendo que uma pessoa está sendo torturada nesse momento por milicianos, não vai sair um grupo de deputados para ir lá. Isso não é o trabalho dos deputados. Aí a gente informa a Draco e eles vão até lá. As informações do Disque-Milícia vão compor o relatório final da CPI, que aí vai chegar ao Ministério Público.

Como o senhor vê o fenômeno das milícias a partir das relações entre política, economia e o aparato policial?

Milícia é um grupo criminoso, ou seja, opera algum crime, atividade criminosa formada e comandada por agentes públicos - fundamentalmente policiais, agentes penitenciários e bombeiros - que dominam o território e têm um braço armado. Uma parte grande dos integrantes de milícia não é necessariamente do aparato policial. Tem inclusive ex-traficantes. Não é um grupo miliciano que toma uma região que era do tráfico, quem toma é o batalhão.

Assim: tem uma área que é do tráfico, quem toma essa área é o batalhão, a polícia que entra e tira o tráfico. E fica a milícia porque tem acordo. A milícia organiza a comunidade no sentido de controle absoluto, é a lógica é do terror. Mas a lógica do projeto é econômica, não é política. Agora, quando você busca riqueza, quanto mais perto do poder você estiver, melhor. Então a perspectiva de poder é conseqüência do projeto econômico.  

E como é que você vê essa questão de a gente não ter milícia na Zona Sul e só na Baixada e na Zona Oeste?

Na minha casa, eu moro em Niterói, bateu na minha casa um senhor e falou: "Olha eu tenho uma guarita na esquina da minha casa." Aí o cara falou: "Olha, eu, a gente é da segurança particular e a gente quer saber se você quer contribuir 100 reais por mês?" Eu falei não. Não quero. "Ah muito obrigado." E saiu, eu não ganhei um tiro na cara, ele não ameaçou meu filho, não tirou minha casa. Isso não é milícia. É diferente. Mas ele pode chegar um dia e falar: "É melhor o senhor dar!" Se eu não tiver a quem recorrer e tiver que dar a prática da milícia está se aproximando. Isso pode acontecer? Pode. É mais difícil? É. Pela questão geográfica, pela questão econômica, pela questão política, pelo aspecto social, por tudo o que divide o Rio.

Até porque se você quiser substituir um grupo de segurança privada também é complicado.

É complicado, mas não é a mesma coisa que milícia. Operam de maneira diferente. Mas se não forem enfrentados agora, daqui a pouco eles não estão elegendo vereador, eles estão elegendo senadores, prefeitos, e aí é claro, vai expandir, vai avançar, eu não tenho dúvida. Ou enfrenta agora, ou daqui a pouco é melhor a gente, ou compactuar ou sair do Rio de Janeiro, é a alternativa que vai sobrar.

Leia no Comunidade Segura a matéria sobre a CPI das Milícias "Combate às milícias ganha projeção nacional"


Fonte: Comnidade Segura

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Milícias no Rio Grande do Sul: Governo teria sido avisado sobre milícia em Jaguarão que ameaçou estudante universitário baiano

 

Milícia no Rio Grande do Sul: Governo teria sido avisado sobre milícia em Jaguarão

Estudante baiano afirma ter sido agredido por policiais em 5 de fevereiro


Ao lado, cópia de uma das cartas ameaçavam estudante baiano



A suspeita da existência de uma milícia de policiais militares em Jaguarão, no Sul do Estado, teria sido informada ao secretário estadual de Segurança Pública, Airton Michels, no início do governo, há três meses. Uma sindicância na Corregedoria da Brigada Militar foi aberta e o Ministério Público da cidade, acionado. A atuação da suposta milícia veio a público após a denúncia do estudante de História da Unipampa, o baiano Helder Santos, 25 anos. Ele afirma ter sido agredido por policiais em 5 de fevereiro.

Uma correspondência foi enviada por alguém que se dizia soldado da Brigada Militar (BM) informando sobre a milícia. Airton Michels afirma que a situação preocupa, em especial porque Jaguarão é área de fronteira, local comum de tráfico internacional de drogas e armas.

A ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, se reunirá nesta terça-feira com o governador Tarso Genro para discutir formas efetivas de barrar práticas abusivas das forças policiais contra a comunidade negra. Nesta manhã, ela teve um encontro com o vice-governador, Beto Grill. Ele afirma, no entanto, que é difícil que o Estado consiga evitar esse tipo de situação, por se tratar da conduta individual de cada servidor.

