sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Operação Guilhotina: Turnowski diz que fica na chefia de Polícia e que não dá para passar a mão na cabeça de ninguém


 
Operação Guilhotina: Turnowski diz que fica na chefia de Polícia e que não dá para passar a mão na cabeça de ninguém


RIO, 11 de fevereiro de 2011 - O chefe de Polícia Civil do Rio, delegado Allan Turnowski, deixou a Superintendência da Polícia Federal do Rio e disse que fica no cargo pois "não há motivos para sair". Turnowski prestou depoimento a agentes federais na condição de testemunha contra policiais civis e militares acusados de corrupção e investigados na Operação Guilhotina. Ele falou sobre a rotina da corporação. Ao falar com os jornalistas, ele comentou também o fato de policiais civis terem tido a prisão decretada pela Justiça. Ao todo, 30 pessoas já foram presas na operação .


- Policial que pega arma e vende para bandido é pior do que bandido - disse.
Em entrevista à rádio Bandnews, Turnowski falou sobre as acusações contra o delegado Carlos Oliveira, ex-subchefe da Polícia Civil que é considerado foragido pelos policiais federais.

- O fato de ele ter sido subchefe torna o fato mais grave. Porque aí é uma traição muito mais próxima de você. Como pode vender arma para bandido que já alvejou os colegas? - perguntou.

O chefe de Polícia disse, ainda, que "cada um é responsável por seus atos", ao comentar o fato de desconhecer o suposto envolvimento de Oliveira com atividades ilícitas. E comentou ainda como fica a Polícia Civil diante da investigação da Polícia Federal:

- Isso envergonha a instituição, mas ao mesmo tempo ela fica mais forte. Se tiver que rasgar a própria carne, que rasgue. O que não dá é para passar a mão na cabeça de alguém.

Mais cedo, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou, em entrevista coletiva, que o chefe da Polícia Civil, Allan Turnowski, goza de sua confiança e ressaltou que não vai fazer juízo de valor precipitadamente. Beltrame ressaltou que tem um compromisso com a materialidade, e que, se ele tivesse conhecimento efetivo de ações ilícitas cometidas por Turnowski, providências já teriam sido tomadas:

- O doutor Allan goza da minha confiança. Ele está sendo ouvido aqui. Como chefe da instituição ele teria que se manifestar. Não vou fazer juízo de valor precipitado. Daqui para frente, vamos analisar e tomar as medidas no momento oportuno.

O Superintendente da PF, delegado Ângelo Fernandes Gióia, disse que contra quem foram encontradas provas, foi pedida a prisão. Ele esclareceu ainda que a delegada Marcia Beck, da 22ª DP (Penha), que foi detida nesta manhã durante a operação, tinha explicações a dar. Segundo Gióia, a autoridade policial entendeu que devia levá-la à superintendência para prestar esclarecimentos:

- Ela veio por livre e espontânea vontade.

Ainda de acordo com Gióia, a atuação desses policiais envolvidos com o crime é multifacetada. Ele disse que, por enquanto, não iria tecer comentários detalhados do que existe na investigação até porque um dos investigados (o delegado Carlos Oliveira) está foragido.

Já Beltrame ressaltou que Carlos Oliveira já não estava atuando na polícia. O secretário disse ainda que, em todo o mundo, enquanto houver corrupção, não há mudança na polícia:

- Não vou abrir mão de qualquer tipo de parceria, de quem quiser me ajudar. O problema do Rio é antigo e sério e, graças a Deus, temos encontrado parceiros e acredito ter dado respostas a sociedade. Se eu fizesse sozinho prenderia 9,10,11 pessoas. Então eu digo que polícia nenhuma do mundo vira a página enquanto tiver em seus cargos esse tipo de gente.

Chefe de Polícia do RJ chama delegado foragido de traidor. Procurado, Carlos Oliveira já foi subchefe operacional da Polícia Civil.
Depois de prestar esclarecimentos na Polícia Federal do Rio, o chefe de Polícia Civil, Alan Turnowski, chamou o delegado procurado na megaoperação desta sexta-feira (11) de traidor. Foragido, Carlos Oliveira já foi considerado seu braço direito, quando foi subchefe operacional da Polícia Civil.

