quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Série de mortes à sombra da cúpula da Polícia Civil. Braços armados da milícia.



Série de mortes à sombra da cúpula da Polícia Civil.





Mais de 15 assassinatos serão investigados novamente pela Secretaria de Segurança.


Rio, 17 fev. 2011 - O desdobramento da Operação Guilhotina promete devassar uma série de assassinatos de grande repercussão ocorridos nos últimos anos no Rio de Janeiro. São casos em que há evidências da participação de policiais civis e militares, que tinham acesso livre à cúpula da Polícia Civil, em mais de 15 homicídios. A informação sobre o envolvimento dos agentes foi encaminhada na terça-feira pelo Ministério Público Estadual e pela Polícia Federal à Secretaria Estadual de Segurança.

Na foto o atentado a bomba contra Rogério Andrade, o contraventor, que estava no carona, escapou, mas o filho morreu

Entre os crimes, está o atentado ao bicheiro Rogério Andrade, em abril, na Barra da Tijuca, que liga bicheiros e policiais na contratação de um israelense para instalar e detonar a bomba no carro do contraventor, que escapou com ferimentos. Na explosão, morreu o filho de Rogério.

O relatório — com a descrição dos crimes, a forma de agir do grupo e o pedido de nova análise nas investigações — foi feito com base nas informações passadas pelos ex-informantes que ajudaram a Polícia Federal na Operação Guilhotina.

O atentado a Rogério ganha seis páginas de detalhes. Revela que o acerto final do crime foi num encontro em Duque de Caxias, onde um israelense procurado pela polícia dos Estados Unidos fechou a contratação de um amigo que veio de Israel especialmente para executar o ataque.

O crime, de acordo com o relatório, foi encomendado por dois bicheiros do Rio e contou com o auxílio de um PM, que tinha trânsito livre ao esquema de segurança de Rogério Andrade. O material para confeccionar o explosivo teria sido fornecido pelo sargento do Exército Volber Roberto da Silva Filho, morto ano passado por agentes da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae).

A bomba teria sido colocada no carro do bicheiro quando ele ficou parado em um estacionamento na Zona Oeste. O ‘homem-bomba’ teria parado seu carro perto e rastejado até o veículo do contraventor. É citado no relatório que o israelense enviou mensagens via MSN para o contato no Brasil com a promessa de retornar e ‘completar o serviço’.

O documento com os crimes cometidos pelos agentes investigados na Operação Guilhotina revela ainda bastidores da pistolagem no Rio de Janeiro, que inclui até um consórcio de mais de 20 homens para atuar em empreitadas. ‘Mão-de-obra’ empregada, segundo as investigações, na morte de quatro empresários e uma funcionária ligados à venda de títulos de clubes de turismo no Rio. Uma das vítimas do grupo teria sido o ex-deputado Ary Ribeiro Brum, assassinado a tiros de fuzil, na Linha Vermelha, em 2007.

Outros casos suspeitos

CAMELÓDROMO

Alexandre Frais Pereira foi morto em Caxias, em maio de 2007, e o crime estaria relacionado a disputa pelas propinas no Camelódromo, onde a vítima presidia a associação dos ambulantes. Um grupo de policiais planejava ‘tomar conta’ dos negócios e esbarrou em Alexandre. Uma semana após o crime, um almoço realizado num restaurante no Centro do Rio celebrava a criação da nova associação e a ‘parceria’ com um grupo de policiais. O encontro foi comandado por um delegado .

BRIGA NA SEGURANÇA
O relatório aponta alguns crimes na disputa pela segurança do contraventor Rogério Andrade. Um deles seria o atentado a bomba sofrido pelo sargento Ronnie Lessa, que é atribuído ao ex-sargento do Exército Volber Roberto da Silva Filho. O militar foi morto numa ação da Polícia Civil, no ano passado, durante uma troca de tiros num motel em Jacarepaguá. O tiroteio, segundo o relato dos informantes, teria sido uma farsa para encobrir o assassinato de ex-sargento.

BICHEIRO SUSPEITO

Outra série de assassinatos teria sido cometida, segundo o documento, a mando do bicheiro José Luiz Barros Lopes, o Zé Personal, que administra um pedaço do espólio do contraventor Valdomiro Paes Garcia, o Maninho. São cinco inquéritos citados no levantamento e, entre eles, o desaparecimento de quatro rapazes, a morte de um ex-colaborador e personalidades do samba. Alguns crimes teriam ocorrido durante a briga com o irmão de Maninho, Alcebyades Garcia, que reivindicava a administração dos negócios do irmão e do pai, Valdomiro Garcia.

