Sob ameaças, milícia expulsa famílias de acampamento no ParáA Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Diocese de Conceição do Araguaia (PA), o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Santa Maria das Barreiras (BA) e a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Sul do Pará (Fetagri/Sul) denunciaram mais um ato alarmante de violência relacionado com conflitos agrários na região amazônica.Desta vez, 50 famílias acampadas na beira de uma estrada em Santa Maria de Barreiras (PA), nas proximidades da Fazenda Riachuelo, foram expulsas de forma truculenta por uma milícia armada (formada por 18 homens, alguns deles encapuzados), que teria agredido, dado tiros de intimidação e até amarrado camponesas e camponeses sem-terra – três pessoas ainda estão desaparecidas. A expulsão foi confirmada pela Polícia Civil do Pará, que investiga o caso. O acampamento existia desde dezembro de 2010, como forma de pressionar pela desapropriação da fazenda para reforma agrária. Ainda de acordo com a CPT, a expulsão ocorreu no último dia 30 e foi feita por 18 homens armados. As famílias relataram à Pastoral que os milicianos dispararam tiros, amarraram alguns acampados e tiraram fotos deles, ameaçando-os de morte caso retornassem. Ação semelhante, também realizada por um grupo armado, já havia ocorrido em junho deste ano, no mesmo acampamento. A polícia irá interrogar os proprietários da fazenda Riachuelo, à qual pertence à área ocupada. As famílias não retornaram ao local. Leia abaixo a íntegra do comunicado divulgado pelas entidades que denunciam as agressões: Milícia armada expulsa e agride gravemente famílias acampadas em Santa Maria das Barreiras – Sul do Pará No último dia 30 de setembro, 18 homens fortemente armados, mediante uso de violência, disparando tiros, ameaçando de morte, expulsaram cerca de 50 famílias que estavam acampadas na beira da estrada municipal que faz ligação entre o povoado de Casa de Tábua e a sede do município de Santa Maria das Barreiras. O acampamento, denominado Novo Tempo, está situado em frente à fazenda Riachuelo, de aproximadamente 1.800 alqueires, cerca de 9 mil hectares e, supostamente de propriedade dos irmãos Marcelo e Luizito Plínio Junqueira, de Ribeirão Preto – SP. As famílias estavam acampadas naquela área desde dezembro de 2010, quando a fazenda estava praticamente abandonada. Elas pleiteiam a desapropriação do imóvel para fins de reforma agrária, com a criação de um projeto de assentamento, nos termos da Constituição Federal que assegura esse direito. Vale lembrar que este não foi o primeiro despejo violento realizado na área. No dia 4 de junho de 2011, mais de 20 homens armados, que seriam de uma empresa de segurança, expulsaram os acampados, fazendo ameaças de morte “a quem retornasse na área”. Tais fatos foram registrados na Delegacia Especializada em Conflitos Agrários – Deca. Apesar disso, os seguranças continuaram agindo, quando novamente no dia 30 de setembro fizeram outro ataque às famílias acampadas, demonstrando se tratar de uma milícia armada criminosa. Entretanto, utilizando a força e a violência, o grupo de pistoleiros armados expulsou novamente as famílias ali presentes, sem fazer distinção de homens ou mulheres. Os referidos pistoleiros seriam da empresa Servicom. Durante o ataque, alguns estavam encapuzados e, outros usavam coletes sem identificação à prova de balas e afirmavam que estavam agindo a mando dos fazendeiros. Eles chegaram repentinamente no acampamento, dispararam tiros contra as pessoas, agrediram vários acampados, inclusive alguns deles foram amarrados. Os pistoleiros também tiraram fotos das pessoas, colocando-as de duas em duas para a identificação das mesmas, as quais foram ameaçadas de morte, “caso retornem para o acampamento”. Várias pessoas se feriram no meio da confusão, sendo que três delas ainda estão desaparecidas. Os acampados feridos foram atendidos nos hospitais da cidade de Redenção. Novamente foi registrado boletim de ocorrência na Deca, que disse que irá apurar o fato. Este cenário de terror está se tornando cada vez mais comum no Sul do Pará. A questão é: até quando vai prevalecer essa situação de violência e impunidade na região? Houve nesse caso, crimes graves, como tentativa de homicídio, lesão corporal, ameaças de mortes, dentre outros. Cabe à Deca investigar com rigor para punir seus autores, como medida de urgência para evitar novos ataques. Esses fatos serão encaminhados à Ouvidoria Agrária Nacional para que se garanta uma investigação séria e rigorosa, para que os responsáveis sejam punidos. Xinguara (PA), 5 de outubro de 2011 Comissão Pastoral da Terra – CPT da Diocese de Conceição do Araguaia Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santa Maria das Barreiras – STTR Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Sul do Pará – FETAGRI/ Sul Informações da Folha de S. Paulo e do Portal da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Regional Norte 2, Pará e Amapá |
Existe uma Ditadura Disfarçada. A milícia tortura, mata, some com corpos, destrói famílias, rasga as leis e a Constituição. Se antes as vítimas eram aqueles que se oponham à ditadura militar, e pertencia à classe média, hoje é um pouco diferente. As vítimas são geralmente os mais pobres, a única semelhança é a barbárie. Porém não esqueçamos que se hoje aqueles que vivem nas comunidades e na periferia são as vítimas desses algozes, se nada fizermos, manhã será a nossa vez.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Milícia armada espulsa famílias no Pará
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Milícia tem plano para assassinar deputado do Rio de Janeiro.
Inteligência da PM identifica plano de milícia para assassinar deputado estadual.
Marcelo Freixo investigou 225 milicianos. Serviço para matá-lo custaria R$ 400 mil.
