sábado, 21 de junho de 2008

FAVELA ETERNIT PROTESTA CONTRA MILÍCIAS


Moradores queimam três ônibus e um carro contra atuação de milícias na Favela Eternit.



RIO - Moradores da Favela Eternit, em Barros Filho, na Zona Norte, fizeram uma manifestação contra a atuação de milicianos na comunidade na tarde deste sábado. Três ônibus e um carro foram queimados, e o trânsito chegou a ficar interditado na Estrada João Paulo. Apesar disso, ninguém ficou ferido.

De acordo com a polícia, o protesto começou depois da morte de um traficante da comunidade. O milicianos são acusados de serem os autores do crime.

Moradores da região ficaram muito assustados. Um carro teria sido queimado na frente da casa de uma família que estava com uma criança de colo. Eles tiveram que sair pelo telhado para não serem atingidos pelas chamas.

Equipes do Corpo de Bombeiros de Ricardo de Albuquerque, Irajá e Guadalupe estiveram no local para controlar a situação. Foram queimados dois coletivos da empresa Vila Real e outro da Urbanil, além de um Pálio vermelho.


Fonte Globo Online






Jovens são baleados no Chapéu Mangueira e traficante ameaça moradores



Três jovens foram baleados, na tarde deste sábado, durante um tiroteio no Morro do Chapéu Mangueira, no Leme, na Zona Sul do Rio. As vítimas foram encaminhadas para o Hospital Miguel Couto, na Gávea. A equipe do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae) está reforçando o policiamento no local e, segundo moradores, José Ricardo Ribeiro Rosa, traficante conhecido como Cágado, que seria o chefe do tráfico na comunidade, chegou a ameaçar a população:

"Quem tiver que se recolher, que se recolha, porque vou correr atrás do meu prejuízo ainda hoje", teria declarado.

De acordo com reportagem publicada na edição deste domingo do jornal 'O Globo', há pelo menos um mês, a disputa pelos pontos de venda de drogas nos morros da Babilônia e do Chapéu Mangueira se intensificou e o bairro virou refém da violência: traficantes com fuzis e granadas vêm de várias partes da cidade e até de outros municípios da Baixada Fluminense, para lutar pelo domínio das favelas. O risco de uma nova guerra é iminente.

Na última segunda-feira, policiais da 57ª DP (Nilópolis) apreenderam na mata no alto do Chapéu Mangueira 21 granadas, quatro pistolas, uma metralhadora, uma escopeta calibre 12, três radiotransmissores, munição de vários calibres e carregadores. O material teria sido levado para lá por traficantes da Vila Norma, em São João de Meriti, para reforçar a quadrilha que já está na mata pronta para enfrentar o inimigo comum: o bando de Cágado. Cria do Chapéu Mangueira, ele rompeu com a facção que dominava a favela - a mesma que controla o Complexo do Alemão - e assumiu o controle das bocas-de-fumo em 22 de maio passado.

Desde o início dos conflitos, já passaram pelas matas da região armas, munição e traficantes das três facções que disputam a venda de drogas no Rio, vindos de favelas como Rocinha, Pavão-Pavãozinho, Serrinha (Madureira), Vigário Geral, Mangueira, Nova Holanda, Mineira (Catumbi), Alemão, Dique (em Caxias) e Vila Norma.


Fonte O Globo online

POLÍCIA CONTINUA NA MIRA DAS MILÍCIAS DO RIO


PM apreende explosivos para suposto ataque a delegacia



Bombas e metralhadora foram encontradas graças a uma denúncia anônima.

Artefato tinha nome de uma facção crimonosa e da DP que seria o alvo.


Policiais militares do 27º Batalhão (Santa Cruz) apreenderam na madrugada deste sábado (21) armas e explosivos de fabricação caseira que, segundo uma denúncia anônima, seriam usados em ataque à 36ª DP (Santa Cruz).

Três bombas de fabricação caseira, duas espingardas e uma metralhadora foram descobertas depois de uma perseguição a um veículo suspeito na Avenida Antares, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio.

Num dos explosivos, feito a partir de um extintor de incêndio, estava escrito o nome de uma facção criminosa e o número “36ª”, numa provável alusão à delegacia que seria alvo do ataque.

Os supostos criminosos que conduziam o veículo correram para dentro da favela, abandonando o carro, e conseguiram fugir dos policiais.

A denúncia anônima foi feita à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas e de Inquéritos Especiais (Draco), que acionou a PM para que o policiamento fosse reforçado na região do possível ataque.

A polícia ainda não sabe dizer se a ação criminosa tem relação com o ataque realizado no dia 11 de junho, quando atiraram uma bomba contra a delegacia de polícia de Campo Grande, Zona Oeste do Rio.

Segundo a PM, no entanto, um dos explosivos era feito a partir de material semelhante ao do último ataque: extintor de incêndio.


Fonte G1

sexta-feira, 20 de junho de 2008

BALA PERDIDA NO RIO: 8 MORTOS EM 75 FERIDOS NO PRIMEIRO TRIMESTRE


Em três meses, 75 pessoas foram atingidas por balas perdidas no Rio



De acordo com relatório divulgado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), na tarde desta sexta-feira, 75 pessoas foram vítimas de balas perdidas, sendo oito delas fatais, durante o primeiro trimestre deste ano.

Em relação ao mesmo período do ano passado, observou-se uma redução de 20,2%, o que equivale a 19 casos a menos. No primeiro trimestre de 2007, 94 foram baleadas e sete morreram.

Na análise, pesquisadores levantaram algumas características das vítimas (sexo e idade), bem como identificar o local do fato e observar se há menção a algum evento nas proximidades, tais como: ação policial, ação de criminosos ou ainda outros, de natureza diversa como festas, disparos contra terceiros e roubos.


Fonte: Instituto de Segurança Pública RJ.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

TRAFICANTES DA MINEIRA CIRCULAM COMO DONOS DO PEDAÇO



Traficantes circulam armados livremente no Morro da Mineira




Laudo detalha torturas sofridas pelos jovens entregues por militares a traficantes.

Segundo Secretaria de Segurança, depoimentos devem ajudar a identificar assassinos.


Cinco dias depois dos assassinatos dos três jovens do Morro da Providência entregues por militares a traficantes do Morro da Mineira, suspeitos continuavam andando livremente armados na favela onde o grupo foi morto.


Ainda não foram feitas operações para buscar os responsáveis pelo crime e, nos principais acessos à favela, não foi encontrado nenhum carro da polícia na manhã desta quinta-feira (19).

A Secretaria de Segurança informou que não há necessidade de reforço no policiamento da área.


'Quero justiça', diz mãe de vítima

A mãe de um dos rapazes quer rezar uma missa no alto da Mineira, onde o filho foi torturado e assassinado. De acordo com testemunhas, Marcos Paulo da Silva Correia, de 17 anos, David Wilson Florência, 24, e Wellington Gonzaga da Costa, 19, voltavam de um baile funk no sábado (14) quando foram detidos por militares e levados aos traficantes.

Lilian Gonzaga, mãe de Wellington, diz aceitar o pedido de desculpas do ministro da Defesa Nelson Jobim. "Quero justiça e punição. Senão eles vão fazer isso com outros", desabafou.


Laudo confirma tortura

Segundo o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros, David teve um dos braços quase decepado, além de também ter sido baleado, e o menor, que levou um tiro no peito, foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no domingo (15) no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

De acordo com a polícia, os chefes do tráfico do Morro da Mineira, Anderson Rocha Mendonça, conhecido como Coelho, e Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, teriam ordenado o assassinado dos jovens.