SUMIÇO DA CHINESA

O documento aponta que entre os crimes atribuídos ao grupo de policiais civis e militares está o desaparecimento da chinesa Ye Goue, em junho de 2008, depois que ela trocou R$ 220 mil em U$ 130 mil dólares numa casa de câmbio, na Barra da Tijuca. O crime teria ocorrido durante uma extorsão à família da vítima.

MILÍCIA NA BAIXADA

A morte de Carlos Davi, em julho do ano passado, aparece no relatório como causa de uma crise interna em uma milícia de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. O assassinato ocorreu um dia antes de Carlos ser ouvido no Fórum da cidade para acusar dois policiais civis e dois militares — um deles, PM emprestado à Polícia Civil e lotado na Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae).

DISPUTA FATAL

A morte de dois policiais militares também está na lista dos crimes que devem ser investigados. Eles teriam sido mortos durante a divisão de 100 quilos de cocaína, apreendida durante uma extorsão a um traficante em Vitória, no Espírito Santo. Os suspeitos seriam dois PMs que durante anos foram lotados em delegacias do Rio.

Ex-PM acaba morto depois de assassinar delegado

Na lista de homicídios que sugere nova apuração, estão os que vitimaram o delegado Alcides Lantorno e o seu matador, o ex-PM Alexandre Lins de Medeiros. Conforme o documento, o policial teria sido morto depois de discutir com contraventor da Zona Norte. Um dos seguranças do bicheiro faria parte do consórcio e teria chamado um amigo para cometer o crime: o ex-PM, com quem trabalhara numa delegacia especializada e que era inimigo de Lantorno.

No plano, só ocorreu um problema: o ex-PM foi reconhecido e houve a necessidade, no dia seguinte, de ‘limpar a sujeira’. O agente ligou e combinou encontro com Alexandre, em Rocha Miranda, onde ele foi assassinado.

As armas encontradas na casa do ex-policial, detalham os informantes, pertenceriam à milícia da Favela da Praia de Ramos.

Outra forma de operar dos policiais investigados pela Operação Guilhotina, traçada na apuração da Polícia Federal, seria a de se valer das amizades na cúpula da Chefia da Polícia Civil para designar os ‘parceiros’ como responsáveis pela investigação dos assassinatos. Assim, alguns inquéritos teriam deixado a Delegacia de Homicídios do Centro para ser apurados por agentes da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, onde o efetivo de funcionários é bem menor.

Fonte: POR JOÃO ANTÔNIO BARROS, em O DIA
Foto: Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Operação Guilhotina desvenda milícia da Roquete Pinto. Desova de corpos na Baia de Guanabara

 



Operação Guilhotina desvenda milícia da Roquete Pinto









Saiba como agia a milícia da Roquete Pinto


Rio de Janeiro, fevereiro 2011 - Armas e munições apreendidas pela quadrilha comandada pelo ex-subchefe Operacional da Polícia Civil, delegado Carlos de Oliveira , abasteciam diretamente a milícia controlada pelo grupo na Favela Roquete Pinto, em Ramos. As investigações da PF revelaram que há pelo menos um ano parte das armas desviadas nas ações em comunidades dominadas pelo tráfico passou a ser usada para fortalecer o grupo paralimitar.

Segundo as investigações, Oliveira dividia o comando do bando com o PM da reserva Ricardo Afonso Fernandes, o Afonsinho, e seu filho, o inspetor Christiano Gaspar Fernandes. Apesar de estar na reserva da PM, o sargento Afonsinho era visto com frequência em delegacias especializadas como a Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), que já teve como titular o delgado Carlos de Oliveira. Filho de Afonsinho, o inspetor Christiano estava lotado na 22 DP (Penha), onde atuava como chefe do setor de investigações da delegada Márcia Beck.