“Para mim, desviou, é traidor. Policial que pega uma arma e vende pra bandido é pior que bandido”, resumiu Turnowski, que lembrou que, na época em que o tirou do cargo, havia feito uma “mudança ampla na cúpula da Polícia Civil”. Ele afirmou ainda que o fato de Oliveira ter sido subchefe torna o fato mais grave. “O fato de ele ter sido subchefe torna o fato mais grave. Porque aí é uma traição muito mais próxima de você. Como pode vender arma para bandido que já alvejou os colegas?”, acrescentou.

Sobre sua permanência no cargo, o chefe de polícia disse não ter porque deixar a função: “Isso depende do secretário e do governador. Não tem motivo para eu sair. Não é o momento de sair do cargo. Mas, se sair, saio com a consciência tranquila”. Em entrevista coletiva na sede da PF nesta sexta, o secretário de Segurança Pública reiterou sua confiança em Turnowski.

Ele afirmou que foi chamado à PF para contribuir com as investigações. “Vim até aqui prestar depoimento, no sentido de esclarecer algumas questões para a Polícia Federal, que tem uma rotina diferente da Polícia Civil”, disse ele, que, falou ainda que a situação, “para a instituição, é sempre ruim”, e prometeu investigar os policiais investigados.

Como funcionava o esquema

 deflagrada no Rio na manhã desta sexta-feira (11) já prendeu 30 pessoas, sendo 22 policiais. A ação investiga o envolvimento de policiais com traficantes, milícias e a máfia dos caça-níqueis. Eles receberiam propina para passar informações de operações a criminosos e venderiam material apreendido. Entre as apreensões desviadas estaria parte do que foi encontrado no Conjunto de Favelas do Alemão, em novembro do ano passado.

Para chegar aos suspeitos, a polícia contou com a ajuda de informantes, escutas telefônicas, fotografias e filmagens. A ação conta com 580 agentes e visa cumprir 45 mandados de prisão e 48, de busca e apreensão, em bingos, residências e estabelecimentos comerciais. Com lanchas, agentes também fazem buscas na Baía de Guanabara atrás de corpos de possíveis vítimas de milícias. Entre os procurados, 30 são policiais civis, militares e delegados.

"O objetivo primário da operação é alcançar policiais que vazam informações a grupos de criminosos. Em 2009, uma operação tinha objetivo de prender um dos líderes da Rocinha. A operação vazou e o vazamento foi investigado. A partir de uma prisão, a PF conseguiu avançar na investigação o que gerou a Operação Guilhotina", explicou o superintendente da PF, Angelo Fernando Gioia, em entrevista coletiva na sede da PF nesta manhã.

Delegado envolvido

Em nota oficial, a prefeitura do Rio anunciou nesta manhã que vai exonerar o delegado Carlos Oliveira, que, há pouco mais de um mês, assumiu a subsecretaria de Operações da Secretaria Especial da Ordem Pública. Ele é um dos procurados na operação.

"Ele ja tinha saido da policia. A situação dele está posta e está muito ruim. O que mais interessou foi saber quem estava fazendo. Se vendeu um ou 10 fuzis, a gravidade é a mesma", disse Beltrame, que disse não saber especificar o que ele fazia. A delegada Márcia Becker chegou à sede da PF nesta manhã para prestar esclarecimentos.

Wla era titular da 22ª DP (Penha) durante as ações na Vila Cruzeiro e no Alemão, em novembro do ano passado, e já esteve à frente da Delegacia de Repressão a Armas e Entorpecentes (Drae) e da 17ª DP (São Cristóvão). No início da ação, agentes vasculharam armários das delegacias da Penha e de São Cristóvão. De acordo com a Secretaria, os agentes procuraram, sobretudo, materiais que podem reforçar as acusações contra os suspeitos.

O chefe de Polícia Civil do Rio, Alan Turnowski, foi chamado nesta manhã para prestar esclarecimentos sobre as investigações. De acordo com a Secretaria, a ação foi comandada pelo órgão e Turnowski pode ajudar nos trabalhos. Em entrevista, Beltrame reiterou a confiança em Alan Turnowski

Saiba mais

Investigações

Segundo a Secretaria, a ação teve início em 2009, quando agentes tentavam prender o traficante Roupinol, comparsa do traficante Nem, na Rocinha. Na ocasião, policiais do estado do Rio atuaram junto com agentes da Polícia Federal de Macaé, no Norte Fluminense, depois de um vazamento de informações.

