segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Melhor amigo do Serra fugiu da CPI das Milícias




Melhor amigo do Serra fugiu da CPI das Milícias




O Conversa Afiada publicou informação da excelente coluna Rosa dos Ventos, de Mauricio Dias, na Carta Capital, sobre os atributos eleitorais de Marcelo Itagiba, um dos melhores amigos do Serra (terá ele amigos ?): “Mauricio na Carta: milicianos adoram o amigo do Serra”.

Amigo navegante enviou a este ordinário blogueiro as conclusões do excelente trabalho desta CPI da Assembléia Legislativa do Rio.

(A propósito: o então prefeito César Maia definiu as milícias como um instrumento de “auto-defesa. Depois, Cesar Maia, num outro nobre gesto, enfiou o índio na chapa do Serra.)

Como se verá, o melhor amigo do Serra invocou a imunidade parlamentar (de que não mais dispõe) para fugir da CPI:


ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO (RESOLUÇÃO Nº 433/2008)

PRESIDENTE: DEPUTADO MARCELO FREIXO VICE-PRESIDENTE: DEPUTADA CIDINHA CAMPOS RELATOR: DEPUTADO GILBERTO PALMARES MEMBROS EFETIVOS: DEPUTADO PAULO MELO DEPUTADO PEDRO PAULO DEPUTADO JOÃO PEDRO DEPUTADO ANDRÉ CORRÊA

Legitimados como representantes do Estado, de posse de armamentos, com controle do gás, do transporte coletivo e dos serviços públicos nas comunidades, as milícias resolveram ampliar seu poder buscando ocupar espaços também no Legislativo. Ao longo desses seis meses a CPI ouviu candidatos e parlamentares que, de alguma forma, foram relacionados com a atuação das milícias, seja em relatórios dos órgãos de Segurança, seja nas denúncias feitas ao Disque Milícias, seja na citação em depoimentos durante as oitivas. Nenhum deles admitiu ter qualquer relação com milícias ou ter tido apoio de milicianos em suas campanhas. Houve quem admitisse, como o PM bombeiro Cristiano Girão, indiciado pela Polícia Federal por extorsão, que age como um xerife na comunidade onde mora, impedindo a entrada de traficantes e prendendo delinqüentes. Quase todos se declararam líderes comunitários e justificaram suas ações como defesa dos interesses das comunidades. Praticamente todos reconheceram ter apoiado candidatos a cargos eletivos em todos os níveis (Câmaras Municipais, Assembléia Legislativa, Câmara Federal) oriundos dos órgãos de Segurança. Balanço das votações recebidas pelos candidatos citados mostra que, realmente, alguns deles tiveram votação expressiva em áreas controladas pelas milícias.

No decorrer da CPI, dois parlamentares e uma candidata a vereadora foram presos – o vereador Jerominho, o deputado estadual Natalino Guimarães e a candidata

Carminha Jerominho. Os parlamentares aguardam julgamento e a candidata, como outros citados, foi solta eleita. No início de novembro, a Polícia Federal indiciou várias pessoas, entre elas parlamentares eleitos, alguns dos quais ouvidos pela CPI. Em face de tudo o que foi exposto e com base em toda a documentação trazida à análise dessa Comissão, que segue em apêndice para consulta, esta CPI, em defesa do Estado Democrático de Direito e segundo suas responsabilidades constitucionalmente determinadas, propõe:

1. Conceituar milícias como grupos armados para prática de diversas extorsões e exploração irregular de serviços públicos, controlados por integrantes das instituições de segurança pública e/ou das Forças Armadas, para fins econômicos escusos, não raro com representação direta de parlamentares ou indiretamente na forma de sustentação dessa atividade criminosa, contando, no mínimo, com a tolerância de autoridades de Poderes Executivos (braço político-eleitoral

…

4. Instar, através de ofício, o deputado federal Marcelo Itagiba a responder à ALERJ as perguntas que lhe foram formuladas e estão neste Relatório, visto que o mesmo não aceitou o convite para comparecer à CPI nem respondeu às perguntas formuladas por escrito. Tais respostas são importantes uma vez que o deputado teve concentração de votos em áreas controladas por milícias e, principalmente, foi citado pela deputada federal Marina Magessi que, em seu depoimento, disse não ter combatido as milícias porque não recebeu orientação nesse sentido da Secretaria de Segurança, à época ocupada pelo deputado Marcelo Itagiba. Solicitar à Mesa Diretora e à Comissão Permanente de Segurança da Casa que acompanhem o recebimento das respostas. Estas, uma vez chegando, devem ser juntadas aos autos desta Comissão, ainda que posteriormente.