Desova de corpos na Baía de Guanabara

Em tese, Christiano deveria investigar os crimes praticados pela milícia que comandava, juntamente com o pai e o Dr. Oliveira " como o delegado era tratado nas conversas telefônicas pelos integrantes da milícia. As investigações da PF revelam que os paramilitares reagiam com extrema violência contra moradores e comerciantes que se negavam a pagar as taxas de "segurança", além do ágio na compra de botijões de gás e exploração de gatonet. As vítimas do bando eram mortas e enterradas nos arredores do Piscinão de Ramos ou jogadas na Baía de Guanabara, após terem os corpos presos a armações de concreto. Ontem, agentes federais realizaram buscas com auxílio de barcos e de uma retroescavadeira para tentar encontrar corpos.

A quadrilha liderada pelo Dr. Oliveira, Afonsinho e Christiano também atuava na apropriação e desvio de bens de criminosos foragidos, mortos ou presos em combate, na prática, conhecida como "espólio de guerra". Depoimentos ouvidos no curso da investigação detalham, por exemplo, a apropriação e o desvio de armas apreendidas em operações policiais.

Na primeira ocasião, numa operação realizada no Morro do Urubu em 2005, foram desviadas uma submetralhadora Uzi, um fuzil AR-15 e mais três pistolas .45, da marca Rugger. Na ocasião, Oliveira teria ficado com a submetralhadora, dizendo que a arma seria usada na sua segurança pessoal. Já o fuzil e as pistolas ficaram com a equipe do sargento Afonsinho.

Outro caso relatado aconteceu em março de 2008, numa operação realizada no Complexo de São Carlos, no Estácio, quando foram desviados quatro fuzis, 15 pistolas e 40 mil munições de diferentes calibres.

Fonte: O Globo - Segadas Vianna
Autor:  Fonte: O Globo - Segadas Vianna
http://www.folhadodelegado.jex.com.br/noticias+policiais+do+brasil/saiba+como+agia+a+milicia+da+roquete+pinto

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Operação Guilhotina: lista dos que tiveram prisão preventiva decretada







Lista dos acusados que tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça na Operação Guilhotina:







Leonardo da Silva Torres, conhecido como Torres Trovão - inspetor da Polícia Civil

Aldo Leonardo Ferrari, conhecido como Leo Ferrari - cabo da Polícia Militar

Flávio de Brito Meister, conhecido como Master - inspetor da Polícia Civil

Jorge do Prado Ramos, conhecido como Steve - inspetor da Polícia Civil

André Luiz Aragão Mirandela - policial militar

Luis Carlos Magalhães

Floriano Jorge Evangelista de Araújo, conhecido como Xexa - policial militar

Ivan Jorge Evangelista de Araújo - policial militar

Wellington Pereira de Araújo - policial militar

Carlos Eduardo Nepomuceno Santos, conhecido como Edu - policial militar

Christiano Gaspar Fernandes, conhecido como Christiano - policial civil

Ricardo Afonso Fernandes, conhecido como Afonsinho - policial militar da reserva

Carlos Antônio Luiz de Oliveira, conhecido como doutor Oliveira - delegado da Polícia Civil

Giovanni Gaspar Fernandes, conhecido como Giovanni - policial civil

Marcos Antonio de Carvalho, conhecido como Marcos Paraíba - policial militar

Paulo Araújo Costa, conhecido como Araújo - policial militar

Stanlei Couto Fernandes - inspetor da Polícia Civil

Nilber Vinicius dos Santos - inspetor da Polícia Civil

Carlos Teixeira, conhecido como Bigu - policial militar

Roberto Luís Dias de Oliveira, conhecido como Beto Cachorro - policial militar

Ciel Brandão Martins, conhecido como Ciel

Roberci Teles Guilherme

Wagner Pinto da Silva, conhecido como Russo

Alex Bento da Silva Souza, conhecido como Nike

Márcio Carlos Gomes da Silva, conhecido como Tico

Lenílson Roque Gonçalves, conhecido como Biliu

Paulo Roberto da Silva Souza, conhecido como Paulinho Gaiola

Marcos Vinícius Tavares Xavier, conhecido como Marquinho Tiroteio

Hedreas Chaves Alves de Lima

André Luís Ferreira de Souza, conhecido como André Gari ou Raimundinho

Dilcimar Cunha Ouro Fino

Helênio Dias Rodrigues - policial civil

Helenio Dias Rodrigues Junior (filho do Helenio)

Élcio Vieira de Queiroz - policial militar do 16º BPM (Olaria)

Marcelo Nakamura - policial civil

Fabricio Félix da Costa - policial militar do 16º BPM (Olaria)

