sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

OS POBRES E A ASSISTÊNCIA ESTATAL NO RIO DE JANEIRO


Estado trocará blindados

Secretaria de Segurança anuncia licitação para comprar oito veículos.

Quatro estão parados.






Rio - Para renovar a frota de blindados desgastados e obsoletos, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, anunciou uma licitação internacional, com edital previsto para o próximo dia 19, para a compra de oito novos Caveirões. A maioria dos 12 blindados, usados excessivamente em áreas de risco e intenso confronto, está no fim da vida útil e já não suporta mais passar por reparos. Na operação de quarta-feira, no Complexo da Penha, quatro dos oito veículos usados quebraram.

Ontem, os veículos foram mandados para oficinas. O secretário não descarta a possibilidade de pedir autorização ao Tribunal de Contas do Estado para dispensar a licitação e devolver os blindados mais imediatamente às ruas. Eles precisarão estar recauchutados para enfrentar o armamento pesado de traficantes, pelo menos até a chegada dos novos carros, o que não deve acontecer antes do meio do ano que vem. Apenas a troca dos vidros blindados chega a custar cerca de R$ 30 mil por carro.

Problemas mecânicos de menor porte normalmente são resolvidos nos próprios batalhões. Os veículos costumam seguir para uma empresa especializada em blindagem, na Baixada Fluminense, quando apresentam mais de 200 marcas de tiros ou cápsulas presas às placas de aço. Nos danos à carcaça, mecânicos fazem uma espécie de ‘recapeamento’ nos furos ou trocam as chapas.

Para o secretário, o dia-a-dia nas perigosas favelas cariocas não é o único motivo para o sucateamento dos blindados. Como são carros de transporte de valores adaptados, a manutenção é bastante complicada. Beltrame compara o sistema de montagem de um Caveirão aos computadores feitos com peças avulsas.

“Não é um carro feito em escala, com manutenção autorizada. A mola de suspensão não existe para um blindado que pesa 10 toneladas com a tropa. O deslocamento fica prejudicado, o motor aquece rápido e o jogo de direção é pequeno por causa da proteção balística nos pneus. Até trocar o limpador de pára-brisa é problema. Não é só a questão de levar tiro”, explicou.

O secretário analisa modelos de Israel, da África do Sul, da França e da Rússia, além de um carro brasileiro, que segue o padrão dos atuais. O equipamento israelense está avaliado em R$ 250 mil. Em junho, quando equipe da Secretaria de Segurança esteve naquele país para conhecer o blindado, O DIA mostrou que o veículo era mais rápido e potente, capaz até de passar sobre obstáculos de até meio metro de altura.

Nesta segunda-feira, Beltrame estará em Buenos Aires, na Argentina, para conhecer blindados de patrulhamento, que interessam também pela tarifa do Mercosul. “A necessidade nos fez criar um blindado montado, mas hoje ele já não dá mais conta das adversidades que encontra nas ruas. Precisamos substituí-los, mas até lá queremos que os outros passem por ampla revisão.”

Os quatro carros que tiveram problemas mecânicos durante a operação na Penha precisaram ser retirados das favelas com guincho. Uma estratégia foi montada para o resgate. Essa foi a razão pela qual a investida não teria dado certo. “Não fazemos operação sem logística. Tem pontos que são impossíveis de se chegar a pé. Com os defeitos dos blindados, o melhor foi recuar. Foi uma decisão preventiva. Vamos pensar em nova estratégia para voltar depois”, disse Beltrame.

Os blindados passaram a noite no pátio do 16º BPM e também foram rebocados até a oficina. A previsão é de que estejam nas ruas em menos de um mês. O Caveirão do Bope foi inicialmente reparado por policiais, mas deixou o batalhão com ajuda do guincho.


Reforços também pelo ar

Os mais recentes alvos dos criminosos, os helicópteros das polícias Civil e Militar, também serão blindados. Como O DIA noticiou dia 16, a partir de janeiro, a Polícia Civil contará em suas operações com o Huey II, aeronave americana com capacidade para 15 pessoas, sendo seis atiradores de precisão. Ele já está sendo chamado de “Caveirão voador”. Fabricado nos Estados Unidos e usado na Guerra do Vietnã, o helicóptero custa R$ 8 milhões.

Já a PM dispõe do modelo AS 350 B2 Esquilo, equipado com sistema de observação a distância, através de uma câmera que capta e grava imagens e localiza objetos e pessoas pelo calor, mesmo à noite. A aeronave, que foi comprada por R$ 7,8 milhões, é de fabricação americana, tem capacidade para seis policiais e possui um gancho que carrega mais de uma tonelada.


SARGENTO SALVA OS CAVEIRÕES

O ‘anjo da guarda’ dos blindados é um sargento do 16º BPM, que, com 18 anos de polícia, adaptou o Caveirão 05 para resgatar tropas e veículos enguiçados nas favelas da Penha. Na quarta-feira, ele ‘socorreu’ seis carros e consertou dois. Uma mangueira de água que rasgou por estilhaços de granadas foi trocada sob fogo cruzado.

O Caveirão de resgate, alvo de 4.600 tiros em dois anos, ganhou trilhos nos pára-choques para derrubar barricadas. A embreagem, agora de trator, suporta maior esforço, e um ar-condicionado de van refresca o inferno dos conflitos de minas, granadas, coquetel molotov e muitos tiros.

O blindado 05, segundo o sargento, salvou mais de 270 policiais que estavam em risco, mas teve que trocar 97 vidros, 103 pneus e 14 pneus blindados, que foram rasgados por explosivos. O carro foi aperfeiçoado para a dura realidade, que afetou o motor e a caixa de marcha de outros blindados na ação de quarta.

“Quando tem um amigo em socorro, você conta com a vontade, a coragem e com o Caveirão para salvar uma vida. Sei que a manutenção é cara, mas mesmo que só tivesse sido um único policial resgatado, já valeria o preço”, afirmou.

Na megaoperação no Alemão, em junho, quando 19 pessoas morreram, o sargento usou retroescavadeira para retirar um caminhão-frigorífico para deixar o blindado passar.


CLIMA DE MEDO E AULAS SUSPENSAS

Um dia após a operação que mobilizou 650 policiais no Complexo da Penha, o clima que permanecia entre os moradores e comerciantes era de medo. A maioria das escolas não funcionou. A informação era de toque de recolher do tráfico. No Ciep Gregório Bezerra, na Penha, as aulas aconteceram somente no período da manhã. Pais e alunos eram abordados na calçada por um homem e orientados a voltar para casa. “Não sei qual é o motivo. Ele só me disse que não tinha aula e que era para trazer as crianças no outro dia”, contou uma dona-de-casa, que não quis se identificar.

A Secretaria Municipal de Educação confirmou que uma creche no Morro da Fé e duas escolas localizadas na área do confronto não funcionaram por causa do tiroteio do dia anterior. A Secretaria Estadual de Educação negou. Explicou que os colégios estavam fechados à tarde porque só abririam novamente no período noturno. No portão da Escola Municipal Luiz Cesar Sayão Garcez, um cartaz avisava sobre a suspensão das aulas.

O comandante do 16º BPM (Olaria), Marcus Jardim, afirmou que é normal que, após uma grande operação, o ritmo de aulas fique comprometido. “A própria vagabundagem não quer que os filhos fiquem sem aula”, comentou ele.

Pela manhã, policiais do 16º BPM fizeram uma operação na Favela Vila Cruzeiro, Penha. Houve intenso tiroteio. Bandidos teriam atirado na direção do batalhão. Segundo PMs, balas teriam atingido o pátio da unidade, mas o comandante nega. Uma central clandestina de TV a cabo foi estourada.