Parlamentar afirma que milicianos querem dinheiro, partirão para novos negócios e que combate aos grupos ainda é ineficiente.
A Coordenadoria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro descobriu um plano para matar o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). A trama estaria sendo articulada pelo ex-cabo da Polícia Militar Carlos Ari Ribeiro, o Carlão, que, em setembro, fugiu do BEP (Batalhão Especial Prisional). O ex-PM, ligado a milicianos da zona oeste, receberia R$ 400 mil para assassinar o parlamentar. Para isso, de acordo com documento reservado da Polícia Militar, o miliciano já teria levantado toda a rotina de Freixo, sabendo até o horário em que ele dispensa os seguranças da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).
Marcelo Freixo, que presidiu a CPI das Milícias, denunciando 225 pessoas, entre políticos, bombeiros e policiais civis e militares, confirmou ter sido informado, na última sexta-feira (7), pelo Setor de Inteligência da PM do plano para matá-lo.
“- A diferença dessa vez é que não é mais um Disque-Denúncia e sim um documento do setor de inteligência da PM, que identificou um plano para me matar e com toda a minha rotina já levantada. Não é a primeira vez que recebo uma ameaça, mas dessa vez preocupou um pouco mais. Já conversei com a Secretaria de Segurança e recebi todas as orientações. Estou mudando a rotina e minha segurança foi reforçada”.
No mesmo dia Freixo disse ter comunicado o caso ao presidente da Alerj, deputado Paulo Melo (PMDB), que determinou reforço na segurança do parlamentar. O deputado e a investigação que comandou na Alerj contra milicianos foram reproduzidos no filme Tropa de Elite 2.
De acordo com Freixo, após a morte da juíza Patrícia Acioli, assassinada com 21 tiros no dia 11 de agosto, as ameaças contra ele triplicaram.
“- Essa nova ameaça é um sinal de que o crime organizado no Rio tenta avançar nas suas fronteiras. As milícias continuam agindo e expandindo seus negócios e territórios. É preciso mais que prisões para deter esses grupos. É preciso retirar deles as fontes de lucro.”
De acordo com investigações do Setor de Inteligência da PM, o plano para matar Freixo seria financiado pelo ex-PM Tony Ângelo de Aguiar, foragido da Justiça e atual chefe da milícia que atua em Campo Grande, na zona oeste do Rio. Ele assumiu o comando do grupo paramilitar após as prisões do ex-vereador Jerônimo Guimarães, do irmão dele, o ex-deputado estadual Natalino Guimarães e de Ricardo Teixeira da Cruz, mais conhecido como Batman.
Miliciano fugiu do BEP
Carlão fugiu do BEP 24 horas após a Polícia Civil e a Secretaria de Segurança do Rio deflagrarem uma operação contra milicianos da zona oeste, quanto 19 pessoas foram presas – uma em flagrante. Apesar de preso na unidade desde junho de 2010, ele continuava em contato com o grupo e era um dos alvos da investigação. O ex-PM Tony Ângelo também foi um dos denunciados.
Na ocasião, o então corregedor da PM, coronel Ronaldo Menezes, disse que o ex-cabo escapou de sua cela pelo buraco do ar-condicionado, mas não explicou como o aparelho foi recolocado no local. No BEP, Carlão havia transformado sua cela em suíte, com cama de casal, ar-condicionado, TV, videogame e frigobar. Em maio, uma inspeção da corregedoria e de promotores encontrou um celular e um notebook com ele.
O ex-cabo fugiu às vésperas de ser transferido para um presídio comum. Excluído da corporação em janeiro, ele não deveria ter continuado no BEP. O miliciano foi preso em flagrante em junho de 2010 com uma pistola que, segundo exame balístico, foi usada em diversos homicídios. Ele era lotado no Batalhão da Tijuca (6º BPM) e é suspeito de pelo menos 16 homicídios.
Fonte R7 e Agencia O Dia.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Tenente que comandava Milícia em Fortaleza é expulso da PM
Acusado de comandar milícia é expulso da PM
A decisão foi publicada esta semana no Diário Oficial do Estado. Jairo da Silva é acusado de ter comandado uma milícia que "vendia proteção" a fabricantes de CDs e DVDs piratas no Centro
O tenente da Polícia Militar Jairo da Silva, acusado de ter comandado uma milícia que daria proteção a fabricantes de CDs e DVDs piratas no Centro de Fortaleza, foi demitido da Polícia. A decisão foi publicada esta semana no Diário Oficial do Estado. O documento lista os motivos dele ter sido expulso.
Segundo as investigações, Jairo (conhecido como Robocop) comandava uma milícia que “vendia proteção” a fabricantes de CDs e DVDs piratas. A milícia teria pelo menos 15 integrantes. O documento cita ainda um episódio em que o ex-PM teria constrangido uma servidora pública da Secretaria Executiva Regional do Centro (Sercefor).
“Jairo compareceu fardado na sede da Sercefor, abordando a servidora de forma intimidadora sobre operação realizada no Centro, exigindo a devolução da mercadoria apreendida no box de sua mulher”, cita o documento. O ex-PM teria deixado um cartão de visita que o identificava pelo posto de tenente para ser entregue à titular da Sercefor, Luiza Perdigão.
A decisão, assinada pelo governador em exercício Domingos Filho, frisa o fato de o ex-policial usar sua patente “para intimidar pessoas e tirar vantagem em proveito próprio e de terceiros.”