Em tempo: Marcelo Itagiba adquiriu notoriedade quando participou da Operação Lunus, quando José Serra desconstruiu a candidatura de Roseana Sarney a Presidente, em 2002. Depois, foi presidente da CPI dos Amigos de Daniel Dantas.

Fonte: Conversa Afiada

domingo, 21 de novembro de 2010

MILÍCIA EM VARGEM GRANDE E RECREIO


MILÍCIA EM VARGEM GRANDE E RECREIO

O Grupo Águia quer fazer ninho no recreio e Vargem Grande...

RIO, 01/10/2010 – A segurança tem preço nas ruas do Recreio dos Bandeirantes: R$ 1,67 por dia. Esse é o valor cobrado por um grupo autodenominado Equipe Águia de Apoio Patrimonial, que vem espalhando cartas com a proposta de “proteção” em casas e prédios do bairro. A chegada dos panfletos geralmente é precedida por ondas de arrombamentos, roubos e furtos de veículos, segundo moradores. A Polícia Civil investiga se o grupo tem ligação com a milícia que atua na Favela do Terreirão, no Recreio.

Moradores tem medo de sofrer retaliações

Na carta-proposta, o grupo informa que passará para recolher as respostas dos moradores no próximo dia 4. Em caso de adesão, o valor de R$ 50,10 será cobrado todo o dia 10 de cada mês. A reportagem fez contato com um integrante da Equipe Águia de Apoio Patrimonial por meio de um dos telefones que estão no panfleto. Na conversa gravada, um homem identificado como Vinícius disse que o grupo atua há um ano na Rua Nehemias Gueiros, próximo à Favela do Terreirão, e que há dez anos “toma conta das ruas de Vila Valqueire“.

Segundo Vinícius, os “seguranças” do grupo usam coletes, e permanecem 24 horas nas ruas “protegidas”. Perguntado sobre a legalidade do serviço e se é fornecida nota fiscal aos moradores que pagam a taxa, ele disse que pode “arranjar a nota”:

- Se todo o condomínio fechar fica melhor. Podemos marcar pessoalmente para conversar e ver o que é melhor para você – disse.

Vinícius é articulado, usa poucas girias ao vender o serviço de “proteção” e ressalta que está “apenas trabalhando” quando questionado sobre possíveis problemas com a polícia.

Além de Vinícius, a proposta trás os nomes e números de telefones e radiotransmissores de outros dois integrantes da Equipe Águia identificados como Júlio César e Jorge Marques.

Moradores da Avenida Genaro de Carvalho e das ruas Vicente Leporace e Venâncio Veloso, onde foram distribuídas nos últimos dias as cartas, temem sofrer retaliações do grupo.

- Nos últimos dois meses, os arrombamentos, furtos e roubos de carros na região se tornaram rotina. É difícil acreditar que não haja relação entre esses casos e a distribuição das propostas – disse um dos moradores.

Há dez anos vivendo no Recreio dos Bandeirantes, o empresário X., de 48 anos, já teve o carro arrombado na porta de casa. Segundo ele, moradores da região estão assustados com a insegurança no bairro:

- Pago meus impostos para ter direito à segurança da polícia e, agora, um grupo distribui no edifício propostas aos moradores para vender um serviço ilegal. Isso é um absurdo – desabafa.

Milícia cobra ágio em gás vendido no asfalto

O temor de que integrantes do grupo passem a retaliar os moradores que não aceitarem aderir à proposta levou o morador Y., de 54 anos, a instalar um moderno sistema de segurança em sua casa.

No último domingo, O GLOBO mostrou que milicianos da Favela do Terreirão estenderam a cobrança de ágio na venda de gás às ruas do Recreio. Com isso, o valor do botijão de 13 litros na região gira em torno de R$ 45. A sobretaxa de até R$ 8 equivale a 21,6% do valor médio do botijão

domingo, 24 de outubro de 2010

Chachina na Baixada deixa quatro mortos e 14 feridos, diz polícia




Chacinana Baixada deixa quatro mortos e 14 feridos, diz polícia




Vítimas estavam em churrasco numa comemoração de aniversário. Cinco homens armados em carro escuro passaram atirando.