Contra os dois há três mandados de prisão por homicídio. As investigações tentam descobrir agora se um corpo encontrado na quarta-feira (18) na favela é do traficante que teria negociado com os militares.

Identificação

Os depoimentos dos militares, segundo a Secretaria de Segurança Pública, devem facilitar a identificação dos bandidos. Na quarta, a chefia de Polícia Civil determinou que o caso fosse desmembrado em dois inquéritos para facilitar a identificação.

Fonte G1

CIDINHA CAMPOS E O DISCURSO CONTRA ALVARO LINS NA ALERJ




Discurso da deputada Cidinha Campos
(PDT):






"Sr. Presidente, Sra. e Srs. Deputados, o que eu tenho a dizer não é tão grande que eu não pudesse usar um aparte para fazê-lo, mas eu achei que seria tirar o tempo do debate que está se ouvindo aqui, porque tem sido muito bonito, E eu quero cumprimentar o Deputado Paulo Ramos - não é sempre que eu faço isso, não é, deputado? - pelo seu discurso desta tribuna.

Falou-se muito aqui, Sr. Presidente, sobre estado de direito. Acho que do estado de direito já se falou demais. Nós temos que falar do Estado direito. O Estado direito é aquele em que o deputado trabalha, vive com o seu salário, não rouba de ninguém, não tira dinheiro da escola de criança. Esse é o Estado direito!

Não vou fazer nenhuma análise jurídica. Eu vejo com espanto que na hora de defender um deputado, vão procurar na Constituição o amparo para livrá-lo de uma punição. Mas esse deputado, que foi Chefe da Polícia deste Estado do Rio, não respeitou nem o Código Penal, nem o Código Civil. Nada! Na hora de se defender, todos buscam a legalidade ideal: a Constituição Federal, que ninguém respeita.

Esta Casa, é claro, tem competência para tirá-lo do xadrez, mas não tem legitimidade. Sabe por que, Sr. Presidente? Porque 40% desta Casa estão envolvidos com a marginalidade: 40% de uma casa política envolvidos com bolsa-escola, máfia dos combustíveis, assassinato, grupo de extermínio, extorsão, milícia e tráfico. Que legitimidade tem esta Casa para dizer que ele tem que sair da prisão? Estão votando em causa própria! “É ele hoje, sou eu amanhã” – como já disseram aqui uma vez.

Então, qualquer que seja esse resultado, e eu já sei qual será, como sabia que ele ia ser preso – e V. Exa. é testemunha que eu sabia que ele ia ser preso - como sei que outros serão. Serão presos e nós nos vamos enfraquecendo a cada passo. As argolas que querem tirar do pé do Álvaro Lins já estão chegando aos nossos pés, porque nós estamos implantando no Poder Legislativo do Estado do Rio de Janeiro o poder da bandidagem, da falcatrua, da falta de respeito à população e ao direito do Estado, ao Estado direito.

Sr. Presidente, eu trouxe documentos aqui. Tem gravação. Eu tenho a degravação completa da investigação da Poeira no Asfalto. O chefe do gabinete do Dr. Álvaro Lins tratando da falcatrua que ia fazer naquele direito especial do imposto do ICMS que o Garotinho ia botar. Ele não está sendo julgado por isso, mas também será e nós vamos perder o bonde da história, porque ele é o principal envolvido na máfia dos combustíveis. Mas como é que vai votar esta Casa? Dos oito presos, um é funcionário daqui. A mulher do Sr. Álvaro Lins, a ex, é funcionária da Casa, e os outros, os demais, todos foram homenageados pela Casa, todos os bandidos receberam moção desta Casa, alguns receberam três ou quatro. Mas que moral tem um Deputado que dá moção para esses bandidos? E eu não estou nem falando do Álvaro Lins, que recebeu a Medalha Tiradentes e outras coisas, estou falando dos “inhos” todos. Bandidos pés-de-chinelo que receberam moção, medalha de diversos Deputados, a maioria de Deputados também envolvidos em outras denúncias de corrupção.

Eu acho, Sr. Presidente, que é um discurso perdido. Quando a gente se opõe ao sistema, porque isso virou um sistema, chega a ser perda de tempo. Mas o que estou fazendo aqui se eu não fico pelo menos indignada com o que está acontecendo? Então, eu sei que ele vai sair por aquela porta, vai usar os instrumentos que tem, como disse bem o Sr. Deputado Paulo Ramos, como ex-Secretário de Segurança Pública, para desvirtuar a investigação. E não é só ele, são dois ex-Secretários, ele e o Ricardo Hallack, que é outro bandido de primeira classe muito homenageado nesta Casa.

É um discurso vazio. É um discurso que não vai dar em nada.

Pode sair, Sr. Deputado Álvaro Lins! A Casa é sua"


......... *** ........


Disseram NÃO à liberação do deputado Álvaro Lins e honraram cada voto recebido de seus eleitores os deputados:

1 - Alcides Rolim (PT)

2 - Alessandro Molon (PT)

3 - Cidinha Campos (PDT)

4 - Comte Bittencourt (PPS)

5 - Fernando Gusmão (PCdoB)

6 - Flavio Bolsonaro (PP)

7 - Gilberto Palmares (PT)

8 - Inês Pandeló (PT)

9 - Marcelo Freixo (PSOL)

10 - Nilton Salomão (PMDB)

11 - Olney Botelho (PDT)

12 - Paulo Ramos (PDT)

13 - Rodrigo Neves (PT)

14 - Sabino (PSC)

15 - Wagner Montes (PDT)


Votaram a favor da libertação de Lins

1 - Alessandro Calazans PMN

2 - Anabal PHS

3 - Aparecida Gama PMDB

4 - Atila Nunes DEM

5- Audir Santana PSC

6 - Beatriz Santos PRB

7 - Chiquinho da Mangueira PMDB

8 - Coronel Jairo PSC

9 - Délio Cesar Leal PMDB

10 - Dica PMDB

11 - Dionisio Lins PP

12 - Domingos Brazão PMDB

13 - Dr. Wilson Cabral PSB

14 - Edino Fonseca PR

15 - Edson Albertassi PMDB

16 - Fábio Silva PMDB

17 - Geraldo Moreira da Silva PMN

18 - Gerson Bergher PSDB

19 - Glauco Lopes PSDB

20 - Graça Matos PMDB

21- Iranildo Campos PTB

22 - João Pedro Figueira DEM

23 - João Peixoto PSDC

24 - Jorge Babu PT

25 - Jorge Picciani PMDB

26 - Luiz Paulo PSDB

27 - Marcelo Simão PHS

28 - Marco Figueiredo PSC

29 - Marcus Vinicius PTB

30 - Mario Marques PSDB

31 - Natalino DEM

32 - Paulo Melo PMDB

33 - Pedro Paulo PSDB

34 - Rafael Aloisio Freitas DEM

35 - Rogerio Cabral PSB

36 - Ronaldo Carlos de Medeiros PSB

37 - Sheila Gama PDT

38 - Sula Do Carmo PMDB

39 - Tucalo PSC

40 - Waldeth Brasiel PR



Faltaram à sessão:

1 - Alair Correa (PMDB)

2 - Altineu Cortes (PT)

3 - Alvaro Lins (PMDB)

4 - André Corrêa (PPS)

5 - André do PV

6 - Armando José (PSB)

7 - Graça Pereira (DEM)

8 - Jodenir Soares (PTdoB)

9 - José Távora (DEM)

10 - José Nader (PTB)

11 - Marcos Abrahão (PSL)

12 - Nelson Gonlçalves (PMDB)

13 - Pedro Augusto (PMDB)

14 - Roberto Dinamite (PMDB)

15 - Zito (PSDB)




quarta-feira, 18 de junho de 2008

JUÍZA MANDA EXÉRCITO SAIR DA FAVELA



Juíza manda soldados do Exército saírem do Morro da Providência



Magistrada da 18ª. Vara Federal transfere segurança para Força Nacional.