Em um dos episódios, ele teria sacado uma pistola para ameaçar vigilantes que trabalhavam na transferência dos permissionários do Beco da Poeira para a nova sede, na avenida do Imperador, no Centro, em abril de 2010. Durante a transferência, o ex-PM teria roubado ventiladores dos boxes do Beco da Poeira que estavam sendo desocupados.
Em matéria publicada no O POVO do dia 25 de janeiro de 2011, Jairo negou os crimes atribuídos a ele. Mas, por orientação dos advogados, o ex-PM não entrou em detalhes sobre o caso.
O governador Cid Gomes havia determinado a investigação contra o militar em janeiro deste ano. Ele foi submetido a um Conselho de Justificação, procedimento responsável por julgar a capacidade moral de um oficial em permanecer na corporação. O conselho considerou que o ex-PM cometeu “transgressão disciplinar de natureza grave, por violar valores, deveres e a disciplina militar”.
A decisão do conselho foi publicada no Boletim do Comando Geral da PM no dia 21 de junho. O passo seguinte foi a assinatura do ato de expulsão pelo governador, publicada esta semana no Diário Oficial do Estado. O ex-PM pode entrar com recurso no Tribunal de Justiça para tentar reverter a decisão.
Em agosto, Jairo chegou a ser preso por homens do Batalhão de Choque (BpChoque). Ele já havia sido excluído da PM, mas voltou por ordem judicial. (Tiago Braga)
ENTENDA A NOTÍCIA
Jairo da Silva ingressou na Polícia Militar em 1989. O tenente foi acusado de comandar uma milícia que daria proteção a fabricantes de CDs e DVDs piratas no Centro. Após ser submetido a um Conselho de Justificação, ele foi expulso da Polícia. A decisão cabe recurso.
Saiba mais
No dia 12 de janeiro de 2011, O POVO mostrou, com exclusividade, que uma suposta milícia comandada pelo tenente da PM Jairo da Silva daria proteção a fabricantes de CDs e DVDs piratas.
O grupo também estaria ameaçando de morte a titular da Sercefor, Luíza Perdigão.
Um dia após a matéria do O POVO, a Corregedoria dos Órgãos da Segurança Pública sugeriu à PM e Polícia Civil abertura de Conselho de Justificação e inquérito civil contra o tenente.
Nove dias após O POVO revelar a suposta milícia, o secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Francisco Bezerra, determinou uma ação das polícias Militar e Civil. Em dois dias, foram apreendidos 87 mil produtos pirateados, entre CDs e DVDs.
Fonte: O POVO Online
Milícia armada ataca acampados no Pará
Milícia armada expulsa acampados com violência no Sul do Pará
Cerca de 50 famílias acampadas em Santa Maria de Barreiras (PA), nas proximidades da Fazenda Riachuelo, foram expulsas de forma truculenta por 18 homens, alguns deles encapuzados, com ameaças, tiros e agressões físicas
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Diocese de Conceição do Araguaia (PA), o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Santa Maria das Barreiras (BA) e a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Sul do Pará (Fetagri/Sul) denunciaram mais um ato alarmante de violência relacionado com conflitos agrários na região amazônica.
A íntegra da nota divulgada nesta quarta-feira (5) pelas entidades pode ser conferida no Blog da Redação da Repórter Brasil.
Desta vez, 50 famílias acampadas na beira de uma estrada em Santa Maria de Barreiras (PA), nas proximidades da Fazenda Riachuelo, foram expulsas de forma truculenta por uma milícia armada (formada por 18 homens, alguns deles encapuzados), que teria agredido, dado tiros de intimidação e até amarrado camponesas e camponeses sem-terra.
Durante a ação, os acampados receberam ameaças de morte "a quem retornasse na área". Três pessoas ainda permanecem desaparecidas. Feridos durante a expulsão foram atendidas em hospitais de Redenção (PA).
A íntegra da nota divulgada nesta quarta-feira (5) pelas entidades pode ser conferida no Blog da Redação da Repórter Brasil.
Desta vez, 50 famílias acampadas na beira de uma estrada em Santa Maria de Barreiras (PA), nas proximidades da Fazenda Riachuelo, foram expulsas de forma truculenta por uma milícia armada (formada por 18 homens, alguns deles encapuzados), que teria agredido, dado tiros de intimidação e até amarrado camponesas e camponeses sem-terra.
Durante a ação, os acampados receberam ameaças de morte "a quem retornasse na área". Três pessoas ainda permanecem desaparecidas. Feridos durante a expulsão foram atendidas em hospitais de Redenção (PA).
Fonte Reporter Brasil
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Milícia negocia imóveis com o governo do Rio
Milícia negocia imóveis onde vai passar novo acesso ao Engenhão
RIO - O corredor que servia de passagem para a Favela Belém Belém pela Rua das Oficinas, em frente à entrada sul do Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, foi invadido por uma milícia. No local estão sendo construídas pelo menos dez casas, que estão sendo negociadas por R$ 10 mil a unidade. Na entrada do corredor tem um portão com barras de ferro e tapumes de madeira que limita a visão e o acesso de curiosos. No final do corredor, foi construída uma parede separando as casas da favela.
Segundo informações de comerciantes e moradores do Engenho de Dentro, a invasão foi patrocinada pela milícia que também atua na favela Águia de Ouro, em Del Castilho.
MAIS VALORIZADO: Prefeitura aumenta indenizações para moradores removidos no Rio
As casas construídas na antiga passagem para a favela estão no meio do caminho de uma nova via de acesso ao Engenhão. A obra faz parte do pacote da prefeitura para os Jogos Olímpicos de 2016, já que o estádio receberá as provas de atletismo.