O comandante-geral da PM, Ubiratan Angelo, negou que tenha ocorrido vazamento de informações sobre a operação de quarta-feira. Ele disse que não há nenhuma informação fidedigna que possa levantar suspeitas de que os criminosos ficaram sabendo com antecedência da ação na Penha.



Fonte

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

SÉRIE DIMENOR (OU O NOSSO DESCASO MAIOR)

Mais da metade dos menores infratores morreu ou cometeu outros crimes

Anderson (nome fictício) ainda cumpre pena. Foto de Ana Branco / Montagem Cristina Flegner

RIO - O ano marcado pela trágica morte do menino João Hélio, que levou para o Congresso Nacional a discussão sobre a redução da maioridade penal, é também o primeiro para uma geração que, por ter completado 18 anos, não pode mais dizer: "Sou dimenor". A partir deste domingo, o jornal "O Globo" revela, numa série de reportagens, o retrato atual dos jovens que responderam aos mais de cinco mil processos abertos na Vara da Infância e Juventude do Rio, em 2000. Inédita no país, a pesquisa, feita pelos repórteres durante um ano, põe em xeque o sistema de aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), tanto na proteção dos menores quanto do restante da sociedade: dos 2.363 adolescentes infratores atendidos pelo estado na época, nada menos que 1.243 (52,6%) já foram flagrados cometendo crimes como adultos ou estão mortos.

Em sua maioria, são casos semelhantes ao de Anderson (nome fictício), de 22 anos, que hoje está entre os mais de 400 presos na carceragem da 59 DP (Caxias). Sereno, ele relembra com clareza os seus primeiros contatos com o crime, em 2000, quando tinha apenas 14 anos. Naquele ano, foram duas passagens pelo juizado, por tráfico de drogas. Em 2002, mais uma, por roubo.

- Não mudou nada quando fiz 18 anos. Só pensei: daqui a pouco faço 30. Preciso fazer um assalto melhor, o último. E até hoje estou tentando fazer o último - diz.

A maioridade mudou pouco sua vida. Seguiu a rotina de roubos à mão armada que começou aos 16 anos, quase sempre praticados sob o efeito de drogas. Perdeu a conta dos assaltos que cometeu, mas foi preso por causa de dois. Em 3 de outubro de 2006, duas semanas depois de ter sido solto de seu primeiro período na cadeia, voltou a ser detido, ao tentar praticar uma "saidinha de banco". Desde então, aguarda julgamento na carceragem de Caxias.

- Assim como eu, existem vários e vai haver muitos ainda. Não adianta matarem um, dois, que não vai acabar. Não adianta.

Leia mais: ex-secretário de Infância e Juventude fala da farsa da estatística de reincidência no Degase


Um em cada cinco infratores de 2000 é hoje um fantasma na sociedade



Foto de Márcia Foletto - O Globo

A segunda reportagem da série "Dimenor: os adultos de hoje" revela que, dos 2.363 adolescentes infratores atendidos pelo estado no ano de 2000, 475 (20,1%) não têm atualmente seus nomes na base de identificação do Detran-RJ. O dado aponta duas hipóteses preocupantes: ou esses jovens passaram pela Vara da Infância e da Juventude na época com dados completamente falsos ou não têm hoje, todos maiores de idade, um documento de identidade, condição básica de cidadania.

Esses números fazem parte de uma pesquisa, inédita no país, feita ao longo de mais de um ano pelo jornal "O Globo", com base nos mais de cinco mil processos de jovens que cometeram delitos no Rio em 2000. Na primeira reportagem a série mostrou que 52,6% dos infratores atendidos pelo estado na época já morreram ou foram flagrados cometendo crimes como adultos.

Em setembro deste ano, um caso inusitado chegou à Coordenadoria de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cdedica) da Defensoria Pública. Guilherme (nome fictício) cumpriu, durante quase quatro anos, penas em presídios como se fosse maior de idade, apesar de sua mãe ter uma certidão de nascimento que comprovava o contrário. A confusão ocorreu justamente pela quantidade de nomes falsos que o jovem, hoje com 20 anos, deu durante suas três passagens pela Vara da Infância e da Juventude do Rio.

Ouça: Guilherme conta seu drama

Em 2003, na sua terceira passagem pelo juizado, Guilherme foi detido por causa de um assalto na Barra, em que simulou estar armado. Ele recebeu uma medida socioeducativa de semiliberdade, a ser cumprida numa unidade com muros baixos, e fugiu assim que chegou. No mesmo ano, foi recapturado pela polícia e deu outro nome falso. Isso acabou criando um novo problema: respondeu pelo roubo, também como maior, na 29 Vara Criminal.

- Fugi e me recapturaram. Os policiais disseram que eu era "dimaior" e me puseram na cadeia. Minha mãe levou minha certidão de nascimento, mas eles disseram que o documento não provava nada e que eu poderia arrumá-lo em qualquer esquina. Assim, eu cheguei ao presídio com 17 anos - conta.


Quase metade dos menores de 12 anos que passaram pelo Juizado


Foto de Ana Branco - O Globo: João, 19 anos, 26 vezes apreendido


RIO - João começou cedo. Aos 11 anos, já sabia de cor todos os atalhos de Ipanema e Copacabana, onde praticava furtos contra turistas. Um ano depois, estava envolvido com traficantes da Favela da Rocinha. Assim como ele, outras 153 crianças com menos de 12 anos tiveram processos abertos na 2ª Vara da Infância e da Juventude do Rio em 2000. Muitas foram conduzidas ao juizado mais de dez vezes. Algumas chegaram a registrar 16, 19 e até 29 passagens. A terceira reportagem da série "Dimenor: os adultos de hoje" mostra que, quase oito anos depois, 72 (46,7%) reincidiram antes de completar 18 anos.

Somando-se o tempo das 26 passagens pelo juizado, João perdeu pelo menos quatro anos de sua vida em abrigos e internatos. Antes de completar 12 anos, como está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ele só podia receber medida protetiva: era levado para abrigos e fugia no mesmo dia. Depois, passou a receber medidas socioeducativas mais rigorosas, como a internação que cumpre hoje no Santo Expedito. Apesar de estar com 19 anos, ele ainda cumpre a medida lá porque cometeu o crime antes de ter 18. João diz que perdeu a conta do número de assaltos que praticou:

- Eu pegava o gringo com faca. Sentava na areia da praia à noite e esperava ele passar. Eu e mais dois íamos em cima dele com a faca.

A porcentagem (46,7%) de menores com menos de 12 anos e que reincidiram no crime antes dos 18 não significa que o restante também não tenha cometido outros. A pesquisa feita pelo jornal "O Globo" mostrou que a maioria dessas crianças tinha pouquíssimos dados nos processos abertos pelo juiz de menores naquele ano, o que impossibilitou um levantamento preciso sobre a evolução delas. Em muitos casos, os autos estavam sem informações importantes, como o sobrenome ou a data de nascimento das crianças.

Os problemas na identificação foram revelados na segunda reportagem da série : um em cada cinco adolescentes infratores, entre 12 e 18 anos, atendidos pelo estado no ano de 2000, não tem hoje seus nomes na base de dados do Detran-RJ, responsável pela emissão de carteiras de identidade.

Na primeira reportagem a série mostrou que 52,6% dos infratores atendidos pelo estado na época já morreram ou foram flagrados cometendo crimes como adultos.