Ézio Penudo Costa - cabo do 22º BPM (Maré)

Maurélio Pinto de Oliveira - policial militar do 22º BPM (Maré)

Adilson José da Silva - cabo do 13º BPM (Praça Tiradentes)

Teylon Silva - policial militar do Batalhão de Campanha

Ubiraci Moraes Damasceno - policial militar do Grupamento Especial de Policiamento de Estádios (Gepe)

Tompson dos Santos - policial militar 9º BPM (Rocha Miranda)

Roberto - policial militar

Rodolfo - policial militar

Diogo - policial militar

Operação Guilhotina: Turnowski diz que fica na chefia de Polícia e que não dá para passar a mão na cabeça de ninguém


 
Operação Guilhotina: Turnowski diz que fica na chefia de Polícia e que não dá para passar a mão na cabeça de ninguém


RIO, 11 de fevereiro de 2011 - O chefe de Polícia Civil do Rio, delegado Allan Turnowski, deixou a Superintendência da Polícia Federal do Rio e disse que fica no cargo pois "não há motivos para sair". Turnowski prestou depoimento a agentes federais na condição de testemunha contra policiais civis e militares acusados de corrupção e investigados na Operação Guilhotina. Ele falou sobre a rotina da corporação. Ao falar com os jornalistas, ele comentou também o fato de policiais civis terem tido a prisão decretada pela Justiça. Ao todo, 30 pessoas já foram presas na operação .


- Policial que pega arma e vende para bandido é pior do que bandido - disse.
Em entrevista à rádio Bandnews, Turnowski falou sobre as acusações contra o delegado Carlos Oliveira, ex-subchefe da Polícia Civil que é considerado foragido pelos policiais federais.

- O fato de ele ter sido subchefe torna o fato mais grave. Porque aí é uma traição muito mais próxima de você. Como pode vender arma para bandido que já alvejou os colegas? - perguntou.

O chefe de Polícia disse, ainda, que "cada um é responsável por seus atos", ao comentar o fato de desconhecer o suposto envolvimento de Oliveira com atividades ilícitas. E comentou ainda como fica a Polícia Civil diante da investigação da Polícia Federal:

- Isso envergonha a instituição, mas ao mesmo tempo ela fica mais forte. Se tiver que rasgar a própria carne, que rasgue. O que não dá é para passar a mão na cabeça de alguém.

Mais cedo, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou, em entrevista coletiva, que o chefe da Polícia Civil, Allan Turnowski, goza de sua confiança e ressaltou que não vai fazer juízo de valor precipitadamente. Beltrame ressaltou que tem um compromisso com a materialidade, e que, se ele tivesse conhecimento efetivo de ações ilícitas cometidas por Turnowski, providências já teriam sido tomadas:

- O doutor Allan goza da minha confiança. Ele está sendo ouvido aqui. Como chefe da instituição ele teria que se manifestar. Não vou fazer juízo de valor precipitado. Daqui para frente, vamos analisar e tomar as medidas no momento oportuno.

O Superintendente da PF, delegado Ângelo Fernandes Gióia, disse que contra quem foram encontradas provas, foi pedida a prisão. Ele esclareceu ainda que a delegada Marcia Beck, da 22ª DP (Penha), que foi detida nesta manhã durante a operação, tinha explicações a dar. Segundo Gióia, a autoridade policial entendeu que devia levá-la à superintendência para prestar esclarecimentos:

- Ela veio por livre e espontânea vontade.

Ainda de acordo com Gióia, a atuação desses policiais envolvidos com o crime é multifacetada. Ele disse que, por enquanto, não iria tecer comentários detalhados do que existe na investigação até porque um dos investigados (o delegado Carlos Oliveira) está foragido.

Já Beltrame ressaltou que Carlos Oliveira já não estava atuando na polícia. O secretário disse ainda que, em todo o mundo, enquanto houver corrupção, não há mudança na polícia:

- Não vou abrir mão de qualquer tipo de parceria, de quem quiser me ajudar. O problema do Rio é antigo e sério e, graças a Deus, temos encontrado parceiros e acredito ter dado respostas a sociedade. Se eu fizesse sozinho prenderia 9,10,11 pessoas. Então eu digo que polícia nenhuma do mundo vira a página enquanto tiver em seus cargos esse tipo de gente.