O paredão, que agora faz com que os moradores mais antigos tenham que buscar caminhos alternativos para sair da Belém-Belém não é o único sinal da ação da milícia. Há dois anos, um muro que indicava onde a favela terminava foi demolido e pelo menos outros 20 barracos foram construídos pelos milicianos. Essas casas também ficam no traçado da futura via.
A favela terá um projeto de urbanização. Vamos reassentar os moradores em uma área disponível na própria comunidade
Os milicianos também cobram dos comerciantes do bairro R$ 10 por semana de "proteção", ao estilo da máfia. Alguns comerciantes deixaram de contribuir depois que a polícia prendeu, em julho, alguns suspeitos de integrarem a quadrilha.
A Belém-Belém surgiu há cerca de 40 anos. Os primeiros moradores eram famílias de funcionários da Rede Ferroviária Federal que trabalhavam nas oficinas de manutenção dos trens no mesmo terreno onde o Engenhão foi construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007.
O presidente da associação de moradores da favela, Argemiro Moreira, calcula que 1.800 pessoas vivam hoje em cerca de 300 casas. Ele estima que pelo menos a metade terá que ser reassentada com a realização da obra. No sábado passado, o prefeito Eduardo Paes esteve na favela e disse que o projeto ainda não foi detalhado.
A favela Belém-Belém: algumas casas da comunidade serão removidas porque estão no caminho da nova via de acesso ao Engenhão (Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo)
Argemiro admite a existência de novas construções. Mas afirma desconhecer de quem teria partido a iniciativa:
- A comunidade não cresceu muito nos últimos anos porque eu sempre tive a preocupação de esclarecer aos moradores que a expansão desordenada não seria boa para nós. Não sei quem fez essas casas - disse Argemiro.
O secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar, explicou que, ao contrário do que acontecerá com a Vila Autódromo, a Belém-Belém não será integralmente removida.
- A favela terá um projeto de urbanização. Vamos reassentar os moradores em uma área disponível na própria comunidade.
Bittar acrescentou que, também por conta das Olimpíadas, a prefeitura estuda reassentar parte da favela Barreira do Vasco. O secretário também prevê para dezembro o fim da remoção das casas da Favela do Metrô vizinha do estádio do Maracanã, para imóveis do Minha Casa Minha Vida, na Mangueira. O reassentamento faz parte de uma estratégia de priorizar a urbanização de comunidades no entorno de áreas da Copa de 2014 e das Olimpíadas. No caso da Barreira do Vasco, o objetivo é melhorar os acessos ao estádio de São Januário, que durante as Oimpíadas receberá as partidas de rúgbi. O número de casas a ser retiradas depende da conclusão de estudo da CET-Rio.
Publicada em 04/10/2011 às 23h50m
Por: Luiz Ermesto Magalhães (luiz.magalhães@oglobo.com.br)
Fonte: O Globonline
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Milícias: Presos PMs suspeitos do assassinato da Juíza no Rio de Janeiro.
PMs achavam que não seriam presos se matassem juíza, diz Beltrame. Crime foi premeditado, diz delegado. Prisão temporária de 3 PMs foi decretada. Armas de calibre 38 e 40 do 7º BPM (São Gonçalo) foram apreendidas.
Um mês após a juíza Patrícia Acioli ser assassinadana porta de casa, em Niterói, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou nesta segunda-feira (12) que o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes e os cabos Sergio Costa Junior e Jefferson de Araujo Miranda achavam que não seriam presos se matassem a magistrada.
Ainda de acordo com Beltrame, nesta segunda, peritos apreenderam todas as armas calibre 38 e 40 do batalhão de São Gonçalo. A polícia quer descobrir quais delas teriam sido usadas no crime. "O que interessa é a busca pela verdade. Todas as armas do 7º BPM, calibre 38 e 40, foram apreendidas. O ideal seria que não tivesse acontecido, mas em acontecendo, nós temos a obrigação de apurar", afirmou o secretário em coletiva de imprensa.
De acordo com o delegado titular da Divisão de Homicídios, Felipe Ettore, o inquérito só será concluído em 30 dias, depois que a polícia descobrir de qual arma partiu o tiro que matou a juíza. "Três policiais estão identificados, mas o sigilo ainda é uma cautela necessária para localizar a arma usada na execução. Temos a filmagem do dia do assassinato em que Patricia está sendo seguida por uma moto com duas pessoas", afirmou.
No domingo (11), a Justiça do Rio decretou a prisão temporária dos três PMs suspeitos de participar da morte de Patrícia. Os mandados de prisão foram expedidos pelo plantão judiciário de Niterói, na Região Metropolitana do Rio.
Crime contra juíza foi premeditado
Os PMs do Grupo de Ações Táticas (GAT) do batalhão de São Gonçalo já estavam presos na Unidade Prisional da PM, em Benfica, na Zona Norte do Rio. Eles são acusados também de participar do assassinato de um jovem de 18 anos no dia 3 de junho, no Morro do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana.
Na época da morte do jovem, os policiais afirmaram que agiram em legítima defesa, o que não foi comprovado pelas investigações. Segundo Ettore, os três PMs foram ao Morro do Salgueiro ameaçar a família do jovem morto, mas não a encontraram. No dia 11 de julho, eles foram até a residência da juíza Patricia Acioli verificar o local, já pensando num possível assassinato, ainda de acordo com o delegado.
No dia do crime, eles receberam a informação da advogada deles de que a prisão seria decretada. Antes de Patricia deixar o Fórum de São Gonçalo, ela decidiu decretar a prisão do trio. Mas, segundo a polícia, os suspeitos não sabiam que a prisão já havia sido decretada. "A forma de impedir isso seria matando ela. Eles foram até o Fórum e seguiram Patricia até a porta da casa dela", disse Ettore.