Após a maioridade, oitenta e um infratores viraram assassinos

David com a mãe: o apoio da família foi importante para ele deixar o crime - Foto: Ana Branco

RIO - Em abril de 2005, oito homens espancaram até a morte três pessoas de uma mesma família numa favela na Baixada Fluminense. As vítimas foram retiradas de casa, tiveram as mãos amarradas e foram levadas para um matagal, onde foram mortas a tiros depois de uma longa sessão de tortura. À frente do grupo de bandidos, estava um jovem de 20 anos. Era Evaldo (nome fictício), que, em 2000, aos 15 anos, foi detido dentro de um carro roubado, no seu primeiro flagrante. Evaldo mostrou-se violento e rapidamente alcançou um dos postos mais altos na hierarquia da quadrilha. Procurado pelo Globo, ele não quis dar entrevista.

A quarta reportagem da série "Dimenor: Os adultos de hoje" mostra como um menino que entra para a vida do crime cometendo um furto pode se tornar um assassino. Trinta e oito jovens com menos de 18 anos foram processados em 2000 por homicídio, tentativa de homicídio ou latrocínio. No entanto, outros 80 que passaram pela Vara da Infância e Juventude do Rio naquele ano foram acusados de crimes de morte após a maioridade.

Muitos crimes que envolvem adolescentes chocam a sociedade pela violência empregada. Apesar disso, os homicídios cometidos por menores de 18 anos representam uma pequena parcela do total de assassinatos registrados nos últimos oito anos. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), a média tem sido de 0,6% a 0,9%.

- O grande perigo do adolescente consiste no seu próprio despreparo. Não há como negar que há meninos com grande potencial lesivo, mas, sem dúvida, eles são uma minoria. Que só não é inexpressiva pela gravidade desses atos - comenta a promotora Eliane Pereira, da Vara da Infância e Juventude do Rio.

Na terceira reportagem da série, uma pesquisa revelou que 153 crianças com menos de 12 anos tiveram processos abertos na 2ª Vara da Infância e da Juventude do Rio em 2000. Quase oito anos depois, 72 (46,7%) reincidiram antes de completar 18 anos .

Os problemas na identificação foram revelados na segunda reportagem da série : um em cada cinco adolescentes infratores, entre 12 e 18 anos, atendidos pelo estado no ano de 2000, não tem hoje seus nomes na base de dados do Detran-RJ, responsável pela emissão de carteiras de identidade.

Na primeira reportagem a série mostrou que 52,6% dos infratores atendidos pelo estado na época já morreram ou foram flagrados cometendo crimes como adultos.


Fonte: Natanael Damasceno, Ruben Berta e Vera Araújo - O Globo

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

BRASIL: 125.816 MORTES VIOLENTAS




ÍNDICE MORTAL.


Pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que uma das causas do aumento da sobremortalidade masculina são os óbitos por causas externas (ou violentos), mais freqüentes entre os homens do que entre as mulheres. Dados do Ministério da Saúde mostram que, no Brasil, em 2005, houve 1.003.005 óbitos e 12,5% deles (125.816) foram por causas externas. Entre estes, 83,5% (105.062) ocorreram na população masculina.

Comparando suas projeções demográficas com o número de óbitos registrados nos cartórios brasileiros, o IBGE estima que, em 2005, 15,6% das mortes ocorridas podem não ter sido registradas (sub-registro). Da mesma forma, em relação às estatísticas do Ministério da Saúde, o IBGE estima que 13,7% dos óbitos em hospitais, em 2005, podem não ter sido notificados (sub-notificação). Em relação ao grupo etário dos 20 aos 29 anos, esses indicadores seriam, respectivamente, de 20,0% e de 34, 4%.

No grupo etário dos 20 aos 29 anos, ocorreram 35.551 óbitos por causas externas em 2005. Destes, 90% (ou 32.017) referem-se à população masculina.

Segundo o Ministério da Saúde, entre os 125.816 óbitos por causas externas ocorridos em 2005, predominaram aqueles causados por homicídios (37,1%), por acidentes de trânsito (28,4%) e suicídios (6,8%). Os homicídios (40,8%) predominam na população masculina, enquanto os acidentes de trânsito (32,1%) são a causa mais freqüente dos óbitos femininos por causas externas. O percentual de óbitos por suicídios entre as mulheres é ligeiramente maior que (8,7%) entre os homens (6,4%).

Os percentuais relativos às mortes por homicídios, por exemplo, quase duplicaram, desde 1980, indo, no período, de 19,8% para 37,1% entre o total de óbitos, de 22,4% para 40,8% entre os homens e de 9,4% para 18,3% entre as mulheres. O percentual de suicídios entre as mulheres quase não se alterou, entre 1980 e 2005.

Também no grupo etário dos 20 aos 29 anos, entre 1980 e 2005, os percentuais relativos às mortes por homicídios, quase duplicaram, indo de 28,8% para 52,9% entre o total de óbitos, de 30,7% para 55,1% entre os homens e de 17,1% para 33,0% entre as mulheres. Já o percentual de suicídios entre as mulheres reduziu-se de 13,2% para 10,5%, no período

sábado, 1 de dezembro de 2007

A TRAMA E O DRAMA





A trama e o drama.




Odemar Leotti*




Eis a nossa herança. Pisamos barro pra amassar o pão. E o desejo de viver nunca pôde nem acontecer. Ele já nasce aprendido que é dever de todos servir o patrão. Já nasce massacrado nosso desejo de viver. Mascarado numa trama da lama. Trama que não faz a vida acontecer. Crianças do morro assassinadas de montão. Morro por morar no morro. Morro de tristeza, onde a vida não dá moleza. Bala perdida. Todas as balas são perdidas. Que tristeza achar que a bala que acerta o alvo não é perdida. Não há balas que não sejam perdição. Só na nossa mão que a bala é contravenção. É o crime do Estado que é perdoado. A bala mata criança. O Estado mata também. Mata quando privilegia filho de bacana. Mata filho na barriga da mãe, nas maternidades de pobre que é o barracão. Na escola de pobre que ensina a escravidão. Na porta da escola que faz dela mula da perdição. No emprego que não dão e quando dão é a preço de escravidão. É meu irmão. É isso ai meu irmão. Nós já nascemos nesse drama de quem não participa da trama. Essa trama que nas mãos dos que tem a grana transforma o sonho da criança em drama. Quando fica grande só é homem se for escravo ou com muita grana. Não me engana com sua trama. Vamos lá irmãos fazer nossa trama pois a dos grandes não me engana. Vamos lá meus manos virar guerreiros de fé da nossa razão. Não tem lugar pra nós na trama que nos engana onde tudo vira somente drama. Vê se não se engana mano, veja lá você. Chega de sofrer, chega de esperar a conversa do político. Agora o político tem que ser sua razão, ou da a mãe que consola o filho de barriga vazia que não consegue dormir de fome pois não mama.. Somos o público da política insana. E a política pública que sobra é só polícia arrebentando, roubando e querendo grana pra não prender o cidadão. O público tem que mandar na política da nossa trama. Para isso tem que construir sua escrita e afastar a maldita. Não vou viver da trama de quem não me ama.