Chefe de Polícia do RJ chama delegado foragido de traidor. Procurado, Carlos Oliveira já foi subchefe operacional da Polícia Civil.
Depois de prestar esclarecimentos na Polícia Federal do Rio, o chefe de Polícia Civil, Alan Turnowski, chamou o delegado procurado na megaoperação desta sexta-feira (11) de traidor. Foragido, Carlos Oliveira já foi considerado seu braço direito, quando foi subchefe operacional da Polícia Civil.

“Para mim, desviou, é traidor. Policial que pega uma arma e vende pra bandido é pior que bandido”, resumiu Turnowski, que lembrou que, na época em que o tirou do cargo, havia feito uma “mudança ampla na cúpula da Polícia Civil”. Ele afirmou ainda que o fato de Oliveira ter sido subchefe torna o fato mais grave. “O fato de ele ter sido subchefe torna o fato mais grave. Porque aí é uma traição muito mais próxima de você. Como pode vender arma para bandido que já alvejou os colegas?”, acrescentou.

Sobre sua permanência no cargo, o chefe de polícia disse não ter porque deixar a função: “Isso depende do secretário e do governador. Não tem motivo para eu sair. Não é o momento de sair do cargo. Mas, se sair, saio com a consciência tranquila”. Em entrevista coletiva na sede da PF nesta sexta, o secretário de Segurança Pública reiterou sua confiança em Turnowski.

Ele afirmou que foi chamado à PF para contribuir com as investigações. “Vim até aqui prestar depoimento, no sentido de esclarecer algumas questões para a Polícia Federal, que tem uma rotina diferente da Polícia Civil”, disse ele, que, falou ainda que a situação, “para a instituição, é sempre ruim”, e prometeu investigar os policiais investigados.

Como funcionava o esquema

 deflagrada no Rio na manhã desta sexta-feira (11) já prendeu 30 pessoas, sendo 22 policiais. A ação investiga o envolvimento de policiais com traficantes, milícias e a máfia dos caça-níqueis. Eles receberiam propina para passar informações de operações a criminosos e venderiam material apreendido. Entre as apreensões desviadas estaria parte do que foi encontrado no Conjunto de Favelas do Alemão, em novembro do ano passado.

Para chegar aos suspeitos, a polícia contou com a ajuda de informantes, escutas telefônicas, fotografias e filmagens. A ação conta com 580 agentes e visa cumprir 45 mandados de prisão e 48, de busca e apreensão, em bingos, residências e estabelecimentos comerciais. Com lanchas, agentes também fazem buscas na Baía de Guanabara atrás de corpos de possíveis vítimas de milícias. Entre os procurados, 30 são policiais civis, militares e delegados.

"O objetivo primário da operação é alcançar policiais que vazam informações a grupos de criminosos. Em 2009, uma operação tinha objetivo de prender um dos líderes da Rocinha. A operação vazou e o vazamento foi investigado. A partir de uma prisão, a PF conseguiu avançar na investigação o que gerou a Operação Guilhotina", explicou o superintendente da PF, Angelo Fernando Gioia, em entrevista coletiva na sede da PF nesta manhã.

Delegado envolvido

Em nota oficial, a prefeitura do Rio anunciou nesta manhã que vai exonerar o delegado Carlos Oliveira, que, há pouco mais de um mês, assumiu a subsecretaria de Operações da Secretaria Especial da Ordem Pública. Ele é um dos procurados na operação.

"Ele ja tinha saido da policia. A situação dele está posta e está muito ruim. O que mais interessou foi saber quem estava fazendo. Se vendeu um ou 10 fuzis, a gravidade é a mesma", disse Beltrame, que disse não saber especificar o que ele fazia. A delegada Márcia Becker chegou à sede da PF nesta manhã para prestar esclarecimentos.

Wla era titular da 22ª DP (Penha) durante as ações na Vila Cruzeiro e no Alemão, em novembro do ano passado, e já esteve à frente da Delegacia de Repressão a Armas e Entorpecentes (Drae) e da 17ª DP (São Cristóvão). No início da ação, agentes vasculharam armários das delegacias da Penha e de São Cristóvão. De acordo com a Secretaria, os agentes procuraram, sobretudo, materiais que podem reforçar as acusações contra os suspeitos.