Pessoal de engenharia pode ficar no local; cabe recurso da União.

A juíza Regina Coeli Medeiros de Carvalho, da 18ª. Vara Federal do Rio de Janeiro, aceitou o pedido da Defensoria Pública da União para a retirada imediata dos soldados do Exército do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio. Em sua decisão, a juíza determina que o pessoal de engenharia do Exército continue trabalhando, mas o patrulhamento deve ser feito pela Força Nacional de Segurança. Como a decisão é de primeira instância, a União pode apresentar recurso.

A polêmica sobre a permanência dos militares na Providência começou quando, no sábado (14), três jovens moradores da favela sumiram e seus corpos foram encontrados no dia seguinte em um lixão, em Caxias, na Baixada Fluminense. Onze militares estão sendo acusados de terem levados os rapazes a traficantes de um morro controlado por traficantes rivais aos da quadrilha da Providência.

A ação civil pública da Defensoria pede a retirada imediata das tropas do Exército, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. O pedido é apoiado na Constituição Federal, que “não traz qualquer autorização para o exercício da segurança pública por parte do Exército”.

Ao deferir o pedido, a juíza determina a manutenção do “pessoal técnico-militar colaborador do projeto Cimento Social, impondo-se a imediata substituição dos militares pela Força Nacional de Tarefa, em efetivo suficiente ao resguardo da segurança”. A Advocacia Geral da União deverá cumprir imediatamente a decisão, diz a titular da 18ª. Vara Federal.

O Exército divulgou nota, na terça-feira (17), afirmando que sua ação na favela não é uma operação em prol da segurança pública, portanto não estaria se desviando de suas funções constitucionais.

A nota informa que o Exército participa na comunidade de uma ação subsidiária, que está entre as missões constitucionais atribuídas à Força.

“Estas ações são em apoio a diferentes níveis de governo, por meio de celebração de convênios ou acordos entre seus representantes”, diz o comunicado.

O Ministério da Defesa e o Comando do Exército informaram ao G1, na noite desta quarta-feira (18), que ainda não foram informados oficialmente da decisão da juíza.


Fonte G1

RIO NÃO É COLÔMBIA


Militares na Segurança Pública do Rio: é preciso muita cautela



Por Milton Corrêa da Costa*

O emprego de militares das Forças Armadas, no campo da segurança pública, só se justifica para por fim à grave perturbação da ordem pública, conforme previsto no texto constitucional, com a decretação, pelo Presidente da República, da intervenção federal sobre a autonomia do estado-membro, ou no caso previsto na Lei Complementar 097/99, após esgotados, pelo estado, todos os instrumentos destinados à preservação da ordem pública . Neste caso terá que existir pedido formal emanado do chefe do poder executivo estadual, situação em que a lei estabelece que o controle das operações, para garantia da lei e da ordem, será transferido então para a força federal. Em se tratando, obviamente, de operações em terra o comando das medidas preventivas e repressivas caberá ao Exército. Isso significa dizer que o aparelho de segurança do estado passa então a subordinar-se ao comando militar da área.

Numa situação de quadro ainda mais grave, de iminente estabilidade institucional, a Constituição Federal prevê, como salvaguardas, o estado de defesa e até mesmo a decretação do estado de sítio. No estado defesa, caso previsto no artigo 136 da Constituição, decretado no prazo máximo de 30 dias, prorrogável por uma só vez, deve o Presidente da República submeter o ato, dentro de 24 horas, ao Congresso Nacional que decidirá pela sua aprovação ou não.

Observa-se então que a atuação Forças Armadas no campo da segurança república é mais delicada do que possa imaginar, sendo estas destinadas constitucionalmente `a defesa da pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. O que ocorreu, por exemplo, no final de 1994 e inicio de 95, no desencadeamento da chamada Operação Rio, onde as forças federais atuaram operativamente no asfalto e em morros e favelas, com subordinação das forças de segurança do estado ao Exército, não foi ato objeto de legítima intervenção federal, mas pura iniciativa da União, tendo sido chamada aquela intervenção branca pelos estudiosos na época de "ingerência consentida".

Há que se ter em mente então que sem o necessário respaldo jurídico constitui risco iminente qualquer atuação de integrantes das Forças Armadas na segurança pública, devendo ser ressaltado, por exemplo, que o superior hierárquico não poderá determinar ao subordinado que elimine o "inimigo", com numa situação de guerra, pois também responderá pela autoria do crime. No campo da segurança pública a responsabilidade é individual, Cada um responde por sua ação ou omissão. Detalhe: até hoje alguns militares respondem judicialmente por atos praticados durante intervenções realizadas na área de segurança pública no Rio de Janeiro tempos atrás.

No caso atual do Morro da Providência, no Rio, a atuação do Exército se prende, pura e simplesmente, às missões (inusitadas) de guarda e proteção de bens e serviços ora executados pelo governo federal na reurbanização daquela localidade, situação esta, em sendo a área sujeita a permanente tensão pela ação de narcotraficantes, que evidentemente coloca em risco a atuação de militares na missão extra- muros. Precisam estar bem instruídos para a difícil e complexa missão. Ainda que a cautela recomende aguardar primeiramente a apuração dos fatos, o recente episódio que envolve três jovens residentes naquela localidade, em ocorrência com a intervenção e participação de militares, demonstra, inequivocamente, a complexidade da atuação das forças de segurança, em áreas conflagradas pelo tráfico, num estado democrático de direito, quer sejam elas forças federais e estaduais que ali atuem.

É bom que fique claro, muito embora ainda imaginem alguns estrategistas, que o Rio não é a Colômbia nem tampouco o Haiti. Nem sempre as mesmas soluções aqui se aplicam. A criminalidade do Rio é atípica, portanto caso de difícil e complexa solução. É necessário estar preparado técnica e psicologicamente para atuar de forma equilibrada par intervir em locais de difícil acesso, em morros e favelas, em presença de civis, respeitando os limites da lei e da legítima defesa, num quadro de legalidade ordinária, dentro de um estado democrático de direito.

Que sejam alertados portando os bravos soldados de Caxias.


*Milton Corrêa da Costa é Tenente Coronel PM do Rio e estudioso em segurança pública


Fonte O Globo

ASSASSINATO DE CRIANÇA POBRE NÃO DÁ IBOPE




Moradores da Cidade de Deus protestam após criança ser baleada




Eles estão na Estrada do Gabinal





Rio - Moradores da Favela Cidade de Deus, em Jacarepaguá, Zona Oeste, fazem uma grande manifestação na Estrada do Gabinal, próximo ao acesso à Linha Amarela, na tarde desta quarta-feira. Parte da pista está interditada, o que prejudica o trânsito.