Todo mundo viu o menino quando ele já estava lá. Roubando uma quirera. Ninguém quis ver quando chorava no berço como criança que não mama. Sua mamadeira estava na conta bancária do bacana, do ladrão considerado e abraçado que vive nos enfiando sua trama. Quando morria de fome no morro ninguém ligava, ninguém reclamava segurança pra ele poder viver. Agora que ele desceu o morro atrás de grana, da marca de tênis de fama, que ele viu na televisão ou no pé do playboy ou do que se vendeu pra droga. Ah! Tudo mundo reclama. Mas quando chega à loja não tem grana e ninguém nem lhe atende, e só chama a cana. Chama o segurança que fala: espalha menino! Cai fora! Se não chamo a polícia! É isso o que acontece. Ninguém vai tecer seu viver se não participar da trama. O tecido é nossa cama se vier de nossa trama. Na trama do bacana nada fica de sério, só tece buraco no cemitério. Tem muita lama. Segunda feira está chegando e é aí o nosso dia. Dia de fazer esse país enriquecer e esquecer que nós fazemos parte do trabalho e não da ceia. Que coisa feia. Mas que adianta. Ninguém se levanta! Com essa trama que ensina a escravidão, faz da escola fábrica de otário do bacana. Nas igrejas, nas cantigas de ninar. Desde pequeno a criança aprende o refrão e recitar para a escravidão. Servidão, obrigação, honestidade sem ter direito à dignidade. Ensina ele a servir, a ter dever, mas nunca ninguém divide com ele o prazer. Prazer que nunca tem e nunca terá. Prazer de Angra, de Cabo Frio, de Ipanema, da Barra da Tijuca e nunca ninguém convida ele pra curtir fim de semana em Búzios. Só vai pra lá como peão ou como puta. viram loiras, chamadas de vagabundas, como vagabundo sempre o patrão chama quem trabalha. Chamadas de vadia servem junto com nossas negras para o esporro da riqueza. Que malvadeza? Ah! Que nada, nós é que damos moleza. Aperta o cerco. Façamos a guerra, façamos nossa trama. Aí mano. Ninguém nos engana, pois a frase não mais será a sentença, como a lorota da escola. Antes de aprender do prazer aprendi o verbo dever. Agora o verbo vai se chamar libertação: da enganação, de enrolação de uma trama de bacana que nos escraviza e nos joga na lama. Por isso mano. Na nossa trama você se chama, pois vai ter nome, não de bacana, mas de quem ama. Com nossa trama ocupa um lugar nesse espaço que só mandava ladrão de casaca. Essa gente que não gosta da gente e nos enrola em sua trama. Vamos nos mancar, vamos nos aclamar. Queremos ter nossa trama e não a trama dos bacanas. Chega professor de fazer de conta que não vê a coisa indo para a lama. Esquece essa gramática que não cabe nossa língua. Ela só faz do verbo da criança repetição, para a escravidão do pensamento usado pelo bacana. Vamos irmão construir a trama! Vamos ligeiro antes da gente morrer nesse drama. A vida é boa, mas tem que ser pra todo mundo viver. Na nossa trama ninguém se engana. Chega de drama.



*Odemar Leotti é Mestre em História pela UNICAMP


quarta-feira, 28 de novembro de 2007

A VERDADEIRA FACE DA MILÍCIA: CAI A MÁSCARA




Lei do silêncio em Rio das Pedras.


Juiz considera ‘ditadura’ do crime a situação de medo imposta aos moradores da comunidade.


Adriana Cruz

Rio - Garantir a vida de testemunhas que viveriam sob uma “ditadura” do crime. Essa foi a principal preocupação do juiz do 4º Tribunal do Júri, Sidney Rosa da Silva, ao determinar a prisão do vereador Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho de Rio das Pedras (DEM), e de outros dois acusados da morte do inspetor Félix dos Santos Tostes. Um deles, o policial civil Raphael Moreira Dias, lotado no gabinete do deputado estadual Natalino José Guimarães (DEM), continua foragido da Justiça.

“Verifica-se nos depoimentos de testemunhas até aqui ouvidas que nenhuma delas relatará o que realmente sabe do delito face a ‘ditadura’ que impera na região, trazendo medo a moradores que somente falam em denúncias anônimas”, escreveu o magistrado, em sua fundamentação.


CRÍTICA À INVESTIGAÇÃO

O juiz relatou achar “estranho” o fato de o relatório policial não ter indiciado Raphael pelo crime. Nadinho e o policial civil André Luiz da Silva Malvar, denunciados pelo assassinato, prestarão depoimento no próximo dia 7 no 4º Tribunal do Júri.

A Delegacia de Repressão a Ações Criminosas e Inquéritos Especiais (Draco/IE) continuará a investigação sobre o envolvimento de outros criminosos com a morte de Félix, suspeito de chefiar a milícia de Rio das Pedras. Não está descartada a intimação de Nadinho para prestar novo depoimento.

O vereador, que está em cela especial na Polinter de Neves, em São Gonçalo, recebeu ontem a visita do advogado Édson Fontes e de funcionários da Câmara de Vereadores. A Casa criou ontem uma Comissão Multipartidária, com nove integrantes, para acompanhar o processo do vereador.

Nadinho chegou a Neves, unidade com 400 presos, segunda-feira. Comeu bife rolê e purê de batata. Ontem, o café-da-manhã foi pão e café com leite. O cardápio teve ainda sopa de legumes.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

QUATRO ASSASSINADOS: NENHUM ERA BANDIDO


TIROTEIO NA VILA CRUZEIRO MATA 2 E FERE 4. NENHUM ERA BANDIDO



Operação na Vila Cruzeiro termina com dois mortos e quatros feridos

Um dos feridos está em estado grave e corre risco de morrer

Rio - Terminou com dois mortos e quatro feridos a Operação da Polícia Militar na Favela Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, na Penha, Zona Norte, que aconteceu na manhã desta terça-feira, com objetivo de reprimir o tráfico de drogas.

Soldados do 3º BPM (Méier), 9º BPM (Rocha Miranda), 16º BPM (Olaria) e do Batalhão de Operações Especiais (Bope), auxiliados por três carros blindados trocaram tiros com bandidos. O cabo do 16º BPM (Olaria) Hélio Bezerra de Lima, 35 anos, morreu ao levar um tiro na cabeça, quando subia a Rua 14, no alto da favela. Ele chegou a ser socorrido pelo "caveirão", mas faleceu antes de chegar ao Hospital Getúlio Vargas, também na Penha. A outra vítima fatal é o gari da Comlurb aposentado, Valdir Ribeiro Barbosa, 62 anos. Ele voltava para casa, quando foi atingido na Rua 8. A sobrinha dele, Helaine Barbosa, 24 anos, que o acompanhava, foi ferida por estilhaços de bala. No mesmo confronto, um policial militar torceu o pé e outra pessoa foi ferida por estilhaços.

Dentre os feridos, o caso mais grave é do estudante Janderson de Oliveira Cruz, 17 anos. Ele levou um tiro nas costas, quando pendurava roupas em um varal na laje de casa. A bala perfurou o tórax e ele corre risco de morrer. O rapaz está sendo operado no Hospital Getúlio Vargas.

As seis escolas que ficam ao redor do local fecharam e alguns comerciantes fecharam os estabelecimentos. A Avenida Noss Senhora da Penha, principal via de acesso ao morro, foi fechada pela polícia para pedestres e veículos.

Fonte

sábado, 17 de novembro de 2007

A TORTURA E O ANIMAL POLÍTICO


OAB-RJ: Até pedras sabem das torturas nos presídios brasileiros


O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio, Wadih Damous, afirmou nesta quinta-feira que o relatório da ONU que aponta casos de tortura nos presídios brasileiros é correto.

- A ocorrência de maus tratos e torturas aos presos, além das condições subhumanas dos presídios brasileiros e a omissão das autoridades governamentais diante deles são fatos que até as pedras sabem. E são fatos antigos - afirmou.

Para ele, o pior de toda essa situação é que parte da sociedade apóia esta tortura contra os presos, o que, em sua opinião, ameaça os princípios básicos da civilização humana:

- O que mais nos preocupa é que a omissão dos governos é "legitimada" pela opinião de parcelas significativas da população que admitem, como vingança, esse tipo de tratamento aos presos.