De acordo com o presidente da Amaerj, Antônio César de Siqueira, no dia em que foram na casa da juíza (11 de julho), os três PMs usaram um carro do 12º BPM (Niterói) que não possui GPS.
Advogada de PMs é investigada
O presidente do TJ-RJ, Manoel Alberto Rebelo dos Santos, informou que a conduta da advogada dos PMs suspeitos está sendo investigada. "O MP vai verificar se a advogada dos criminosos colaborou no crime. A princípio, não vejo onde ela tenha errado ao comunicar aos seus clientes que a juíza pensava em decretar a prisão deles. É um crime que não tem relação com as ameaças anteriores. A expectativa dos policiais era de que se matassem a juíza, outro juiz não decretaria a prisão deles", disse Rebelo.
Para Rebelo, se Patricia ainda tivesse escolta possivelmente não impediria o crime. "A escolta previne, mas não evita. Se ela tivesse escolta ou não, esses elementos decidiram que iriam matá-la", afirmou o presidente do TJ-RJ.
Participaram da coletiva de imprensa a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha; o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Manoel Alberto Rebelo dos Santos; o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, desembargador Nelson Calandra; o secretário geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Fernando Florido Marcondes; o Procurador Geral de Justiça, Claudio Soares; o secretário de estado chefe da Casa Civil, Régis Fichtner; o presidente da Associação dos Magistrados do Rio (Amaerj), Antônio César de Siqueira; e o delegado da Divisão de Homicídios (DH), Felipe Ettore, responsável pelas investigações do caso. O comandante da Polícia Militar, Mário Sérgio Duarte, no entanto, não foi visto na coletiva.
A juíza Patrícia Acioli era conhecida por atuar com rigor contra grupos de extermínio que agem em São Gonçalo. Na lista de condenações há casos contra milícias e máfias dos combustíveis e dos transportes alternativos. Sem escolta policial desde 2007, ela foi morta no dia 12 de agosto, na porta de casa, em Piratininga, Niterói. Segundo a Divisão de Homicídio, ela foi vítima de uma emboscada e levou 21 tiros.
MP pede afastamento de 34 PMs
Na sexta-feira (9), o juiz Fábio Uchôa, em exercício na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, determinou que os advogados e defensores públicos dos policiais militares que respondem a processos de homicídio em autos de resistência se manifestassem sobre o pedido do Ministério Público estadual. No dia anterior, o MP requeriu o afastamento de 34 PMs que respondem a processos em São Gonçalo e pediu a prisão preventiva de 28 deles.
Segundo o juiz, a intimação da defesa dos envolvidos está prevista no Código do Processo Penal (CPP), que diz que ressalvados os casos de urgência ou de perigo de ineficácia da medida, o juiz, ao receber o pedido de medida cautelar, determinará a intimação da parte contrária.
Segundo o MP, em agosto, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Manoel Alberto Rebêlo, havia informado que solicitaria a transferência de policiais do 7ª BPM (São Gonçalo) que estivessem envolvidos em processos criminais para outros batalhões. No entanto, o Ministério Público julgou que a transferência desses agentes seria pouco eficaz.
De acordo com o procurador-geral de Justiça, Claudio Lopes, todos os 34 policiais militares passaram pelo 7ª BPM, no entanto, alguns já foram transferidos para outros batalhões. A lista de 34 agentes é parcial. Outros casos continuam sendo analisados.
Policiais afastados em Niterói
No dia 25 de agosto, cinco policiais militares do 12º BPM (Niterói), que respondem por homicídio, foram afastados das ruas. Segundo a Polícia Militar, o afastamento foi determinado pelo comandante do batalhão, tenente-coronel Paulo Henrique Moraes, em cumprimento a uma decisão judicial da Patrícia Acioli, feita pouco antes de morrer. Enquanto estiverem afastados das ruas, os cinco PMs só podem fazer trabalhos administrativos, dentro do batalhão. Ainda de acordo com a PM, eles respondem por homicídio na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, onde Patrícia atuava.
Ainda em agosto, a Polícia Militar confirmou também que o comandante da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, recebeu do Tribunal de Justiça do Rio uma lista com nomes de 91 agentes que respondem por homicídios na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo. Eles respondem a ações penais que seriam julgadas pela juíza Patricia Acioli.
Fonte: G1
Foto: Thamine Leta/G1
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Polícia faz operação contra milícias de Natalino e Jerominho no RJ
Polícia faz operação para desarticular milícia comandada pelos irmãos Natalino e Jerônimo Guimarães
RIO, 01/09/2011 – Cerca de 150 homens da Polícia Civil e da Secretaria de Segurança realizam a Operação Pandora, desde as 4h da manhã desta quinta-feira, para prender acusados de integrar a milícia comandada pelo ex-deputado estadual Natalino Guimarães junto com o irmão, o ex-vereador Jerominho, ambos presos no presídio federal de segurança máxima de Campo Grande desde 2008. O Grupo de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público (Gaeco) denunciou 18 pessoas ligadas ao bando, entre elas, ex-policiais militares e um policial civil aposentado. Cinco dos denunciados já estavam presos. Os agentes buscam ainda cumprir 30 mandados de busca e apreensão. A ação acontece em comunidades da Zona Oeste. Até agora, nove pessoas foram presas.
LEIA MAIS : Mesmo presos, chefes de milícias comandam quadrilhas na Zona Oeste do Rio, no estilo do tráfico
Foram apreendidos também R$ 45 mil em cheque e espécie, uma pistola PT 380, uma máquina de contar cédulas e documentos relativos a maquinas de caça-níqueis e à milícia.