Eles protestam após um confronto na comunidade, na noite desta terça-feira, quando Brian da Silva Alves, 8 anos, foi baleado no abdômen e na cabeça. A criança foi transferida do Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, Zona Oeste, nesta madrugada, para o Hospital Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul, onde está internada no CTI em estado grave.

O confronto entre PMs e traficantes começou por volta das 21h30. Márcio Gomes da Silva, 29 anos, acusado de integrar o tráfico no local, foi baleado e morreu no Hospital Lourenço Jorge.

Segundo policiais do 18º BPM (Jacarepaguá), Márcio portava uma pistola calibre 9mm, que foi apreendida. Os PMs disseram que ele estava em liberdade condicional.

Além da arma, foram encontrados na favela, após a troca de tiros, quatro rádios-transmissores, três telefones celulares e pedras de crack. O material foi levado para a 32ª DP (Jacarepaguá), que registrou a ocorrência.

O tiroteio começou quando uma patrulha checava denúncia anônima sobre venda de drogas, sendo surpreendida por bandidos na localidade conhecida como Brooklin. Brian caminhava perto dali quando foi alvejado. Nenhum criminoso foi preso na ação.

Fonte O Dia

OPERAÇÃO DE GUERRA AUTORIZADA NOS GUETOS




Uso de ‘snipers’ e granadas

Exército nega, mas documento revela planejamento de ações de segurança pública na Providência


Rio - O Exército omitiu que faria operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e de Segurança Pública no Morro da Providência, medida que contraria recomendação do próprio Estado-Maior da força, divulgada em maio do ano passado em um simpósio. No dia 12 de dezembro de 2007, a Seção de Comunicação Social do CML divulgou informe no qual dizia que a ocupação na Providência faria parte de um “acordo de cooperação técnica”, com o objetivo de revitalizar fachadas e telhados de moradias.

Sobre a atuação na segurança pública, o Exército divulgou na nota que, “durante o prazo que durar a realização das obras de revitalização das casas populares no contexto do Projeto Cimento Social, o Grupamento de Unidades Escola/9ª Brigada de Infantaria Motorizada estabelecerá a segurança do canteiro de obras, em coordenação com os órgãos encarregados da Segurança Pública do Rio de Janeiro”.

No entanto, documento confidencial a que O DIA teve acesso revela que o Exército se preparou o tempo todo para uma ação de polícia, o que, segundo a Constituição, é ilegal. Ontem, o Comando do Exército em Brasília ainda divulgou nota informando que a operação não era “em prol da Segurança Pública”.

No documento, assinado pelo general Williams Soares, da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, são descritos equipamentos a serem usados, modos de operação e armamentos — entre eles granadas ofensivas, pistolas e fuzis. E mais: “Poderá ser empregado o Caçador ou Atirador de Escol (Sniper)”, avisa um dos trechos do planejamento operacional.

Em outro trecho, os soldados são orientados a, no caso de haver corpos depois de confrontos, “evitar que sejam feitas imagens por parte da imprensa”.

FORÇAS ARMADAS

Segundo o artigo 144 da Constituição — que completa 20 anos em outubro —, cabe ao Estado garantir e administrar a segurança pública. Apenas a decretação de intervenção federal autoriza as Forças Armadas a atuarem em funções de polícia — Garantia da Lei e da Ordem. A Lei Complementar 117, de 2004, ainda prevê o uso das Forças Armadas quando o governo estadual se declara incapaz de prover a segurança pública — aí as forças federais entram, mas “de forma episódica, em área previamente estabelecida e por tempo limitado”, em “ações de caráter preventivo e repressivo necessárias para assegurar o resultado das operações na garantia da lei e da ordem”.

O deputado Raul Jungmann, presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara, disse que a comissão externa que será criada para investigar as mortes dos três jovens vai solicitar uma cópia do documento obtido por O DIA. “Vou apresentar ao Congresso Nacional uma proposta de regulamentação definitiva da GLO, do jeito que está cria lacunas. As Forças Armadas acabam sendo usadas de forma casuística e uma instituição permanente é exposta”, declarou Jungmann.


Fonte O Dia.

APAGÃO CARCERÁRIO



Na última semana de maio o Jornal da Globo exibiu uma série de reportagens que denunciou o Apagão Carcerário . Uma CPI percorreu quase todos estados brasileiros para levantar o problema.

O repórter Fábio William adianta as propostas do relatório que vai ser apresentado nesta quarta-feira na Câmara, quando os deputados também vão publicar uma lista dos piores presídios do Brasil.


JG: Você acha que aqui dentro você se recupera e você não volta para o crime?
Preso: Não , não vou recuperar não, não vou recuperar não.

Foi o que também constatou a CPI do sistema carcerário da Câmara dos Deputados. Foram 10 meses de investigação e visitas a 60 presídios e cadeias em 18 estados.

A comissão constatou que no Brasil apenas 20% dos presos trabalham e só 13% estudam. Muitos detentos já deveriam estar nas ruas.

“Estou preso há dois anos e três meses e nunca recebi uma sentença", diz um preso.

Mais de 40% dos presos no país ainda não foram julgados. Faltam defensores públicos, sobram queixas.

Preso: Eu não tenho advogado, não tenho uma pessoa que lute por mim. Não tenho uma assistência, uma assistência pra chamar nós, ninguém, não tenho ninguém.

A comissão vai apresentar um ranking das piores prisões brasileiras. Na lista, a Colônia Penal Agrícola de Campo Grande, Mato Grosso do Sul; o Presídio Central de Porto Alegre; Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador; Penitenciária Vicente Piragibe, no Rio de Janeiro; Centro de Detenção Provisória Pinheiros 1, de São Paulo e o Segundo Distrito de Contagem , Minas Gerais. Depois da visita da CPI, o governo mineiro fechou uma carceragem para reformas.

“O nosso sistema hoje está praticamente falido. Uma pessoa entra para o sistema, convivendo em um lugar sem trabalho, sem qualquer tipo de assistência, seja médica, odontológica, psicológica, esta pessoa só tende a piorar”, diz Juarez de Azevedo, juiz de execuções penais.

A CPI vai fazer sugestões no relatório final. Entre elas, que o Fundo Penitenciário não seja contingenciado pelo governo, que seja criado um IDH, Índice de Desenvolvimento Humano do sistema carcerário e que haja um estatuto penitenciário para normatizar e tirar do diretor o poder de ditar as regras dentro do presídio.

“Em algumas unidades prisionais o diretor, por exemplo, entende que não deve entrar visita íntima, em alguns presídios é proibida a entrada de alimentação, em outros pode entrar até com 20 quilos de alimento em cada um, em outros presídios não é proibido entrar nada, em alguns tem até mercearia para a venda de cigarro de bebida, de material de higiene dentro das unidades prisionais”, diz o deputado Neucimar Fraga (PR-ES), presidente da CPI do Sistema Carcerário.

A CPI também vai recomendar ao Conselho Nacional de Justiça que investigue os tribunais sobre a demora na divulgação de sentenças.

Nos casos considerados mais graves pela CPI, o relatório vai propor o indiciamento de autoridades. Em pelo menos cinco estados, juízes, secretários de segurança, diretores de presídio e advogados vão ser responsabilizados diretamente pelo caos no sistema penitenciário.

O relator da CPI apresenta nesta quarta-feira o relatório. Para ele o maior problema é a falta de cumprimento da lei de execuções penais. Situação que precisa ser mudada.