Com três testemunhas e um farto material, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, chegou a ir a Brasília pedir à chefia da Polícia Federal que fosse feita uma parceria entre as forças de segurança, já que a PF também havia participado da operação conjunta há quase 2 anos e seguia investigando o grupo.

Participam da ação desta sexta, além de policiais federais e agentes da Secretaria, a Corregedoria Geral Unificada e o Ministério Público Estadual.

Fonte: Globonline e G1.

Operação Guilhotina no Rio de Janeiro, prende Delegados e policiais civis e militares associados ao tráfico e às milícias




Delegado e policiais vendiam armas, drogas e vazavam informações para traficantes no Rio




Operação Guilhotina, montada pela PF, Secretaria de Segurança e promotores, tem como alvo grupo que explorava também 'espólio de guerra' das quadrilhas


“Nenhuma polícia do mundo vira a página enquanto tiver em seus quadros esse tipo de gente” - José Mariano Beltrame

Uma série de prisões e apreensões realizadas na manhã desta sexta-feira no Rio de Janeiro ajuda a explicar a facilidade com que bandidos no estado conseguem driblar as operações policiais e, apesar das sucessivas investidas das forças de segurança, manter seu poder e seu arsenal. A Operação Guilhotina, como foi batizada, tem como alvo um grupo de policiais que se valia de sua condição e de sua proximidade com as decisões do estado para vender informações a traficantes, dar cobertura à ação de milicianos e até revender às quadrilhas as armas e drogas recolhidas pela polícia.

A operação é executada pela Polícia Federal, que desde a madrugada cercou pontos estratégicos, como casas de acusados e locais apontados na investigação como ponto de esconderijo de armas e outras provas. As equipes da PF fora para a rua com objetivo de cumprir 48 mandados de prisão e 48 de busca e apreensão. Até o início da tarde, tinham sido feitas 28 prisões – a maioria, policiais.

O ‘peixe grande’ da investida é um delegado de polícia. Na verdade, mais que um delegado: o policial civil Carlos Antônio Luiz Oliveira, que comandou a Drae, unidade especializada na repressão às armas e explosivos no estado, já foi considerado um dos homens fortes da segurança no Rio. Atualmente, ele ocupava outro cargo de confiança, mas na prefeitura, como subsecretário de operações da Secretaria Especial de Ordem Pública, que combate, entre outros desvios, o comércio ilegal.

Oliveira está foragido, e teve seus dois imóveis vasculhados nas primeiras horas da manhã pela polícia. A Prefeitura do Rio informou que ele será exonerado. Segundo o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, “a situação dele é ruim”. O superintendente da Polícia Federal no Rio, Ângelo Gióia, afirmou que “há um conjunto probatório sólido” indicando a participação do delegado em uma série de crimes.

Foram identificados nas investigações quatro grupos de policiais, que atuavam explorando o chamado “espólio de guerra”, ou seja, as armas, drogas, dinheiro e bens resultantes das operações policiais; a venda de armas apreendidas para os próprios traficantes; a venda de informações sobre operações policiais, para permitir a fuga dos bandidos; o envolvimento com grupos de milicianos e todos os crimes a eles relacionados, como cobrança ilegal por serviços, assassinatos, ocultação de cadáver e outros.

Em uma entrevista coletiva para apresentar os resultados e os motivos da Operação Guilhotina, Beltrame, manifestou, mais uma vez, seu repúdio ao envolvimento de agentes da lei com o crime. “Nenhuma polícia do mundo vira a página enquanto tiver em seus quadros esse tipo de gente”, disse. Em seguida, defendeu a necessidade de a polícia “cortar na própria carne” para “extirpar” os maus policiais.

Pela manhã, foi ouvido, na condição de testemunha, o chefe de Polícia Civil, delegado Allan Turnowski. Segundo Beltrame, o depoimento se fez necessário por ser ele a autoridade máxima de uma instituição que está sendo alvo de investigações. O secretário afirmou que Turnowski “goza de sua confiança”.