Rio, 24 out 2010 - Pelo menos quatro pessoas foram assassinadas e outras 14 ficaram feridas em São João de Meriti, na Baixada Fluminense do Rio, segundo informações da assessoria da Polícia Militar, na noite deste domingo (24). As vítimas ainda não foram identificadas.

O número de mortos e feridos foi confirmado pela assessoria da Prefeitura de São João de Meriti. Inicialmente, havia a informação de sete mortos e 11 feridos.

De acordo com as primeiras informações da polícia, cinco homens armados, em um carro preto, passaram atirando contra pessoas que estavam em um churrasco, comemorando um aniversário, numa casa situada à Rua Cruz da Fé, na localidade Bacia do Édem. A polícia acredita que a motivação para o ataque tenha sido vingança.

De acordo com policiais do 21º BPM (São João de Meriti), há suspeita de que os autores do ataque seriam do Morro do Chapadão, em Costa Barros. Equipes do batalhão foram para o local.

Os feridos foram levados para o Posto de Atendimento Médico de São João de Meriti, de Édem, para os hospitais da Posse e Saracuruna.

Fonte O Globo e G1

Testemunhas revelam o terror das milícias no Rio


Testemunhas revelam o terror das milícias no Rio


Famílias de vítimas, ameaçadas, vivem sobressaltadas. Dois irmãos foram mortos depois de presenciarem chacina.


Rio, 24 out 2010 – Depoimentos de testemunhas ouvidas pelo "Fantástico" mostram, neste domingo (24), que a milícia - tema do sucesso de bilheteria “Tropa de Elite 2”, filme do diretor José Padilha - é, já há algum tempo, um dos grandes inimigos da população carioca. A reportagem revela o drama das pessoas que denunciaram a atuação desses grupos criminosos formados por policiais corruptos.

“Perdi tudo, perdi tudo. Só peço uma solução, preciso de apoio, porque não tem como eu ficar no Rio de Janeiro, porque a milícia se espalhou”, pede uma testemunha.

“Quero saber se isso vai ter fim porque eu não estou aguentando mais. Dói. Ando para um lado e para o outro, ando com medo. Vejo um carro preto e tenho medo de ter alguém querendo me matar”, afirma outra testemunha.

Um dos relatos da violência do grupo tem como cenário a Favela do Barbante, na Zona Oeste do Rio, onde, em agosto de 2008, os milicianos foram autores de uma chacina. Pelo menos sete pessoas assassinadas. O crime foi um recado dos criminosos para aterrorizar os moradores da região e dominar a comunidade. Era a primeira de uma sequência de execuções.

Uma testemunha conta detalhes da violência praticada pelo grupo. “Ari trabalhava, era dono desse mercado. Ele foi retirado de lá, arrastado pela rua até um campinho de futebol. Foi a primeira das sete vitimas mortas. Era um final de tarde, ainda estava claro. Muita gente viu. Ninguém quer falar ainda, afinal de contas a milícia continua a controlar essa área.”

Mortos depois de presenciarem mortes

Atualmente o mercado pertence a outra pessoa, que é obrigada a pagar aos milicianos para explorar o negócio. Além de exigir pagamento de R$ 50 por semana dos comerciantes, os milicianos faturam também com o transporte alternativo feito pelas vans.

O que aconteceu na Favela do Barbante é parecido com uma das cenas mais violentas do filme “Tropa de Elite 2”, quando um dono de van é executado pela milícia.

No caso da chacina, na vida real, o problema para a milícia foi que dois rapazes, que eram primos, indignados, foram à polícia denunciar os autores do crime.

“O cara falou que ia pegar a gente, porque a gente presenciou. A chacina foi durante o dia, às 17h. Presenciamos, ficamos acuados. O delegado prometeu que nunca ia ser descoberto meu nome nem identidade. Mostrou álbum de fotos, mostramos quem era miliciano e quem não era. O Leonardo não era miliciano. Ele era motoboy da pizzaria onde os milicianos, para mais de 200 homens, encomendavam lanches. Ele conhecia por causa disso”, conta um dos denunciantes.

Leonardo e o primo foram para o Serviço de Proteção à Testemunha e tiveram condições de se esconder. Mas na delegacia o nome e o endereço de um deles vazaram. Foi passado para a milícia.

Em uma casa de esquina estavam cinco pessoas. A milícia matou todas, entre elas o pai de um dos rapazes. Sete da primeira chacina, mais cinco da segunda: já eram doze mortes na conta da milícia.