"O caos vai existir, a segurança pública vai continuar penando porque boa parte dos crimes praticados fora dos presídios é comandado de dentro das cadeias. Ou a sociedade brasileira cuida dos seus presos, ou então vamos continuar pagando em vidas, em impostos desviados e em patrimônio", fala Domingos Dutra (PT-MA), relator CPI do sistema Carcerário.


Fonte: Jornal da Globo

POBRES EM ESTADO DE SÍTIO NO RIO DE JANEIRO


Irmãs de vítimas se sentem ameaçadas com presença dos soldados



Segundo elas, militares devem sair do Morro, onde eles não são bem aceitos.

E dizem que crime não foi um caso isolado: violência acontece desde ano passado.


Abaladas com a morte dos três jovens do Morro da Providência, as irmãs de duas vítimas e uma vizinha próxima às famílias afirmam que se sentem ameaçadas pela ocupação do Exército e contam que têm a impressão de que os soldados que estão no Morro da Providência “debocham” do fato.

Nascida e criada na comunidade há 45 anos, Rosiete Marinho, vizinha das vítimas, conta que viu os jovens serem espancados e explica como ainda conseguiu socorrer dois deles. “Os militares já chegaram batendo. Eles estavam irados, numa revolta muito grande. Mas um (dos jovens) eu botei pra correr e o outro escondi na minha casa.”

Fato não foi um caso isolado, diz vizinha

Segundo ela, a violência contra os moradores da comunidade acontece desde novembro do ano passado e a morte dos jovens não foi um caso isolado. “Nós já estamos sendo violentados há muito tempo, com espancamentos, arrogância, prisões indevidas e agora as mortes dos meninos pelo Exército. Hoje nós estamos vivendo uma vida massacrada, não podemos ter atitude, temos horário para entrar e sair, uma vida ridícula, sobressaltados com medo de eles invadirem nossa casa.”

Rosiete fala também que, apesar do crime, soldados que seguem ocupando o morro não parecem se importar com a morte dos jovens. “Eles cantam e dançam, parecem até que tripudiam da nossa dor. Desde o início, o Exército vem maltratando outros moradores. Eles mexem com as moças que chegam da escola à noite. Com medo muitos (moradores) dormem em outros lugares e só voltam para casa na manhã do dia seguinte”, relata.

Segunda vítima da violência na família

Irmã de Wellington Gonzaga da Costa, Érica Gonzaga de Souza quer que o Exército deixe o Morro da Providência. “A comunidade ficou revoltada nesse caso que aconteceu. Todo mundo quer a retirada do Exército da comunidade porque pode acontecer de novo e as mães estão com medo que aconteça com seus filhos”.

Mãe de três meninas, Érica conta que o irmão era apegado às sobrinhas, que perderam o pai cedo. “Ele queria dar o exemplo para elas.” Aos 26 anos, ela diz que essa não é a primeira vez que sente a perda de um familiar próximo. “Perdi um irmão há 11 anos de bala perdida, no Centro. Minha mãe está muito abalada porque já teve uma perda.”

Érica nega que Wellington tivesse passagem pela polícia - diferentemente do que afirma a polícia - e diz que, após trabalhar como entregador de pizza e numa papelaria, seu irmão estava desempregado havia um mês, mas estava animado para trabalhar na obra social da comunidade.

Ela descreve Wellington como um jovem alegre e brincalhão, tranqüilo, que nunca teve envolvimento com drogas. “Como todos os jovens da comunidade, ele sempre ia aos bailes funks. É hábito dos jovens chegarem do baile e ficarem na praça conversando. As meninas também ficam na pracinha”, esclarece.

Irmã fala de Marcos Paulo

Para Cristiane Barbosa, seu irmão de criação, Marcos Paulo Campos, também era brincalhão. “Ele era uma criançona, um menino que estava começando a viver e só sabia brincar, ficar zoando, era um moleque. A gente sempre falava que ele não ia crescer.” Desde os 5 anos, Marcos morava com a mãe de Cristiane. “Ele não tinha família. Morava com a avó, que faleceu quando ele tinha 5 anos de idade. A mãe dele era de rua. Então, minha mãe pegou ele pra criar.”

Ela fala que o jovem largou a escola em meados do ano passado porque queria trabalhar, chegou a fazer um cursinho de informática, mas abandonou e fez alguns bicos nesse período. “Ele gostava de sair, de ir a baile funk, estava começando a se divertir, a curtir a vida. Toda hora tinha uma namoradinha ligando para ele. Ele tinha largado o colégio para trabalhar. O sonho dele era arrumar um trabalho, pra ajudar a minha mãe.”

Segundo sua irmã, Marcos, de 17 anos, era vascaíno doente e não tinha envolvimento com o tráfico local nem gostava de brigas. “Ele nunca se envolveu em briga, tanto que estava parado, encostado num poste, quando um soldado chamou. Ele falou que não fez nada, mas o soldado levou ele mesmo assim. Ele não chegou a discutir e brigar. Estava apenas perto dos outros.”

Assim como os outros moradores da Providência, Cristiane, mãe de três filhos, quer que os militares deixem a comunidade. “O que a gente quer de imediato é que os militares saiam daqui. A gente está se sentindo ameaçado com eles aqui. Nós temos outros irmãos e penso nos meus filhos. Eles (os soldados) ficam debochando da cara da gente. A gente fica com medo deles. É o contrário. Era pra gente se sentir segura com eles. Está todo mundo em pânico aqui.”

Passagem pela polícia

Procurada pelo G1, a 4ª DP (Praça da República) confirmou que, dos três jovens mortos, dois tinham passagem pela polícia: Wellington por associação para o tráfico de drogas e David por porte ilegal de armas e corrupção de menores.

O G1 tentou entrar em contato com a família de David Wilson da Silva, a terceira vítima, que se recusou a comentar sobre o caso.



Fonte: G1

terça-feira, 17 de junho de 2008

SEM HONRAS MILITARES


Comandante da tropa que ocupa Providência pede desculpas.

General da Brigada Motorizada se reuniu com parentes das vítimas.

Ele disse que precisa concluir 20 casas, mas depende de Brasília para seguir em frente.

O comandante da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, general Mauro César Cide, pediu desculpas a um grupo de moradores do Morro da Providência, local onde moravam os três jovens encontrados mortos num lixão da Baixada Fluminense, no fim de semana, depois de serem detidos por um grupo de 11 militares do Exército. O general comanda as tropas que estão trabalhando no morro.

A reunião entre os militares e os sete moradores – incluindo parentes dos três mortos – foi no quartel do batalhão, no bairro do Santo Cristo, na região central da cidade, e que fica próximo aos morros da Providência e da Mineira, onde as vítimas teriam sido entregues aos integrantes de uma facção de traficantes.

O general informou que a decisão de permanecer ou não morro deverá ser tomada pelo Ministério da Defesa nas próximas horas. Ele disse que a prioridade, no momento, é terminar 20 casas que estão destelhadas, mas depende de uma decisão a ser tomada em Brasília ou, no Rio, pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Os operários que trabalham no morro já manifestaram a intenção de concluir as obras desde que os militares se retirem do Morro da Providência, onde o Ministério da Cidade desenvolve um projeto chamado Cimento Social, que tem como inspirador o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ).

Os parentes das vítimas estavam acompanhadas de advogados que se mostraram dispostos a iniciar ações de pedido de indenização à União.

A polícia investiga se as vítimas chegaram a ser levadas para o quartel antes do crime.