Os policiais querem capturar os atuais e principais membros do grupo paramilitar, que atua nas localidades de Campo Grande, Cosmos, Inhoaíba, Santíssimo, Paciência, Sepetiba e adjacências. Um dos acusados que tiveram o mandado de prisão preventiva expedido foi o policial civil aposentado Anísio de Souza Bastos, que até o ano passado era lotado na Corregedoria Interna da Polícia Civil. Sua função era considerada de extrema importância para a quadrilha. Anísio atuava como um membro infiltrado e obtinha informações sobre milícias rivais para beneficiar a quadrilha dos irmãos Guimarães.
Segundo a denúncia do Gaeco, o bando cometia grande variedade de crimes, como homicídios, extorsões, posse e porte ilegais de armas, com o objetivo de "dominação territorial e econômica de toda região por meio da violência e da imposição do terror". As principais atividades ilícitas, de acordo com os promotores, são o domínio do transporte alternativo; a exploração de máquinas de caça-níqueis; o monopólio da venda de gás a preços superfaturados; a cobrança de taxas de segurança; a redistribuição de sinal de TV, conhecido como "gatonet"; e a exploração de depósitos clandestinos de combustível (GNV).
Além de Anísio, o ex-PM Toni Ângelo Souza de Aguiar, apontado como chefe da quadrilha, também teve a prisão preventiva decretada. No bando, há outros ex-policiais militares, como Ivo Mattos da Costa Junior, que já está preso no Batalhão Especial Prisional (Bep). Durante as investigações da Draco, da Gaeco e da subsecretaria de Inteligência, algumas testemunhas foram assassinadas pela quadrilha de Toni.
Além de homens da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, participam da ação agentes da Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Draco/IE), da Corregedoria Geral Unificada (CGU) e de diversas delegacias distritais e especializadas da Polícia Civil.
A milícia sofreu um outro baque no último dia 19, quando pelo menos 60 pessoas foram presas durante operação deflagrada pela Polícia Federal em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. grupo, supostamente formado por policiais civis e militares da região, invadiu há três anos uma área de mais de um milhão de metros quadrados, iniciando a extração ilegal de argila, barro e areia.
Por Ana Claudia Costa, Athos Moura e Vera Araújo
Fonte: Jornal EXTRA
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Preso PM acusado de chefiar miícia em Jacarepagua, RJ
Por Luarlindo Ernesto
Rio - Acusado de chefiar grupo de milícia em Curicica, Jacarapaguá, o cabo da Polícia Militar André Luiz Barreto Ferralho, do 22º Batalhão da PM, foi preso no final da manhã desta quarta feira. Policiais da 2ª Delegacia de polícia Judiciária Militar fizeram a prisão na esquina das ruas Juranda e Florair, em Curicica.
O militar estava com três armas, munição carregadores, notebock, cerca de R$ 30 mil em espécie, 57 papelotes de cocaína e fichas de cobrança de TV a cabo clandestina no valor de R$ 40 para cada cliente. O cabo André Luiz foi levado para ser autuado na 32ª DP, em Jacarépagua, e deverá ser removido para o Batalhão Especial Prisional da PM, em Benfica.
Fonte O Dia.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Ajuste entre assassinos: Falso bombeiro e suspeito de integrar milícia são mortos
Falso bombeiro e suspeito de integrar milícia são mortos
Por Bruno Rohde
Um suspeito de envolvimento com a milícia e um falso bombeiro foram mortos a tiros, em Oswaldo Cruz, perto da estação ferroviária do bairro. Os disparos foram efetuados por pistolas de três calibres diferentes quando as vítimas passavam pela Rua Adelaide Badajós, às 22h desta segunda-feira.
Carlos Alberto da Silva Oliveira, de 32 anos, que dirigia um Gol cinza, morreu na hora. Bruno de Brito Alves de Souza, de 28, ainda conseguiu sair do carro e correr, mas morreu na passarela da estação de trem.
Carlos Alberto estava com uma pistola calibre 380 na cintura e com uma carteira falsa de bombeiro. Já Bruno tinha um histórico de proximidade com milicianos. Ele seria ligado ao grupo do ex-PM Francisco César de Oliveira, o Chico Bala.
Bruno teria participado da execução de um rival, em abril de 2009. Anderson Bengaly de Souza foi assassinado a tiros no estacionamento de um supermercado, na Zona Oeste. A vítima pertenceria a uma milícia rival a de Chico Bala. Bruno também foi investigado pela participação na morte da garota de programa Edilma Maria Ferreira, morta quando estava grávida de 8 meses. Ela também foi executada em abril de 2009, em Campo Grande. Em maio desse mesmo ano, Bruno chegou a ser preso com uma pistola, numa casa.
A Divisão de Homicídios investiga o a morte de Carlos Alberto e Bruno. Já se sabe que um Gol vermelho com homens armados emparelhou com o carro onde estavam as vítimas. Segundo a polícia, foram disparados mais de vinte tiros.
Fonte Extra
Juíza assassinada pela miícia queria proteção do tribunal
PMs que eram investigados por juíza morta serão transferidos de batalhão
Decisão foi anunciada pelo presidente do Tribunal de Justiça.
Outros 30 policiais vão aumentar a segurança no Tribunal de Justiça.
Por Thamine Leta
O presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) Manoel Alberto Rebêlo informou, na tarde desta quarta-feira (17), que os policiais do 7º BPM (São Gonçalo), investigados pela 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, serão transferidos para outros batalhões. Eles seguem trabalhando enquanto os caso não são julgados. A juíza Patrícia Acioli, assassinada na última sexta-feira (12), em Niterói, investigava crimes relacionados a milícias, que teriam agentes envolvidos.