O chefe de Polícia Civil do Rio, Alan Turnowski, foi chamado nesta manhã para prestar esclarecimentos sobre as investigações. De acordo com a Secretaria, a ação foi comandada pelo órgão e Turnowski pode ajudar nos trabalhos. Em entrevista, Beltrame reiterou a confiança em Alan Turnowski

Saiba mais

Investigações

Segundo a Secretaria, a ação teve início em 2009, quando agentes tentavam prender o traficante Roupinol, comparsa do traficante Nem, na Rocinha. Na ocasião, policiais do estado do Rio atuaram junto com agentes da Polícia Federal de Macaé, no Norte Fluminense, depois de um vazamento de informações.

Com três testemunhas e um farto material, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, chegou a ir a Brasília pedir à chefia da Polícia Federal que fosse feita uma parceria entre as forças de segurança, já que a PF também havia participado da operação conjunta há quase 2 anos e seguia investigando o grupo.

Participam da ação desta sexta, além de policiais federais e agentes da Secretaria, a Corregedoria Geral Unificada e o Ministério Público Estadual.

Fonte: Globonline e G1.

Operação Guilhotina no Rio de Janeiro, prende Delegados e policiais civis e militares associados ao tráfico e às milícias




Delegado e policiais vendiam armas, drogas e vazavam informações para traficantes no Rio




Operação Guilhotina, montada pela PF, Secretaria de Segurança e promotores, tem como alvo grupo que explorava também 'espólio de guerra' das quadrilhas


“Nenhuma polícia do mundo vira a página enquanto tiver em seus quadros esse tipo de gente” - José Mariano Beltrame

Uma série de prisões e apreensões realizadas na manhã desta sexta-feira no Rio de Janeiro ajuda a explicar a facilidade com que bandidos no estado conseguem driblar as operações policiais e, apesar das sucessivas investidas das forças de segurança, manter seu poder e seu arsenal. A Operação Guilhotina, como foi batizada, tem como alvo um grupo de policiais que se valia de sua condição e de sua proximidade com as decisões do estado para vender informações a traficantes, dar cobertura à ação de milicianos e até revender às quadrilhas as armas e drogas recolhidas pela polícia.

A operação é executada pela Polícia Federal, que desde a madrugada cercou pontos estratégicos, como casas de acusados e locais apontados na investigação como ponto de esconderijo de armas e outras provas. As equipes da PF fora para a rua com objetivo de cumprir 48 mandados de prisão e 48 de busca e apreensão. Até o início da tarde, tinham sido feitas 28 prisões – a maioria, policiais.

O ‘peixe grande’ da investida é um delegado de polícia. Na verdade, mais que um delegado: o policial civil Carlos Antônio Luiz Oliveira, que comandou a Drae, unidade especializada na repressão às armas e explosivos no estado, já foi considerado um dos homens fortes da segurança no Rio. Atualmente, ele ocupava outro cargo de confiança, mas na prefeitura, como subsecretário de operações da Secretaria Especial de Ordem Pública, que combate, entre outros desvios, o comércio ilegal.

Oliveira está foragido, e teve seus dois imóveis vasculhados nas primeiras horas da manhã pela polícia. A Prefeitura do Rio informou que ele será exonerado. Segundo o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, “a situação dele é ruim”. O superintendente da Polícia Federal no Rio, Ângelo Gióia, afirmou que “há um conjunto probatório sólido” indicando a participação do delegado em uma série de crimes.

Foram identificados nas investigações quatro grupos de policiais, que atuavam explorando o chamado “espólio de guerra”, ou seja, as armas, drogas, dinheiro e bens resultantes das operações policiais; a venda de armas apreendidas para os próprios traficantes; a venda de informações sobre operações policiais, para permitir a fuga dos bandidos; o envolvimento com grupos de milicianos e todos os crimes a eles relacionados, como cobrança ilegal por serviços, assassinatos, ocultação de cadáver e outros.

Em uma entrevista coletiva para apresentar os resultados e os motivos da Operação Guilhotina, Beltrame, manifestou, mais uma vez, seu repúdio ao envolvimento de agentes da lei com o crime. “Nenhuma polícia do mundo vira a página enquanto tiver em seus quadros esse tipo de gente”, disse. Em seguida, defendeu a necessidade de a polícia “cortar na própria carne” para “extirpar” os maus policiais.

Pela manhã, foi ouvido, na condição de testemunha, o chefe de Polícia Civil, delegado Allan Turnowski. Segundo Beltrame, o depoimento se fez necessário por ser ele a autoridade máxima de uma instituição que está sendo alvo de investigações. O secretário afirmou que Turnowski “goza de sua confiança”.