Fora do morro

A Defensoria Pública da União anunciou que vai pedir à Justiça Federal para que seja determinada a retirada do Exército do Morro da Providência. Para o defensor público André Ordacgy, a Constituição não prevê que o Exército faça o trabalho de segurança pública, que deve ser feita pelas polícias Civil, Militar, Federal, Rodoviária Federal e Ferroviária.

O Ministério Público Militar informa que dois membros da Procuradoria da Justiça Militar no Rio de Janeiro foram designados pela procuradora-geral da Justiça Militar, Cláudia Márcia Ramalho Moreira Luz, para acompanhar o inquérito. O procurador da Justiça Militar Antônio Antero dos Santos e a promotora da Justiça Militar Hevelize Jourdan Covas Valle, membro do Grupo de Direitos Humanos do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais, verificarão o suposto envolvimento dos militares nas mortes dos três jovens.



Fonte: G1


segunda-feira, 16 de junho de 2008

DE VOLTA AO PASSADO














Confronto após assassinatos


Corpos de três rapazes da Providência encontrados em lixão

Onze militares têm prisão decretada




Rio - Os corpos dos jovens Marcos Paulo da Silva, 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, foram encontrados ontem no lixão de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias. Moradores do Morro da Providência acusam soldados do Exército de serem os responsáveis pelo seqüestro das vítimas e “venda” a traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi. O Comando Militar do Leste (CML), em nota oficial, informou que abriu Inquérito Policial Militar para apurar o caso. Após solicitação da Polícia Civil, Justiça decretou a prisão temporária, por 30 dias, de sete soldados, três sargentos e um oficial. Todos estão presos administrativamente.

Os rapazes desapareceram, às 7h30 de sábado, na Providência, no Centro do Rio, após serem abordados por militares quando voltavam de baile funk. Segundo parentes, eles ficaram em poder do Exército até 11h30. Ontem foi mais um dia de confronto entre moradores e soldados do Exército. Os momentos de maior tensão aconteceram à tarde, no Largo de Santo Cristo. Cerca de 150 manifestantes tentaram invadir o quartel, mas foram impedidos pela tropa de choque do Exército. Eles jogaram garrafas plásticas nos militares, que revidaram com bombas de efeito moral.

“Queremos os soldados assassinos fora da comunidade”, gritavam. Assustados, motoristas voltaram pela contramão. Um supermercado fechou, temendo quebra-quebra. A PM cercou o local, na tentativa de dissipar o tumulto, que durou uma hora.


MÃE DESMAIOU

Mãe de Wellington, Lilian Gonzaga, 42, desmaiou no Largo de Santo Cristo. “Nem com cachorro podem fazer isso”. Lilian contou que viu o filho pela última vez deitado no chão do quartel. “Ele foi prestar depoimento a um comandante da tropa. Do portão, eu gritava que meu filho era inocente”.

Uma testemunha contou que conseguiu salvar um outro rapaz da revista. Segundo ela, os garotos foram agredidos pelos soldados. “Foram encostados no muro da minha casa, com armas apontadas para a cabeça. Enquanto gritavam que eram inocentes, foram agredidos. Pedi para liberarem eles e também apanhei”, relatou.

X., 19 anos, relembrou como escapou da morte. “Bateram com o fuzil na minha barriga, mas, graças a Deus, a vizinha me puxou para a casa dela. Ouvi tiros e levaram os meninos no jipe”, disse, afirmando que pode reconhecer os três militares mais agressivos.

O CML informou também que os rapazes foram detidos porque teriam desacatado os soldados, mas afirmou que o comandante da tropa determinou que os três fossem liberados depois de ouvidos. À noite, o delegado Ricardo Domingues, da 4ª DP (Central), afirmou ter contado com o apoio dos militares, e o crime será julgado na Justiça comum. Um tenente, ouvido pela polícia, informou que os rapazes teriam sido entregues ao tráfico como forma de corretivo.

Na versão dos moradores,quando os rapazes chegaram à Mineira, morro dominado por facção rival à da Providência, teriam gritado que poderiam ser mortos por traficantes. Eles teriam tentado escapar, mas foram espancados pelos soldados.

Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil a bandidos, que as executaram. Os corpos foram jogados numa caçamba de lixo da Rua São Roberto, no Morro do São Carlos, no Estácio, da mesma quadrilha de traficantes da Mineira.Sem saber que havia corpos, garis da Comlurb recolheram o material e despejaram no aterro sanitário de Caxias. David e Wellington estavam com documento de identidade.


Morro está ocupado pelo Exército

Desde dezembro, a cor predominante no Morro da Providência, no Centro, é o verde-oliva. Para dar segurança ao projeto Cimento Social, do senador Marcelo Crivella (PRB) e do Ministério das Cidades, que prevê a reforma de 780 casas, 200 homens do Exército ocuparam a comunidade, com o apoio de 200 policiais militares. Para isso, estão sendo investidos R$ 12 milhões.

As obras ficaram a cargo da Comissão Regional de Obras da 1ª Região Militar e do Batalhão Escola de Engenharia. Na época, o Comando Militar do Leste informou que a 9ª Brigada de Infantaria Motorizada do Grupamento de Unidades Escola seria a responsável pela segurança dos trabalhadores.

Além dos confrontos com a comunidade em função do desaparecimento dos três jovens, o projeto foi colocado em xeque. Ainda em dezembro, moradores queriam o embargo das obras. As principais reclamações eram de que as residências estariam apenas em locais de visibilidade para o projeto e os beneficiários seriam ligados à igreja do senador Crivella.


Fonte O Dia

RESPOSTA DA INSTITUIÇÃO DE 200 ANOS À MILÍCIA QUE ENGATINHA




Estado monta QG na Zona Oeste para combater milícia




Cúpula da Polícia Civil e 500 agentes se instalam em Campo Grande


Rio - Para fechar o cerco aos milicianos na Zona Oeste, a cúpula da Polícia Civil, com um exército de 500 agentes, vai se mudar para Campo Grande. A decisão foi tomada em reunião, semana passada, do governador Sérgio Cabral com a cúpula da Segurança Pública — entre seus representantes, o secretário da pasta, José Mariano Beltrame, e o chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro. A estratégia é mostrar poder de fogo contra os integrantes das milícias, que há pouco mais de um mês seqüestraram e torturaram equipe de O DIA e um morador da Favela do Batan, em Realengo. Quarta-feira, paramilitares atiraram ainda uma bomba de fabricação caseira na 35ª DP (Campo Grande).

No plano de combate aos milicianos não está descartado o apoio da Polícia Federal (PF). Na sexta-feira, o superintendente da PF, Jacinto Caetano, participou de reunião no Palácio Guanabara. Como forma de reagir às ações das milícias, agentes da delegacia de Campo Grande instalaram ontem circuitos interno e externo de câmeras. Os equipamentos foram comprados com recursos dos próprios policiais. A unidade continua com a escolta de agentes de 10 delegacias especializadas, além da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

CERCO A CAMPO GRANDE

A partir desta semana, o chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, vai despachar de Campo Grande. Uma das possibilidades para o endereço do novo gabinete é a sede da Delegacia de Homicídios, que fica no bairro. Como parte da estrutura, também funcionarão no lugar os departamentos de Polícia da Capital e de Delegacias Especializadas, além da Corregedoria de Polícia Civil.