Governo responde a críticas de relator da ONU sobre segurança

O governo estadual e a Secretaria de Segurança divulgaram, na noite desta quarta-feira, uma nota sobre as críticas feitas pelo relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias ou Extrajudiciais, Philip Alston, durante a reunião do Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. Na nota, o governo afirma que mantém a sua posição de agir ativamente contra grandes grupos de traficantes de drogas que ameaçam o estado.

Também no comunicado, o governo diz que, desde que o governador Sérgio Cabral assumiu, teve a decisão de atuar sempre com planejamento e inteligência nas operações policiais, o que teria reduzido, em termos absolutos, o número de homicídios dolosos.




Confira a íntegra:

"O governo do Estado do Rio mantém a sua posição de agir ativamente contra grandes grupos de traficantes de drogas que ameaçam o Rio com seus armamentos de guerra. Desde que esta administração assumiu, nossa decisão foi de atuar sempre com planejamento e inteligência nas operações policiais, com resultados visíveis e transparentes para a sociedade.

Devido a estas iniciativas, em termos absolutos, o número de homicídios dolosos no estado caiu em 702 casos de janeiro a outubro deste ano, quando comparados com o mesmo período do ano passado.

Os confrontos são indesejáveis, mas em nome dos direitos humanos e coletivos, não há como recuar desta obrigação".


BBC: Policiais brasileiros precisam ganhar mais



Para Alston, ação foi exagerada e improdutiva

As críticas do relator na tarde de quarta-feira contra o governo de Cabral foram sobre as ações das polícias fluminenses e da Força Nacional de Segurança no Complexo do Alemão, que resultaram na morte de 19 pessoas em 27 de junho.

Segundo ele, a polícia não conseguiu comprovar a necessidade específica da operação nem a ficha criminal de todos os mortos na ação. Para ele, a ação se tratou de uma violência "exagerada e improdutiva".

- Mesmo que todos fossem criminosos, não se justificaria as execuções. A resposta adequada é a prisão, não a exeuação - disse Alston.

Ele vai fazer um relatório sobre tudo que viu no país, a ser apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. Alston criticou também a forma como o "caveirão" do Batalhão de Operações Especiais (Bope) vem sendo utilizado. Segundo o relator, o veículo só poderia subir a favela em situações de emergência e sem fazer provocações à população local, como estaria acontecendo.

Alston criticou ainda o alto índice de autos de resistência registrados pela Polícia Civil, que são os relatos da polícia sobre mortes e pessoas que teriam reagido à ação policial. Só no primeiro semestre deste ano, foram 694 registros. O relator reclamou também do baixo índice de punição para pessoas que cometem homocídios no país.

- No Rio de Janeiro e São Paulo apenas 10% dos homicídios sao levados a julgamento. Em Pernambuco, são só 3% - afirmou Alston.



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sábado, 3 de novembro de 2007

EXECUÇÕES SUMÁRIAS NA CIDADE MARAVILHOSA



Representante da ONU virá ao Rio para analisar denúncias sobre excessos da polícia.



O representante da Organização das Nações Unidas (ONU) para análises de casos de execuções sumárias, Philip Alston, virá ao Brasil para analisar denúncias de que a polícia não respeita os direitos humanos básicos. Entre outros lugares, ele vai visitar o Complexo do Alemão, onde deverá ouvir relatos sobre 19 mortes ocorridas durante operação da polícia do Rio, em 27 de junho. O observador da ONU chega à cidade no início da semana que vem, onde permanecerá até sábado, dia 10, quando está prevista a ida ao conjunto de favelas, em Ramos, na Zona Norte.

O relator da ONU vai analisar os rumos das investigações relacionadas às mortes no Complexo do Alemão e também na favela da Coréia, em Senador Camará, mês passado, onde 13 pessoas foram mortas, entre elas uma criança de 4 anos e um policial civil. Sobre esta operação, foram divulgadas pela TV imagens de policias atirando de helicóptero em suspostos traficantes em fuga.

Sobre a ação no Alemão, Alston chega à cidade em meio à polêmica relacionada a divergências entre os laudos de perícia da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), subordinada à Presidência da República, e do Instituto Médico-Legal, subordinado à Polícia Civil do Rio.

Com 15 páginas, o documento da SEDH, divulgado quinta-feira, aponta indícios de execução sumária e arbitrariamente (sem chance de defesa) na ação policial no Complexo do Alemão . Elaborado por três peritos contradados pelo Governo federal, o relatório ressalta as mortes de José da Silva Farias Júnior e Emerson Goulat. Ambos receberam o primeiro disparo no crânio: "Em ambos os casos, com o corpo em decúbito dorsal (deitados)" . As vítimas ainda foram atingidas por disparos no rosto e no tórax. O documento acrescenta que José e Emerson não tiveram possibilidade de defesa: "uma vez que o disparo letal foi dado de trás para a frente". Ou seja, os dois estavam de costas quando foram atingidos pelo primeiro disparo da polícia.

Uma das organizadoras da visita do representante da ONU, Sandra Carvalho, diretora-executiva da ONG Justiça Global, explica que a motivação da vinda de Philip Alston ao País são os documentos enviados por ONGs ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, relatando excessos praticados pela polícia no país. A situação no Rio, no entanto, é considerada mais grave.

Dados parciais do Instituto de Segurança Pública (ISP) revelam que de janeiro a setembro, sete pessoas foram mortas a cada dois dias em supostos confrontos com a polícia. Além do Rio, Alston também visitará São Paulo, Pernambuco e Brasília. Segundo Sandra, o relatório elaborado pelo relator para execuções sumárias será divulgado no próximo ano.

Segundo as Nações Unidas, Alston se reunirá com "todos os atores da sociedade" no Brasil, incluindo as Forças Armadas, funcionários de prisões, representantes da Polícia Militar e da Polícia Civil. Alston visitará ainda o Supremo Tribunal Federal, governadores e membros do Congresso. O relator também estará com vítimas da violência no País.

O resultado da investigação será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU nos próximos meses. "Como resultado da visita, Alston vai relatar ao Conselho de Direitos Humanos sobre o cumprimento das obrigações do Brasil em termos de direitos humanos e fará recomendações com o objetivo de tornar as medidas de prevenção mais efetivas", afirmou um comunicado da ONU.

O subprocurador-geral de Justiça do estado, Leonardo Chaves, disse ontem que o Ministério Público estadual vai investigar as denúncias de execuções na operação policial do Alemão, feitas pelo governo federal. Chaves considerou as denúncias contundentes.


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sexta-feira, 2 de novembro de 2007

ASSASSINATO OFICIAL


SINAIS DE EXECUÇÃO NO COMPLEXO DO ALEMÃO

Relatório de órgão federal diz que houve assassinatos em ação policial no Alemão; secretário contesta.


Uma análise feita pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República nos laudos periciais dos 19 mortos durante uma megaoperação policial no Complexo do Alemão , em 27 de junho, concluiu que várias pessoas foram executadas sumária e arbitrariamente (sem chance de defesa). O relatório, de 15 páginas, divulgado nesta quinta-feira, foi contestado pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e por três peritas estaduais. O documento foi elaborado por um órgão do governo federal, embora ministros e até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenham elogiado as ações policiais no Rio.

Os três peritos contratados pelo governo federal atestam no item 11: "pelo menos nos laudos (...) das vítimas José da Silva Farias Júnior e Emerson Goulart, respectivamente, foram encontradas evidências de morte por execução sumária e arbitrária. Em ambos os casos, o primeiro disparo foi letal, no crânio (...). Em ambos os casos com o corpo em decúbito dorsal". Na nota de contestação, três peritas-legistas do IML comentam, referindo-se às mortes de José e Emerson: "(...) não é possível determinar a posição da vítima no momento em que foi atingida".