Turnowski, ao terminar seu depoimento, disse que prestou esclarecimentos sobre o funcionamento interno da Polícia Civil, para ajudar a PF a combater desvios na instituição. Sobre o delegado Carlos Oliveira, Turnowski disse se sentir traído. “Se comprovado, do jeito que está aparecendo na denúncia, é pior do que se fosse uma pessoa que eu não conheço. Você dá um voto de confiança, bota do seu lado, e essa pessoa desvia. O nome disso é traição”, disse, elevando o volume da voz.

Polícia Federal – A Operação Guilhotina tem alguns aspectos inéditos na história do combate à corrupção policial no Rio. Pela primeira vez, frisaram as autoridades na coletiva, estão trabalhando em conjunto a Secretaria de Segurança, o Ministério Público do Estado e a Polícia Federal. A participação da PF se deu, segundo Beltrame e o superintendente da instituição, Ângelo Gióia, pela necessidade de isenção e distanciamento dos investigados, quase todos ligados ou a Polícia Civil ou à Polícia Militar.

A investigação que deu origem à Operação Guilhotina começou em Trabalho setembro de 2009, quando a Polícia Federal montou uma operação para prender o traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, na favela da Rocinha, na zona sul do Rio. Roupinol, com informações repassadas por informantes que mantinha na polícia, conseguiu escapar. Mas a polícia conseguiu botar as mãos em um informante que, supostamente, ajudaria a polícia a investigar os traficantes.

A partir desse depoimento foram levantadas conexões de policiais com bandidos da Rocinha e do Complexo de São Carlos – reduto de Roupinol e, atualmente, ocupado pela polícia para a instalação de mais uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Fonte e foto: Veja.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Ex-policial militar suspeito de integrar milícia é executado na Zona Oeste



Ex-policial militar suspeito de integrar milícia é executado na Zona Oeste

Rio de Janeiro, 9 fev 2011 - Um ex-policial militar, suspeito de integrar um grupo de milicianos da Zona Oeste do Rio, morreu após ser baleado em Magalhaes Bastos. De acordo com a polícia, Alexander Dantas de Melo Alves, o Dantas, estava saindo de casa, na Rua Major Parente, com sua mulher, Renata Tavares dos Santos, quando pelo menos dois homens em um carro passaram atirando.

O ex-policial morreu no local. A mulher dele ficou ferida e foi levada para o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, onde passou por uma cirurgia. Ainda não há informações sobre o estado de saúde dela.

A Delegacia de Homicídios assumiu o caso e está investigando a motivação dos autores dos disparos, ainda não identificados. Dantas é suspeito de ser o principal aliado do também ex-PM Fabrício Fernandes Mirra, conhecido como Mirra, líder de um dos principais grupos paramilitares que atuam na Zona Oeste

Dantas já foi acusado de chefiar milícia da Palmeirinhas, ONDE SE ESTABELECEU A PENA DE MORTE, se entregou na época.  Ele foi um dos muitos integrantes da Policia Militar preso por envolvimento com a milícia que domina a favela da Palmeirinha, em Guadalupe, e outras quatro comunidades, em Del Castilho. Na época Alexander Dantas de Mello Alves, se apresentou  no 2 BPM (Botafogo), unidade em que era lotado.

Dantas ou Pêra, como é chamado, estava foragido desde o último dia 22, quando o juiz Rafael de Oliveira Fonseca, da Vara Criminal de Itaguaí, decretou a prisão preventiva de 14 pessoas ligadas ao grupo. Além de Dantas, seis acusados foram presos.

Na época, segundo o titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (DRACO), Cláudio Ferraz, Dantas era um dos líderes do grupo que é acusado de homicídios, torturas e extorsão de moradores das comunidades que dominam.

- Ele é um dos três responsáveis pela quadrilha - disse o delegado.

Morador da Avenida Sernambetiba, na Barra da Tijuca, Dantas era presente no dia-a-dia da milícia. Em escutas telefônicas, feitas com autorização judicial, o PM foi flagrado aprovando uma sessão de espancamento: "Deu uma coça nele?", perguntou o policial, para um dos integrantes da quadrilha, Luciano Galdinho, conhecido como Lucky e considerado um dos mais violentos do bando.  Lucky, respondeu: "Arrebentei ele todo".