Na semana passada, agentes levantaram a hipótese de os novos gabinetes serem na prisão especial Ponto Zero, desativada em janeiro. Porém, laudo técnico da engenharia informou que o local precisaria de obras que durariam no mínimo um mês. Outro ponto cogitado foi a sede da delegacia de Campo Grande, mas foi descartado pelo fato de o prédio não ter condições de abrigar toda a estrutura que será transferida para o bairro.

Milicianos ameaçaram de morte, na semana passada, agentes da 35ª DP e da Delegacia de Combate às Ações Criminosas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), além de outros três delegados. Eles são os responsáveis por investigações relacionadas às milícias. Uma delas levou à prisão do vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho (PMDB).


Fonte O Dia

domingo, 15 de junho de 2008

PRÁTICA DOS ANOS DE CHUMBO DE VOLTA


Encontrados corpos de rapazes moradores da Providência



RIO - Foram encontrados neste domingo, no Aterro Sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias, os corpos dos três jovens moradores do Morro da Providência, desaparecidos desde a manhã de sábado. A notícia foi confirmada nesta tarde pelo delegado Ricardo Dominguez, titular da 4ª DP (Central do Brasil).

Parentes dos rapazes acusam militares do Exército de terem seqüestrado os três e os entregado para traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi. A assessoria de comunicação da Força nega. Em protesto contra a morte dos jovens, cerca de 150 moradores da Providência resolveram ir a pé da Praça do Santo Cristo até o Comando Militar do Leste (CML).

Neste sábado, após a notícia do sumiço dos rapazes, moradores atearam fogo em um ônibus e depredaram outros nove, na Zona Portuária do Rio. O Comando Militar do Leste informou que três suspeitos foram detidos por desacato e levados ao comandante da tropa. Segundo o Exército, eles foram liberados depois de ouvidos. A partir daí os soldados não teriam tido mais contato com os três.

Moradores da comunidade da Providencia em protesto contra três jovens que foram detidos pelo Exeécito, atearam fogo em um ônibus no Viaduto de acesso ao Santo Cristo, no Centro do Rio de Janeiro / Foto: Hipólito Pereira - O Globo

Os rapazes foram vistos pela última vez por moradores na madrugada de sábado voltando de uma festa. Testemunhas dizem que eles foram abordados por soldados e um dos jovens teria reagido. Os três, então, teriam sido agredidos pelos militares.


Polícia e Exército enfrentam tiroteio

Ao chegarem ao morro pela manhã, neste sábado, a polícia e o Exército entraram na comunidade e começou um tiroteio por cerca de 20 minutos. Os manifestantes queimaram o coletivo na altura do viaduto que dá acesso à comunidade de Santo Cristo.

Alguns moradores ficaram feridos por estilhaços de bombas. Há marcas de tiros nas paredes, nos carros e em muros de casas. A Polícia Militar foi chamada para reforçar a segurança. No fim da tarde, houve mais tumulto e uma pessoa foi presa.

Uma moradora disse que conversou com o capitão do Exército responsável pelo patrulhamento no morro. Ele teria explicado o que aconteceu com um dos meninos.

- Me garantiu que ele ficou lá uma hora só para tomar uma dura, um corretivo porque ele estava exaltado. Depois de uma hora, botaram ele no jipe e deixaram ele na Presidente Vargas - disse a mulher que preferiu não se identificar.

Desde dezembro do ano passado, cerca de 200 homens do Exército ocupam o Morro da Providência. Eles são responsáveis pela segurança de um projeto do Governo Federal para a revitalização de casas do morro.

Parentes dos três rapazes desaparecidos foram ouvidos na delegacia do Centro.


Fonte O Globo e Extra

sábado, 14 de junho de 2008

MILÍCIAS: POLÍCIA PEDIRÁ PRISÃO DE 40 POLICIAIS E AGENTES



Polícia pedirá prisão de 40 policiais e agentes






RIO - O delegado Marcus Neves, 35ª DP (Campo Grande), está preparando uma lista com cerca de 40 nomes de policiais militares e civis e agentes penitenciários acusados de integrar a milícia que atua nas favelas Vilar Carioca, Barbante e Carobinha, todas em Campo Grande, como mostra reportagem do jornal "O Globo". O grupo se autodenomina Liga da Justiça e é acusado de ser o responsável pelo ataque à delegacia na madrugada da quarta-feira passada. A lista será encaminhada nos próximos dias ao promotor Jorge Magno, com pedido de prisão para cada integrante, por envolvimento com a milícia e formação de quadrilha armada.


Policiais apreendem propaganda eleitoral

A polícia já tem o nome do homem que jogou a bomba na delegacia, mas está ainda reunindo provas para prendê-lo. Durante todo o dia de ontem, cerca 150 policiais de várias delegacias reforçaram a segurança na 35ª DP, e realizaram operações nas três favelas dominadas pela milícia, para reprimir principalmente o transporte alternativo.

Em uma das favelas, na localidade de Cosmos, policiais fecharam um parque de diversões onde seria realizada um festa na noite de ontem. No local, foram apreendidos material de propaganda do deputado estadual Natalino Guimarães (DEM). O parque foi interditado porque não tinha autorização para funcionar.

Cincos supostos integrantes de grupos armados foram presos nas duas últimas semanas pela 35 DP. Entre eles, estão o sargento Carlos Eduardo Benevides Gomes, do 27 BPM (Santa Cruz), apontado pela polícia como o matador da quadrilha, e o cabo pára-quedista do Exército Wallace Luigi da Silva Langa, que seria armeiro do bando.

Numa tentativa de desestruturar as milícias da Zona Oeste, equipes de fiscais do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro) participaram, na manhã desta sexta, de uma operação especial comandada pela Polícia Militar. Durante a ação, 78 veículos em situação irregular - 42 Kombis, 35 motos e uma van - foram apreendidos e levados para o pátio do batalhão de Campo Grande. Também foram apreendidas 59 máquinas caça-níqueis.


Fonte O Globo Online

DESAPARECIMENTO DE PESSOA, PRÁTICA DOS ANOS DE CHUMBO DE VOLTA


Protesto



Moradores colocam fogo em ônibus no Morro da Providência



RIO - Após a notícia do sumiço de três rapazes do Morro da Providência, na manhã deste sábado, moradores em protesto ateram fogo em um ônibus e depredaram outros nove, na Zona Portuária do Rio. Os moradores acusaram a polícia do Exército de ter sido responsável pelo sumiço. Os militares, no entanto, negaram o crime.

O Comando Militar do Leste informou que três suspeitos foram detidos por desacato e levados ao comandante da tropa. Segundo o Exército, eles foram liberados depois de ouvidos. A partir daí os soldados não teriam tido mais contato com os três.

Os rapazes foram vistos pela última vez por moradores na madrugada de sábado voltando de uma festa. Testemunhas dizem que eles foram abordados por soldados e um dos jovens teria reagido. Os três, então, teriam sido agredidos pelos militares.


Polícia e Exército enfrentam tiroteio no morro

Ao chegarem ao morro pela manhã, a polícia e o Exército entraram na comunidade e começou um tiroteio por cerca de 20 minutos. Os manifestantes queimaram o coletivo na altura do viaduto que dá acesso à comunidade de Santo Cristo.

Alguns moradores ficaram feridos por estilhaços de bombas. Há marcas de tiros nas paredes, nos carros e em muros de casas. A Polícia Militar foi chamada para reforçar a segurança. No fim da tarde, houve mais tumulto e uma pessoa foi presa.