No relatório, os peritos concluem que os laudos não seguiram os procedimentos previstos nos Princípios Para a Prevenção e a Investigação Eficaz de Execuções Extralegais, Arbitrárias e Sumárias, das Nações Unidas.

Beltrame, por e-mail, criticou o documento: "É preciso que fique claro que nenhum dos autores do relatório alternativo esteve no Rio de Janeiro para realizar qualquer diligência. Trabalharam única e exclusivamente interpretando o laudo realizado pela Polícia Técnica do Rio de Janeiro, o que o desqualifica sob a ótica da ciência da perícia técnica."


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DE FLORES E FUZIS NA (IN)SEGURANÇA PÚBLICA DO RIO DE JANEIRO...


Estudiosos e agentes de segurança debatem a eficácia da tática policial do confronto contra o tráfico em favelas.


A política de confrontos adotada pela polícia nas favelas cariocas, e que geralmente resulta em mortos e feridos, é a mais adequada? Na opinião da pesquisadora do Centro de Estudos de Cidadania e Segurança (Cesec) Silvia Ramos, não. Para ela, a cultura do confronto vem colocando o Estado do Rio em um buraco sem fundo.
- A mensagem que o governo do estado vem passando é que não se importa com os mortos em uma operação policial, desde que sejam bandidos. A gente tem a sensação de que o policial vai para o confronto pensando que tem o aval para matar traficantes à vontade. Isso é muito perigoso.
Na quarta-feira, em operação na Favela do Fumacê, em Realengo, a Polícia Civil matou o traficante conhecido como Thiaguinho e mais dois comparsas . Em outra ação, no mesmo dia, o Batalhão de Operações Especiais da PM, o Bope, entrou na Rocinha: um homem ficou ferido por bala perdida e 2.400 alunos perderam aula na escola . E na Favela de Vigário Geral dois homens morreram em tiroteio . No mesmo mês de outubro, a chamada Guerra da Coréia deixou 13 mortos : um menino de quatro anos, um policial e 11 traficantes.
- O que vai ocorrer no futuro próximo? Voltar à Favela da Coréia e matar mais dez? O que isso colabora para o fim da violência, para o combate ao tráfico? - questiona a pesquisadora do Cesec.

Inteligência ou força?
O chefe do Departamento das Delegacias Especializadas do Rio, Allan Turnowski, rebate as críticas ao trabalho policial.
- As pessoas ainda não entenderam que o fato de haver muitos mortos em uma operação não significa ausência de inteligência. Significa, sim, que os bandidos não se renderam e agiram, antes de nós, com violência - argumenta o delegado. Eu convido os críticos ferrenhos da polícia a acompanhar os três meses de trabalho de inteligência que antecedem todas as operações que fazemos.
Dias após o confronto na Favela da Coréia, em Senador Camará, organizações não-governamentais de defesa dos Direitos Humanos e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vieram a público condenar o que chamaram de truculência policial. Elas responsabilizam o governador Sérgio Cabral e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, pelo aumento significativo do número de mortes em confrontos com a polícia, conforme revelou o ISP . Em resposta, o governador afirmou que não há dicotomia entre direitos humanos e ordem pública.
Para o diretor do Núcleo de Estudos da UFF, Ronaldo Leão, não há outra forma de se combater o crime no Rio senão a do confronto"
-"Os marginais querem é vender cocaína e, lateralmente, praticar assaltos; e a sociedade quer impedi-los. Só que não dá para fazer seminário para eles entregaram as armas, como disse o governador. Se você vai ser preso por tráfico, homicídio ou seqüestro e reage dando uma rajada de metralhadora, você quer ser recebido com orquídeas? - compara.
Sílvia Ramos destaca que esse tipo de política gera excessos. E conta já ter ouvido histórias de quem já foi vítima de abuso de autoridade e alvo de violência gratuita por parte de policiais:
- Ainda hoje, não são poucos os casos em que a polícia entra na favela dando tapa na cara e invadindo casas de moradores que não têm qualquer ligação com o tráfico. Esse cidadão tem medo, pavor de polícia. Ele sabe que nos dias de operação na favela ele pode, mais uma vez, ser agredido.
Leão reafirma que a polícia age com a tática certa:
- A polícia seria arbitrária se usasse armas de destruição em massa na favela e não ligasse para a morte de inocentes, o que não acontece - opina.

" A gente tem a sensação de que o policial vai para o confronto pensando que tem o aval para matar traficantes à vontade. Isso é muito perigoso "
" Se você vai ser preso e reage dando uma rajada de metralhadora, quer ser recebido com orquídeas? "

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BRASIL, MEU BRASIL BRASILEIRO...


Muito mais de mil pessoas foram mortas por policiais. Estas mortes raramente são Investigadas de modo adequado, pois são registradas como “resistência seguida de morte”, o que, em geral, faz com que se descarte previamente qualquer investigação aprofundada. De acordo com as estatísticas oficiais, nos primeiros nove meses de 2006 a polícia do Rio de Janeiro matou 807 pessoas, um pequeno aumento com relação ao ano anterior; em São Paulo, foram 528, mais que o total registrado em todo o ano de 2005. A própria polícia e os agentes prisionais se tornaram alvo de ataques, sendo quemuitos foram mortos.

Em maio, o Estado de São Paulo foi abalado pela violência de criminosos e policiais. Entre os dias 12 e 20, integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma organização criminosa que surgiu no sistema carcerário do estado, saíram às ruas numa impressionante demonstração de violência organizada. Alegando protestar contra as condições nas prisões e a transferência de seus chefes para um presídio de segurança máxima, mataram mais de 40 policiais, incendiaram mais de 80 ônibus, atacaram delegacias de polícia, bancos e uma estação de metrô, coordenando ainda motins e tomadas de reféns em cerca de metade das prisões do estado. Em retaliação, a polícia noticiou que havia matado mais de 100 “suspeitos”.

Em diversos incidentes em bairros pobres de todo o Estado de São Paulo, pessoas foram assassinadas por homens mascarados em situações que sugeriam execuções extrajudiciais ou vinganças do tipo cometido por grupos de extermínio. As autoridades estaduais apenas forneceram informações detalhadas sobre os mortos pela polícia depois que o Ministério Público ameaçou abrir um processo judicial. No auge da violência, 117 pessoas morreram em incidentes com armas de fogo num só dia. Em julho, o PCC lançou mais ataques, matando vários agentes prisionais. A reação do governo federal e estadual à violência foi amplamente criticada pelos meios de comunicação, por especialistas em segurança pública, policiais e militantes dos direitos humanos, por tentarem tirar vantagem política da situação antes das eleições, em vez de buscar uma solução para a violência.

As autoridades estaduais do Rio de Janeiro adotaram táticas cada vez mais militarizadas nas suas tentativas de combater os grupos de traficantes que controlam a maioria das favelas da capital. Um veículo blindado de transporte de tropas, conhecido popularmente como “caveirão”, foi usado para policiar os bairros mais pobres da cidade. Noticiou-se que alguns transeuntes foram mortos por policiais militares que atiravam indiscriminadamente de dentro dos “caveirões”. Em março, o Exército posicionou soldados e tanques nas ruas das favelas do Rio, na tentativa de encontrar armas que haviam sido roubadas. Embora os promotores públicos federais tenham contestado a legalidade da operação, nenhum dos governos, federal ou estadual, questionou a decisão do Exército de ir às ruas. Os moradores das favelas, porém, reclamaram do tratamento arbitrário, violento e discriminatório dos soldados, que não haviam sido treinados nem tinham mandado para realizar tais operações.