Turnowski, ao terminar seu depoimento, disse que prestou esclarecimentos sobre o funcionamento interno da Polícia Civil, para ajudar a PF a combater desvios na instituição. Sobre o delegado Carlos Oliveira, Turnowski disse se sentir traído. “Se comprovado, do jeito que está aparecendo na denúncia, é pior do que se fosse uma pessoa que eu não conheço. Você dá um voto de confiança, bota do seu lado, e essa pessoa desvia. O nome disso é traição”, disse, elevando o volume da voz.

Polícia Federal – A Operação Guilhotina tem alguns aspectos inéditos na história do combate à corrupção policial no Rio. Pela primeira vez, frisaram as autoridades na coletiva, estão trabalhando em conjunto a Secretaria de Segurança, o Ministério Público do Estado e a Polícia Federal. A participação da PF se deu, segundo Beltrame e o superintendente da instituição, Ângelo Gióia, pela necessidade de isenção e distanciamento dos investigados, quase todos ligados ou a Polícia Civil ou à Polícia Militar.

A investigação que deu origem à Operação Guilhotina começou em Trabalho setembro de 2009, quando a Polícia Federal montou uma operação para prender o traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, na favela da Rocinha, na zona sul do Rio. Roupinol, com informações repassadas por informantes que mantinha na polícia, conseguiu escapar. Mas a polícia conseguiu botar as mãos em um informante que, supostamente, ajudaria a polícia a investigar os traficantes.

A partir desse depoimento foram levantadas conexões de policiais com bandidos da Rocinha e do Complexo de São Carlos – reduto de Roupinol e, atualmente, ocupado pela polícia para a instalação de mais uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Fonte e foto: Veja.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Ex-policial militar suspeito de integrar milícia é executado na Zona Oeste



Ex-policial militar suspeito de integrar milícia é executado na Zona Oeste

Rio de Janeiro, 9 fev 2011 - Um ex-policial militar, suspeito de integrar um grupo de milicianos da Zona Oeste do Rio, morreu após ser baleado em Magalhaes Bastos. De acordo com a polícia, Alexander Dantas de Melo Alves, o Dantas, estava saindo de casa, na Rua Major Parente, com sua mulher, Renata Tavares dos Santos, quando pelo menos dois homens em um carro passaram atirando.

O ex-policial morreu no local. A mulher dele ficou ferida e foi levada para o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, onde passou por uma cirurgia. Ainda não há informações sobre o estado de saúde dela.

A Delegacia de Homicídios assumiu o caso e está investigando a motivação dos autores dos disparos, ainda não identificados. Dantas é suspeito de ser o principal aliado do também ex-PM Fabrício Fernandes Mirra, conhecido como Mirra, líder de um dos principais grupos paramilitares que atuam na Zona Oeste

Dantas já foi acusado de chefiar milícia da Palmeirinhas, ONDE SE ESTABELECEU A PENA DE MORTE, se entregou na época.  Ele foi um dos muitos integrantes da Policia Militar preso por envolvimento com a milícia que domina a favela da Palmeirinha, em Guadalupe, e outras quatro comunidades, em Del Castilho. Na época Alexander Dantas de Mello Alves, se apresentou  no 2 BPM (Botafogo), unidade em que era lotado.

Dantas ou Pêra, como é chamado, estava foragido desde o último dia 22, quando o juiz Rafael de Oliveira Fonseca, da Vara Criminal de Itaguaí, decretou a prisão preventiva de 14 pessoas ligadas ao grupo. Além de Dantas, seis acusados foram presos.

Na época, segundo o titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (DRACO), Cláudio Ferraz, Dantas era um dos líderes do grupo que é acusado de homicídios, torturas e extorsão de moradores das comunidades que dominam.

- Ele é um dos três responsáveis pela quadrilha - disse o delegado.

Morador da Avenida Sernambetiba, na Barra da Tijuca, Dantas era presente no dia-a-dia da milícia. Em escutas telefônicas, feitas com autorização judicial, o PM foi flagrado aprovando uma sessão de espancamento: "Deu uma coça nele?", perguntou o policial, para um dos integrantes da quadrilha, Luciano Galdinho, conhecido como Lucky e considerado um dos mais violentos do bando.  Lucky, respondeu: "Arrebentei ele todo".