Mas Leonardo cometeu um grande erro. Deixou o Serviço de Proteção de Testemunhas. Foi viver com um irmão, Leandro.

Nome na porta ajudou localização

Apaixonado, tinha na casa do irmão o nome dele e da namorada na porta. Um erro para quem está sendo perseguido por assassinos. Os milicianos chegaram e tentaram arrombar o portão. O portão de ferro fez muito barulho, eles não conseguiram. Com esse barulho, os irmãos passaram por cima do muro em direções diferentes. Leandro conseguiu escapar. Leonardo encontrou outros milicianos que o executaram. Leonardo tinha apenas 24 anos.

Leandro, o irmão que conseguiu fugir, falou ao Fantástico no dia seguinte. Era julho de 2009. Ele também quis testemunhar. Leandro foi assassinado no mês passado pela milícia.

“Eu só escutei os disparos, muitos disparos. Liguei para um amigo policial. Estou desesperado, cara, acabaram de assassinar meu irmão. Falaram que se eu fosse no enterro do meu irmão eles me matariam”, contou, à época.

Leandro cometeu alguns erros. Entrou, mas depois saiu do serviço de proteção. Tinha Orkut com foto dele. Os dois irmãos deixaram seis filhos órfãos por causa da violência da milícia. Mas a família é maior. Leandro foi executado trabalhando como motorista de uma kombi. O cobrador era outro irmão que viu tudo. E agora também está na mira.

“Minhas irmãs não estão indo pra escola com medo de morrer. Minha mãe está desesperada, perdeu dois filhos em dois anos e o estado não fez nada até agora. Estão preocupados em pacificar as favelas. E as milícias, que estão se alastrando, não estão enxergando isso?”, alerta o irmão de Leandro.

“Vou ajudar a Justiça, porque o que eles fizeram com meu irmão foi barbaridade, parecia que estavam matando umas cinco pessoas com tanto disparo que deram. Foram 12 tiros no meu irmão. Isso não pode ficar assim, porque se deixar, serão mais e mais vidas que vão tirar e ninguém vai fazer nada”, ressalta.

Mãe sonhou com morte do filho

A mãe fala de seu sofrimento: “Eu dizia: meu filho, sai daí. Eu tive um sonho com ele, que ele morria dentro da kombi. Falei: foge, vai embora, muda de linha, volta para o programa, volta. Dei muitos conselhos”.

“Estou apavorada de perder meus filhos todos, porque já fomos ameaçados. Eles disseram que vão matar todos que estiverem envolvidos, a família toda. Eu acredito porque eles são poderosos. Por trás disso tem gente de dentro da policia. Ainda tem pessoas que fazem ainda o serviço pra eles. A gente não sabe quem, mas tem”, afirma.

A Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) foi a que mais prendeu milicianos. Com a ajuda das testemunhas cerca de 400 milicianos foram presos. São pessoas que precisam de proteção.

Serviço de proteção garante segurança

“Por serem organizações criminosas, uma das suas características é intimidação, é o poder de corromper quem pode reprimi-la, é o poder de intimidar quem pode reprimi-la, e a capacidade de eliminação. Normalmente se procura fazer uma eliminação simbólica, pra que sirva de exemplo pra toda comunidade fique aterrorizada”, revela o delegado de Polícia Civil, Cláudio Ferraz.

“Quero deixar claro que ninguém morreu protegido no programa. Nenhuma das pessoas atendidas sofreu atentado dentro do programa. Pessoas que saem do programa por vontade própria ou são excluídas porque quebraram as regras, tivemos casos de pessoas que morreram”, diz o coordenador de direitos humanos do governo federal, Fernando Mattos.

“Por enquanto é um modelo carioca, mas é um modelo tão bem-sucedido e tão financeiramente lucrativo que não há porque em outros estados esse modelo se reproduzir. O que leva o Rio de Janeiro a ter uma situação de milícias não é uma especificidade carioca. A policia mal remunerada, a polícia sem controle, o clientelismo político, corrupção na política e na polícia. Isso não existe só no Rio de Janeiro”, afirma o deputado Marcelo Freixo, que foi presidente da CPI das Milícias.


Veja o vídeo:



Fonte: “Fantástico”, da Rede Globo e G1 RJ.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Milícias e a grilagem te terras na zona oeste.