A decisão, segundo Rebelo, foi tomada durante uma reunião com o governador do estado, Sérgio Cabral, nesta terça-feira, no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na Zona Sul.
"Durante a reunião, o governador autorizou que mais 30 policiais fizessem a segurança do Tribunal de Justiça. Ficou decidido também pela remoção de policiais do 7º BPM, que estão sendo processados. Eles serão transferidos para outros batalhões", disse Rebêlo.
De acordo com Rebêlo, durante a reunião ficou decidido ainda que será construído um único Fórum, em São Gonçalo, que abrigue todas as varas da Justiça. A intenção é facilitar a segurança de todos os juízes.
“Se não fosse isso, o Fórum de São Gonçalo teria que usar quatro imóveis distintos e isso dificulta a segurança. A solução foi um espaço em que vamos construir um fórum com todas as varas de São Gonçalo”, explicou. Rebelo também adiantou que a segurança será reforçada no Fórum de São Gonçalo.
O presidente do TJ afirmou que dez carros blindados estão à disposição do Tribunal de Justiça.
Investigações do crime
O secretário geral da Comissão Nacional de Justiça, Fernando Marcondes, que também participou da reunião com o presidente do TJ e o governador Sérgio Cabral, falou sobre as investigações do crime.
“As investigações são feitas com profundidade. Em muito menos tempo que possamos imaginar o caso será solucionado”, disse Marcondes.
Juíza enviou ofício reclamando da falta de proteção
Patrícia Acioli reclamava por escrito da falta de proteção policial, por causa das ameaças de morte que recebia. Ela chegou a enviar ofícios ao Tribunal de Justiça do estado (TJ-RJ).
Os documentos foram apresentados pelo advogado da família como prova de que ela queria reforço na segurança.
Os documentos estavam no gabinete da juíza Patrícia Acioli, em São Gonçalo, também na Região Metropolitana, e serão entregues nesta quarta-feira (17) ao presidente do TJ-RJ. Em um deles, datado de 13 de fevereiro de 2007, Patrícia se dirige ao diretor de segurança do Tribunal.
Ela diz que não pode receber um novo policial designado para a escolta da família, porque os filhos já estão acostumados aos atuais integrantes, depois de um processo de adaptação demorado e trabalhoso.
A juíza pede a volta de um ex-integrante da escolta, e observa que, naquele momento, contava com apenas três policiais militares na sua segurança, sendo imprescindível a vinda de um quarto policial.
Na última sexta-feira (12), o presidente do Tribunal de Justiça disse que a escolta foi retirada porque Patrícia Acioli não achou necessário mantê-la.
“Quando chegou em 2007, o Tribunal de Justiça nas avaliações que faz a respeito chegou a conclusão de que não havia necessidade de ela continuar com a segurança intensa como ela vinha tendo até então. E propôs reduzir o número de policiais que iriam trabalhar na segurança dela. Ela então achou que aquilo ali não era necessário”, disse o desembargador Manoel Alberto Rebêlo, presidente do TJ-RJ, na última sexta-feira.
Juíza recebeu visita de major
Cinco meses depois, a juíza escreve ao juiz Mário Mazza, auxiliar do então presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Murta Ribeiro. Patrícia diz ter recebido a visita do major Silvio Guerra, responsável pela segurança do TJ-RJ.
Segundo a magistrada, o major disse a ela que o presidente do Tribunal havia determinado a retirada de um policial de sua escolta, que seria reduzida a um PM por dia. Este policial teria que se transportar por meios próprios ou no carro da juíza.
A juíza reclama: "Entendendo que a questão envolvendo a minha vida é algo muito importante, não entendi o tratamento que foi dado ao caso".
Ela pede, por escrito, a decisão do presidente do Tribunal de Justiça, e diz que apesar de não ser especialista em segurança, acha que a nova escolta não atende a critérios mínimos. Por fim, ela afirma que não questiona a decisão, mas que "aguarda a ordem chegar de forma correta, por escrito", "para cumpri-la imediatamente".
Informe de inteligência
Outro documento encontrado pelo advogado contratado pela família de Patrícia Acioli é um informe de inteligência da Polícia Federal, que revela o plano de um contraventor da cidade de São Gonçalo.
Numa escuta telefônica, ele dá a entender que alguém próximo à juíza seria vítima de um atentado. No documento, de julho de 2009, um agente informa ao delegado da Polícia Federal em Niterói que o bicheiro Luis Anderson de Azeredo Coutinho, numa interceptação telefônica, demonstra grande rancor contra Patricia e afirma que "uma bomba irá explodir em São Gonçalo. A pessoa que bate o martelo irá chorar lágrimas de sangue."
Diz que "a ordem já teria sido dada" e "a magistrada ficaria sabendo que teria sido ele o autor do fato".
Alguns dias depois, em outra conversa telefônica, o bicheiro afirma que a atitude contra a juíza seria, na verdade, uma representação na Corregedoria de Justiça.
No entanto, para a Polícia Federal, como o bicheiro desconfiava que estava sendo monitorado, aquela afirmação poderia ser uma tentativa de dissimular o telefonema anterior. O comunicado foi enviado à própria juíza Patrícia Acioli.
Numa anotação feita à mão no canto da página, é possível ler também: "Oficie-se a presidência do Tribunal de Justiça", "a Procuradoria de Justiça" e "a Secretaria de Segurança Pública".
Defesa
O desembargador Murta Ribeiro, que era presidente do Tribunal de Justiça em 2007, quando a proteção à juíza foi retirada, afirmou por telefone que a decisão de reduzir a escolta foi normal, porque quando um juiz recebe uma ameaça e ela não se concretiza, a segurança é desmobilizada para atender outro juiz.