Uma moradora disse que conversou com o capitão do Exército responsável pelo patrulhamento no morro. Ele teria explicado o que aconteceu com um dos meninos.

- Me garantiu que ele ficou lá uma hora só para tomar uma dura, um corretivo porque ele estava exaltado. Depois de uma hora, botaram ele no jipe e deixaram ele na Presidente Vargas - disse a mulher que preferiu não se identificar.

Desde dezembro do ano passado, cerca de 200 homens do Exército ocupam o Morro da Providência. Eles são responsáveis pela segurança de um projeto do Governo Federal para a revitalização de casas do morro.


Fonte G1

PODER PARALELO NUNCA RESPEITOU NADA. MANDA MATAR ATÉ JUIZ


Hurricane: Suspeitos falam em ‘eliminar’ juíza do caso




Gravações da Polícia Federal (PF) relativas à Operação Hurricane, que investiga a máfia dos jogos ilegais, mostra que suspeitos de envolvimento no esquema falaram em “eliminar” a juíza titular da 6ª Vara Federal Criminal Ana Paula Vieira de Carvalho. Ana Paula é responsável pelo depoimento de 24 presos na operação e pela quebra de sigilo telefônico de membros da Justiça investigados no caso.

Nas gravações, um dos suspeitos, preso na operação, afirma a uma mulher que "o negócio é eliminar a Ana Paula de Carvalho", segundo reportagem do jornal O Dia. Os interlocutores não são identificados.

Nas conversas, a mulher diz saber da fama da juíza: "ela é terrível". O homem, por sua vez, reclama por ter sua vida “vasculhada” e propõe mandar Ana Paula "para a Conchinchina". No grampo, ele se mostra incomodado com o pedido de quebra de seu sigilo bancário, feito por Ana Paula, em 2006. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) teria negado a solicitação porque, segundo o homem, um amigo o ajudou no julgamento. Ele ainda afirma que, quando a solicitação chegou ao STJ, foi imediatamente informado.

Através de amigos no STJ, ele descobriu que havia sido pego nas escutas conversando com empresários do ramo dos bingos. Mas ele garante a um interlocutor que essas conversas tratavam apenas de trabalho.

Informação privilegiada – Outras gravações feitas com autorização da Justiça mostram que o ex-vice presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região desembargador José Eduardo Carreira Alvim, preso durante a Operação Hurricane, sabia que estava sendo investigado. Em conversa gravada por grampo instalado em seu gabinete, Carreira diz ao desembargador José Ricardo de Siqueira Regueira, também preso, ter sido informado por uma pessoa do STJ sobre o pedido de quebra do seu sigilo bancário, encaminhado pela juíza Ana Paula.

“Eu fui procurado e me contaram uma sacanagem, que a tal Ana Paula pediu ao STJ a quebra de meu sigilo bancário e o STJ indeferiu”, disse o magistrado, segundo o jornal O Globo. Em seguida, Carreira alega que o pedido foi indeferido “porque Gonçalves é meu amigo”, diz ele. De acordo com a PF, o desembargador referia-se “provavelmente ao ministro Fernando Gonçalves, coordenador-geral da Justiça Federal do STJ”.

Na seqüência da gravação, Carreira diz que, se Ana Paula não fosse titular da vara, mandaria a juíza ao “raio que a parta”. Ele diz ainda que xingava deliberadamente quem o espionava para mostrar que já sabia dos grampos em seus telefones. A PF não informa se Carreira aparece nas duas gravações, apesar da coincidência dos assuntos tratados.

No sábado, o ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura de três desembargadores e do procurador regional da República que estavam presos na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília – entre eles Carreira Alvim e Regueira.

Fonte Veja on line

sexta-feira, 13 de junho de 2008

DEU NO NEW YORK TIMES: MILÍCIAS NOVOS REIS DO RIO



Milícias substituem traficantes como reis do crime no Rio, diz 'NYT'


As milícias que expulsam traficantes e assumem o controle das favelas são uma nova ameaça violenta no Rio de Janeiro, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira pelo jornal americano New York Times, intitulada "Milícias substituem gangues como reis do crime no Rio".

A reportagem cita o caso da jornalista, do fotógrafo e do motorista do jornal carioca O Dia seqüestrados e torturados por membros da milícia que controla a favela do Batan, quando realizavam uma reportagem sobre mercados paralelos ilegais nas favelas.

Os jornalistas alugaram uma casa no local, onde pretendiam passar um mês investigando esses mercados e sua relação com os moradores da comunidade.

"O Brasil é um país que passa por um boom econômico que está tirando milhões de pessoas da pobreza. Mas no Rio, o incidente, que veio à tona em uma série de artigos publicados pelo jornal O Dia, se tornou um proeminente sinal das pressões nesta cidade, contaminada pela violência e por uma força policial notoriamente corrupta", diz o NYT.

O jornal afirma que apesar do crescimento econômico, as favelas continuam se proliferando no Rio, e com elas as milícias, já que a polícia está ocupada combatendo traficantes. Segundo o NYT, os baixos salários acabam levando policiais, bombeiros e funcionários de prisões a formar essas milícias, enquanto mantêm seu trabalho regular.

"As milícias preencheram um vácuo de autoridade prometendo aos moradores segurança em troca de pagamentos. Ao mesmo tempo, eles tomam para si uma série de empresas ilegais: o controle do suprimento de água e gás natural, de máquinas de apostas, a divisão de conexões de TV a cabo e, em muitos casos, a venda de drogas."

Mas o jornal afirma que, para muitas das comunidades, as milícias são o mal menor, e cita o chefe do Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, que combate o crime organizado no Rio), Cláudio Ferraz, para quem as milícias ganham a simpatia das comunidades por expulsar os traficantes.

"As milícias, estimadas entre 60 e 100, têm conexões poderosas e freqüentemente estão ligadas não apenas à força policial da cidade, mas também a políticos que oferecem um porto seguro em troca da garantia de votos ou dinheiro dos moradores", afirma a reportagem, citando os casos do vereador Jerônimo Guimarães Filho, preso em dezembro acusado de formação de milícia, e do deputado e ex-chefe de polícia do Rio Álvaro Lins, acusado de ajudar na formação de grupos armados.

A polícia tem medo de agir contra as milícias por causa das violentas represálias, diz o jornal, e mesmo os jornalistas seqüestrados e torturados mantiveram seu nome em sigilo, numa tentativa de evitar atos de vingança.

O jornal descreve a tortura sofrida pelos jornalistas e comenta que um dos suspeitos já identificados foi preso, mas outro conseguiu fugir.

"Durante uma visita na semana passada, tudo estava quieto em Batan, mas os nervos ainda estavam em frangalhos. Uma forte presença policial era visível por toda a favela, com patrulhas circulando de poucos em poucos minutos. Os moradores disseram não acreditar que isso duraria muito."

"Enquanto alguns moradores lamentavam o que ocorreu com os jornalistas, a maioria disse que se sente mais seguro com a milícia. Poucos, no entanto, revelaram seus nomes quando discutiram o assunto, dizendo temer retaliação", afirma a reportagem.

Uma moradora disse que as coisas haviam melhorado desde a chegada da milícia na comunidade e outro afirmou que, com a milícia desmantelada, ele temia que, quando a polícia deixasse o local, gangues de traficantes voltariam a invadir a favela, reiniciando o ciclo de violência.

"Vai ser um inferno. Agora estamos nas mãos de Deus", disse o morador ao NYT.


Fonte BBC