Além da Palmeirinha, a quadrilha controla as favelas Águia de Ouro, Fernão Cardim, Guarda e Belém-Belém, em Del Castilho. Segundo a polícia, além de Dantas, os líderes do grupo eram o PM do Batalhão de Policiamento Ferroviário (BPFer), Fabrício Fernandes Mirra e  Fabio Gomes Coutinho, preso há cerca de 15 dias.

Vídeo da prisão de integrantes da milícia:

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Miliciano Edson da Silva Teixeira, o Edson Bigode é preso em Nova Iguaçu, RJ




Miliciano Edson da Silva Teixeira, o Edson Bigode é preso em Nova Iguaçu, RJ





Policiais da 4ª DP (Central do Brasil) prenderam, nesta sexta-feira, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Edson da Silva Teixeira, o Edson Bigode. Acusado de integrar a milícia Águia de Mirra, Bigode estava com a prisão decretada pela 21ª Vara Criminal.da capital e foi detido dentro de um bar.

Segundo o Delegado Titular da 4ª DP, Edson atuava na quadrilha organizando a segurança do bando de milicianos e a quadrilha controla vários bairros das Zonas Oeste e Norte e Baixada Fluminense.  O criminoso foi surpreendido enquanto trabalhava em seu bar, em Nova Iguaçu.

De acordo com o delegado Daniel Mayr, Bigode de Leite seria o responsável pela organização da segurança dos milicianos e já havia escapado da Operação Leviatã, realizada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO/IE),  que visava cumprir mandados de prisão contra a quadrilha da Águia de Mirra.

O acusado não ofereceu resistência à prisão.  Ele estava foragido da Justiça desde maio de 2010, quando foi expedido um mandado de prisão contra ele pela 21ª Vara Criminal da Capital.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Polícia Federal prende membros de milicia baiana em Feira, que se apossavam do projeto "Minha casa, minha vida"

Federal prende dois na investigação de milícia


Feira de Santana, 29/01/2011 - Duas pessoas foram detidas pela Polícia Federal no condomínio Nova Conceição, em Feira de Santana, durante investigação sobre a venda de apartamentos, que é ilegal, do programa federal Minha Casa Minha Vida. Há também denúncias sobre a ação de milícias que exigem dos moradores dinheiro em troca de segurança.

Marcone Ferreira da Silva, 34 anos, foi preso em flagrante por posse ilegal de um revólver calibre 38, que usava na portaria do condomínio. Foi liberado após o pagamento de fiança. A Polícia Federal apontou que a segurança é clandestina. O dono da empresa FBI, que presta o serviço, Giovani Kennedy de Almeida, 28, que é também morador do Nova Conceição, prestou depoimento, foi autuado por atividade clandestina de segurança privada e liberado.

No condomínio, moradores começaram a organizar um abaixo assinado pedindo a permanência do esquema de segurança. Eles negam que o serviço esteja organizado como milícia, com represálias a quem não paga. “Eu mesma nunca paguei e nunca fui pressionada a pagar”, garante Eliane Santos. O aposentado Marcos Luís Gonzaga revelou que a única restrição a quem não paga é que não tem o direito de receber as contas de água e luz em mãos. “Tem que ir pegar na portaria”, disse.

Os moradores confirmam que pagam R$ 20,00 pelo serviço, mas dizem que a vigilância privada é necessária. “Se não tiver mais a segurança, em oito dia isso aqui acaba”, afirmou Marcos Gonzaga. “Eu não ficava aqui na pracinha do condomínio depois de 10 horas da noite, porque tinha medo. Agora, está tranquilo”, contou o funcionário público Paulo Oliveira. “Antes da segurança, ninguém dormia, com som alto, vandalismo e até uso de drogas”, alegou uma moradora que pediu para não ser identidicada.

Nenhum dos moradores ouvidos por A TARDE queixou do serviço de segurança ou da obrigatoriedade do pagamento. O presidente da Associação de Moradores do Nova Conceição, Edson dos Santos Marques, disse por telefone que não queria se manifestar, porque estava se sentindo ameaçado.