Murta Ribeiro disse ainda que não se lembra se enviou por escrito à juíza a ordem para redução da escolta, mas acredita que não tenha enviado, porque, segundo o desembargador, do ponto de vista da hierarquia, isso não faria sentido.
O desembargador Luiz Zveiter, que era presidente do Tribunal de Justiça em 2009, disse que avaliou que o comunicado da Polícia Federal se referia à representação feita pelos advogados do bicheiro Luís Anderson Azeredo na corregedoria do tribunal. Esta avaliação foi confirmada, segundo Zveiter, porque dias depois da interceptação do telefonema, a representação contra a juíza efetivamente ocorreu. Ele disse que esteve com a magistrada e que em nenhum momento ela disse ter sofrido ameaças.
O procurador-geral de Justiça, Cláudio Lopes, informou na manhã desta quarta-feira (17) que já pediu um levantamento para ver se o ofício da PF chegou realmente e se foi encaminhado para o órgão competente, neste caso, a Secretaria de Segurança ou o próprio Tribunal de Justiça. Lopes ressaltou que o Ministério Público só faz a segurança dos seus funcionários e não é responsável pela segurança de pessoas de fora do seu quadro.
A assessoria da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro não localizou o secretário José Mariano Beltrame.
A assessoria da Polícia Federal disse que não vai se pronunciar.
Fonte G1
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
MILÍCIA EXECUTA JUIZA NO RIO DE JANEIRO.
Brasil tem pelo menos 87 juízes sob ameaça, diz corregedora do CNJ
Juíza de 47 anos foi morta nesta madrugada, na porta de casa, no Rio. Para Calmon, Judiciário 'cochila' em relação à segurança de magistrados
Por Débora Santos
A corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Eliana Calmon, afirmou nesta sexta-feira (12) que o Judiciário brasileiro tem “cochilado” em relação à segurança de magistrados. Segundo dados enviados por tribunais estaduais e federais ao Conselho, pelo menos 87 juízes estão sob ameaça em todo o Brasil, como a juíza Patrícia Acioli, que foi assassinada na madrugada desta sexta-feira (12).
Saiba mais
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“Nós muitas vezes cochilamos um pouco quanto à segurança de magistrados que brigam e que trabalham com assuntos muito sérios como foi o caso dessa magistrada. Temos um segurança falha. Nós efetivamente temos cochilado um pouco”, disse a ministra.
Segundo informações enviadas pelo Tribunal de Justiça do Rio, no estado há 13 magistrados sob ameaça. Entre esses nomes, segundo a corregedora, não estava a juíza Patrícia Aciolli.
Eliana Calmou relatou que em junho deste ano enviou ofícios a todos os presidentes de tribunais regionais dos estados – inclusive do Rio de Janeiro, Manoel Alberto Rebêlo dos Santos – pedindo dados sobre ameaças a juízes e recomendando o reforço na segurança dos magistrados.
“Recomendo que Vossa Excelência determine a adoção de práticas efetivas para garantir a segurança dos magistrados, em especial daqueles que judicam em varas criminais e de execução penal”, afirmou a corregedora na carta.
Há cerca de 3 meses, o CNJ criou um grupo de estudos para diagnosticar os problemas na segurança dos magistrados e definir que medidas devem ser tomadas pelos tribunais. Eliana Calmon afirmou que, segundo os investigadores do caso, Patrícia Acioli investigava grupos de extermínio, envolvendo inclusive policiais do Rio de Janeiro.
“Não se pode ter uma vara de execução como esta com um juiz apenas. Tem que diluir essa responsabilidade. É uma medida de segurança”, disse a corregedora do CNJ.
A corregedora informou ainda que constavam contra a juíza assassinada 4 representações no CNJ por abuso de autoridade. Mas todas foram arquivadas por falta de provas. De acordo com Eliana Calmon, provavelmente essas acusações tenham sido feitas por pessoas que não concordavam com a atuação rígida da juíza no combate ao crime.
“Há muito tempo ela batia de frente com esses grupos de extermínio e outros como do transporte ilegal de vans, bicheiros. Era uma juíza rigorosíssima. Só posso lamentar esse bárbaro ataque, mas não creio que isso vai inibir a magistratura. Isso pode assustar um pouco, mas não pode inibir o Judiciário. A morte da Dra. Patrícia não ficará em vão. Os magistrados brasileiros podem estar certos de que não estão sozinhos”, afirmou Eliana Calmon.
Marcada para morrer
A juíza Patrícia Acioli estava em uma lista de doze pessoas marcadas pra morrer, segundo investigadores. O documento foi encontrado com Wanderson da Silva Tavares, o Gordinho, acusado de ser chefe de uma milícia em São Gonçalo, preso em janeiro deste ano em Guarapari, no Espírito Santo.
De acordo com fontes da polícia, nos últimos dez anos a juíza foi responsável pela prisão de cerca de 60 policiais ligados a milícias e a grupos de extermínio.
Em setembro do ano passado, seis suspeitos, ente eles quatro policiais militares, foram presos. Segundo as investigações, todos faziam parte de um grupo envolvido no assassinato de 11 pessoas em São Gonçalo. A juíza Patricia Acioli foi quem expediu os mandados de prisão.
Ela trabalhava na quarta vara criminal de São Gonçalo. A juíza tem um histórico de condenações contra criminosos que atuam na cidade. Quadrilhas que agem na adulteração de combustíveis, no transporte alternativo entre outros crimes.
Fonte G1
(Foto: Bruno Gonzalez / Agência O Globo)
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