Em dezembro, as autoridades estaduais e municipais do Rio de Janeiro anunciaram que estavam investigando informações de que até 92 favelas estariam sob o controle de milícias parapoliciais. Segundo relatos, elas eram formadas por ex-policiais e policiais ainda na ativa que atuavam com o respaldo de políticos e lideranças comunitárias locais. As milícias estariam garantindo a “segurança” dessas comunidades. Os residentes, porém, denunciaram o uso extensivo de violência e a extorsão de pagamentos em troca de proteção. Algumas comunidades relataram ter sofrido retaliações violentas das facções do tráfico depois que as milícias se retiraram dos seus bairros.

Há informações de assassinatos característicos de grupos de extermínio nos estados nordestinos da Bahia, Pernambuco e Sergipe. Dois homens previamente acusados de envolvimento com um destes grupos, que nos anos 90 era conhecido como “a Missão”, foram nomeados secretário de Segurança Pública e comandante da Polícia Militar do Estado de Sergipe. Membros da Comissão Estadual de Direitos Humanos expressaram sua preocupação com o retorno dos grupos de extermínio, após receberem notícias de vários assassinatos e desaparecimentos forçados. Em um incidente ocorrido em abril e testemunhado por mais de 50 pessoas, três rapazes adolescentes foram presos por integrantes da unidade de elite da Polícia Militar na comunidade de Mosqueiro. Um dos rapazes teria sido torturado até desmaiar, voltando a si após ser abandonado num matagal. Os outros dois teriam desaparecido e, até o final do ano, não havia sido encontrado qualquer sinal deles.

*Em abril, segundo informações, integrantes da Polícia Militar de Recife, no Estado de Pernambuco, teriam detido um grupo de 14 adolescentes que estavam participando do Carnaval. Depois de tê-los torturado, a polícia os teria levado até uma ponte do Rio Capibaribe e os obrigado a pularem no rio. Os corpos de dois dos rapazes, de 15 e 17 anos, foram encontrados dois dias mais tarde. Um inquérito foi aberto e cinco policiais foram acusados de homicídio e tortura, porém, em junho, um dos rapazes que testemunhou contra a polícia foi morto a tiros.


Trecho do relatório da Anistia Internacional de 2006.


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terça-feira, 23 de outubro de 2007

TIRO NA ZONA SUL É DIFERENTE... MATAR POBRE É MENOS TRAUMÁTICO.


Traficantes estão migrando para a Zona Sul, diz secretário

Segundo José Mariano Beltrame, esta é nova estratégia dos criminosos.

Ainda de acordo com o secretário, nessa região o risco das operações policiais é maior.
O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, afirmou, nesta terça-feira (23), que os traficantes do Rio estão migrando para a Zona Sul da cidade e deslocando armamentos para as favelas dessa região. De acordo com Beltrame, essa é a nova estratégia do tráfico para evitar prisões e apreensões já que, segundo o secretário, é mais difícil fazer operações na Zona Sul do que em outros pontos, como as comunidades do subúrbio.


Cai a máscara da hipocrisia, ESCUTE A DECLARAÇÃO AQUI


“Buscá-los (os traficantes) na Zona Sul, no Dona Marta, no Pavão-Pavãozinho, 'eu (polícia) estou muito próximo da população'. É difícil a polícia ali entrar. Porque um tiro em Copacabana é uma coisa, um tiro na Coréia, no Alemão, é outra. E aí?”, disse. Segundo o secretário, a repercussão das ações na Zona Sul do Rio é maior, já que os prédios de moradores da classe média ficam perto das favelas.

Beltrame também admitiu que o efetivo da Força de Segurança Nacional no Rio de Janeiro está sendo reduzido por causa da solicitação de outros estados. Após os Jogos Pan-Americanos, o governo federal garantiu que 1,2 mil homens continuariam na cidade até o fim do ano. Mas o próprio secretário nacional de Segurança Pública, Antônio Carlos Biscaia, confirmou que o número está menor. “Já está abaixo de mil (homens). Mas a recomposição já está sendo feita. Esse compromisso de manter 1,2 mil homens está ainda confirmado”, afirmou.

NÃO HÁ DICOTOMIA: HÁ HOLOCAUSTO











A TV viu arma nas mãos desse suposto bandido morto loigo após. Você consegue ver?


CABRAL DIZ QUE NÃO HÁ DICOTOMIA ENTRE DIREITOS HUMANOS E ORDEM PÚBLICA


RIO - O governador Sérgio Cabral rebateu, na tarde desta segunda-feira, as críticas de que a polícia do Rio não respeita os direitos humanos. Sem dar nomes, o governador afirmou que os críticos tratam como assuntos distintos direitos humanos e ordem pública. Na semana passada, o governador e a OAB-RJ trocaram farpas após a ação no Morro da Coréia, que resultou na morte de 13 supostos bandidos. A declaração foi feita em uma solenidade no Palácio Guanabara para assinatura de protocolos e intenção na área do turismo.

- A democracia depende de ordem pública. Essa falsa dicotomia entre direitos humanos e ordem pública, que prevaleceu no Rio durante muitos anos, é que levou o estado a isso. Como se direitos humanos e ordem pública não pudessem conviver. Quem mais sofre com aqueles selvagens da Favela da Coréia, com os selvagens da Favela do Alemão, são os moradores do Alemão, são os moradores da Rocinha, Coréia. A cidade inteira sofre, mas os que moram lá sofrem muito mais. A barbaridade é diária.

Subsecretário diz que inteligência nem sempre evita confrontos

Mais tarde o governador afirmou que não estava se referindo às críticas da OAB: 

- Acho que a OAB é uma instituição histórica, respeitável, presidida por um advogado que tenho enorme admiração, dr. Wadih. Ele está no papel de discutir o assunto. Não tem que ter da nossa parte nenhum autoritarismo. Temos que discutir, falar francamente. É um debate de idéias. Não há uma posição monolítica. Só quero cada vez mais reiterar que não se tem democracia sem ordem pública. A democracia pressupõe o respeito à ordem. Ninguém concebe que no seu bairro um policial seja recebido a tiros. Em algumas comunidades do Rio o policial não pode entrar porque leva tiro. Isso não é normal. 

Em entrevista para o RJ TV, o subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, Edval Novaes, falou como o governo pretende agir para atingir as metas de redução da criminalidade.

RJTV - O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, falou em confronto quando for necessário e atuação permanente de inteligência. Que resultado esta estratégia tem trazido para o combate ao crime?
Edval Novaes - O resultado tem sido o que a população tem visto: prisões e apreensões. O que é importante frisar é que, apesar da atividade de inteligência, isso não significa que não ocorrerão confrontos. Nós gostaríamos de que as operações sem tiros, como a da prisão do traficante Joca, em Fortaleza , fossem a regra. Mas, infelizmente, muitas vezes os traficantes se encontram em comunidades carentes, encastelados em áreas de difícil acesso para a polícia e, certamente, cercados de muitos seguranças com armamentos pesados. 

A população tem passado informações para a polícia, muitas vezes através do Disque-Denúncia. O senhor acha que isso é uma mudança de comportamento dos moradores das comunidades e das áreas vizinhas? 

Com certeza. A participação da população tem sido fundamental no auxílio ao trabalho da polícia. Nós pedimos que essa confiança no nosso trabalho permaneça e que, cada vez mais, a população continue denunciando.

Existe alguma forma de proteger essa população em casos de operações onde há tiroteio e confronto?
O que nós buscamos é fazer as incursões da maneira mais cirúrgica possível, em horários onde a população esteja mais protegida. Ou seja, nós procuramos evitar horários de entrada e saída de colégios, de saída e retorno da população ao trabalho. Nem sempre isso é possível, mas é o que nós sempre buscamos.