Entre os casos discutidos, estão o racismo praticado contra Helder Santos, bem como a morte do boxeador Tairone Silva em Osório pelo policial militar Alexandre Camargo Abe, no início deste mês, e as denúncias de tortura a um jovem do Quilombo Silva em agosto do ano passado.

Helder continua na Capital, aguardando que o Ministério da Educação transfira sua matrícula da Unipampa para a Universidade Federal do Recôncavo Bahiano. A situação comoveu uma moradora da Região Metropolitana de Porto Alegre. Ela procurou a TV Record oferecendo estadia na casa onde vive com a filha ao rapaz. A agente administrativa, de 62 anos, diz que não faltará apoio ao jovem, caso ele aceite a oferta.




 


 O jornal Correio, da Bahia, descreve assim o drama do estudante:

Estudante baiano abandona universidade após denunciar agressão e racismo de PMs

Helder Santos, 25, estudava história na Unipampa, no Rio Grande do Sul

O estudante Helder Santos, 25, não vai trazer na bagagem de volta à Bahia o diploma do curso de história da Unipampa, no Rio Grande do Sul. Ele foi obrigado a abandonar o curso no 3º semestre e deixar a cidade de Jaguarão, no sul do estado, após sofrer ameaças de morte em cartas supostamente enviadas por policiais da Brigada Militar da cidade. Helder denunciou ter sido vítima de racismo e agressão por policiais da Brigada.

A primeira carta anônima chegou à casa do estudante de Feira de Santana após ele denunciar na Corregedoria da Polícia e na rádio local que tinha sido agredido e chamado de 'negro vagabundo' ao tentar defender um amigo de uma abordagem policial. Helder foi agredido na barriga e no ombro por um dos policiais e em seguida detido acusado de desacato.

Se a primeira carta aconselhava o estudante a deixar a cidade para sua própria segurança, a segunda assustou Helder pelo conteúdo e pelas ameaças. "Eram muito agressivos, me chamavam de 'baiano fedido', 'nego sujo', 'volta pra tua terra, baiano'. Pensei que se levasse as cartas à público eles não tentariam fazer nada contra mim", contou o estudante.

Em um dos trechos, o texto diz: “Se tu for lá na Brigada e falar a verdade e me caguetar no meu processo, eu vou te cobrir de porrada. No carnaval, tu escapou, mas dei um jeito de embolachar teu amiguinho Seco Edson sem sujar as mãos. Deixamos a cara dele mais feia e preta que a tua, seu otário”.

Após as denúncias, as ameaças aumentaram. "Eles começaram a passar na porta da minha casa com a viatura ligada, várias vezes ao dia. Passavam bem devagar e, no início pensei que era apenas para me intimidar", contou o estudante de Porto Alegre, para onde se mudou após as ameças.

O estudante deve voltar à Bahia na próxima semana e tenta transferência para outra universidade. "Vou tentar me transferir para a Universidade Federal do Recôncavo. Estou na casa de um amigo esperando alguma posição".

O caso está sendo investigado pela Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, ligada à Presidência da República, e pela Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Procurado pelo CORREIO, o comandante da Brigada Militar de Jaguarão, major José Antônio Ferreira, não foi encontrado para dar esclarecimentos sobre a acusação e não retornou às ligações.

"Eu estava concretizando tantos sonhos, minha casa estava toda mobiliada, minha vida estava toda estruturada. Deixei a Bahia só para estudar, fiz 'Livro de Ouro' para juntar dinheiro, passei listinha entre amigos que me ajudaram a comprar a passagem. Comecei a trabalhar na prefeitura, atuava com um trabalho voluntário na comunidade quilombola, com os presos, e estou saindo daqui sem nada", disse o estudante por telefone”


Fonte: Correio do Povo (RS)  e Correio 24 Horas (BA)

domingo, 3 de abril de 2011

Polícia prende “Betão”, acusado de integrar milícia na Baixada Fluminense









Polícia prende “Betão”, acusado de integrar milícia na Baixada Fluminense




Rio, 01/04/2011 - Policiais da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) prenderam na manhã desta quinta-feira um homem acusado de ser um dos líderes de uma quadrilha de milicianos que atua na Baixada Fluminense.

Roberto Berko de Araújo, 29 anos, é conhecido como "Betão" e contra ele já havia três mandados de prisão pendentes por homicídio.

De acordo com a Polícia Civil, Betão tem ligação com a milícia Águia de Mirra e responde a 34 inquéritos na 54ª DP (Belford Roxo).