Milícia do Rio das Pedras teria 14 empresas na região

Rio, 25 nov 2009 - A milícia de Rio das Pedras estendeu seus tentáculos a uma verdadeira rede de empreendimentos lucrativos. Negócios na área de transporte alternativo, exploração do gás, grilagem de terras, agiotagem e segurança clandestina elevaram os integrantes do grupo ao nível, e aos rendimentos, de homens bem sucedidos. Foram montadas 14 empresas dentro e fora da favela ao longo dos últimos anos, segundo o Ministério Público, para permitir a lavagem de dinheiro do grupo.

No fim da década de 90, foi criada a cooperativa de transporte alternativo de Rio das Pedras, comandada por Getúlio Rodrigues Gamas - executado este ano - e os irmãos Dalmir e Dalcemir Pereira Barbosa. Apesar de ter oficialmente cerca de 400 carros, a associação coloca em circulação nas ruas o dobro de veículos. Getúlio chegou a afirmar, à CPI das Milícias, que as vans arrecadavam R$ 60 milhões por ano. Os irmãos foram indiciados pela polícia pelo assassinato, em 2003, do então chefe de gabinete da SMTU, Paulo Roberto Paiva.

"A denúncia é importante porque atinge o braço econômico do crime organizado. Espero que o combate chegue a Gardênia Azul", afirmou o deputado estadual, Marcelo Freixo, em referência ao vereador Cristiano Girão - acusado pela CPI de chefiar uma milícia na comunidade de Jacarepaguá. A CPI das Milícias, presididida por Freixo, indiciou todos os denunciados ontem.

Entre os negócios que mais renderam lucros ao bando estão os empréstimos para moradores por meio da Areal Cred Fomento - empresa do major Dilo Pereira Soares, que tinha Beto Bomba como funcionário. Denúncias que chegaram à CPI das Milícias no ano passado apontam para a morte de pessoas que não pagavam aos agiotas em dia. Dilo já foi preso em 2001 acusado de envolvimento no sequestro e morte de um taxista suspeito de envolvimento com o tráfico. Beto Bomba chegou a fazer figuração, como policial militar, este ano, numa minisérie da Rede Globo.

Dalcemir - que numa certidão de imóvel se declarou jornalista - já teve empresa de lava-jato e de transporte de ônibus para o Nordeste. Mas o que realmente dava lucro para o irmão de Dalmir nos últimos meses era a grilagem de terras. Segundo investigações da 32ª DP (Taquara), ele faturou R$ 1 milhão com a venda de parte de um terreno que era da viúva de Félix. Socorro entrou na Justiça contra o miliciano.

Do regime semiaberto ao 'plantão' da milícia

As investigações mostram que seis acusados deixavam o Instituto Penal Cândido Mendes, durante o dia, no fim do ano passado, para trabalhar para a milícia de Rio das Pedras. Cumprindo pena no regime semiaberto, dois deles foram presos ontem de manhã, antes de ir para a rua: os ex-PMs Paulo Roberto Alvarenga e Carlos Roberto Guedes.

Alvarenga é apontado como segurança de Dalmir - acusado de ser um dos mandantes do atentado a Socorro no ano passado. O ex-PM Carlos Alberto Vieira Dantas confessou participação e entregou Otto Luiz Stefan de Albuquerque, cabo reformado da Marinha, o ex-PM Sérgio Barros de Amorim e Guedes ¿ todos companheiros de prisão.

A moto usada no crime foi emprestada por Wilson de Souza Guimarães Junior, o Porquinho, que também já cumpria pena. A polícia concluiu que a arma usada contra Socorro foi a mesma do atentado a Nadinho em 2008.

Homicídios e ameaças para manter o poder

No inquérito, várias mortes são atribuídas à milícia, como a de Adeildo Alves Cunha, por não pagar empréstimo da Areal Cred Fomento, e de Vera Oliveira, mãe de jovem de apelido Romarinho, que seria viciado. Os homicídios de Gutemberg Dias Barbosa, José Luiz dos Santos, Jeferson de Freitas da Luz Nascimento e Francisco Antônio dos Santos também teriam sido cometidos pelo grupo. "Temos indícios suficientes de que esses crimes contra a vida foram tentados pelo interesse da quadrilha em permanecer dominado a milícia", disse o delegado Cláudio Ferraz.

Com a desarticulação do bando, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, não descarta a possibilidade de o tráfico tentar tomar a favela. "Temos a inteligência para começarmos a detectar qualquer tipo de movimento nesse sentido. A polícia, seja ostensivamente ou não, não vai tirar seu foco dali", disse Beltrame.


Fonte O Dia