O coordenador regional de Polícia Civil, Fábio Lordelo, afirmou que também está investigando a existência da milícia, mas acrescentou que não podia adiantar qualquer informação para não prejudicar as investigações.

Fonte: Glauco Wanderley - A Tarde



quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Polícia Civil admite que milícia vende drogas




Polícia Civil admite que milícia vende drogas



Delegado de Campo Grande confirma que grupos já atuam no tráfico




Bombeiros vasculham cemitério clandestino em reduto da milícia em Campo Grande. Com a repressão da polícia, grupos paramilitares agora vendem drogas no bairro.


O titular da delegacia de Campo Grande (35ª DP), na zona oeste do Rio de Janeiro, Luís Cláudio Cruz, afirmou ter informações de que os remanescentes das duas principais milícias que dominavam a região passaram a atuar no tráfico de drogas. Segundo ele, os bandidos passaram a vender entorpecentes em seus redutos.

“- Temos indícios de que os integrantes da milícia estariam migrando para atividades de tráfico.”

No ano passado, o R7 revelou que um acordo feito entre os milicianos e os traficantes fez com que a venda de drogas fosse permitida em dois redutos paramilitares de Campo Grande: as comunidades da Carobinha e do Barbante. Entretanto, a polícia nunca falou oficialmente que as quadrilhas formadas por policiais e ex-policiais comercializam entorpecentes

Cruz não quis divulgar os locais onde os milicianos comercializariam drogas nem de que forma ela é feita sob a alegação de que a investigação é sigilosa. Segundo ele, a iniciativa dos grupos paramilitares de vender entorpecentes é resultado da repressão às quadrilhas nos últimos anos.

Ainda de acordo com Cruz, pelo menos 30 milicianos com mandados de prisão estão sendo procurados atualmente no bairro, muitos deles policiais e ex-policiais. Para preservar as investigações, ele só confirma o nome de um, que é também o mais procurado: o ex-PM Toni Angelo da Silva, integrante da milícia controlada por Batman.

O delegado afirmou, no entanto, que os milicianos não atuam mais de forma organizada. Segundo ele, existe a suspeita de que eles ainda cobrariam para fazer segurança de comerciantes na região.

“- Hoje, não existe grupo hegemônico. Eles estão desestruturados. Agem de forma isolada – afirmou.”

Fonte: Marcelo Bastos e Mario Hugo Monken, do R7 | 02/02/2011 às 13h10
Foto: Severino Silva/Agência O Dia

Deputado que presidiu CPI diz que milícias estão em 300 comunidades e traficam.


Deputado que presidiu CPI diz que milícias estão em 300 comunidades

Marcelo Freixo acredita que venda de drogas por milicianos é cada vez mais comum

Parlamentar afirma que milicianos querem dinheiro, partirão para novos negócios e que combate aos grupos ainda é ineficiente


Autor da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) disse ao R7 que o número de comunidades controladas por grupos paramilitares pode chegar a 300 atualmente. O político acredita que a venda de drogas em favelas dominadas pela milícia vai ser algo cada vez mais comum.

“- Milícia é negócio. Esse discurso contra o tráfico é só para conseguir uma aceitação da sociedade. Na verdade, eles querem dinheiro e certamente vão fazer novos negócios.”

Segundo ele, as sucessivas prisões de milicianos nos últimos anos foram importantes porque mudaram a visão que a sociedade tinha desses grupos, mas diz que o combate às milícias ainda é ineficiente, pois a polícia do Rio não tem a cultura da investigação, apenas a da repressão.

“- Milícia não se combate fazendo operações em favelas, como se faz com o tráfico. É preciso investigação porque a milícia não é um grupo marginal. A milícia está dentro do Estado.”

Para o deputado, é preciso atacar o lado financeiro das milícias, que é o que as sustenta, mas isso não foi feito até agora.

“- Algumas autoridades tratavam a milícia como algo bom, como alternativa ao tráfico ou polícia comunitária. Provamos que não era nada disso e a visão das pessoas mudou. O problema é que não se combate a milícia da mesma forma como se combate o varejo da droga.”