Fonte O Dia
Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia

domingo, 27 de março de 2011

Polícia prende “Xande”, suspeito de integrar milícia na Zona Oeste
















Polícia prende “Xande”, suspeito de integrar milícia na Zona Oeste

Rio, 26  março 2011 - Policiais civis da 35ª DP (Campo Grande) prenderam Alexandre Nunes de Oliveira, o “Xande”, 30 anos, suspeito de integrar uma milícia na Zona Oeste.

Segundo a corporação, ele foi encontrado em um carro, na porta de uma faculdade, na Estrada do Cabuçu, em Campo Grande, quando buscava a namorada.

Ainda de acordo com a polícia, o bandido foi localizado após denúncia. Dentro do veículo foram apreendidos uma pistola 45, três carregadores, uma carteira falsa de Policial Militar e cheques em branco. A polícia acredita que ele atuava na comunidade Arnaldo Eugênio, em Lins de Vasconcelos


Fonte O Globo.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Milícias e malícias da história

 



Milícias e malícias da história




Milícias, exércitos particulares, guardas elitizados e clandestinos custeados pelo desconforto e pela insegurança geral sempre foi um mau presságio pois foi exatamente assim que sedimentou na Alemanha após a primeira Grande Guerra Mundial  a ideologia nacional-socialista, o que vulgarmente chamamos de nazismo.

Também naquele tempo, representantes do povo se envolviam diretamente na formação e no desenvolvimento das milícias que muitas das vezes agradavam a opinião popular e galgavam respeito e o temor dos cidadãos.

Se percorrermos o grande túnel do tempo, ainda podemos detectar na Santa Inquisição slogans justificadores da prática das milícias: “Matamos por um bem maior”.

Mas uma coisa temos que entender: que o direito a associação e à livre reunião exercido por qualquer cidadão, não  pode por si só caracterizar a formação de milícia, que em geral seguem estatutos bem similares aos militares, com hierarquias, e valores éticos paritários.

Embora, sejam de legalidade discutível e, por vezes, mal intencionadas, transformando a segurança pública de um local ou comunidade nenhum rendoso negócio.

A complexidade do problema social, político e jurídico da questão só faz evidenciar que o povo é refém do medo e do poderio do Estado paralelo.

O curioso que a milícia traça um particular código de condutas alheio à legalidade, a moralidade e, mesmo a supremacia do interesse público. Montam tribunais de julgamento sumário e, outros requintes. Não raramente usam de tortura e extorsão entre seus métodos mais cotidianos.

A questão da imunidade parlamentar e prerrogativa de julgamento perante o TJ deverá tornar ainda mais relevante as questões jurídicas envolvidas.

Outro busilis é a admoestação de jornalistas por parte de milícias, que utilizam torturas para evitar que esses  possam informar a real situação em que se encontram as comunidades e, sua submissão às ordens e tarifações milicianas.

Recentemente o TJ carioca decidiu sobre aceitar a denúncia contra os acusados de formação de milícia, e a principal polêmica surgiu exatamente  que entre os desembargadores que terminou com o seguinte placar: quatorze desembargadores votaram pelo recebimento da denúncia enquanto que sete optaram por converter o julgamento em diligência.

Trocando em miúdos: Para haver a legítima instauração do processo penal precisamos de certeza da materialidade delitiva (ou seja, identificarmos nitidamente que houve CRIME) e, ainda, a indicação de autoria.

Ou seja, hesitaram os desembargadores se havia PROVAS suficientes para aceitarem a denúncia, ou se precisavam de MAIORES diligências para colher provas suficientes para instaurar o processo penal.

Lembremos que um dos primaciais princípios do processo penal é a presuntiva inocência do  réu, o que acarreta que IN DUBIO pro reu... ou seja, na dúvida, se absolve o réu...

 Complementando vale o adágio popular: todo mundo é inocente até que se prove O CONTRÁRIO.

O correto mesmo  é instaurar o processo penal realmente embasado em provas sólidas e suficientes, isso até porque estamos diante do Estado de Direito... e o devido processo deve ser observado SEMPRE.

Outro fator que agrava as controvérsias é que são vários os possíveis autores, ou seja, os criminosos, o que carreia a necessidade de MAIOR número de provas.