Além da Palmeirinha, a quadrilha controla as favelas Águia de Ouro, Fernão Cardim, Guarda e Belém-Belém, em Del Castilho. Segundo a polícia, além de Dantas, os líderes do grupo eram o PM do Batalhão de Policiamento Ferroviário (BPFer), Fabrício Fernandes Mirra e  Fabio Gomes Coutinho, preso há cerca de 15 dias.

Vídeo da prisão de integrantes da milícia:

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Miliciano Edson da Silva Teixeira, o Edson Bigode é preso em Nova Iguaçu, RJ




Miliciano Edson da Silva Teixeira, o Edson Bigode é preso em Nova Iguaçu, RJ





Policiais da 4ª DP (Central do Brasil) prenderam, nesta sexta-feira, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Edson da Silva Teixeira, o Edson Bigode. Acusado de integrar a milícia Águia de Mirra, Bigode estava com a prisão decretada pela 21ª Vara Criminal.da capital e foi detido dentro de um bar.

Segundo o Delegado Titular da 4ª DP, Edson atuava na quadrilha organizando a segurança do bando de milicianos e a quadrilha controla vários bairros das Zonas Oeste e Norte e Baixada Fluminense.  O criminoso foi surpreendido enquanto trabalhava em seu bar, em Nova Iguaçu.

De acordo com o delegado Daniel Mayr, Bigode de Leite seria o responsável pela organização da segurança dos milicianos e já havia escapado da Operação Leviatã, realizada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO/IE),  que visava cumprir mandados de prisão contra a quadrilha da Águia de Mirra.

O acusado não ofereceu resistência à prisão.  Ele estava foragido da Justiça desde maio de 2010, quando foi expedido um mandado de prisão contra ele pela 21ª Vara Criminal da Capital.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Polícia Federal prende membros de milicia baiana em Feira, que se apossavam do projeto "Minha casa, minha vida"

Federal prende dois na investigação de milícia


Feira de Santana, 29/01/2011 - Duas pessoas foram detidas pela Polícia Federal no condomínio Nova Conceição, em Feira de Santana, durante investigação sobre a venda de apartamentos, que é ilegal, do programa federal Minha Casa Minha Vida. Há também denúncias sobre a ação de milícias que exigem dos moradores dinheiro em troca de segurança.

Marcone Ferreira da Silva, 34 anos, foi preso em flagrante por posse ilegal de um revólver calibre 38, que usava na portaria do condomínio. Foi liberado após o pagamento de fiança. A Polícia Federal apontou que a segurança é clandestina. O dono da empresa FBI, que presta o serviço, Giovani Kennedy de Almeida, 28, que é também morador do Nova Conceição, prestou depoimento, foi autuado por atividade clandestina de segurança privada e liberado.

No condomínio, moradores começaram a organizar um abaixo assinado pedindo a permanência do esquema de segurança. Eles negam que o serviço esteja organizado como milícia, com represálias a quem não paga. “Eu mesma nunca paguei e nunca fui pressionada a pagar”, garante Eliane Santos. O aposentado Marcos Luís Gonzaga revelou que a única restrição a quem não paga é que não tem o direito de receber as contas de água e luz em mãos. “Tem que ir pegar na portaria”, disse.

Os moradores confirmam que pagam R$ 20,00 pelo serviço, mas dizem que a vigilância privada é necessária. “Se não tiver mais a segurança, em oito dia isso aqui acaba”, afirmou Marcos Gonzaga. “Eu não ficava aqui na pracinha do condomínio depois de 10 horas da noite, porque tinha medo. Agora, está tranquilo”, contou o funcionário público Paulo Oliveira. “Antes da segurança, ninguém dormia, com som alto, vandalismo e até uso de drogas”, alegou uma moradora que pediu para não ser identidicada.

Nenhum dos moradores ouvidos por A TARDE queixou do serviço de segurança ou da obrigatoriedade do pagamento. O presidente da Associação de Moradores do Nova Conceição, Edson dos Santos Marques, disse por telefone que não queria se manifestar, porque estava se sentindo ameaçado.

O coordenador regional de Polícia Civil, Fábio Lordelo, afirmou que também está investigando a existência da milícia, mas acrescentou que não podia adiantar qualquer informação para não prejudicar as investigações.

Fonte: Glauco Wanderley - A Tarde