Número de prisões aumentou 5.000% de 2006 a 2009

Em 2006, apenas cinco milicianos foram presos. No ano seguinte, foram 29 presos. Em 2008, ano da instauração da CPI, esse número subiu para 78. Já em 2009, a polícia do Rio bateu o recorde de prisões de pessoas envolvidas com milícias: 250. O crescimento percentual de 2006 a 2009 foi de 5.000%. Em 2010, o número, que vinha crescendo, caiu em relação ao ano anterior, com 141 prisões. Os números são da Secretaria de Segurança Pública do Rio.

“- No final do relatório da CPI, nós elaboramos 58 propostas, mas nenhuma delas saiu do papel até agora. Uma das principais é uma licitação individual para o transporte alternativo. A licitação por cooperativa acaba por autorizar a exploração do setor pela milícia. Outro ponto é a regulamentação do transporte alternativo. Em muitos lugares ele é o único que existe. Assim, ele deixará de ser alternativo.”

Entre as principais propostas também estão a tipificação de milícia como crime no código penal e a desmilitarização do Corpo de Bombeiros, que prevê o fim do porte de armas para agentes.

O combate às milícias rendeu ao deputado a reeleição em 2009, como segundo deputado estadual mais votado, com mais de 170 mil votos. Por outro lado, as constantes ameaças de morte o obrigam a andar de carro blindado e cercado por seguranças.

“- Caso não fosse reeleito, teria que deixar o país. Perderia toda a estrutura de segurança pessoal e certamente seria morto.”

Fonte: R7, por Marcelo Bastos e Mario Hugo Monken,  em  03/02/2011.
Foto: Paulo Araújo/Agência O Dia

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Milícia baiana: Acusado de fazer parte de milícia nega denúncias de moradores do Nova Conceição

De acordo com Geovane Guedes, a empresa contenção pode continuar ainda a prestar serviços no condomínio. 

Ney Silva / Acorda Cidade

Foto: Ney Silva / Acorda Cidade

Acusado de fazer parte de milícia nega denúncias de moradores do Nova Conceição

Ilani Silva
 Dois homens foram presos, na última sexta-feira (28), acusados de fazer parte de um grupe de milícia no Condomínio Nova Conceição, do programa Minha Casa, Minha Vida, em Feira de Santana.  Dentre eles estava Geovane Guedes, responsável pela empresa Contenção, que foi detido pela Polícia Federal e conduzido a Salvador para prestar esclarecimentos.  

Segundo ele, o trabalho realizado na comunidade tinha o objetivo de levar tranqüilidade aos moradores e que a taxa cobra de R$20 não era obrigatória.  “O valor era uma colaboração para o trabalho da portaria e do pessoal que realiza a limpeza interna do condomínio. Paga quem pode, não coagimos os moradores”, disse.

Em relação a acusações feitas por moradores do condomínio sobre a retenção de correspondências, Geovane alega que não realizava o confisco, mas só entregava as cartas nas casas das pessoas que pagassem a taxa, as demais eram depositadas na portaria do local.

De acordo com Geovane Guedes, a empresa contenção pode continuar ainda a prestar serviços no condomínio.  “Nós realizamos uma reunião no sábado, com a comunidade e o pessoal quer o trabalho, mas para isso estamos fazendo tudo dentro dos trâmites da lei”, informou. As informações são do repórter Paulo José do programa Acorda Cidade.

Fonte: Acorda Cidade 



Milícia em conjunto do ‘Minha Casa, Minha Vida"
O conjunto Residencial Nova Conceição, obra do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, em Feira de Santana, virou cenário para uma intensa disputa de poder por grupos de milícia. 
No último sábado (29), a Polícia Federal deteve o chefe da firma de segurança Giovani Kennedy de Almeida, 28, apontado pelas autoridades como possível chefe da milícia que atua no local. 
Desde então, moradores se calaram e temem perder sua liberdade. Denúncias que também têm sido apuradas pela Polícia Civil têm, como pano de fundo, a disputa pelo cargo de presidente da Associação de Moradores do condomínio. 
No sábado, após prestar depoimento em Salvador e retornar ao conjunto, Kennedy se reuniu com moradores e garantiu que a firma continua a atuar, mesmo sem ter o registro para funcionar junto à PF. 
A empresa cobra R$ 20 pelos serviços de segurança particular e limpeza do condomínio. Informações do Correio.
Fonte: Manoel Celestino em Bahia Notícias