Os chamados “homens da lei” não distam muito dos homens que transgridem a lei, e cometem crimes , formam quadrilhas e impérios criminosos... a milícia não pode ser encarada como melhor que o tráfico, mas pode legitimar sua atuação através dos agentes do Estado e autoridades competentes e,  por uma polícia bem equipada, bem remunerada, e recebendo constante treinamento e aporte técnico adequado para atuar nas situações de conflito principalmente nas comunidades carentes. Principalmente por um polícia que atua dentro dos estritos limites da lei.

Mas, precisamos preservar a integridade e idoneidade do processo penal a ser instaurado, pois quanto maior for o conteúdo probatório , maior a probabilidade de condenar os verdadeiros culpados e responsáveis pelos crimes cometidos pelas milícias.

Apontou recentemente em entrevista ao ODIA o Delegado -titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), Claudio Ferraz(Delegacia de Repressão às Ações Criminosas e Inquéritos Especiais)  in verbis: “que certas irregularidades nutrem ainda mais a criação das milícias tais como o transporte alternativo não regulamentado, desvio de sinal a cabo, e tantas outras práticas que esquadrinham um ciclo vicioso de ilegalidade e crueldade(...).”

De qualquer maneira, a milícia armada incide em crimes como: tortura, seqüestro e cárcere privado, roubo, formação de quadrilha, extorsão. Enfim, representa crime organizado que só pode ser combatido com Estado eficiente, munido de Judiciário, de Polícia e de Executivo capazes de amparar o cidadão e, coibir a prática criminosa e, o avanço do chamado Estado paralelo.

O Estado paralelo só tem vez quando o Poder constituído estatal que tem legitimidade para atuar é negligente, omisso ou desidioso. Do contrário, não surge nem a oportunidade e nem a razão para este existir e lucrar.

(Gisele Leite)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Operação 'Los Gatos' apreende central de gatonet em Belford Roxo





Equipamento apreendido / Foto: Divulgação 3ª DPJM 


 
Paula Bianchi
 
Batizada de ‘Los Gatos’, uma ação do Grupo de Operações de Inteligência da Corregedoria (Goic) em conjunto com o Grupo de Serviços Disciplinares, pertencentes a 3ª DPJM, apreendeu na madrugada de hoje uma central de gatonet com aproximadamente dois mil “assinantes” em Belford Roxo. Apenas o equipamento é avaliado em R$ 25 mil.

Segundo a 3ª DPMJ, a operação é uma forma de eliminar os meio de arrecadação da milícia que cobraria cerca de R$ 35 por assinante. A central abastecia parte dos bairros Heliópolis e Nova Aurora. Um suspeito foi detido para esclarecimentos e a Polícia acredita que o gatonet pertença a um morador identificado como “Xandão”.

Fonte e foto: Jornal EXTRA

sábado, 5 de março de 2011

Milícias e posição do Exército Brasileiro: "Faz sentido denúncia premiada na polícia"

 




Faz sentido denúncia premiada na polícia


Rio de Janeiro, 04 Mar 2011 - Há quem identifique nos grupos de extermínio que operavam na Baixada Fluminense nas décadas de 60 e 70 a origem das milícias. Neles também atuavam policiais, a soldo de comerciantes. No Rio, há registros de que, no início da década de 80, moradores da favela Rio das Pedras se organizaram com o mesmo objetivo. Depois, a eles se juntaram policiais.

A favela ganhou fama de local seguro, e alguns analistas e políticos chegaram a pensar que a organização de moradores, com a ajuda de policiais, garantiria a paz nas comunidades mais pobres. Houve quem lembrasse da criação, na Colômbia, das "forças de autodefesa", nas quais moradores do interior se organizaram para enfrentar guerrilheiros das Farc e o tráfico. Naquele país, a milícia degenerou em grupos paramilitares tão perigosos quanto os guerrilheiros e traficantes. E no final paramilitares e guerrilheiros passaram a atuar no tráfico. O mesmo processo degenerativo ocorrido na Colômbia aconteceu no Rio. Com a adesão de policiais, bombeiros e agentes penitenciários - da ativa ou não -, as milícias ganharam em poder, tomaram favelas do tráfico e passaram elas a subjugar as comunidades. Há negócios, inclusive, entre o tráfico e milícias.