Que análise o senhor faz dos últimos números do Instituto de Segurança Pública (ISP)?
Um índice importante foi na questão dos homicídios, com um resultado menor em relação a setembro. Mas é interessante destacar também que qualquer estatística tem que fazer uma referência em relação a mais de um período. Neste caso, estamos comparando apenas agosto com setembro. Se nós pegarmos estes mesmo números e compararmos com setembro de 2006, ainda assim nós temos uma queda nos índices. Da mesma forma, se nós pegarmos o acumulado de janeiro até setembro de 2007, nós temos números menores do que o acumulado de janeiro a setembro de 2006. Independente disso, desde que o ISP foi criado, dos 11 principais índices medidos, 8 deles diminuíram no nosso governo, ou seja, de janeiro até outubro.

Enquanto isso, hoje de manhã, 23/10/2007, uma mulher foi baleada na barriga esta manhã no Morro do Andaraí. Segundo a assessoria do hospital, Daniela Ribeiro, 25 anos, está estável, sob avaliação médica na emergência. Ela teria sido atingida durante uma troca de tiros entre traficantes e policiais do Grupamento de Apoio Tático do 6 º BPM (Tijuca).

Me engana que eu gosto...

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

POLÍCIA MATA MAIS E PRENDE MENOS: 961 EM 2007.


Número de mortos pela polícia sobe 21% em setembro

Foram registradas no mês 91 mortes; no ano, já são 961



O número de mortos em confronto com a polícia subiu 21,3% em setembro, em relação ao número de pessoas mortas pela polícia no mesmo mês de 2006. Segundo balanço das ocorrências criminais, divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto de Segurança Pública, foram registrados em setembro 91 autos de resistência, contra 75 no mesmo mês do ano passado.

No ano, já são 961 mortos - 154 a mais que o registrado entre janeiro de setembro de 2006 (aumento de 19%). Das 91 mortes em confronto em setembro, 76 ocorreram na capital.

O aumento no número de mortes em confronto contrasta com a diminuição do volume de ocorrências policiais. O número de prisões, por exemplo, caiu de 1.196, em setembro de 2006, para 1.085, em setembro deste ano. No período de janeiro a setembro, foram efetuadas 10.215 - 2.894 ou 22% a menos que o total registrado no mesmo período do ano anterior (13.109). Ou seja, a polícia está matando mais e prendendo menos.

Caiu também em setembro o número de ocorrências de apreensão de drogas (de 901 para 562) e o de apreensão de armas (de 1.089 para 681).

No mês de setembro, morreram em serviço 2 policiais. De janeiro a setembro foram 22 mortos contra 24 no mesmo período de 2006.

Segundo o governo do estado, as análises dos índices são preliminares e podem sofrer alterações na medida em que sejam consolidados os Registros de Ocorrências lavrados nas Delegacias Tradicionais.




Número de homicídios cai 13,9%


Todas as demais ocorrências registraram queda no estado, com destaque a diminuição de 13,9% dos homicídios dolosos. No mês de setembro, foram registrados 283 homicídios, consolidando um total de 4.030 mortes no ano - 650 a menos que as 4.680 registradas no período de janeiro a setembro de 2006. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve uma queda de 18 % ou menos 499 vítimas.

Destacam-se ainda a queda dos registros de extorsão (- 35,1%), com menos 410 casos; os de atentado violento ao pudor (-20,7%) ou menos 295 vítimas e os de ameaça (-15,7% ) ou 7.491 casos.

No acumulado do ano, chama a atenção o aumento do delito de roubo a transeunte subiu 14,7%, com mais 3.994 casos em relação ao mesmo período do ano anterior. Auto de resistência apresentou alta de 19%, com mais 154 mortos.

Na Região Metropolitana houve aumento, entre outros, em roubo a transeunte, com mais 4.851 casos (15,3%) e lesão culposa de trânsito, com mais 594 vítimas.

Na capital fluminense apresentaram aumento percentual, em comparação ao mesmo período do ano anterior, os registros de roubo a transeunte (17,7%, ou mais 3.942 casos); lesão culposa de trânsito (12,4%) com mais 1.339 vítimas, e homicídio culposo de trânsito, que subiu 12,5%, com mais 72 vítimas.

As maiores quedas de registros da Capital foram de extorsão, com menos 38,1% ou 266 casos, atentado violento ao pudor, que caiu 28,9%, tendo menos 160 vítimas e roubo de veículo que teve queda de 15,6% ou 2.889 casos.

A íntegra do balanço pode ser conferida no site do Instituto de Segurança Pública.


by Darlan Alvarenga

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domingo, 21 de outubro de 2007

QUANDO A POLÍCIA USA INTELIGÊNCIA POLICIAL





ACUSADO DE CHEFIAR TRÁFICO NA ROCINHA É PRESO EM FORTALEZA

Preso estava no aeroporto esperando a namorada.
Investigações começaram no início do ano.

A polícia prendeu na tarde deste domingo (21) João Rafael da Silva, conhecido como Joca, que seria um dos chefes do tráfico da favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio. A Coordenadoria de Informação e Inteligência da Polícia Civil (Cinpol) e a 19ª DP (Tijuca) realizaram a prisão do acusado no Aeroporto de Fortaleza, no Ceará, quando, segundo a polícia, esperava a namorada desembarcar. Os agentes da Cinpol estariam no mesmo avião que ela.

Saiba mais

Segundo a Coordenadoria de Informação e Inteligência da Polícia Civil, João Rafael da Silva estava sendo monitorado há dois meses, desde quando teria deixado a Rocinha com R$ 2,5 milhões. Desde então, o traficante teria ido para um outro estado antes de chegar até Fortaleza. As duas delegacias investigavam a favela da Rocinha desde o começo do ano.

A polícia afirmou ainda que, a partir de uma operação feita na Rocinha, em agosto, prejudicada por vazamento de informações, os agentes conseguiram colher vários dados de moradores da favela através de denúncias. Por causa disso, a ação foi batizada como Operação Cidadão Carioca.

"A prisão de Joca mostra que hoje a polícia do Rio trabalha com objetivos claros, concretos, com missão planejada e com o suporte da inteligência. Nada é aleatório. O segundo ponto é a credibilidade que estamos ganhando junto à população. Sem as informações anônimas, que foram bem trabalhadas, seria muito mais difícil chegar no Joca. E terceiro ponto é o sigilo e a paciência" , comentou o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame.

Viagem

A Cinpol informou que Joca teria passado pelo estado de Mato Grosso e pelo Distrito Federal, antes de ir para o Ceará. Ele deve ser levado até o Rio de Janeiro na noite deste domingo ou na segunda-feira (22) por um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Quando ele desembarcar no estado, serão feitas e concluídas investigações de diversas delegacias, como a 15ª DP (Gávea), e das próprias Cinpol e 19ª DP (Tijuca).

Ainda segundo a polícia, além da venda de drogas, o traficante é investigado pela execução, em março, de três menores na Rocinha. Uma das vítimas seria Suellen Moreira, de 15 anos, que namorava o policial Sérgio Luiz de Albuquerque, detido em agosto por suspeita de vazar informações sobre uma operação na favela.

Política assistencialista

De acordo com a Polícia Civil, o traficante costumava adotar uma política assistencialista para conseguir o apoio dos moradores da favela da Rocinha e estaria à frente das negociações com atacadistas de drogas. Joca controlaria o tráfico de drogas na área que ia do Shopping Downtown, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, até o Humaitá, na Zona Sul.

A Polícia Civil disse ainda que Joca integrou a quadrilha de Denir Leandro dos Santos, o Dênis da Rocinha, que morreu enforcado em 2001 no presídio de Bangu I. Ele foi cúmplice ainda de Luciano Barbosa da Silva , o Lulu, morto em confronto com a polícia em abril de 2004.



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