O que era, para alguns, uma solução promissora virou um monstro tão ou mais perigoso que o próprio tráfico, porque ele tem ramificações no aparelho de segurança pública. Reportagem publicada domingo pelo GLOBO sobre o até então território livre para milicianos em Ramos, na área do Piscinão, mostrou a diversidade de negócios ilegais explorados pelos bandidos de farda e distintivos: estacionamento clandestino, ambulantes, numa rede com articulações com o presidente da associação de moradores local, Jaime Felipe Silveira, também administrador do Piscinão, de propriedade da prefeitura. Ele foi afastado do cargo, mas é ilusão crer que a medida - necessária - resolveu o problema.

A questão das milícias voltou com força a partir da Operação Guilhotina, desfechada pela Polícia Federal contra a banda podre das polícias. O resultado, até agora, da ação cirúrgica traçou um quadro de cores fortes da degradação na Polícia Militar e na Civil. Ficou evidente que a outra face desta banda podre são as milícias. Informações colhidas na investigação mapearam articulações de milicianos até na alta cúpula do aparato de segurança pública. Chamou a atenção que um dos apanhados tenha sido o delegado Carlos Alberto Oliveira, ex-subchefe operacional da Polícia Civil e subsecretário de Operações da Secretaria Especial de Ordem Pública da prefeitura do Rio. Também ficaram claras articulações políticas de milicianos. Não há mais dúvida que, dada a contaminação das polícias pelo crime, a limpeza dos aparelhos policiais é vital para a consolidação da política de segurança centrada nas UPPs, um modelo de combate ao tráfico e de defesa das comunidades com inédito apoio unânime da população.

Pela importância do que está em jogo, faz sentido a proposta do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, de ser aplicado o método de denúncia premiada para policiais - o denunciante de colegas receberá alguma atenuação, se também for culpado. O mesmo foi aplicado na Itália na luta contra as máfias. É do que se trata no Rio de Janeiro.

Fonte: Exército Brasileiro
Foto: O Globonline

http://www.exercito.gov.br/web/guest/o-exercito

sexta-feira, 4 de março de 2011

RJ: Milícia atravessa o samba em Bento Ribeiro



Milicianos estariam cobrando taxa para permitir que barraqueiros se instalem em Bento Ribeiro durante o carnaval







RIO, 04 março 2011 - Um grupo paramilitar atravessa o samba no carnaval de rua de Bento Ribeiro. A milícia chefiada por um sargento da PM estaria cobrando taxa de R$ 400 para permitir a instalação de barracas num trecho de 800 metros da rua Carolina Machado, próximo à estação ferroviária do bairro. Moradores da localidade afirmam que os milicianos fazem a cobrança em nome da Subprefeitura da Zona Norte. Procurado pela reportagem, o subprefeito André Luiz dos Santos informou, por meio da assessoria, que a cobrança é ilegal e orientou os moradores a denunciar o grupo à polícia.

André dos Santos também colocou-se à disposição para atender na sede da subprefeitura os prejudicados pelo esquema ilegal. Segundo sua assessoria, a subprefeitura não cobra nenhuma taxa para autorizar a instalação de barracas. A organização do carnaval de rua fica por conta das associações, que devem solicitar autorização e seguir as regras da prefeitura para realizar os eventos.

Moradores têm medo de denunciar o grupo

Moradores ouvidos pela reportagem argumentam que alguns dos PMs envolvidos na milícia atuam no 9º BPM (Rocha Miranda), unidade responsável pelo patrulhamento da região. Por isso, eles temem recorrer ao batalhão para denunciar o grupo, que tem à frente um sargento citado no relatório da CPI das Milícias. O PM chegou a responder um inquérito policial militar (IPM), que acabou arquivado por falta de provas:

- Esse sargento mora da Barra da Tijuca, anda em carro importado com seguranças armados. Quem vai ter coragem de denunciá-lo no batalhão? É triste, mas o carnaval de rua de Bento Ribeiro acabou graças a esses milicianos - lamentou o morador do bairro, que, por motivos óbvios, pediu anonimato para dar as declarações.

A equipe do GLOBO esteve no trecho rua Carolina Machado, onde estão sendo montadas as barracas da festa de Bento Ribeiro. No local, um dos organizadores negou a cobrança de taxa aos barraqueiros. Segundo Carlos Augusto Alves da Silva, que se identificou como diretor da associação de moradores do bairro, nenhum barraqueiro foi obrigado a pagar para trabalhar na festa. A associação local já foi presidida pelo vereador Fausto Alves, preso em fevereiro, pela Divisão de Homicídios (DH) sob acusação de ter sido o mandante do assassinato do cabo eleitoral Marcelo Siqueira Lopes, no ano passado.

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Por Sérgio Ramalho
Fonte O Globo